Skip to content

Conferência MATLIT: Manaíra Aires Athayde

11/05/2017

© Cartaz de Tiago Santos.

No próximo dia 23 de maio de 2017, pelas 11h30, na Sala Ferreira Lima (6º piso, FLUC), tem lugar a terceira conferência do ciclo MATLIT. As Conferências MATLIT pretendem dar a conhecer a investigação levada a cabo no âmbito do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura, em particular através de uma apresentação pública dos contributos originais para o conhecimento das teses de doutoramento em Materialidades da Literatura recém-concluídas. A construção de objetos teóricos e de abordagens metodológicas centradas nos processos mediais e intermediais de inscrição literária poderá assim ser conhecida também através da produção de teses do próprio Programa.

Manaíra Aires Athayde fará a conferência “O poema circunscrito: a casa, o espólio, o arquivo”.  Manaíra Aires Athayde é doutorada em Materialidades da Literatura pela Universidade de Coimbra, com a tese Ruy Belo e o Modernismo Brasileiro. Poesia, Espólio (2017). É autora de mais de uma dezena de artigos sobre literatura portuguesa e brasileira, e organizadora do volume Literatura Explicativa: Ensaios sobre Ruy Belo (Assírio & Alvim: Lisboa, 2015). Desde 2014, tem lecionado disciplinas de literatura brasileira na Universidade de Salamanca.

Conferências MATLIT anteriores:

  • Sónia Deus, «O “mecanismo do livro” na laudatória fúnebre Barroca. Últimas Acções do Duque D. Nuno Álvares Pereira de Mello – uma leitura da materialidade do texto», 27 de janeiro de 2017.
  • Matheus de Brito, «Da indústria da hermenêutica à verdade estética», 27 de janeiro de 2017.

Corporeidade virtual enquanto experiência estética

10/05/2017

© Cartaz de Tiago Santos.

Catarina Carneiro de Sousa, artista digital e professora da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viseu, lecionará um seminário intitulado «Corporeidade virtual enquanto experiência estética», no próximo dia 19 de maio de 2017, pelas 17h30, na Sala de Seminários de Estudos Ingleses (6º piso, FLUC). Catarina Carneiro de Sousa doutorou-se em Arte Contemporânea pela Universidade de Coimbra com a tese Virtual Corporeality and Shared Creativity: Embodying Avatars in the Metaverse (2017). Catarina Carneiro de Sousa (aka CapCat Ragu) é uma artista portuguesa nascida no Porto, com formação inicial em Artes Plásticas e Estudos Artísticos. Desde 2008 tem dedicado a sua investigação e atividade artística a ambientes virtuais, conceção de avatares e construções digitais.

A experiência do corpo no metaverso nem sempre é uma experiência da carne, pelo menos no que diz respeito ao avatar. Mesmo que as experiências virtuais possam desencadear uma dimensão física dos sentidos, essas sensações são vividas pelo corpo diante do ecrã, e não pelo corpo do avatar, que pode funcionar como um elemento expressivo.
O avatar tem uma função crucial na comunicação com outros utilizadores, assim como no acesso e na interação com o mundo virtual. Essa tensão entre linguagem e experiência abre um espaço estético novo e fundamental, exigindo uma reconfiguração de conceitos e processos envolvidos na criação e incorporação de avatares.
Iremos explorar como a corporeidade virtual pode emergir da manipulação de avatares em ambientes criativos colaborativos virtuais, quais as capacidades do avatar e como estas afetam a experiência estética e criativa do utilizador.

Materialidades da Literatura: Summer School 5

10/05/2017

A Quinta Summer School em Materialidades da Literatura tem por título «Processing: Oficina Introdutória» e consiste numa iniciação à linguagem de programação Processing.

O curso visa introduzir a linguagem e ambiente de programação Processing, uma plataforma destinada a simplificar a escrita de programas de contexto maioritariamente visual e com larga aplicação nas artes visuais, new media e design. Neste curso serão apresentados os conceitos fundamentais da programação, assim como as funcionalidades mais relevantes da linguagem Processing. O curso tem a duração de 20 horas, sendo composto por cinco módulos iniciais de natureza teórico-prática e três módulos práticos, nos quais os participantes terão a possibilidade de desenvolver programas de tema livre. A formação será assegurada por docentes do Departamento de Engenharia Informática (DEI) com experiência no ensino de disciplinas de programação e design. Para a frequência do curso não se requer qualquer conhecimento prévio de linguagens de programação. No final do curso é emitido um certificado de frequência. PDF com o Programa do Curso.

