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Grande Prémio de Tradução Literária para António Sousa Ribeiro

13/12/2017

António Sousa Ribeiro foi distinguido com o Grande Prémio de Tradução Literária pela tradução integral d’ Os Últimos Dias da Humanidade, de Karl Kraus, publicada em 2016, pela Húmus Editora. Este prémio, atribuído pela Associação Portuguesa de Tradutores e Sociedade Portuguesa de Autores, procura destacar a tradução como exercício de autoria em literatura, e dar ao tradutor “o lugar que merece no mundo da cultura nacional e internacional”. A tradução de António Sousa Ribeiro esteve na base da encenação de Nuno Carinhas e Nuno M. Cardoso, estreada pelo Teatro Nacional São João, no Porto, em 27 de outubro de 2016, e representada posteriormente, em Lisboa, no Teatro Nacional D. Maria II.

António Sousa Ribeiro é professor do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas (Estudos Germanísticos) da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) e investigador do Centro de Estudos Sociais (CES). É cocoordenador dos programas de doutoramento em “Discursos: Cultura, História e Sociedade” e em “Pós-Colonialismos e Cidadania Global”, e docente do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura.

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Arquivo LdoD: Arquivo Digital Colaborativo do Livro do Desassossego

10/12/2017

No próximo dia 14 de dezembro de 2017, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, será apresentado o Arquivo LdoD: Arquivo Digital Colaborativo do Livro do Desassossego (https://ldod.uc.pt). O Arquivo LdoD contém imagens dos documentos autógrafos, novas transcrições desses documentos e ainda transcrições de quatro edições da obra de Fernando Pessoa. Além da leitura e comparação das transcrições, o Arquivo LdoD permite que os utilizadores colaborem na criação de edições virtuais do Livro do Desassossego.

Através da integração de ferramentas computacionais num espaço simulatório, o Arquivo LdoD oferece um ambiente textual dinâmico, no qual os utilizadores podem desempenhar diferentes papéis literários. Trata-se de um recurso multiplataforma e multidispositivo (smartphone, tablet, computador portátil) em acesso aberto, cujas funcionalidades servem para múltiplas atividades, incluindo leitura de lazer, estudo, análise, investigação avançada e criação literária.

Desenvolvido entre 2012 e 2017, o Arquivo LdoD é o resultado de um projeto de investigação do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra (CLP), com a colaboração do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores em Lisboa (INESC-ID Lisboa) e da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pela União Europeia.

O Arquivo LdoD será apresentado pelos seus principais responsáveis: Manuel Portela (Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra) e António Rito Silva (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores em Lisboa).

Variações sobre António: Um Colóquio em torno de António Variações

03/12/2017

Nos próximos dias 7 e 8 de dezembro de 2017 realiza-se na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra o Colóquio “Variações sobre António: Um Colóquio em torno de António Variações”. Esta iniciativa, que integra um colóquio, um ciclo de performances e um concerto,  é uma organização do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura e da área de Estudos Artísticos da FLUC,  contando com o apoio das seguintes entidades: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Centro de Literatura Portuguesa, Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20), Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Colégio das Artes, Teatro Académico de Gil Vicente, Teatro da Cerca de São Bernardo, Casa das Artes Bissaya Barreto e Rádio Universidade de Coimbra.

A obra e a figura de António Variações serão abordadas de forma interdisciplinar, cruzando perspetivas de estudos artísticos e literários com perspetivas históricas e sociológicas. As iniciativas programadas combinam reflexão e celebração, usando as “variações” sobre António Varições como hipóteses de re-conhecimento da cultura portuguesa da década de 80. Programação: Colóquio Variações sobre António (FLUC); ciclo Variações performáticas sobre António (Casa das Caldeiras e Casa das Artes Bissaya Barreto); concerto: Sempre além: Um espetáculo em torno de António Variações (TAGV).

Sinopse

A música, as letras das canções, a imagem, os vídeo-clips, tudo isso tem contribuído para que a presença de António Variações na cultura portuguesa não se tenha desvanecido, continuando, pelo contrário, a alimentar a imaginação do público. Tão importante como tudo isso, porém, é o paradigma que Variações representa na cena portuguesa dos anos 80, bem sintetizado pela frase, que terá dito ao produtor do seu primeiro disco, para enunciar o lugar estético em que via a sua música: «Uma coisa entre Braga e Nova Iorque». A frase não sugere um ponto de equilíbrio que seria, aliás, impossível de garantir; pelo contrário, parece enunciar uma pulsão de desequilíbrio ou de fabricação, não garantida por uma estabilidade identitária prévia – seja ela a da «cultura tradicional» ou a do «cosmopolitismo» –, para qualquer projeto de criação de uma versão moderna do popular, neste caso em Portugal.

Falar de António Variações é, pois, falar sempre de muito mais do que apenas das suas canções, já que não custa ler na sua obra e na forma como performatiza a sua identidade (pessoal e coletiva) algo que nos ajuda a ler Portugal na segunda metade do século XX, da música e da poesia à cultura, à sociedade e ao estado do «corpo político».

