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Doutoramento Nº 11

07/07/2020

Realizam-se no próximo dia 29 de julho de 2020, pelas 14h45, por videoconferência (transmitida pelo canal YouTube dos Serviços Académicos em https://www.uc.pt/academicos/provas), as provas de doutoramento em Materialidades da Literatura de Caio Di Palma de Souza Medeiros, candidato da quarta edição do Programa, que teve início em 2013-2014. O candidato apresenta a tese «Resto Cantable em Três Movimentos: Memória Poética e Inscrição Matérica em José Ángel Valente» (2020), orientada por Osvaldo Manuel Silvestre (Universidade de Coimbra) e Ricardo Namora (Centro de Literatura Portuguesa).

O júri, nomeado por despacho reitoral de 27 de maio de 2020, tem a seguinte constituição:
Presidente:
Manuel Portela (Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Vogais:
Claudio Rodríguez Fer (Professor Catedrático da Universidade de Santiago de Compostela)
Pedro Serra (Professor Catedrático da Universidade de Salamanca)
António Apolinário Lourenço (Professor Associado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Osvaldo Manuel Silvestre (Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Esta tese – a décima primeira do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura – integra-se numa das linhas de investigação do Programa, dedicada à análise da relação entre processos de escrita e tecnologias mediais (Ex Machina: Inscrição e Literatura, subtema “escrita e inscrição”). Caio Di Palma investiga a poética metafísica de José Ángel Valente com base na relação entre memória como germinação originária e inscrição enquanto procedimento operativo.

Resumo [excerto]

Portanto, o que a presente tese apresenta é uma leitura sobre a construção da razão poética valentiana desde os seus fundamentos pré-expressivos até a gestualidade do seu acto poético. Para esse fim, discutir-se-á a obra de José Ángel Valente a partir de três movimentos compositivos: I) legados hermenêuticos e a questão poética; II) intenções gnósticas e a gestualidade inscricional; III) matrizes geradoras e a escritura poemática.

Bolsas de Doutoramento do CLP

30/06/2020

A Universidade de Coimbra (UC) abre concurso para atribuição de 3 (três) Bolsas de investigação, adiante designadas por Bolsas de Investigação para Doutoramento, na área de Estudos Literários, ao abrigo do Regulamento de Bolsas de Investigação da FCT (RBI) e do Estatuto do Bolseiro de Investigação (EBI).

As bolsas serão financiadas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) ao abrigo do Protocolo de Colaboração para Financiamento do Plano Plurianual de Bolsas de Investigação para Estudantes de Doutoramento, celebrado entre a FCT e a Unidade de I&D Centro de Literatura Portuguesa, UIDP/00759/2020.

As atividades de investigação conducentes à obtenção do grau académico de doutor dos bolseiros selecionados devem estar enquadradas no plano de atividades e estratégia da Unidade de I&D Centro de Literatura Portuguesa, e devem ser desenvolvidas no âmbito dos seguintes Programas de Doutoramento:

  • Programa de Doutoramento em Literatura de Língua Portuguesa, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (duas bolsas);
  • Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (uma bolsa).

O concurso está aberto entre 2 de julho de 2020 e as 24h00 (hora de Lisboa) de 15 de julho de 2020.

As candidaturas e os documentos de suporte à candidatura previstos no presente Aviso de Abertura de Concurso devem ser submetidos, obrigatoriamente, por correio eletrónico enviado para clp@fl.uc.pt.

Consultar texto completo do Aviso de Abertura do Concurso no portal eracareers.pt: http://www.eracareers.pt/opportunities/index.aspx?task=global&jobId=125114&lang=pt

Descarregar PDF do Edital.

Estado da Arte 2013-2020

21/06/2020

Monkey Connectome

No passado dia 18 de junho de 2020, entre as 10h e as 18h, o Doutoramento em Materialidades da Literatura (DML) realizou, por videoconferência, o “Estado da Arte 15”. Com o subtítulo “contigência, emergência, calamidade, desconfinamento”, este encontro teve não só o propósito habitual de observar o estado das teses, mas serviu também para falarmos sobre o efeito da pandemia nas nossas condições de trabalho e no nosso ânimo enquanto grupo de investigação. Com 22 participantes, incluindo 14 apresentações de teses em curso, esta foi a décima quinta edição deste encontro semestral que se realiza desde maio de 2013. Foi também uma forma de assinalarmos em regime remoto os dez anos do DML, cuja primeira iniciativa, uma conferência de Lev Manovich, ocorreu a 18 de junho de 2010. Mas o que tem sido exatamente o Estado da Arte?

Uma das dimensões cruciais da formação de investigadores em programas de doutoramento diz respeito às práticas de orientação e de monitorização durante o período de desenvolvimento da investigação e de escrita da tese. Concluída a parte curricular com a aprovação do projeto de tese, a estrutura de trabalho e de interação que os seminários semanais oferecem desaparece, com a consequente quebra da atmosfera de estímulo intelectual e de debate coletivo. Uma vez aprovado o projeto de tese, algo que ocorre no final do primeiro ano ou, como acontece com o DML, no final do 3º semestre, a orientação tutorial individual tende a tornar-se a forma de contacto dominante (e, em certos casos, única). A transição entre a estrutura ritmada dos seminários e a ausência de momentos regulares de atenção sincronizada, nesse período pós-curricular, tem um efeito interruptivo da conversação com consequências negativas, que a orientação tutorial só por si nem sempre consegue minimizar.

A orientação tutorial pode, por sua vez, separar-se em dois momentos: um momento pré-projeto, durante o qual doutorando/a e orientador/a se reúnem para trabalhar na concetualização do problema e dos objetivos do projeto, na definição do corpus de análise, da metodologia e da bibliografia relevante; e um momento pós-projeto, em que esses encontros tutoriais passam a acompanhar a redação da tese através de feedback específico, quer a resultados preliminares da investigação, de que resultam muitas vezes comunicações e artigos, quer às primeiras versões de subcapítulos e capítulos do texto final. A frequência destes encontros passa a depender, em grande medida, da capacidade do/a doutorando/a de produzir e mostrar os resultados preliminares do trabalho em curso e, muito em especial, das amostras de escrita que está disposto/a a submeter à arbitragem do/a orientador/a. Daqui resultam ritmos de interação muito variáveis, por vezes com longos períodos sem produção de materiais. Se doutorandos/as descobrem, com surpresa, que o cronograma tão meticulosamente planeado vai sofrendo constantes ajustes por terem subestimado a dificuldade do empreendimento,  orientadores/as interrogam-se muitas vezes se a escrita terá parado definitivamente ou se a longa paragem serve apenas para recuperar o fôlego.

Desde a sua criação que o DML tem concebido práticas para acompanhar colaborativamente o processo de investigação e de escrita, evitando o efeito de desagregação do espaço coletivo de indagação nesse momento pós-projeto, no qual o trabalho se torna sobretudo individual. Uma dessas práticas é o encontro semestral de discentes e docentes que designámos “Estado da Arte”, no qual os/as estudantes do Programa são convidados/as a descrever o progresso e os dilemas do último semestre, submetendo essa descrição à crítica pelos pares, através de comentários e perguntas. Este modelo segue a prática do Seminário de Orientação do 3º semestre, no âmbito do qual a versão final de cada projeto é objeto de uma crítica entre pares através da partilha de várias iterações do projeto, sucessivamente reescritas pelos respetivos autores em resposta a comentários e perguntas do grupo.

O modelo desenvolvido pelo DML tem algumas particularidades relativamente a encontros de apresentação do trabalho em curso noutros programas doutorais. Não tem a forma de um colóquio no qual os doutorandos apresentam comunicações formais. Também não é um encontro aberto, pois a participação é restrita aos membros discentes e docentes do DML. O seu objetivo é simultaneamente científico, na medida em que a componente de investigação apresentada é objeto de crítica pelos pares, e pedagógico, dado que todos os participantes devem expor os dilemas em que se encontram e fazer uma autoavaliação pública da relação entre o planeado e o conseguido para esse semestre, e também de eventuais reconcetualizações de aspetos específicos do seu plano à medida que o processo de investigação lhes permite perceber melhor o seu objeto, o seu método e a sua escrita.

Na candidatura ao concurso de Programas de Doutoramento FCT (submetida em fevereiro de 2013), na alínea “6.2 Monitoring of students”, escrevemos: “During the thesis development stage, the Program holds joint peer-review meetings, where students present the ongoing stage of their research and discuss their problems and ideas with peers and professors. Besides these group peer-review meetings, each student holds regular meetings with his or her thesis adviser, according to the approved timeline.” Os “Estados da Arte” correspondem aos encontros coletivos de crítica pelos pares projetados naquela descrição, mas a forma particular que tomaram resulta de um processo continuado de socialização e aprendizagem por todos os participantes que concretizaram cada uma das suas quinze sessões. Esse treino, resultado da repetição e afinação do modelo inicial, desenvolveu progressivamente uma prática de crítica aberta entre pares, que é essencial alimentar e manter em contexto de investigação avançada.

O que tem sido então o Estado da Arte? Por um lado, uma combinação de formalidade e informalidade que ajuda a que as intervenções possam ser realmente momentos de interpelação aberta ao trabalho em curso, e não a apresentação fechada de resultados ou conclusões. Deste modo, os participantes prestam-se a um diálogo genuíno, mostrando os bastidores dos seus processos e incorporando o feedback que recebem. Por outro lado, um estado de confiança mútua, que permite a quem fala expor o seu trabalho sem receio e criticar de modo construtivo o trabalho alheio, e uma ética solidária de colaboração, ciente da natureza coletiva do trabalho científico e da crítica sistemática como um instrumento fundamental de controlo de qualidade. Não se trata apenas de um modo de prevenir (ou minorar) o solipsismo e a solidão, que por vezes tomam conta do período de escrita da tese, mas constitui sobretudo um modo de renovarmos a energia da interrogação e da inteligência partilhadas, necessárias para cumprirmos o exigente compromisso que assumimos perante nós mesmos e perante os outros.

2010-2020: Incoming

21/05/2020

Henri Matisse, Interior with a Young Girl (Girl Reading). 1906. Oil on canvas, 28 5/8 x 23 1/2″ (72.7 x 59.7 cm) © MOMA.

Ao longo da última década, o reconhecimento internacional do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura manifestou-se também através do acolhimento de estudantes que, durante um semestre, frequentaram a Universidade de Coimbra para prosseguirem a sua investigação, participando em seminários curriculares e no ciclo regular de atividades. Encontrando no grupo de investigação do Programa uma interlocução relevante para os respetivos projetos de doutoramento, estes investigadores são oriundos de múltiplas instituições e diversas áreas disciplinares, incluindo estudos literários, comunicação, estudos fílmicos, antropologia, semiótica e design.

Financiados pelas respetivas instituições, através de agências como a CAPES ou o Programa ERASMUS, estes intercâmbios estão documentados nos resultados finais das suas pesquisas e nas redes de contactos e de colaboração entre os diversos Programas de pós-graduação e instituições envolvidas. Ao dispor-se a dialogar com o nosso trabalho a partir de outros contextos, adicionam espaços de intersecção entre áreas disciplinares e métodos distintos, contribuindo para reafirmar a natureza interdisciplinar que constitui a matriz do DML. Os dez anos do Programa podem assinalar-se recordando esse fluxo de entusiasmo intelectual e de dedicação que, ao longo dos anos, alargou a nossa comunidade com uma dezena de estudantes de mobilidade incoming, na sua maior parte oriundos de universidades brasileiras, através do PDSE (Programa de Doutorado-sanduíche no Exterior).

Os trabalhos produzidos indiciam o impacto do Doutoramento em Materialidades da Literatura sobre os seus percursos de investigação, por vezes refletido no título ou na estrutura das próprias teses, e na exploração de teorias, conceitos e temas estudados no Programa. Recordo alguns dos estudantes internacionais acolhidos: Mauren Pavão Przybylski (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Gustavo Cavalheiro (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Lúcia Joviano (Universidade Federal de Juiz de Fora), Erika Oikawa (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Tatiana de Laai (Universidade Federal Fluminense), Alexandre Ranieri (Universidade Estadual de Londrina), Elissavet Pournara (Universidade Aristóteles de Salónica), Gustavo Ramos de Souza (Universidade Estadual de Londrina), Gisele Noll (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

Embora menos visíveis do que outros “indicadores de produção”, estes resultados podem ser lidos como um sinal indireto e deslocalizado do nosso trabalho coletivo. Paralelamente, a presença destes investigadores visitantes contribui para alargar a esfera de referências do Programa, tornado-se parte integrante das nossas atividades, como acontece com os encontros semestrais do Estado da Arte e com a publicação de várias recensões na revista MATLIT. De resto, as teses já defendidas poderiam facilmente associar-se com cada uma das três linhas principais de investigação (Ex Machina; Vox Media; ReCodex). Tal como acontece nas teses do Programa, a interdisciplinaridade dos métodos constitui expressão da intermedialidade das práticas e objetos estudados: relação entre oral e digital; alteração do rácio visão-tato na mediaçao técnica; a presença da história na cena da escrita modernista; as comunidades de escrita “fan fiction” e a banda desenhada; a ubiquidade da remediação digital do sujeito na relação com o seu próprio corpo; a remediação digital do arquivo fonográfico da cultura oral; a experimentação poética com a materialidade técnica nas retroações entre impresso, digital e aumentado; os modos de presença da escrita no cinema; as práticas de interação com assistentes automáticos de voz como interfaces de comunicação.

O catálogo das teses concluídas entre 2014 e 2020, na sequência de estadas de intercâmbio no Doutoramento em Materialidades da Literatura, mostra como estes estudantes conseguiram situar os seus projetos num diálogo estreito com o nosso trabalho. Evidencia ainda o esforço que temos feito para construir e manter um espaço especulativo, aberto à produtividade aleatória das interações entre investigadores juniores e seniores em múltiplos contextos disciplinares e institucionais. Os nove projetos seguintes são uma amostra dessas trocas genéticas ao longo da última década. Não sendo estritamente resultados do Programa, são sinais sustentados de um diálogo internacional em curso:

  1. Mauren Pavão Przybylski, Das Materialidades da Literatura: A Reinvenção da Vida e o Acervo de Narrativas Orais Urbano-Digitais (Orientação de Ana Lúcia Liberato Tettamanzy. Literaturas Portuguesa e Luso-Africanas, Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS, 2014. Bolsa PDSE CAPES)
  2. Gustavo Augusto Tavares Cavalheiro, O Tempo In-Media-Ato: a superação da visualidade por meio da tatilidade das não-coisas e-materializadas (Orientação de Lucrécia D`Alessio Ferrara. Programa de Estudos Pós-graduados de Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2014. Bolsa PDSE CAPES)
  3. Lúcia Helena da Silva Joviano, Pagu: escritos literários e inscrições históricas (Orientação de Alexandre Graça Faria. Programa de Pós-graduação em Letras: Estudos Literários, Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF, 2014. Bolsa PDSE CAPES)
  4. Tatiana de Laai, A identidade de fãs de quadrinhos: Entre a “vida civil” e a “vida nerd” (Orientação de Laura Graziela Figueiredo Fernandes Gomes. Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Departamento de Antropologia, 2016. Bolsa PDSE CAPES)
  5. Erika Oikawa, Produção de presença no contexto da comunicação ubíqua? Relações de complexidade entre corpo, tecnologia e ambientes digitais (Orientação de Juremir Machado da Silva. Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul-PUCRS, 2016. Bolsa PDSE CAPES)
  6. Alexandre Ranieri Ferreira, Caleidoscópio Amazônico: A Oralidade Amazônica em Som, Imagem e Movimento (Orientação de Frederico Augusto Garcia Fernandes. Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual de Londrina-UEL, 2016. Bolsa PDSE CAPES)
  7. Elissavet Pournara, Experimental Poetics and Materialities in the Works of Susan Howe, Stephanie Strickland, and Caitlin Fisher. (Orientação de Tatiani Rapatzikou. Programa de Doutoramento em Literatura Americana, Universidade Aristóteles de Salónica, 2018. Bolsa ERASMUS)
  8. Gustavo Ramos de Souza, Materialidades do cinema na literatura (Orientação de Luiz Carlos Santos Simon. Programa de Pós-graduação em Letras, Universidade Estadual de Londrina-UEL, 2019. Bolsa PDSE CAPES)
  9. Gisele Corrêa Noll, Materializações Digitais da Cultura: Os Transatores Vocais e a Comunicação Contemporânea (Orientação de André Fagundes Pase. Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul-PUCRS, 2020. Bolsa PDSE CAPES)

O breve relato de Gisele Noll (disponível aqui) sobre a sua estada no Programa de Materialidades da Literatura (entre outubro de 2018 e março de 2019) dá-nos um testemunho da experiência de sair para um estágio de doutoramento fora do país. Nessa ida e volta Porto Alegre-Coimbra-Porto Alegre, encontramos o prazer da viagem e da descoberta, mas também o dever de corresponder ao apoio recebido. Sentimos ainda o ângulo de um olhar de fora sobre o Programa, gerado pela direção incoming do movimento. Aquilo que começou por uma troca de correspondência eletrónica, seguido de um processo burocrático de preparação, de um momento para o outro toma a forma de uma nova rotina num outro lugar rodeado de outra gente. É preciso fazer a viagem, arrendar casa, ir às compras, reorganizar o dia-a-dia, aprender novos percursos, atravessar a cidade, criar novas relações, repensar projetos, recalibrar expectativas, observar criticamente o que fazemos, procurar a energia para prosseguir. Ler, escrever. Voltar a ler, voltar a escrever. Regressar a um ponto diferente do ponto de partida.

Sessões Online Arquivo LdoD

05/05/2020

As nossas sessões criativas online são encontros para a leitura e a apropriação dinâmica dos fragmentos do Livro do Desassossego, assim como para a criação colaborativa de edições virtuais temáticas e a escrita de novos textos poéticos, por meio da utilização do Arquivo LdoD. Os encontros são abertos a público diverso: leitores assíduos, fãs de Fernando Pessoa, a comunidade acadêmica (com a participação de estudantes e professores), artistas dos mais diversos tipos, escritores e curiosos. Acompanhe a nossa agenda de sessões e venha tomar um copinho online conosco e recriar o Livro! PS: As sessões criativas fazem parte do projeto Fragmentos em Prática. Para mais informações acesse a nossa página no Facebook: <https://www.facebook.com/fragmentos.pratica/>

 

Sessão 1: Introdução ao Arquivo LdoD

13 de Maio de 2020, Quarta-feira  – 20:00hs (90 minutos)

A primeira sessão apresenta, passo a passo, as principais funcionalidades do Arquivo LdoD por meio dos dez vídeo-tutoriais explicativos do projeto Fragmentos em Prática. Essa introdução vídeo-guiada tem noventa minutos de duração e é acompanhada do grupo de moderação online para tirar dúvidas, experimentar conjuntamente as ferramentas, descobrir novos textos.

Para participar da nossa sala de trabalhos de trabalhos acesse: Sessão 1 – Introdução ao Arquivo LdoD.

Para confirmar a sua participação: Evento Facebook – Introdução ao Arquivo LdoD

 

 

Sessão 2: Sarau no Arquivo LdoD

20 de Maio de 2020, Quarta-feira  – 20:00hs (90 minutos)

A segunda sessão terá como tema, no esteio da pandemia global, o nosso atual estado de isolamento social. A edição virtual aberta “Não tendo o que fazer” (BNP/E3, 3-12r), será remodelada colaborativamente pelos participantes. Para isso, utilizaremos as ferramentas de pesquisa, leitura, seleção e anotação dos fragmentos do Arquivo LdoD para compor a nossa edição, assim como também discutiremos as sugestões textuais nos termos da poética implícita ao nosso atual estado de introspecção e de recolhimento.

Para participar da nossa sala de trabalhos acesse: Sessão 2 – Sarau no Arquivo LdoD

Para confirmar a sua participação: Evento no Facebook – Sarau no Arquivo LdoD

 

Sessão 3: Oficina LdoD Remix

27 de Maio de 2020, Quarta-feira  – 20:00hs (90 minutos)

A terceira sessão é uma parceria entre os projetos Fragmentos em Prática e Operation Room e tem como tema a criação de gifs-poemas por meio da leitura, anotação e remistura dos fragmentos do Arquivo LdoD. Além da funcionalidade edição virtual, serão utilizados aplicativos de tratamento de imagem, ilustração e composição videográfica de uso aberto, assim como editores textuais ou outra qualquer ferramenta de manipulação digital à escolha dos participantes.

Para participar da nossa sala de trabalhos acesse: Sessão 3 – Oficina LdoD Remix

Para confirmar a sua participação: Evento no Facebook – Oficina LdoD Remix

SOBRE O PROJETO OPERATION ROOM:

Operation Room é um projeto para desenvolver um grupo/comunidade online com o objetivo comum de criar poesia digital baseada nos processos de apropriação e remix (remistura). Os membros desta comunidade partilham, usam e re-utilizam o conteúdo partilhado por todos (texto, audio, imagem, video, código) para criar poesia digital. Para participar, registe-se na aplicação Trello e aceite o convite através deste link: https://trello.com/b/urllx8xi/operation-room-digital-poetry

Para mais informações entre em contato pela página Fragmentos em Prática ou pelo email fragmentos.em.pratica@gmail.com.

Videoconferência: Criação poética e materialidade

16/04/2020

© Cartaz de Rui Silva.

No próximo dia 30 de abril de 2020, pelas 11h00 [nova hora], Alexandre Graça Faria (Universidade Federal de Juiz de Fora) fará a videoconferência “Criação poética e materialidade” através do URL: https://videoconf-colibri.zoom.us/j/3454748493. Trata-se de uma iniciativa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, organizada pelo Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura, Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), Centro de Literatura Portuguesa (CLP) e Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas (DLLC).

NOTA: Para aceder basta abrir aquela ligação no browser depois de instalado o cliente Zoom. Se ainda não estiver instalado no seu dispositivo, o download e instalação do Zoom acontece automaticamente da primeira vez que tentar ligar-se. Deve seguir os passos indicados e, após a instalação, entrar no endereço indicado.

Resumo

A partir da apresentação das obras UrâniaVenta não, Olhos livres e I, o poeta Alexandre Faria, atualmente professor e pesquisador visitante na UC, propõe uma conferência metapoética em que discute estratégias e métodos de criação que problematizam o papel do objeto livro como suporte material e ideológico para o ato de criação verbal. A reflexão sobre objetos como o “livro sem saída” ou a “plaquete para leitura não humana”, que serão apresentados e debatidos com o público, busca refletir sobre a interferência do autor na sensibilidade de navegação/manipulação dos meios e suas consequências na leitura.

Alexandre Graça Faria possui graduação em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1994), mestrado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1998) e doutorado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2003). Atualmente é e professor associado da Universidade Federal de Juiz de Fora e professor visitante da Universidade de Coimbra, onde leciona um seminário de Literatura Brasileira. É também ensaísta, poeta e ficcionista; autor dos livros Venta não (2013), Anacrônicas (2005), Literatura de subtração (2009); e organizador de Poesia e vida – anos 70 (2007), coorganizador de Outra – poesia reunida no sarau de Manguinhos (2013 – com Oswaldo Martins) e de Modos da margem – figurações da marginalidade na literatura brasileira (2015 – com João Camillo Penna e Paulo Roberto Tonani do Patrocínio). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: cultura brasileira contemporânea, literatura brasileira, cultura e identidade, criação literária nas periferias urbanas.

Como se faz uma revista científica?

16/03/2020

 

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Concebida em 2012 como um fórum de publicação para os métodos, objetos e teorias em desenvolvimento no campo que designámos “Materialidades da Literatura”, a revista MATLIT publicou o seu primeiro número em julho de 2013. Intitulado “Estranhar Pessoa com as Materialidades da Literatura” (Vol. 1.1), esse primeiro número refletia já uma estratégia de produção que caraterizaria a maior parte dos números publicados desde então. Tratava-se de tomar como ponto de partida para a produção de cada número quer projetos de investigação, quer encontros científicos cujos temas e problemas contribuíam para articular o conjunto de abordagens interdisciplinares que estávamos a consolidar através de uma noção expandida de literatura e de teoria da literatura. Nestes casos, a convocatória aberta para artigos reiterava a convocatória para comunicações produzida no âmbito dos projetos ou dos encontros. Um terceiro procedimento consistiu na disseminação de convocatórias sobre tópicos concetualizados especificamente para determinado número por editores convidados. Deste modo, a coordenação de cada número poderia diversificar-se, quer através de propostas internas baseadas na colaboração entre investigadores da Universidade de Coimbra e de outras universidades nacionais e internacionais, quer através de propostas externas de investigadores que trabalham em áreas afins às do Programa.

Um passo preliminar à produção propriamente dita consistiu na definição de um processo editorial que cumprisse as normas internacionais de controlo de qualidade e na adoção de uma plataforma eletrónica adequada para pôr em prática o processo. A revista adotou o Open Journal Systems, uma plataforma de gestão e publicação desenvolvida pelo Public Knowledge Project desde 2001 que permite integrar todo o fluxo de trabalho de produção (submissão, avaliação, revisão de texto, paginação, indexação, publicação), incluindo a gestão e registo das interações entre os participantes. Na configuração da revista através da plataforma OJS foi necessário garantir cumulativamente o cumprimento de três conjuntos de critérios: (a) critérios formais e de conteúdo científico (página de apresentação com título completo, ISSN, DOI, volume e número, mês e ano; garantia de conteúdo científico original igual ou superior a 75%; equipa de arbitragem; avaliação duplamente cega; etc.); (b) critérios gerais de qualidade editorial (conselho editorial, incluindo a filiação institucional dos membros; participação de avaliadores externos; historial, âmbito disciplinar e objetivo da revista; periodicidade; homogeneidade dos fascículos quanto ao número de artigos publicados; regras para os autores, tais como copyright, idioma, estilo de citação, indicações sobre apresentação de textos, imagens, resumo, palavras-chave, etc.; instituição responsável pela edição; bases de dados onde está indexada, etc.); (c) critérios de acessibilidade: política de acesso ao título (com ou sem registo; com ou sem embargo; com ou sem custos de subscrição; acesso aberto parcial ou integral). Além disso, decidimos ainda publicar cada artigo em duas versões (em PDF, numa versão da revista inteiramente paginada para impressão; em HTML, para leitura multidispositivo em ecrã) e, quando necessário, fazer edições multimédia, combinando texto, imagem, áudio e vídeo.