O colóquio «Variações sobre António» propõe-se, pois, estudar quer a obra do compositor e cantor, quer aquilo que nela é sintoma de fenómenos mais vastos – um deles, e dos mais importantes, a forma como a cultura portuguesa posterior à Revolução de 1974 tenta sintonizar-se / dessintonizar-se com o mundo exterior e, em particular, com a cultura e civilização saída dos anos 60, sobretudo aquela latamente designável como pop.

Osvaldo Manuel Silvestre, Variações sobre António: um colóquio em torno de António Variações, 7-12-2017

Materialidades da Literatura no Colóquio “Figuras da Ficção”

27/11/2017

Decorreu, nos dias 20, 21 e 22 de novembro, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, o Colóquio Internacional Figuras da Ficção 5, desta vez dedicado às dinâmicas da personagem. O encontro privilegiou reflexões sobre a vitalidade desta entidade narrativa em volta de quatro campos de abordagem: metalepses, hipóteses e propostas de dicionarização, manifestações transliterárias e sobrevidas da personagem.

Os conferencistas convidados – Marie-Laure Ryan (“What are characters made of? Philosophical, textual and ‘world’ approaches to character ontology.”), Raphaël Baroni (“How Paradigm Shifts and our Love for Stories Have Transformed our Understanding of Characters and their Relation to Plot”) e Brian Richardson (“Unnatural Characters and the Theory of Character”) – amplificaram com as suas propostas o campo de abordagem da personagem.

O Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura fez notar a sua presença de forma significativa. Além do Professor Manuel Portela, director do programa, que moderou a mesa de Brian Richardson, estiveram presentes os Professores Paulo Silva Pereira, que moderou uma mesa e proferiu a comunicação “Circum-navegações e travessias transmediáticas de Phileas Fogg e Passepartout (de J. Verne à Ficção Interativa)”, Ana Maria Machado, com a comunicação “A personagem de ficção na literatura eletrónica. O caso de Inanimate Alice” e António Apolinário Lourenço, “Protagonistas ou figurantes? As figuras da ficção de Carlos de Oliveira”. Daniela Côrtes Maduro, investigadora de pós-doutoramento, moderou uma mesa e proferiu a comunicação “Para além do Muro: os mundos possíveis de João Sem Medo”.

A participação dos estudantes do Programa, reflectindo um avanço no campo dos seus trabalhos de investigação, também foi bastante expressiva: Raquel Gonçalves, com a comunicação “Um patchwork de personagens (Construções, ficções e reflexões na série O Bairro de Gonçalo M. Tavares)”; Sofia Madalena G. Escourido, com a comunicação intitulada “Possivelmente Acácio Nobre:  encenar, inscrever, inventariar e catalogar uma personagem”; Ian Ezerin, com a comunicação “As dinâmicas da serialização das personagens em Episodios  Nacionales, de Benito Perez Galdós”; e Carolina Martins, cuja comunicação se intitulou “Characters through spaces: moving inside and outside the book/screen/gallery”.

O Colóquio Internacional Figuras da Ficção saldou-se num momento de consolidação do conhecimento em torno dos estudos sobre a personagem, revisitando a tradicional teoria narrativa e avançando novos conceitos e renovadas perspetivas de abordar a personagem nas suas mais variadas manifestações e intermedialidade. Defendeu-se, por exemplo, a necessidade de ampliar o campo teórico com propostas como as unnatural narratives (Brian Richardson) e o romance intermedial (Ana Paula Arnaut). Certamente que no futuro muitas das reflexões que compuseram os vários painéis deste encontro continuarão a ser tema de debate, de forma a criar ferramentas eficazes para uma nova tipologia da narrativa que incorporará não só tudo aquilo que conhecemos e se pensa há décadas (e até milénios), como as novas formas narrativas com que hoje nos confrontamos, enquanto leitores e investigadores.

Conferência de Eduardo Sterzi sobre Haroldo de Campos

23/11/2017

© Cartaz de Ana Sabino.

Eduardo Sterzi (Unicamp) fará uma conferência no próximo dia 28 de novembro de 2017, pelas 14h00, no Instituto de Estudos Brasileiros (5º piso, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), intitulada «Haroldo de Campos, reinventor do Barroco: do sequestro à vertigem». Esta iniciativa é uma organização do Instituto de Estudos Brasileiros e do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura (Programa Doutoral FCT).

Nunca se sabe muito bem o que fazer com o Barroco. Talvez porque, antes, nunca se saiba muito bem o que o Barroco faz em nós. Sabe-se, no entanto, que a mera invocação deste nome, em alguns âmbitos criativos e críticos, já faz coisas bastantes, já faz coisas tremendas – produz efeitos não apenas sobre o nosso conhecimento das artes do passado, mas também sobre a prática das artes no presente, nos sucessivos presentes pelo menos desde o início do século XX. Nesta palestra, abordaremos essa questão a partir das obras teórica e poética de Haroldo de Campos, nas quais a reivindicação do Barroco – contra uma historiografia literária que seria avessa a essa estética – teve importância decisiva, assim como examinaremos algumas consequências dessa reivindicação no contexto mais amplo da literatura e das artes brasileiras contemporâneas.