Os dois projetos de investigação que originaram o primeiro número (1.1) eram dedicados à obra de Fernando Pessoa: Nenhum Problema tem Solução: Um Arquivo Digital do Livro do Desassossego (CLP, 2012-2015) e Estranhar Pessoa: Um Escrutínio das Pretensões Heteronímicas (ELAB e IFL, 2013-2015). O segundo número da revista (1.2), intitulado “Escrita e Cinema”, surgiu também a partir de um projeto de investigação: Falso Movimento: Estudos sobre Escrita e Cinema (CEC, 2012-2015). Outros números resultaram de colóquios organizados ou coorganizados pelo Programa: “ActaMedia XI: Simpósio Internacional de Artemídia e Cultura Digital” (18-19 de novembro 2014, Coimbra, em colaboração com a Universidade de São Paulo) está na origem do número “Artes, Média e Cultura Digital”, publicado em 2015 (3.1); “Estudos Literários Digitais” (14-15 de maio de 2015, Coimbra) resultou em dois números do mesmo nome em 2016 (4.1 e 4.2); “Literatura Eletrónica: Filiações, Comunidades, Traduções” (18 e 22 de julho de 2017, Porto; organizado pela Universidade Fernando Pessoa) produziu três números, subordinados aos três subtópicos da conferência e publicados em 2018 (Vols. 6.1, 6.2 e 6.3). Foram ainda produzidos três números resultantes apenas de convocatórias abertas sobre um determinado tema: “Livro e Materialidade” (2.1, 2014), “Vox Media: O Som na Literatura” (5.1, 2017) e “Redes da Poesia Experimental: Circulações Materiais” (7.1, 2019).

A combinação destes três procedimentos permitiu que a revista estabelecesse um campo de intersecção de áreas disciplinares próprio, no qual convergem estudos literários, estudos dos média, estudos fílmicos, estudos do livro, crítica textual, estudos do som e da voz, humanidades digitais, entre outros. Permitiu ainda uma progressiva internacionalização da revista, evitando que se transformasse apenas num fórum da investigação local e publicando um número significativo de investigadores seniores e juniores de diversos contextos geográficos e institucionais da Europa, da América do Sul e do Norte, da Ásia e da Austrália (Cf. Gráficos 1, 2 e 3). Esta internacionalização foi ainda pensada segundo uma lógica trilingue, na qual português, inglês e espanhol foram definidas como  línguas de publicação da revista (Cf. Gráficos 4 e 7). Conseguiu, por último, estabelecer um diálogo continuado com teóricos e artistas cujas obras têm sido estudadas no Programa. Para além das entrevistas realizadas e de um conjunto de artigos de referência de vários desses autores, merece igual destaque a secção de recensões críticas (Cf. Gráfico 5). Nessa secção, o diálogo sistemático com bibliografia recente obedece a um duplo objetivo: por um lado, a construção de um cânone do Programa através de uma amostragem representativa dos livros que lemos;  por outro lado, a aprendizagem dos protocolos da linguagem crítica da investigação avançada e a formação no exercício difícil de ler e escrever sobre teoria (Cf. Gráfico 6).

Uma revista académica faz-se com autores, leitores, editores, avaliadores, revisores de texto, compositores e designers, uma rede vasta de colaborações motivada pelo objetivo de publicar nova investigação através de um processo moroso e exigente de controlo de qualidade, e condicionada pelos contextos e posições institucionais dos diversos agentes de produção de investigação. Ainda que este processo esteja hoje formalizado em plataformas como o OJS e similares, estruturadas de acordo com os padrões internacionais de gestão e produção de publicações académicas, ele não se concretiza sem uma quantidade enorme de trabalho oferecido por muitos dos participantes no processo. Esta economia de dádiva é, de resto, definidora do modo de produção das publicações científicas. No caso da MATLIT, um outro princípio tem orientado a sua produção: proporcionar uma experiência colaborativa de aprendizagem dos processos de gestão e produção de uma revista científica em formato eletrónico, uma vez que a participação na comissão editorial tem sido parte do programa de formação dos jovens investigadores, que podem assim desempenhar diferentes papéis no fluxo de trabalho.

Olhemos ainda para a revista considerando os critérios bibliométricos, isto é, os sistemas de medida que estabelecem o valor reputacional de cada título dentro do campo cultural das publicações científicas a partir de indicadores como o fator de impacto, calculado através da ponderação relativa das citações recolhidas automaticamente pelos sistemas indexadores. Embora a revista MATLIT: Materialidades da Literatura não esteja indexada em bases de dados de referência como a Web of Science e a Scopus (trata-se de um processo que a Imprensa da Universidade de Coimbra tem ainda em preparação), é possível verificar um gradual crescimento do número de referências a artigos publicados na revista, num espaço institucional e geográfico amplo (Europa, América do Norte e do Sul). Esta atenção crescente é, de resto, indicada também pelo número de visualizações e transferências de ficheiros registados na plataforma UC Digitalis, na qual todos os números da revista têm sido republicados (aproximadamente entre 100 e 200 por artigo, para o intervalo de 1 ano; entre 500 e 1000 por artigo, para o intervalo de cinco anos ou mais). Apesar disso, dada a sua natureza fortemente interdisciplinar e dado o seu modo de produção, a sua posição manter-se-á como periférica dentro do sistema reputacional das revistas de estudos literários.

Em suma, a pergunta “como se faz uma revista científica?” deve ser respondida pela prática. No caso da MATLIT, neste momento em que a prática pode já ser objeto de um olhar retrospetivo, responder significa escutar também todos os ecos que reverberam naquela pergunta: como se faz uma revista científica em humanidades? como se faz uma revista científica num novo campo de investigação de natureza interdisciplinar? como se faz uma revista científica numa universidade portuguesa? como se faz uma revista científica em várias línguas? como se faz uma revista científica tirando partido do meio digital? como se faz uma revista científica enquanto projeto de formação e de aprendizagem num programa doutoral? como se faz uma revista científica em diálogo com investigadores juniores e seniores em múltiplos espaços institucionais e geográficos? como se faz? como se continua a fazer?

 

A revista MATLIT (2013-2019) em sete gráficos:

Gráfico 1. MATLIT 2013-2019: Artigos de Investigação Publicados. Diversidade institucional e geográfica. © MP, 2020.

Gráfico 2. MATLIT 2013-2019: Artigos de Investigação Publicados. Filiação institucional dos autores. © MP, 2020.

Gráfico 3. MATLIT 2013-2019: Artigos de Investigação Publicados. Percentagem relativa de investigadores juniores e seniores. © MP, 2020.

Gráfico 4. MATLIT 2013-2019: Artigos de Investigação Publicados. Diversidade linguística. © MP, 2020.

Gráfico 5. MATLIT 2013-2019: Recensões Críticas Publicadas. Livros, Exposições, CD-áudio. © MP, 2020.

Gráfico 6. MATLIT 2013-2019: Recensões Críticas Publicadas. 33 autores, 68 leituras. © MP, 2020.

Gráfico 7. MATLIT 2013-2019: Recensões Críticas Publicadas. Diversidade linguística. © MP, 2020.

Materialidades da Literatura 2020-2021: candidaturas abertas

24/02/2020

DML Guia do Programa | DML Programme Handbook

Encontram-se abertas as candidaturas para o Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura (Programa de Doutoramento FCT) para a edição com início em 2020-2021. As candidaturas decorrem em três fases: 6 vagas na 1ª Fase, de 10 de fevereiro a 31 de março de 2020; 3 vagas na 2ª Fase, 01 de abril a 15 de julho de 2020; 1 vaga mais sobrantes na 3ª Fase, 17 a 31 de agosto de 2020. O edital referente a este concurso pode ser consultado aqui.

Perguntas Frequentes

A) Quais os critérios de seriação na candidatura ao Programa?
A seriação dos candidatos ao Programa obedece aos seguintes critérios:

1) Classificações obtidas nos níveis de titulação com que se apresenta (30%);

2) Mérito científico do projeto preliminar do candidato (30%) – este projeto preliminar deverá enquadrar-se numa das três linhas de investigação do Programa: “Ex Machina: Inscrição e Literatura” (cf. http://www.uc.pt/fluc/clp/inv/proj/meddig/exmach); “Vox Media: O Som na Literatura” (cf. http://www.uc.pt/fluc/clp/inv/proj/meddig/voxmed); ou “ReCodex: Formas e Transformações do Livro” (cf. http://www.uc.pt/fluc/clp/inv/proj/meddig/recod);

3) Habilitações específicas relevantes para o âmbito científico do curso (10%);

4) Currículo científico (10%);

5) Currículo profissional (10%);

6) Entrevista (10%). NOTA: A entrevista decorrerá em data a agendar, desde o fim das candidaturas até à data prevista para disponibilização da lista de seriação provisória, de acordo com horário a comunicar aos/às candidatos/as por correio eletrónico. A entrevista poderá ser realizada por teleconferência.

B) Existem Bolsas de Doutoramento a atribuir pelo Programa?
Nas candidaturas 2020-2021, eventuais bolsas FCT a atribuir pelo Programa através do Centro de Literatura Portuguesa serão anunciadas oportunamente. Os candidatos podem ainda concorrer ao concurso individual Bolsas de Investigação para Doutoramento da FCT – 2020  https://www.fct.pt/apoios/bolsas/concursos/individuais2020.phtml.pt Submissão de candidaturas: 2 de março a 28 de abril de 2020, 17:00H (hora de Lisboa) 

C) Como se faz a candidatura?
As candidaturas são feitas através do sistema de informação da Universidade de Coimbra. As instruções para o processo de candidatura em linha podem ser consultadas aqui: http://www.uc.pt/candidatos/online

D) Qual é o valor da propina anual do Programa?
A propina anual do Programa é atualmente de 1417,00 €, a pagar em prestações.

 

Mais informações nas seguintes entradas:

1. O que é o Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura?

2. Plano de Estudos do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura (Cf. Despacho Nº 2666_2011, Diário da República_2ª série_Nº26_de 7 de Fevereiro de 2011, pp. 6913-6914)

3. Docentes e Professores Convidados do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura (2010-2020)

4. Estudantes do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura (2010-2020)

5. Requisitos de Acesso ao Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura

6. Procedimentos de candidatura

7. Reconhecimento do Programa para efeitos de progressão na Carreira Docente

8. Vídeos com depoimentos de Doutorandos e registos de seminários de Professores Convidados (2011-2014)

9. MATLIT em 90 segundos (2018): dez projetos de Doutoramento do Programa explicados pelos respetivos autores em 90 segundos.

10. MATLIT:  Materialidades da Literatura (Revista científica de âmbito internacional cobrindo as diversas linhas de investigação do Programa – 11 números publicados, 2013-2019)

11. Arquivo LdoD: Arquivo Digital Colaborativo do Livro do Desassossego (2012-2017): resultado principal de projeto de investigação do Centro de Literatura Portuguesa financiado pela FCT, desenvolvido no âmbito do Grupo de Investigação «Mediação Digital e Materialidades da Literatura»

12. Ex Machina: Inscrição e Literatura (2015-2022): projeto de investigação do Centro de Literatura Portuguesa, desenvolvido no âmbito do Grupo de Investigação «Mediação Digital e Materialidades da Literatura»

13. Vox Media: O Som na Literatura (2015-2022): projeto de investigação do Centro de Literatura Portuguesa, desenvolvido no âmbito do Grupo de Investigação «Mediação Digital e Materialidades da Literatura» (Vox Media website)

14. ReCodex: Formas e Transformações do Livro (2015-2022): projeto de investigação do Centro de Literatura Portuguesa, desenvolvido no âmbito do Grupo de Investigação «Mediação Digital e Materialidades da Literatura»

15. Inanimate Alice: Tradução de Literatura Digital em Contexto Educativo (2016-2018): projeto de investigação do Centro de Literatura Portuguesa, desenvolvido no âmbito do Grupo de Investigação «Mediação Digital e Materialidades da Literatura»

16. Estudos Literários Digitais (14-15 de maio de 2015) | Digital Literary Studies (May 14-15, 2015): colóquio internacional organizado pelo Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura

17. Language and the Interface (2015): exposição internacional organizada pelo Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura

18. Variações sobre António: Um Colóquio em Torno de António Variações (7-8 dezembro 2017): colóquio organizado pelo Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura e pela Área de Estudos Artísticos da Faculdade de Letras de Coimbra

19. Teaching Digital Literature (June 25-26, 2019) | Ensino da Literatura Digital (25-26 de junho de 2019): colóquio internacional organizado pelo Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura

20. Caminhos da Literatura no MATLIT LAB: Um Laboratório de Humanidades (2019): exposição de criações literárias experimentais produzidas no âmbito do Programa

21. Histórico das atividades do Programa (2010-2020)

22. 2010-2020: Dez Anos de Materialidades da Literatura

Esclarecimentos adicionais: Prof. Manuel Portela, mportela@fl.uc.pt

O Arquivo LdoD no Colóquio “Novos Estudos Pessoanos”

15/02/2020

 

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Decorreu no dia 13 de fevereiro de 2020, na Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, Lisboa, mais uma edição do colóquio Novos Estudos Pessoanos – Ponto de Situação, organizada pela Casa Fernando Pessoa. Esta edição contou com a participação de dois investigadores do Centro de Literatura Portuguesa (CLP) que trabalham com o Arquivo Digital LdoD, Ana Marques e Diego Giménez.

Ana Marques, com uma comunicação intitulada “Representação e análise da receção crítica do Livro do Desassossego no Arquivo LdoD”, falou sobre o trabalho de levantamento de documentação relativa à receção do Livro do Desassossego e a sua integração no Arquivo. A sua intervenção mostrou as relações que se estabelecem entre os documentos autorais, os documentos editoriais e os documentos críticos, identificando práticas específicas de leitura crítica. O trabalho em curso pode observar-se nas edições virtuais anotadas “Receção Crítica 1” e “Receção Crítica 2”.

Diego Giménez, com uma comunicação intitulada “Problemas de Intertextualidade Filosófica no Livro do Desassossego“, apresentou parte dos resultados de pesquisa na identificação das redes intertextuais filosóficas que nutrem a obra pessoana mediante categorização e taxonomização de trechos com as ferramentas do Arquivo LdoD, e enquadrou o levantamento dessas referências com a poiesis sensacionista pessoana. O trabalho em curso pode observar-se na edição virtual anotada “Intertextualidade Filosófica”.

O colóquio contou com a participação de investigadores, editores e tradutores especialistas na obra de Fernando Pessoa como Pedro Sepúlveda, Nuno Amado, Karen Pellegrini, Andrea Sánchez, Rui Sousa, Luís Andrade, Luiz Fagundes Duarte e António Feijó, que fechou o colóquio com uma intervenção em memória de George Monteiro.

2010-2020: Dez Anos de Materialidades da Literatura

04/02/2020

Em junho de 2020, o Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura (DML) da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra completará dez anos de atividade contínua. A conferência inaugural foi proferida por Lev Manovich a 18 de junho de 2010, e a primeira aula foi lecionada a 1 de outubro de 2010. Imaginado inicialmente como um grande projeto de investigação especulativa a partir da pergunta “O que são as Materialidades da Literatura?”, não era certo que o Programa se conseguisse afirmar, dado o contexto de crise financeira nacional em que nasceu e dado o modo como a recessão se repercutiu nas Humanidades um pouco por todo o mundo.

Concebido no verão de 2009 como um novo campo de investigação e ensino por um grupo de docentes da Faculdade de Letras, o Programa foi acreditado pela A3ES a 9 de junho de 2010 e teve a sua primeira edição no ano letivo 2010-2011. Em abril de 2013, foi selecionado por um painel internacional de peritos para financiamento como Programa de Doutoramento FCT no concurso realizado nesse ano. Este financiamento permitiu consolidar progressivamente a nova área de investigação, atraindo um conjunto significativo de jovens investigadores em estudos literários. Além das 25 bolsas de doutoramento FCT atribuídas entre 2014 e 2018 no âmbito do concurso, foram ainda conseguidas 3 bolsas individuais FCT e 3 bolsas individuais CAPES, num montante de financiamento que ultrapassa 1,6 milhões de euros.

Aos 31 estudantes integralmente financiados, juntam-se outros 16 estudantes-trabalhadores que suportam o custo da sua formação. Com 47 projetos de doutoramento registados (dos quais 10 já concluídos), o DML tem contribuído para renovar a investigação literária em Portugal e sintonizá-la com novos problemas, objetos e métodos. Refiram-se, por exemplo, a introdução de temas de investigação como a poesia sonora ou a gravação de leituras de poesia. Em certos domínios, por exemplo na análise da literatura digital, é já considerado um programa de referência internacional, como testemunham a participação na organização do congresso e festival de 2017 da Electronic Literature Organization (realizado no Porto) e a publicação de cinco entradas por doutorandos do DML no The Bloomsbury Handbook of Electronic Literature (2017).

Deve sublinhar-se ainda um aspeto essencial do Programa: a experimentação com formas de organização e de funcionamento, a nível curricular e extracurricular, que contribuam para diversificar as competências de formação e aumentar a qualidade da investigação realizada. Estruturado sob a forma de grupo de investigação e subdividido em projetos, o DML desenvolveu um conjunto de práticas colaborativas, quer internas ao Programa, quer através de redes externas de intercâmbio que envolveram duas dezenas de instituições na Europa (Espanha, França, Itália, Irlanda, Reino Unido, Alemanha, Noruega, Suécia, Grécia), América do Norte (EUA), América do Sul (Brasil, Chile) e África (Gana). Além de estadas internacionais de investigação dos doutorandos, o DML recebeu sete dezenas de especialistas nacionais e internacionais – académicos e artistas – ao longo da última década para lecionarem seminários ou proferirem conferências. Acolhemos também uma dezena de estudantes de doutoramento internacionais para trabalharem sob orientação de docentes do Programa durante um semestre, e diversos investigadores de pós-doutoramento em tópicos afins aos do Programa (análise literária computacional, narrativa transmédia, poesia experimental).

Organizámos e coorganizámos mais de uma dezena de conferências nacionais e internacionais, entre as quais, “Estranhar Pessoa com as Materialidades da Literatura” (2012), “Estudos Literários Digitais” (2015), “1º Congresso de Humanidades Digitais em Portugal” (2015), “Variações sobre António: Um Colóquio em torno de António Variações” (2017) e “Ensino da Literatura Digital” (2019). No que se refere a encontros científicos, os doutorandos apresentaram cerca de 200 comunicações em contexto nacional e internacional. Publicaram ainda cerca de 60 artigos (incluindo recensões críticas de novas obras) em 40 revistas académicas. Foram também curadores ou participantes numa dezena de exposições relacionadas com temas de investigação do Programa, em diversas cidades (Coimbra, Porto, Lisboa, Vila Franca de Xira, Évora, Óbidos). Os doutorandos tiveram ainda a seu cargo a concetualização e realização de cursos breves, escolas de verão e oficinas nas quais testaram os resultados da sua investigação através da didatização de novos temas. Destaque-se, por fim, o trabalho editorial numa nova revista científica eletrónica, MATLIT: Materialidades da Literatura (e-ISSN 2182-8830; 11 números publicados desde 2013, num total de 205 artigos), que tem contribuído para o diálogo internacional com inúmeros investigadores noutros contextos institucionais, disciplinares e geográficos.

Nascido no contexto pós-departamentalização da Faculdade, que determinou a agregação das diversas áreas disciplinares de línguas, literaturas e culturas (Estudos Clássicos, Línguas Modernas e Português), o novo Programa propunha-se olhar para as práticas literárias a partir da intersecção de três perspetivas: uma perspetiva medial e transmedial, que considera as tecnologias mediais como dispositivos de inscrição literária (imprensa, gravação sonora, computador digital, cinema, etc.); uma perspetiva translinguística e transcultural, cujo foco de abordagem vai para além dos tradicionais sintagmas nacionais (literatura inglesa, portuguesa, alemã, etc., mesmo nas versões comparatistas); e uma perspetiva interdisciplinar, que reconfigura a análise e a teoria literárias a partir da intersecção com diversas outras práticas disciplinares como o design de comunicação, as humanidades digitais, os estudos fílmicos, os estudos do livro ou a arqueologia dos média.

Uma medida do cumprimento das intenções iniciais do DML e do sucesso desta década de intensa atividade estaria nos percursos pós-doutoramento: investigadora visitante na Universidade de Stanford; três bolseiros de pós-doutoramento (Unicamp, Brasil; Universidade de Bremen, Alemanha, Marie Curie Fellowship; Universidade Fernando Pessoa, Portugal); docente convidado na Universidade de Aveiro; bolsa da Cátedra Cascais Interartes (Fundação D. Luís I); leitora do Instituto Camões (UNAM, México); docente do ensino básico e secundário. Outra medida seria a publicação de livros por investigadores do Programa: Literatura Explicativa: Ensaios sobre Ruy Belo (Assírio & Alvim, 2015), organizado por Manaíra Aires Athayde; Digital Media and Textuality: From Creation to Archiving (transcript verlag, 2017), organizado por Daniela Côrtes Maduro; Almada Negreiros, Orpheu 1915-1965 (Vittoria Iguazu, 2017), traduzido para italiano por Giorgia Casara; ou Herberto Helder, Em Minúsculas (Porto Editora, 2018), coorganizado por Raquel Gonçalves. Ou ainda: a atribuição do Prémio Mário Quartin Graça 2018 da Casa da América Latina, na categoria de melhor tese em Ciências Sociais e Humanas, a uma tese em Materialidades da Literatura.

Retrospetivamente, o DML pode descrever-se como a conjugação de três processos simultâneos e interligados: por um lado, consiste num grande projeto colaborativo (e prolongado no tempo) que tenta responder à mega-pergunta inicial através das perguntas de investigação circunscritas de cada tese de doutoramento (veja-se a série de vídeos “MATLIT em 90 segundos”); por outro lado, é uma tentativa de construir uma perspetiva de conhecimento humanístico num contexto pós-digital, olhando criticamente para a relocalização da experiência literária numa ecologia medial em transformação e, ao mesmo tempo, mostrando a relevância social dessa perspetiva; por outro lado ainda, diz respeito ao desenvolvimento de uma pedagogia projetual em investigação literária avançada, na qual as componentes de investigação científica, criação artística e transferência de conhecimento vão sendo tentativamente exploradas em múltiplas constelações. O MATLIT LAB: Laboratório de Humanidades, criado em 2019, é, de certo modo, uma tentativa de explicitar reflexivamente aquela tripla conjugação: um campo de investigação + uma epistemologia humanista numa ecologia medial em transformação + uma reimaginação dos usos das humanidades. Isto significa que uma década de desenvolvimento do DML consistiu afinal na formulação, através da prática, de uma outra pergunta que não estava totalmente evidente na pergunta inicial: o que é que um programa de doutoramento em Humanidades pode ser?

Conferência de Mário Gomes

21/01/2020

© Cartaz de Rui Silva.

No próximo dia 30 de janeiro de 2020, pelas 14h30, na Sala do Centro de Literatura Portuguesa (7º piso, FLUC), terá lugar uma conferência por Mário Gomes (Universidade de Concepción, Chile) intitulada “Literatura – Máquinas – Friedrich Kittler”. Organização do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura, Centro de Literatura Portuguesa e Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas, com o apoio do DAAD – Deutscher Akademischer Austauschdienst (Serviço de Intercâmbio Académico Alemão).

Mário Gomes é doutorado em Teoria da Literatura pelas Universidades de Bona e de Florença. Além da sua investigção académica nas áreas dos “Media Studies” e da Literatura, Mário Gomes é também tradutor e escritor. Entre os autores traduzidos incluem-se Luís Quintais (para alemão) e Arno Schmidt (para português). Em 2016 publicou o romance “Berge, Quallen” (“Montanhas, Medusas”), em co-autoria com Jochen Thermann; em 2017 foi bolseiro do Fundo Alemão de Literatura (Deutscher Literaturfonds). Atualmente é leitor do DAAD (Serviço de Intercâmbio Académico Alemão) em Concepción, Chile, onde dá aulas de Teoria da Literatura, Literatura Alemã e Estética.

DESIR Winter School “Shaping new approaches to data management in arts and humanities”

20/01/2020

Ocorreu entre os dias 10 e 13 dezembro, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a escola de inverno em Humanidades Digitais “Shaping new approaches to data management in arts and humanities”. O curso intensivo planejado pela equipe do projeto Desir (DARIAH ERIC Sustainability Refined), no esforço conjunto entre DARIAH, Nova FCSH e ROSSIO, contou com vinte bolsas de participação disponibilizados para estudantes e acadêmicos de toda a União Europeia.

Espaço comum dos seminários na Nova FSCH. Fonte: ©DESIR – DARIAH ERIC Sustainability Refined.

Baseada majoritariamente no conceito de FAIR Data, a programação de quatro dias foi marcada pela fala de diferentes especialistas, nos seminários em “Data in Humanities” (Erzsébet Tóth-Czifra),”Copyright e Open Licensing” (Walter Scholger), “Open Research Notebooks” (Javier de La Rosa), “Data Management Plan” (Antónia Correia), “Data Citation” (Frances Madden) e “Innovative Publishing Practices” (Delfim Leão).

Frances Madden – Data Citations & PIDs. Fonte: ©DESIR – DARIAH ERIC Sustainability Refined.

Aliada a essa componente de discussão majoritariamente teórica, foram realizadas ainda quatro visitas guiadas, à Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT), ao Arquivo PT; à Biblioteca Nacional de Portugal e à Torre do Tombo. Essas visitas tiveram como objetivo a apresentação da infraestrutura tecno-informacional das respectivas instituições, incluindo seu trabalho de preservação e de organização maciça de dados de relevância na produção de conhecimento nacional.

Para reforçar os conteúdos apresentados nos seminários e nas visitas guiadas, o evento também promoveu, no penúltimo dia, um panorama dos modos de produção, estruturação e preservação multimedia de dados em território português. Tal cenário foi brevemente apresentado por meio de uma mesa-redonda com a participação de alguns dos principais nomes à frente dessa discussão.

Mesa-redonda com a participação de João Nuno Ferreira, Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Unidade FCCN (moderador); Joana Paulino, ROSSIO, NOVA FCSH (a representar a coordenadora da Infraestrutura); António Manuel Horta Branco, Clarin-PT/ FCUL (coordenador da Infraestrutura); Marta Catarino Lourenço, PRISC/ U. Lisboa (coordenadora da Infraestrutura); Luis Teixeira, CCD – Centro de Criatividade Digital (Investigador Principal da Infraestrutura); João Mimoso, E-RHS.pt – LNEC e Daniel Alves, Laboratório de Humanidades Digitais – NOVA FCSH (coordenador). Fonte: ©DESIR – DARIAH ERIC Sustainability Refined.