Simpósio de Humanidades Digitais do Sul: Escrita Criativa Digital e Coleções Digitais

20/11/2017

Nos dias 13, 14 e 15 de setembro, decorreu, na Faculdade de Educação da Universidade Complutense de Madrid, o Simpósio de Humanidades Digitais do Sul, organizado por Amelia Sanz, Begoña Regueiro e José Luis Sierra, subordinado aos temas Escrita Criativa Digital e Coleções Digitais.

Com participantes de diferentes países (nomeadamente, Brasil, Espanha, México e Portugal), estabeleceu-se à partida que todos falariam na sua língua primeira, num esforço coletivo de compreensão, tendo-se apenas utilizado o Espanhol e o Português ao longo de todo o simpósio. O entendimento linguístico metaforiza também a coesão que se pretende para as Humanidades Digitais do Sul, pela partilha de ideias e de práticas, assim como pela criação de colaborações interdisciplinares e internacionais dentro deste espaço geográfico.

Ao longo dos dias 13 e 14, foram apresentadas obras literárias, projetos de escrita e de leitura, coleções, arquivos e plataformas, ferramentas de trabalho e de pesquisa, assim como estratégias e metodologias para a investigação e para o ensino que encontram no meio digital o seu denominador comum.

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O Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura fez notar a sua presença logo na conferência inaugural, proferida por Manuel Portela, intitulada “O Arquivo LdoD como um simulador de escrita”, e, posteriormente, com a participação de Ana Albuquerque e Aguilar (“Alice nos bancos da escola: o trabalho com a personagem em Inanimate Alice”) e de Maíra Borges Wiese (“Leitura configurativa na poesia digital: três exemplos”).

Além de duas dezenas de comunicações, tiveram também lugar as conferências de Óscar Martínez Centeno (“Poesía transmedia”), seguida de uma performance pelo próprio, e de Asunción Gómez Pérez (“Enlazar colecciones, enlazar datos”).

O último dia do simpósio foi dedicado a reuniões de grupos de trabalho, destinadas à avaliação de projetos colaborativos entre algumas das instituições participantes.

Materialidades da Literatura no FOLIO 2017

10/10/2017

No próximo dia 21 de outubro de 2017, pelas 18h00, tem lugar no Espaço Criativo José Joaquim Santos, em Óbidos, a inauguração da exposição “Et Sic In Infinitum: Uma Instalação Intermedial e Transliterária”. Esta exposição, com curadoria de Carolina Martins e Diogo Marques, resulta de uma colaboração entre o Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura e a Sociedade Portuguesa de Matemática, no âmbito da programação do festival literário FOLIO 2017, que decorre entre 19 e 29 de outubro de 2017, em Óbidos. A inauguração integra ainda a performance poética “De Zero a”, criada e interpretada por Nádia Yracema e Tiago Schwäbl.

A exposição “Et Sic In Infinitum” faz parte do programa do colóquio “FOLIO 2017: Matemática e Literatura II“, que decorre entre as 11h00 e as 18h00 do dia 21 de outubro de 2017, no Museu Municipal de Óbidos. Trata-se de uma organização do Museu da Ciência da UC, em parceria com o Centro Internacional de Matemática e a Sociedade Portuguesa de Matemática, com o apoio do Centro de Matemática, Aplicações Fundamentais e Investigação Operacional da Universidade de Lisboa e do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Sinopse da exposição

Circularidade. Tropo recorrente no momento de enunciar de modo literário um complexo paradoxo entre tempo e intemporalidade. De Aristóteles a Beckett, de Dante a Joyce, são (in)contáveis os movimentos circulares que se auto-reflectem nos mecanismos formais, temáticos e retóricos dos objectos artísticos em si mesmos, por exemplo, na representação da ideia de infinitude num espaço finito.


ET SIC IN INFINITUM é uma demonstração empírica desses mesmos percursos “revolucionários”, que se estendem entre o analógico e o digital, sejam estes o espaço delimitado da página ou códice, o comportamento rizomático do espaço em rede, ou a instalação contida no espaço de uma galeria. Numa sequência de movimentos dialécticos que não se anulam entre si, mas antes se complementam, surgem tensões entre textos, meios e artefactos, cujos processos estéticos e poéticos constituem uma engrenagem em movimento constante: a literatura. De círculo em círculo, na entropia espiralar que atesta o movimento do ser e do mundo, sob forma de máquinas literárias e mecanismos labirínticos, tais exercícios de contra-geometria acabam por expor também o momento crucial atravessado pela literatura, hoje imersa num aceso debate sobre os seus princípios e fins, intensificados no seu vórtice por práticas e mediações em torno da digitalidade.