Muito além do trabalho de introdução crítica às métricas de manuseio e de compartilhamento sustentável de dados, a proposição deste curso intensivo tem também seu mérito ao engajar um diálogo prolífico entre os seus participantes, marcado pelo intercâmbio de diferentes perspectivas, perpassando positivamente as fronteiras linguísticas e geográficas que nos separam. Forma-se uma comunidade científica em Humanidades Digitais mais consciente de si mesma, e apta ao trabalho em conjunto.

Participantes e equipe da Winter School Desir. Fonte: ©DESIR – DARIAH ERIC Sustainability Refined.

MatLit na 3ª Maratona Fernando Pessoa

20/01/2020
Terceira Maratona Fernando Pessoa. Fonte: Página Maratona Fernando Pessoa

No dia 30 de novembro de 2019 ocorreu a “Terceira maratona Fernando Pessoa – para todas as pessoas”: doze horas ininterruptas de entrevistas com diferentes enfoques e produções relativas à obra do autor, emitidas pela Rádio Movimento PT Online. O programa radiofônico comandado pelo escritor e investigador Ricardo Belo de Morais teve como co-apresentadora a escritora brasileira Andressa Barichello.

As doze horas foram compostas pelo contributo de um grupo relevante de investigadores e artistas que, por meio de diferentes aspectos e formas, analisam e dão visibilidade à obra pessoana. O programa doutoral Materialidades da Literatura foi aqui também representado na voz de Cecília Magalhães, ao discutir as práticas de produção criativa e engajamento social nos projetos Arquivo LdoD e Fragmentos em Prática. A maratona encontra-se, na íntegra, no seguinte endereço digital: http://bit.ly/30jGNhD

Entrevista sobre os projetos “Arquivo LdoD” & “Fragmentos em Prática” em 8:34:00 – 9:17:00. Fonte: 3ª Maratona Fernando Pessoa/Rádio Movimento PT Online.

 

Doutoramento Nº 10

07/01/2020

Realizam-se no próximo dia 28 de janeiro de 2020, pelas 15h00, na Sala Grande dos Atos, as provas de doutoramento em Materialidades da Literatura de Ana Rita de Sousa Reis da Silva, candidata da quinta edição do Programa, que teve início em 2014-2015. A candidata apresenta a tese Mecânica de uma personagem: paisagem, escrita, autoria (2019), orientada por António Sousa Ribeiro (Universidade de Coimbra) e Paulo Meneses (Universidade dos Açores).

O júri, nomeado por despacho reitoral de 3 de dezembro de 2019, tem a seguinte constituição:
Presidente:
Manuel Portela (Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Vogais:
Francisca Noguerol Jiménez (Professora Catedrática da Universidade de Salamanca)
Pedro Eiras (Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade do Porto)
António Sousa Ribeiro (Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Osvaldo Manuel Silvestre (Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Esta tese – a décima do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura – integra-se numa das linhas de investigação do Programa, dedicada à análise da relação entre processos de escrita e tecnologias mediais (Ex Machina: Inscrição e Literatura). Ana Rita Sousa investiga a figura autoral nas obras de Roberto Bolaño e Maria Gabriela Llansol.

Resumo [excerto]

Tomando por eixo o processo de retroacção entre a construção de uma personagem ou de uma figura autoral com o próprio processo de construção da sua função-autor, são analisadas duas propostas diferentes desta ficcionalização, assim como as alterações a que as mesmas foram sujeitas ao longo da trajectória do escritor/a em causa. O corpus de análise, a partir do qual este projecto foi pensado, é composto por Roberto Bolaño (1953-2003) e Maria Gabriela Llansol (1931-2008), que traçaram percursos estéticos consideravelmente diferentes entre si e que, de distintas maneiras, resistem à análise narrativa tradicional, reivindicando constantemente novas abordagens sobre o que entendemos por romance em geral, e por autor, em particular. Pese à distância linguística, cultural e social que os afasta, o argumento desta tese constrói-se a partir de uma preocupação que os aproxima: a sua condição de autoria.

Projeto de tese 2020

07/01/2020

A nona edição do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura teve início no ano letivo 2018-2019. Tal como previsto pelo plano de estudos (https://matlit.wordpress.com/programa/), no final do terceiro semestre realiza-se uma prova de qualificação, que consiste na defesa pública do projeto de tese de doutoramento. A prova de qualificação da nona edição do Programa tem lugar no dia 21 de janeiro de 2020, de acordo com o horário indicado a seguir:

21 de janeiro de 2020
Projeto: Joana Gonçalves Rua (SFRH/BD/143552/2019), «Ler de longe e ler de perto: Análise de padrões na obra completa de Jane Austen e deformação visual do livro Pride and Prejudice»
Hora: 11h30, Sala Ferreira Lima (6º piso, FLUC)
Júri
António Sousa Ribeiro (pres.)
António Rito Silva (arguente)
Manuel Portela (orient.)

 

As provas relativas aos cinco projetos de tese da oitava edição do Programa realizaram-se a 10 e 11 de julho de 2019.

As provas relativas aos nove projetos de tese da sétima edição do Programa realizaram-se a 18, 19 e 26 de janeiro de 2018, e a 10 de julho de 2018.

As provas relativas aos nove projetos de tese da sexta edição do Programa realizaram-se a 18, 19 e 20 de janeiro de 2017.

As provas relativas aos oito projetos de tese da quinta edição do Programa realizaram-se a 29 de janeiro e 3 de fevereiro de 2016.

As provas relativas aos cinco projetos de tese da quarta edição do Programa realizaram-se a 23 de janeiro de 2015.

As provas relativas aos cinco projetos de tese da terceira edição do Programa realizaram-se a 24 de janeiro de 2014.

As provas relativas aos três projetos de tese da segunda edição do Programa realizaram-se a 1 de fevereiro de 2013.

As provas relativas aos quatro projetos de tese da primeira edição do Programa realizaram-se a 27 de janeiro de 2012.

Oficina Remix LdoD

23/11/2019

A oficina Remix LdoD visa explorar diferentes processos de escrita criativa, por meio da parceria entre os projetos “Fragmentos em Prática” e “Operation Room”. O projeto “Fragmentos em Prática” desenvolve práticas criativas de leitura e edição no manejo virtual dos textos de Fernando Pessoa pelo Arquivo do Livro do Desassossego (ldod.uc.pt). Já o projeto “Operation Room” trabalha com criatividade por meio de processos de apropriação, seleção e remistura textual, fazendo uso de aplicativos de edição de texto, tratamento de imagem, ilustração e vídeo. O encontro desses projetos busca incentivar a transformação dos textos do Desassossego em novas versões remixadas, incentivando assim o potencial de livre criatividade dos participantes da oficina. Venha criar conosco! 🙂

Dia 14/12/2019 – 9:00 às 13:00, Sala 6 da Faculdade de Letras de Universidade de Coimbra (FLUC)

Inscrições mediante o envio de confirmação de presença para o email fragmentos.em.pratica@gmail.com ou pelo evento Oficina Remix LdoD no Facebook.

Cecília Magalhães é doutoranda no programa Materialidades da Literatura (MatLit/FLUC-UC). Desenvolve sua investigação, Fragmentos em Prática, com enfoque nas práticas de produção criativa  no Arquivo LdoD, plataforma dinâmica organizada em torno da escrita, da leitura e da edição do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa.

Liliana Vasques é doutoranda no programa Materialidades da Literatura (MatLit/FLUC-UC). Desenvolve sua investigação – Do Digital Poets Write? –  em torno da criação de poesia digital através das práticas de apropriação e remistura. Dinamiza o projeto Operation Room para quem quiser experimentar este tipo de criação.

Esta oficina, organizada pelo MATLIT LAB: Laboratório de Humanidades, está vinculada ao Centro de Literatura Portuguesa (CLP), por meio do grupo de investigação “Mediação Digital e Materialidades da Literatura”. O projeto doutoral Fragmentos em Prática é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (SFRH/BD/139569/2018).

VAST/O: uma colaboração académica, artística e interdisciplinar

23/11/2019

© Cartaz de Rui Silva.

No próximo dia 6 de dezembro de 2019, às 14h30, decorrerá na Sala do Centro de Literatura Portuguesa (7º piso) da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra  a mesa-redonda “VAST/O: uma colaboração académica, artística e interdisciplinar”, com a participação de Carolina Martins (FLUC), Natalie Woolf (Universidade Lusófona), Alexandra P. Alberda (Universidade de Bournemouth) e João Carola (ESAD; Ar.Co). Esta mesa-redonda será moderada por Paulo da Silva Pereira. Trata-se de uma iniciativa organizada pelo MATLIT LAB: Laboratório de Humanidades, Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura, Centro de Literatura Portuguesa e Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Coimbra.

© Cartaz de João Carola.

A instalação VAST/O pode ser visitada entre 25 de novembro e 5 de dezembro de 2019 (inauguração a 30 de novembro) no Atelier Concorde, Rua Leite Vasconcelos 43A, 1170-198 Lisboa.

VAST/O é o resultado prático da tese “Leitura Aumentada: combinações espaciais em instalações de narrativas gráficas”, de Carolina Martins (FLUC), uma investigação sobre como as características arquitectónicas de um espaço podem contribuir para a composição, leitura e interpretação de uma narrativa gráfica, em conjunção ou não com outros meios. A instalação que resulta desta pesquisa é, então, uma instalação interdisciplinar que conta com a colaboração de Natalie Woolf (Universidade Lusófona), Alexandra P. Alberda (Bournemouth University), João Carola (ESAD, Ar.Co) e FilmPro (UK). O projecto abrange áreas como a BD, a animação, a medicina gráfica, o desenho e a realidade aumentada. De Lisboa para Bournemouth e de regresso a Lisboa, a composição e a interpretação deste trabalho foram sempre afectadas pelos contextos espaciais e pelas equipas envolvidas.

Nesta conversa, iremos reflectir sobre como os processos de trabalho de cada um contribuem para a escrita e leitura de VAST/O e também sobre a metodologia de um projecto artístico, académico e colaborativo.

MATLIT 7.1 está em linha

17/11/2019

PT

Foi publicado o Volume 7.1 (2019) da revista MATLIT: Materialidades da Literatura. Este número, organizado por Pauline Bachmann (Universidade de Zurique) e Jasmin Wrobel (Universidade Livre de Berlim), intitula-se “Redes da Poesia Experimental: Circulações Materiais”. A secção temática publica artigos de investigação de Bruno Ministro, Nuno Miguel Neves, Adriana Kogan, Eduardo Jorge de Oliveira, Arantxa Romero González, Francisca García, Megumi Andrade Kobayashi, Lizzy Pournara, Vinícius Carvalho Pereira, Rafael Climent Espino e Susana González Aktories. Destaca-se ainda a entrevista a Hans Ulrich Gumbrecht conduzida por Fábio Waki e Ana Sabino. A secção “Mediarama” apresenta uma seleção de sítios, arquivos e coleções relacionadas com o tema da revista. Por fim, são publicadas onze recensões críticas relativas a novas publicações.

Todos os textos se encontram disponíveis em formato html e pdf. A MATLIT adota uma política de acesso integral livre, podendo todos os textos ser lidos em linha ou transferidos para uso pessoal. O acesso pode ser feito a partir do índice geral.


EN

Volume 7.1 (2019) of MATLIT: Materialities of Literature has been published. This issue, edited by Pauline Bachmann (Universität Zürich) and Jasmin Wrobel (Freie Universität Berlin), is titled “Experimental Poetry Networks: Material Circulations”. The thematic section includes research articles by Bruno Ministro, Nuno Miguel Neves, Adriana Kogan, Eduardo Jorge de Oliveira, Arantxa Romero González, Francisca García, Megumi Andrade Kobayashi, Lizzy Pournara, Vinícius Carvalho Pereira, Rafael Climent Espino and Susana González Aktories. One of the highlights of the issue is an interview with Hans Ulrich Gumbrecht conducted by Fábio Waki and Ana Sabino.  The “Mediascape” section presents a selection of sites, archives and collections related to the journal’s topic. In the review section, readers will find eleven book reviews.

All texts are available in html and pdf formats. MATLIT has a policy of free full-access to all texts, which can be read online or downloaded for personal use. Access can be made from the contents page.


ES

Se publicó el Volumen 7.1 (2019) de MATLIT: Materialidades de la Literatura. Este número, editado por Pauline Bachmann (Universität Zürich) y Jasmin Wrobel (Freie Universität Berlin), se titula “Redes de poesía experimental: circulaciones materiales”. La sección temática incluye artículos de investigación de Bruno Ministro, Nuno Miguel Neves, Adriana Kogan, Eduardo Jorge de Oliveira, Arantxa Romero González, Francisca García, Megumi Andrade Kobayashi, Lizzy Pournara, Vinícius Carvalho Pereira, Rafael Climent Espino y Susana González Aktories. También vale la pena destacar la entrevista con Hans Ulrich Gumbrecht realizada por Fábio Waki y Ana Sabino. La sección “Mediarama” presenta una selección de sitios, archivos y colecciones relacionadas con el tema de la revista. En la sección de reseñas, los lectores encontrarán once reseñas de libros.

Todos los textos están disponibles en formato html y pdf. MATLIT tiene una política de libre acceso a todos los textos, que se pueden leer en línea o descargar para uso personal. El acceso se puede hacer desde la tabla de contenidos.

MATLIT volume 8.1 (2020): Call for Papers

11/10/2019

 

The journal MATLIT: Materialities of Literature has released its Call for Papers for the next issue, to be published in 2020. Under the general topic “Teaching Digital Literature”, issue 8.1 will be edited by Ana Maria Machado (University of Coimbra) and Ana Albuquerque e Aguilar (University of Coimbra).

DEADLINE: Article submissions will be due on December 31, 2019, with notifications of acceptance by February 29, 2020. MATLIT publishes articles in the following languages: Portuguese, English, and Spanish. Authors must register and upload their files through the journal platform. Please register here: http://impactum-journals.uc.pt/matlit/user/register. Information about submission guidelines is available here: http://impactum-journals.uc.pt/matlit/about/submissions. Further information can be obtained by contacting the issue editors, Ana Maria Machado and Ana Albuquerque e Aguilar (digitalliteraryteaching@gmail.com).

 


A revista MATLIT: Materialidades da Literatura acaba de divulgar a Call for Papers para o próximo número, a publicar em 2020. Sob o tema geral “Ensino da Literatura Digital”, o número 8.1 será organizado por Ana Maria Machado (Universidade de Coimbra) e Ana Albuquerque e Aguilar (Universidade de Coimbra).

PRAZO: A submissão de artigos encerra a 31 de dezembro de 2019. As notificações de aceitação serão enviadas a 29 de fevereiro de 2020. MATLIT publica  artigos nas seguintes línguas: Português, Inglês e Espanhol. Os autores devem registar-se e submeter os seus artigos na plataforma da revista: http://impactum-journals.uc.pt/matlit/user/register. A informação sobre as normas do artigo a submeter encontra-se em http://impactum-journals.uc.pt/matlit/about/submissions. Para qualquer outra informação, poderão ser contactadas as editores do volume,  Ana Maria Machado e Ana Albuquerque e Aguilar (digitalliteraryteaching@gmail.com).

Materialidades da Literatura no FOLIO 2019

11/10/2019

No próximo dia 13 de outubro de 2019, entre as 15h00 e as 18h00, decorre no Museu Municipal de Óbidos o colóquio “Matemática e Literatura IV”, no âmbito do Festival Literário FOLIO 2019 (10-20 de outubro de 2019). Organizado pelo Centro de Matemática, Aplicações Fundamentais e Investigação Operacional da Universidade de Lisboa, Centro de Matemática da Universidade do Porto e Centro de Física da Universidade de Coimbra, este colóquio conta com a colaboração do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. As Materialidades da Literatura estarão representadas por Nuno Meireles (“Doutor Fausto faz Literatura Algoritmicamente: Performance com Vídeo, Voz gravada e uma Pessoa Vestida de Bata Branca”), Thales Estefani e Patrícia Reina (“(Im)probabilidade literária: texto-objeto-feijão-mágico e o processo combinatório na leitura”), e Manuel Portela (“Tempo de Leitura, Tempo de Escrita, Tempo do Relógio, Tempo da Cabeça”).

Esta presença do Programa no Festival Literário FOLIO dá continuidade às participações de 2016 (colóquio “Literatura e Matemática I” e exposição “Bird-Watching“, 22 de set-2 de outubro de 2016, Joshua Enslen e Alaina Enslen), 2017 (colóquio “Literatura e Matemática II” e exposição “Et Sic In Infinitum: Uma Instalação Intermedial e Transliterária”, 21-29 de outubro de 2017, curadoria de Carolina Martins e Diogo Marques) e 2018 (colóquio “Literatura e Matemática III” com a performance “Literatura e Cibernética”, 30 de setembro de 2018, Ana Marques e Manuel Portela).

Lecture by Stuart Price

01/10/2019

© Poster by Rui Silva.

On October 22, 2019, Stuart Price (De Montfort University) will give a lecture titled “Authority, Authoritarianism, and Public Dissent: Spain 2011-2019”, at the School of Arts and Humanities, University of Coimbra, Sala Ferreira Lima, 2h30pm (14h30). This event is organized by the PhD Programme in Materialities of Literature and the Centre for Portuguese Literature at the University of Coimbra.

Abstract

This illustrated lecture examines the development of public protest and dissent within the ‘arrested democracy’ of Spain, and covers a range of movements, including the Indignados, Catalonia’s Independenistas and the CDR, the libertarian movement, the Ladders Revolution, and the Huelga General Feminista of 2018/19. The central question is not only the character of Spanish democracy, but the nature of the contemporary state as it governs through forms of disciplinary austerity (Lorey, 2015; Tansel, 2017).

Stuart Price is Professor of Media and Political Discourse and the Director of the Media Discourse Centre (www.dmu.ac.uk/mdc), De Montfort University, UK. He is also Visiting Professor at the Universidade do Estado do Rio de Janeiro, and the Universidade Federal do Rio de Janeiro, working within the field of Media and International Relations. He is the author of a number of monographs and textbooks (including Worst-Case Scenario?, 2011) and Communication Studies (1996). With Ruth Sanz-Sabido, he edited two books on Protest, and has recently brought out the edited volume Journalism, Power and Investigation (2019). Details can be found at https://www.dmu.ac.uk/about-dmu/academic-staff/technology/stuart-price/stuart-price.aspx

Talk by Susan Bee & Charles Bernstein

01/10/2019

© Poster by Rui Silva.

On October 10, 2019, Susan Bee and Charles Bernstein (University of Pennsylvania) will give a talk at the School of Arts and Humanities, University of Coimbra, Sala Ferreira Lima, 11am (11h00). Titled “Little Orphan Anagram: The Collaborations of Susan Bee and Charles Bernstein”, this event is a joint organization of the PhD Programme in Materialities of Literature and the PhD Programme in Discourses: Culture, History, and Society, with the support of the Centre for Social Studies.

Susan Bee is a painter, collagist, editor, and book artist who focuses on the cinematic, ephemeral moments of everyday life.  Using old and offbeat movies as a visual resource, Bee plays upon the changing nature of cultural memory as well as the evolving connection between word and image. As seen on this page, Detour (2011) and Gun Crazy (2011) capture two fashionably dressed couples navigating a questionable narrative that is both cut and framed by the painting itself.  Bee replaces flat colors, in lieu of other details, that either pattern or foreshorten the background. One of her most recent paintings appears above, titled Votes for Women (2018) that is 30” x 40 and consists of oil, enamel, and sand on linen. The artist’s aesthetic focus on the representation and performance of interpersonal relationships also takes the form of intricate collage pieces.  The application of cutouts within fictitious painted landscapes renders a series of surrealist, dreamy experiences as colors clash together, as seen through a kaleidoscope, before resonating in a visual harmony. Bee has recently published a series in an artist’s book titled Fabulas Feminae, a collaboration with Johanna Drucker. Susan Bee’s art may be seen at the legendary A.I.R. Gallery in Brooklyn. All of her work may also be viewed at this link in addition to Accola Griefen Gallery.

[Source: https://artists-studios.com/susan-bee]

Charles Bernstein taught poetry and poetics, with an emphasis on modernist and contemporary art, aesthetics, and performance. He is the Donald T. Regan Professor of English and Comparative Literature at the University of Pennsylvania, from which he has recently retired. Bernstein has published five collections of essays — Pitch of Poetry (Chicago, 2016), Attack of the Difficult Poems: Essays and Inventions (Chicago, 2011), My Way: Speeches and Poems (Chicago, 1999), A Poetics (Harvard, 1992), and Content’s Dream: Essays 1975-1984. His books of poetry include Near/Miss (Oct. 2018),  Recalculating (Chicago, 2013),  All the Whiskey in Heaven: Selected Poems (Farrar, Straus and Giroux), Girly Man (Chicago, 2006), With Strings (Chicago, 2001), and Republics of Reality: 1975 – 1995 (Sun & Moon, 2000).  His libretto Shadowtime, for composer Brian Ferneyhough, was published in 2005 by Green Integer; it was performed as part of the 2005 Lincoln Center Festival. Bernstein is the editor of several collections, including: American Poetry after 1975 (Duke University Press / special issue of boundary, 2009), Close Listening: Poetry and the Performed Word (Oxford, 1999), The Politics of Poetic Form: Poetry and Public Policy (Roof, 1990), and the poetics magazine L=A=N=G=U=A=G=E, whose first issue was published in 1978. He is editor of the Electronic Poetry Center and co-director (with Al Flireis) of PennSound.

[Source: https://www.english.upenn.edu/people/charles-bernstein]

Materialidades da Literatura na Colóquio Letras

28/09/2019

Acaba de ser publicado o número 202 da revista Colóquio Letras (Setembro-Dezembro de 2019), com uma secção dedicada ao tema “Correspondência”. Este número contém cinco contributos de investigadores do Grupo “Mediação Digital e Materialidades da Literatura” do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra: um artigo sobre correspondência eletrónica; um artigo dedicado ao estudos camonianos no Brasil e dois ensaios sobre a história do experimentalismo literário português. Inclui ainda, na secção “documentos”, a edição de um conjunto de cartas trocadas entre Ruben A. e Miguel Torga no período 1950-1973. Por ordem de publicação (artigos e documentos):

1. Manuel Portela, “Correio@eletrónico: escrever cartas na rede”, Revista Colóquio/Letras, 202 (2019): 50-63.

Resumo: Este artigo descreve o correio eletrónico enquanto exemplo particular da economia de produção da escrita na internet. Salienta três caraterísticas do funcionamento da rede que transformam a economia simbólica e material da carta: a conectividade e o sincronismo, que reconfiguram a experiência do tempo e do espaço; a remediação do sujeito na rede, que transforma a relação entre remetente e destinatário; e, por fim, os processos algorítmicos de agregação, análise e produção massiva de escrita, que subsumem o correio eletrónico. Algumas obras digitais são analisadas como exemplos de exploração ficcional das condições comunicacionais específicas da internet e do correio eletrónico.

2. Matheus de Brito, “Camões à brasileira ou panorama sobre o lugar de Camões no Brasil” Revista Colóquio/Letras, 202 (2019): 127-136.

Resumo: Tratar de Camões no Brasil é lidar com uma complexa trama de agenciamento cultural. Seria possível lidar com um Camões dentro e fora dos círculos de leitores, um dos luso-brasileiros do século XIX ou um difuso na cultura nordestina, um Camões dos modernistas lusófilos e um dos lusófobos, um disputado pela academia e um não-institucional – um Camões, em suma, sempre localizável como argumento e em processos de capilarização e diferenciação. Os estudos literários brasileiros têm desenvolvido interesses particulares, não resultantes de uma grade “nacional” imposta sobre a obra do poeta – como por vezes a investigação da “recepção” necessariamente faz – mas fazendo aflorar novos problemas para a crítica. O artigo apresenta um breve panorama dos estudos camonianos no Brasil, com destaque para trabalhos em andamento e algumas de suas perspectivas teóricas.

3. Bruno Ministro, “Mergulhar e quase desaparecer: António Aragão e a poesia experimental portuguesa”, Revista Colóquio/Letras, 202 (2019): 149-159.

Resumo: Retomando a história incompleta da PO.EX, esta investigação pretende, não só lançar uma nova perspetiva sobre a génese do experimentalismo português, como também resgatar aquela que é uma das suas figuras mais determinantes e, simultaneamente, hoje mais invisibilizadas.
4. Daniela Côrtes Maduro, “Entre literatura e revolução: a poesia experimental portuguesa”, Revista Colóquio/Letras, 202 (2019): 160-170.
Resumo: O presente artigo pretende examinar o elo entre o projeto de reformulação da literatura e o projeto de contestação do regime desenhados por poetas associados à Poesia Experimental Portuguesa. Por forma a enaltecer essa ligação, textos teóricos, entrevistas, e diversos artefactos, serão invocados ao longo deste artigo.

5. Ana Maria Machado, “Ruben e Torga: fragmentos de um diálogo epistolar”, Revista Colóquio/Letras, 202 (2019): 67-84.

Documentos:
[Carta de 12 de Dezembro de 1966 (para Ruben A.)] / Miguel Torga
[Carta de 14 de Agosto de 1973 (para Ruben A.)] / Miguel Torga
[Carta de 15 de Março de 1964 (para Miguel Torga)] / Ruben A.
[Carta de 19 de Novembro de 1962 (para Miguel Torga)] / Ruben A.
[Carta de 20 de Junho de 1949 (para Ruben A.)] / Miguel Torga
[Carta de 21 de Março de 1969 (para Miguel Torga)] / Ruben A.
[Carta de 23 de Abril de 1966 (para Ruben A.)] / Miguel Torga
[Carta de 23 de Janeiro de 1950 (para Ruben A.)] / Miguel Torga
[Carta de 23 de Junho de 1965 (para Miguel Torga)] / Ruben A.
[Carta de 23 de Novembro de 1964 (para Miguel Torga)] / Ruben A.
[Carta de 26 de Março de 1950 (para Ruben A.)] / Miguel Torga
[Carta de 30 de Novembro de 1968 (para Miguel Torga)] / Ruben A.
[Carta de 5 de Dezembro de 1964 (para Ruben A.)] / Miguel Torga
[Carta de 5 de Março de 1969 (para Ruben A.)] / Miguel Torga
[Carta de 6 de Maio de 1970 (para Miguel Torga)] / Ruben A.
[Carta de 7 de Novembro de 1950 (para Ruben A.)] / Miguel Torga
[Carta de 8 de Março de 51 (para Ruben A.)] / Miguel Torga

Materialidades da Literatura na ELO 2019

11/08/2019

Decorreu, nos dias 15-17 de julho, na University College Cork, Irlanda, organizada por James O’Sullivan, mais uma Electronic Literature Organization Conference, que ficou marcada pela passagem do testemunho da presidência da ELO, por parte de Dene Grigar (Washington State University Vancouver), para Leonardo Flores (Appalachian State University).

O encontro deste ano foi subordinado ao tema das periferias, tendo como oradores convidados Michael J. Maguire, Anne Karhio e Astrid Ensslin. Michael J. Maguire preparou uma conferência que se situou entre a lição, com base combinatória, e a performance, intitulada Potential Possibilities of Peripheral Porosity: A Combinatory Creative Community Keynote. Anne Karhio, com At the Brink: Electronic Literature, Technology, and the Peripheral Imagination, explorou as formas como as infraestruturas dos transportes e comunicações contribuem para a produção cultural, especificando o caso da Irlanda e a sua relação com a literatura eletrónica. Por fim, Astrid Ensslin, com a conferência “These Waves …”: Writing New Bodies for Applied E-literature Studies, elencou novas possibilidades para a investigação em literatura eletrónica, mais especificamente na área dos estudos aplicados, apresentando o projeto Writing New Bodies, da Universidade de Alberta.

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À semelhança de edições anteriores da ELO Conference, o Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura fez-se representar por um considerável grupo de estudantes, investigadores e professores. Assim, no dia 15, Paulo Silva Pereira apresentou a comunicação  “Greening the Digital Muse: An Ecocritical Examination of Contemporary Digital Art and Literature”. Numa outra sessão, Diogo Marques e Ana Gago (Universidade Católica Portuguesa, Porto) proferiram “From Stone to Flesh and Back Again: Digital Literature as Alchemy”. No dia 16, Ana Maria Machado, Rui Torres (Universidade Fernando Pessoa) e Ana Albuquerque e Aguilar apresentaram “Murals and Literature: A Digital Creation for an Educational Context”, dando conta do projeto homónimo, com base no CLP, tendo tido a colaboração de Luís Lucas Pereira, Thales Estefani e Júlia Andrade. Nesse mesmo dia, Cecília Magalhães e Ana Albuquerque e Aguilar proferiram, respetivamente, as comunicações “How to be an editor in LdoD Archive: methodological challenges in the use of digital archives” e “Rui Torres’ Cantiga in class – digital poetry in Portuguese schools”. Na sessão dedicada aos artistas, Liliana Vasques apresentou, por videoconferência, a sua obra pm: press mouse [for] private message. No dia 17, Ana Maria Machado participou no painel Beyond the Page: Moving Toward a New Canon of Literature with Inanimate Alice, juntamente com Ian Harper (Bradfield Company), Amanda Hovious (University of North Texas) e Valerie Shinas (Lesley University).

Em 2020, a ELO Conference terá lugar na University of Central Florida, em Orlando (EUA), com organização de Anastasia Salter e Mel Stanfill.

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Além do cânone: MatLit na The Child and the Book Conference 2019

10/08/2019

Fotografias de Emanuel Madalena, Ana Albuquerque e Aguilar e Júlia Zuza Andrade.

Entre 8 e 10 de maio, decorreu mais uma The Child and the Book Conference, desta vez organizada pela Croatian Association of Researchers in Children’s Literature e pela Universidade de Zadar, instituição na qual teve lugar o evento. Este ano, o encontro foi dedicado ao tema Beyond the canon (of children’s literature).

O Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura fez-se representar por Ana Maria Machado, Júlia Zuza Andrade e Ana Albuquerque e Aguilar, que apresentaram, no dia 9, uma comunicação conjunta, que teve também a colaboração de Luís Lucas Pereira, intitulada “Beyond Portuguese e-lit”, na qual deram conta dos avanços alcançados no projeto do Centro de Literatura Portuguesa “Murais e Literatura: a Criação Digital em Contexto Educativo”, sobretudo no que concerne à conceptualização da primeira obra literária digital infantil portuguesa.

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Ana Maria Machado, Júlia Zuza Andrade e Ana Albuquerque e Aguilar (Lecture Hall, Univ. Zadar)

No entanto, todas as participantes apresentaram também comunicações individuais no colóquio. Ainda no dia 9, Júlia Zuza Andrade proferiu a comunicação “Picturebooks and Canon: Relations between Multimodality and New Methodological Approaches”, na qual explorou algumas obras da editora Planeta Tangerina, refletindo sobre o modo como a ilustração, os elementos gráficos e a multimodalidade presentes no álbum ilustrado contemporâneo são relevantes na construção de um novo cânone infantil.

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Júlia Zuza Andrade (Maritime Department, Univ. Zadar)

No dia 10, Ana Maria Machado apresentou a comunicação “Children’s Literature as a Political Weapon: The 2018 Rabbit Affair”, onde analisou o modo como a literatura infantil pode ser um campo fértil para a divulgação de uma determinada ideologia, partindo do conto Marlon Bundo’s Day in the Life of the Vice President, de Charlotte Pence, e da versão de John Oliver, que o reinterpreta e subverte. Também no dia 10, Ana Albuquerque e Aguilar apresentou a comunicação “Tension, Rupture and Continuity: Electronic Literature for Children and the Literary Canon”, na qual, a partir de um corpus de obras de literatura digital infantil e juvenil, analisou a intertextualidade que estas estabelecem com o cânone, em três eixos de relação: i) com os clássicos gregos e latinos, ii) com a literatura oral e tradicional europeia e iii) com a ficção narrativa do século XIX.

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Ana Albuquerque e Aguilar (Museum of Ancient Glass, Zadar)

A The Child and the Book Conference 2019 foi marcada pela presença de investigadores e académicos de 31 países, sendo que Portugal teve a quarta participação mais expressiva no encontro. Além da Universidade de Coimbra, o colóquio contou com representantes das Universidades de Aveiro, do Minho, de Évora, de Lisboa e da Nova de Lisboa, bem como do Instituto Politécnico de Castelo Branco, o que é revelador da vitalidade e relevância dos estudos sobre literatura infantil e juvenil no contexto académico nacional.

Coleção Cibertextualidades, Volume 1

29/07/2019

Fobias, Fonias, Fagias (2019).

As Publicações Universidade Fernando Pessoa acabam de lançar o Volume 1 da nova coleção de livros “Cibertextualidades”: Torres, Rui & Kozak, Claudia, orgs. (2019). Fobias – Fonias – Fagias. Escritas Experimentais e Eletrónicas Ibero-Afro-Latinoamericanas. Coleção Cibertextualidades, Vol. 1. Porto: Publicações Universidade Fernando Pessoa. ISBN: 978-989-643-155-6. ISSN: 1646-4435. O livro circula gratuitamente como eBook, depositado no Repositório Institucional da UFP:
Sinopse:
Reunindo artigos, ensaios visuais e poemas de 28 autores, “Fobias-Fonias-Fagias”, organizado por Rui Torres e Claudia Kozak, aborda escritas experimentais e eletrónicas Ibero-Afro-Latinoamericanas. Três ângulos evocam ressonâncias múltiplas transitadas pela experimentação poética em espanhol e português, contra as hegemonias do sentido comum da cultura digital: o medo (Fobias), a voz (Fonias) e o diálogo (Fagias), condições de sobrevivência num tempo marcado pela dúvida, mas também por novos agenciamentos e resistências.

Ensino da Literatura Digital – Teaching Digital Literature

13/07/2019

Nos próximos dias 25 e 26 de julho de 2019, entre as 9h00 e as 18h00, decorrerá na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra o colóquio internacional “Ensino da Literatura Digital – Teaching Digital Literature“. Trata-se de uma iniciativa organizada pelo Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura, Centro de Literatura Portuguesa e Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Coimbra, sob a coordenação de Ana Maria Machado. A sessão inaugural conta com a presença de João Costa (Secretário de Estado da Educação), Teresa Calçada (Comissária do Plano Nacional de Leitura) e Carlos Reis (Coordenador do Centro de Literatura Portuguesa). As conferências de abertura e encerramento serão proferidas, respetivamente, por Roberto Simanowski (Universidade de Basileia) e Scott Rettberg (Universidade de Bergen). O colóquio inclui também, na manhã do dia 26 de julho, uma oficina dedicada ao uso do Arquivo LdoD em sala de aula: “Arquivo LdoD em Prática: dinâmicas digitais de leitura, edição e escrita do Livro do Desassossego“. O programa integral do colóquio está disponível nesta ligação.

Dois projetos de investigação, desenvolvidos no âmbito do Grupo «Mediação Digital e Materialidades da Literatura», estão diretamente ligados ao tema deste colóquio: Inanimate Alice: Tradução de Literatura Digital em Contexto Educativo (2016-2018) e Murais e Literatura: A Criação Digital em Contexto Educativo (2018-2020). Refiram-se ainda os projetos de tese de doutoramento de Ana Albuquerque e Aguilar (PD/BD/128027/2016), «Educação Literária na Era Digital: O Contributo da Literatura Eletrónica» (2018-2020) e de Thales Estefani Pereira (PD/BD/142772/2018), «Atravessando a floresta entre o mundo imaginário e o real: Capuchinho Vermelho em transformação transmedial» (2019-2021). Destaque-se também a  integração da tradução portuguesa da obra Alice Inanimada (realizada no âmbito do projeto referido acima) no Plano Nacional de Leitura (Ler +), em abril de 2018.

Com este colóquio, o Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura dá continuidade à investigação sobre questões de mediação e literacia digitais, expressa em várias atividades anteriores: ACTAMEDIA – Simpósio Internacional de Artemídia e Cultura Digital (18-19 de novembro de 2014, em colaboração com a Universidade de São Paulo); Digital Literary Studies (14-15 de maio de 2015); Language and the Interface (14-15 de maio de 2015); Humanidades Digitais em Portugal: Construir pontes e quebrar barreiras na era digital (8-9 de outubro de 2015, organização do IHC e FCSH-Universidade Nova de Lisboa, CLUL-Universidade de Lisboa, CLP-Universidade de Coimbra e CIDEHUS-Universidade de Évora); colaboração no colóquio internacional Digital Media and Textuality (2-5 de novembro de 2016, organização do Bremer Institut für transmediale Textualitätsforschung – BITT); colaboração no congresso internacional Electronic Literature: Affiliations, Communities, Translations (18-22 de julho de 2017, organização da Universidade Fernando Pessoa). Vejam-se ainda os seguintes números da revista MATLIT: Volume 3.1 (2015), Volume 4.1 e 4.2 (2016), Volume 6.1, 6.2 e 6.3 (2018).

No último quarto de século, a discrepância entre o volume da investigação em literatura eletrónica e a que diz respeito ao seu ensino tem sido superada pela emergência de algumas abordagens importantes para a sua lecionação, especialmente no campo das humanidades digitais, mas também na sua introdução na educação formal, da educação infantil e do ensino básico aos ensinos secundário e superior. A atual investigação sobre o ensino da literatura eletrónica consiste em trazer estas obras para a sala de aula e proporcionar experiências de leitura literária digital aos estudantes. No entanto, estas práticas têm ainda pouca expressão nos diferentes níveis de ensino, talvez porque os responsáveis são os denominados imigrantes digitais, e não os nativos e, por consequência, à exceção de algumas universidades, as escolas refletem escassamente os desafios educativos da literatura eletrónica.

Uma das razões invocadas para justificar a situação atual prende-se com a natureza híbrida e transdisciplinar da literatura eletrónica e com a consequente necessidade de juntar diferentes áreas de conhecimento para compreender a sua peculiaridade estética.

Com o estudo da literatura eletrónica não se pretende de forma alguma negar ou substituir a tradicional literatura impressa. Pelo contrário, esta área de estudos pretende abrir novos horizontes literários, através da leitura e utilização de outros tipos de texto, como, por exemplo, hipertexto, texto multimodal, texto não‑linear ou texto generativo, por forma a desenvolver as competências literárias dos estudantes, melhorando, em última análise, a competência de leitura literária em meio impresso. Com efeito, o potencial da literatura eletrónica é imenso, pois ela promove a criatividade, desenvolve a sensibilidade estética em ambiente digital, questiona a figura autoral, colocando os leitores e utilizadores numa situação mais dinâmica, participativa, interativa e imersiva.

Do ponto de vista da investigação, têm sido feitos esforços para expandir a análise e a terminologia dos estudos literários e para criar uma e-literacia, ou seja, uma forma de olhar que vá além do modelo da literacia impressa. Estes esforços responderam a algumas das questões levantadas pela migração do impresso para o digital, mais especificamente para preencher a lacuna de modelos críticos para a interpretação deste tipo de obras e de terminologia específica para analisar e ensinar literatura eletrónica. Assim, foi feito um trabalho considerável para perceber a figuração e o estranhamento perante um conjunto de elementos navegativos, interativos, visuais, sonoros e performativos na interação com o texto, no processo ergódico, proporcionado pela literatura eletrónica, que requer uma ação exploratória física por parte do seu destinatário. Além de exigir familiaridade com estas características, a literatura digital também levanta a questão de saber se professores e alunos deveriam ter conhecimentos de programação ou mesmo se é possível ensinar e compreender obras digitais, em profundidade, sem este conhecimento específico. Cumpre, pois, discutir questões como: deveria o contexto educativo atual aproveitar o currículo oculto dos nativos digitais, explorando criticamente as possibilidades criativas, lúdicas e estéticas proporcionadas pelos objetos digitais? Poderão professores, bibliotecários, mediadores de leitura ou outros agentes educativos e literários ignorar a literatura digital infantil e juvenil, dado que ela propicia a participação lúdica dos jovens leitores e expande as suas competências criativas, imaginativas e críticas? Quão relevantes são estes artefactos, bem como a suas dimensões estética e expressiva para o desenvolvimento de uma literacia digital crítica?

Projetos de tese 2019

01/07/2019

A oitava edição do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura teve início no 2º semestre do ano letivo 2017-2018. Tal como previsto pelo plano de estudos (https://matlit.wordpress.com/programa/), no final do terceiro semestre realiza-se uma prova de qualificação, que consiste na defesa pública do projeto de tese de doutoramento. As provas de qualificação da oitava edição do Programa têm lugar nos dias 10 e 11 de julho 2019, de acordo com o horário indicado a seguir:

10 de julho de 2019
Projeto: Thales Estefani Pereira (PD/BD/142772/2018), «Atravessando a floresta entre o mundo imaginário e o real: Capuchinho Vermelho em transformação transmedial»
Hora: 10h00, Sala Ferreira Lima (6º piso, FLUC)
Júri
Ana Maria Machado (UC, pres.)
Sara Reis da Silva (Universidade do Minho, arguente)
Paulo Pereira (UC, orient.)

Projeto: Nuno Miguel Santos Meireles (PD/BD/142766/2018), «A voz que reescreve: farsas, comédias e moralidades de Gil Vicente lidas com o ouvido em mediação videográfica. Preliminares para um arquivo digital performativo do teatro vicentino»
Hora: 11h30, Sala Ferreira Lima (6º piso, FLUC)
Júri
Paulo Pereira (UC, pres.)
José Camões (FLUL, arguente)
José Augusto Bernardes (UC, orient.)

Projeto: Patrícia Rodrigues Esteves Reina (PD/BD/142770/2018), «Espaço para fazer sentido: a multidimensionalidade da expressão tipográfica nas obras de Johanna Drucker»
Hora: 14h30, Sala Ferreira Lima (6º piso, FLUC)
Júri
Clara Keating (UC, pres.)
Sofia Leal Rodrigues (FBAUL, arguente)
Manuel Portela (UC, orient.)

Projeto: Pedro José Sá Gonçalves Valentim (PD/BD/142769/2018), «A Malanderer, a Badlander & a Thief — Nick Cave e a Figura do Poeta Maldito»
Hora: 16h00, Sala Ferreira Lima (6º piso, FLUC)
Júri
Manuel Portela (UC, pres.)
Armando Nascimento Rosa (Escola Superior de Teatro e Cinema, IPL, arguente)
Osvaldo Manuel Silvestre (orient.)*
*Paulo Pereira (UC, vogal [em substituição do orientador])

11 de julho de 2019
Projeto:  Francisco Ricardo Cipriano Silveira (PD/BD/142771/2018), «O Sublime Ecfrástico dos Vídeos Musicais: um travelling literário a partir da letra»
Hora: 11h00, Sala Ferreira Lima (6º piso, FLUC)
Júri
Clara Keating (UC, pres.)
Sérgio Dias Branco (FLUC, arguente)
Manuel Portela (UC, orient.)

 

As provas relativas aos nove projetos de tese da sétima edição do Programa realizaram-se a 18, 19 e 26 de janeiro de 2018, e a 10 de julho de 2018.

As provas relativas aos nove projetos de tese da sexta edição do Programa realizaram-se a 18, 19 e 20 de janeiro de 2017.

As provas relativas aos oito projetos de tese da quinta edição do Programa realizaram-se a 29 de janeiro e 3 de fevereiro de 2016.

As provas relativas aos cinco projetos de tese da quarta edição do Programa realizaram-se a 23 de janeiro de 2015.

As provas relativas aos cinco projetos de tese da terceira edição do Programa realizaram-se a 24 de janeiro de 2014.

As provas relativas aos três projetos de tese da segunda edição do Programa realizaram-se a 1 de fevereiro de 2013.

As provas relativas aos quatro projetos de tese da primeira edição do Programa realizaram-se a 27 de janeiro de 2012.

MATLIT-RIT Summer School (2ª edição)

30/06/2019

Texto de Ana Sabino, Rui Silva, Ana Albuquerque e Aguilar, Mariana Chinellato Ferreira e Tiago Schwäbl.

MATLIT-RIT Summer School 2019, 4 de junho de 2019. Foto de Trent Hergenrader.

No primeiro módulo, baseado na linha de investigação ReCodex – Formas e transformações do livro, os doutorandos Ana Sabino e Rui Silva apresentaram aos alunos a obra A Reinvenção da Leitura, de Ana Hatherly, composta por um ensaio e seguida por dezanove textos visuais. No ensaio, a autora traça uma breve história do poema visual, ou imagem/texto, começando por relembrar que a escrita é a pintura de palavras, e prossegue para uma fundamentação da sua própria experimentação prática, ela mesma situada entre a pintura e a escrita. A aula pretendeu dar a conhecer a história da poesia visual tal como ela é descrita por Hatherly, e dar a experimentar aos alunos as fronteiras entre o desenho e a escrita, o verbal e o visual, o semântico e o assémico. Durante a manhã a aula foi teórica, fundamentando as experiências materiais que se seguiram, na parte da tarde, quando os alunos foram levados a fazer uma série de exercícios práticos. Estes foram concebidos para questionar as diferenças entre o desenho e a escrita ao nível do gesto, da postura da mão e do corpo, da escala, ou da modularidade do traço, permitindo também aos alunos refletir sobre as suas opções, e, finalmente, sobre a possibilidade de levar as questões levantadas para o meio digital.

ReCodex: MATLIT-RIT-Módulo 1. Sala 6, FLUC, 4 de junho de 2019. Foto de Ana Albuquerque e Aguilar.

No início do módulo 2 (Ex Machina 1), fez-se uma breve introdução à literatura eletrónica, partindo de teorização de Katherine Hayles (2008) e Scott Rettberg (2018), abordando-se conceitos fundamentais que permitissem aos alunos apreciar, analisar e discutir teoricamente as obras propostas. Do mesmo modo, com base em conceitos e postulações de Italo Calvino, Gérard Genette, Ted Nelson, Roland Barthes, Jay David Bolter, Richard Grusin e Manuel Portela, debateu-se a relação da literatura eletrónica com o cânone, tendo os alunos explorado, individualmente e em grupo, diversos poemas de Rui Torres, obras de Serge Bouchardon, os primeiros episódios de Inanimate Alice, bem como Spot, Lil’ Red, Salt Immortal Sea, 80 Days, A Duck Has an Adventure e Little Red Riding Hood (Nosy Crow). Assim, na segunda parte da sessão, os alunos conceptualizaram uma obra de literatura eletrónica, apresentando e discutindo as ideias e os esboços com os colegas e com a doutoranda Ana Albuquerque e Aguilar, responsável pelo módulo.

O terceiro módulo, Ex Machina 2, utilizou-se dos cinco elementos propostos por Espen Aarseth para ler e interpretar Literatura Digital: dados, processos, interações, superfícies e contexto. Na primeira parte da aula, a doutoranda Mariana Chinellato Ferreira propôs a análise de obras generativas desenvolvidas com RiTa Toolkit para a linguagem Processing do ponto de vista dos “cinco elementos”. As obras fazem parte do acervo da galeria virtual de obras desenvolvidas com a biblioteca RiTa e os alunos tiveram liberdade para escolher e explorar as obras que mais lhes agradassem. Em seguida, foi proposto que os alunos expusessem aos colegas suas escolhas, apontando os cinco elementos encontrados nas obras. Na segunda parte da aula, os alunos os alunos trabalharam, também, a noção da escrita constrangida, enquanto utilizavam o Processing e a biblioteca RiTa para criar seus próprios sistemas generativos, com base nos modelos da própria biblioteca, nos códigos disponibilizados pelos criadores na galeria virtual, ou criando seu próprio código. Os alunos empenharam-se bastante e apresentaram resultados extremamente criativos.

Ex Machina 3: MATLIT-RIT-Módulo 3. Sala 6, FLUC, 6 de junho de 2019. Foto de Mariana Chinellato Ferreira.

O módulo 4 do curso de verão das Materialidades da Literatura ministrado ao grupo de nove alunos do Rochester Institute of Technology (RIT) – NY/ EUA – esteve a cargo do departamento VOX MEDIA, que tem como propósito representa[r] uma área de pesquisa unificada pelo estudo das materialidades sonoras da comunicação na literatura e no diálogo desta com áreas limítrofes (performance, tecnologias de gravação e reprodução, intermedialidade, remediação, etc.).

Propunha-se para este módulo escutar tentativas de (re)colocação da voz (humana) através de diferentes organismos – laringe, instrumentos musicais, e outros aparelhos de difusão, gravação, imitação e recuperação de som. Para tal, impôs-se uma playlist, em torno da qual gravitavam os conceitos teóricos – e respetiva discussão, a várias vozes (sintéticas, gravadas, vivas) – que o som provocava. Os exemplos sonoros distribuíam-se nas seguintes categorias: 1. próteses e samplificação (por exemplo: Elizabeth Veldon, Erin Gee ou Stine Janvin), em registos de voz sintetizada (ou comportando-se como tal), máquinas analógicas imitando a síntese ou instrumentos elétricos imitando sístole/ respiração. 2. pássaros amplificados (por ex.: Phil Minton, Ute Wassermann ou Isabelle Duthoit), vozes humanas que rasam os limites aviários. 3. rádio (Gregory Whitehead, Hipoglote, Fernando Munizaga), construções sonoras que refletem não só sobre a linguagem como refletem os discursos do mundo. 4. avant-garde (Hugo Ball, Kurt Schwitters, Alessandra Eramo), exemplos de recuperação e remediação de textos e descrições do início do século XX. 5. Velhos aparelhos (Wolfgang von Kempelen, Scott de Martinville), as primeiras investigações e concretizações sonoras e respetiva contextualização histórica.

Vox Media: MATLIT-RIT-Módulo 4. RUC (Rádio Universidade de Coimbra), 7 de junho de 2019. Foto de Diego Gimenez.

A ênfase pesou sobre o elemento técnico – pouco se falou de poesia sonora –, mas o estranhamento foi o mesmo. No final da exposição abriu-se espaço para perguntas, e a reflexão foi levada pelos próprios alunos aos lugares da linguagem e suas fronteiras. Seguiu-se a preparação das tarefas vespertinas. Por um acaso feliz, o módulo Vox Media coincidiu com o dia de emissão semanal do HIPOGLOTE, programa de poesia sonora da Rádio Universidade de Coimbra (RUC). Coube aos alunos apresentar em direto as suas explorações vocais – o resultado foi surpreendente, pela sua variedade, entusiasmo e libertação!

Quanto ao curso em geral: este formato de workshop (teoria + prática) funciona muito bem e deveria ser levado a outras Universidades (nacionais e internacionais), bem como – talvez mais importante ainda – cá dentro, à própria Universidade de Coimbra. A hipótese de gestão e lecionamento providenciada aos estudantes de doutoramento devia ser uma necessidade evidente nas universidades, permitindo uma clarificação das ideias e argumentos desenvolvidos no decurso da investigação, o respetivo confronto com o exterior, e preparação de valências para futuros certamente incertos. Num segundo passo, seria talvez desejável adicionar o intercâmbio a todo este processo, de forma a que as trocas passassem a ser bilaterais. De resto, no campo cultural e social, a semana foi uma aprendizagem de parte a parte: perceção de sistemas de ensino radicalmente diferentes; visita ao património nacional, contacto entre estudantes e professores, troca gastronómica: loquats, entre outros.

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Visita de estudo ao Museu e Ruínas de Conimbriga. Visita guiada pelo Doutor Virgílio Correia. Almoço no Castelo da Lousã, seguido de caminhada na Serra da Lousã e visita à aldeia de xisto Talasnal. Caminhada e visita guiadas por Hugo Francisco, 8 de junho de 2019.

MATLIT-RIT Summer School 2017 (1ª edição)

Ana Hatherly: Programabilidade e Criação

27/06/2019

A Conferência “Ana Hatherly: Programabilidade e Criação” tem lugar no próximo dia 29 de junho de 2019, das 10h00 às 18h00, no Auditório do Centro Cultural de Cascais. Trata-se de uma iniciativa coordenada por Ana Marques com o apoio da Cátedra Cascais Interartes, da Fundação D. Luís I. Programa da Conferência “Ana Hatherly: Programabilidade e Criação”

O tema “Programabilidade e Criação” pretende interrogar o conceito de ‘programa’ através da reflexão sobre a importância de restrições na produção de objectos artísticos. O conceito de programa, explorado em termos teóricos e práticos na obra literária e plástica de Ana Hatherly, permite averiguar a produtividade dos mecanismos criativos associados à exploração de constrangimentos que operam como ferramentas de composição, sendo a sua descoberta parte integrante do jogo artístico. As experiências estéticas associadas à programabilidade centram-se, por isso, mais nos próprios processos de produção do que nas formas produzidas. Das experiências visuais barrocas às estéticas algorítmicas, passando por OuLiPo ou pelo concretismo, a obra de arte, fruto de um programa criativo produtor e aberto, torna-se uma máquina geradora de novos objectos. Nesta conferência pretende-se explorar a aplicabilidade do conceito de programa a diferentes linguagens artísticas, problematizando a definição de restrições e o lugar da processualidade no acto criativo e na experiência estética.