As inscrições realizam-se até 16 de junho de 2017, através de uma mensagem de correio eletrónico para Tiago Santos, tiago.santos@uc.pt (indicar no campo do assunto: “Inscrição Processing”). O curso tem o custo de 60€ (geral) ou 40€ (estudantes do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura). O pagamento é feito por transferência bancária para o NIB: PT50 001000001573769010639 ou por cheque à ordem da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra até 16 de junho de 2017. O cheque deve ser remetido para o Gabinete de Gestão e Contabilidade, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 3004-530, Coimbra. Para emissão do recibo deve ser indicado nome, morada e n.º de contribuinte do participante ou da entidade que paga a participação. Número máximo de inscrições: 20. Número mínimo de inscrições: 8. Na eventualidade de este Curso não se realizar, será devolvido o montante pago pela inscrição. Todos os inscritos serão notificados até 23 de junho de 2017.

Materialidades da Literatura: Summer School 4

10/05/2017

The Fourth Summer School in Materialities of Literature is titled “MATLIT-RIT Summer School” and aims to provide an introduction to research topics of the PhD Programme.

The “MATLIT-RIT Summer School” results from a partnership between the PhD Programme in Materialities of Literature of the School of Arts and Humanities at the University of Coimbra and the Department of English at the Rochester Institute of Technology. This Summer School will take place in July 2017 (3, 5, 6 and 7), at the School of Arts and Humanities at the University of Coimbra. The Summer School is coordinated by Sandy Baldwin (RIT) and Manuel Portela (UC). It will be taught by four PhD students from the Programme in Materialities of Literature. The School is primarily addressed to students of the graduations in Media Arts and Technology, and in Digital Humanities and Social Sciences from the Rochester Institute of Technology. Registration is also open to Coimbra University students. The course is structured in 8 modules, covering different perspectives on the intersections between literature and digital mediation. It is taught in English. Course syllabus PDF.

Deadline for registration: June 16, 2017. Please register by sending an e-mail to Ana Marques da Silva, ana.marques.silva@gmail.com (mention in the subject field: “Registration MATLIT-RIT Summer School”). The fee for the course is 60€ (general) or 40€ (students). Please pay by bank transfer NIB: PT50 001000001573769010639 or by cheque made out to Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra until June 16, 2017. The cheque should be sent to Gabinete de Gestão e Contabilidade, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 3004-530, Coimbra. If you require a receipt, please mention your tax id number (NIF). Maximum number of admissions: 20. Minimum number of admissions: 8. All participants will be notified by June 23, 2017.

Curso Breve: De Cartas e Mapas

22/04/2017

Sonia Miceli dará, nos dias 3 e 4 de maio de 2017, no Instituto de Estudos Brasileiros, um curso intitulado “De cartas e mapas. Os projetos de livro de Ruy Duarte de Carvalho e Bernardo Carvalho”. O curso explora dois grandes livros de dois importantes escritores de Angola e Brasil – Os papéis do inglês, de RDC, e Nove noites, de BC -, livros cuja própria constituição enquanto “livro” é uma das suas questões centrais. Campos a explorar: 1) Livro; 2) Cartografia; 3) Literatura e etnografia; 4) Autoficção; 5) Viagens. Pela sua natureza intensiva, terá um número máximo de 15 inscritos. Os materiais do curso serão distribuídos previamente às pessoas inscritas. Serão passados certificados de frequência. Este curso breve é uma iniciativa conjunta do Instituto de Estudos Brasileiros, do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura e da Pós-Graduação em Literatura de Língua Portuguesa.

As obras de Bernardo Carvalho e de Ruy Duarte de Carvalho são caraterizadas por um alto grau de autorreflexividade, partilhando o recurso ao dispositivo da carta e ao motivo da viagem: é a circulação das cartas e dos corpos que põe as narrativas em movimento, determinando a estrutura do livro. A partir da leitura de um conjunto de romances destes autores, refletir-se-á sobre os projetos de livro que os sustentam e sobre as suas figurações, com destaque para a carta e o mapa.

Sonia Miceli é doutorada em Estudos Comparatistas pela Universidade de Lisboa (2017), com uma tese sobre literatura e etnografia em Bernardo Carvalho e Ruy Duarte de Carvalho. É membro do Projeto DIIA – Diálogos Ibéricos e Iberoamericanos (CEC/UL), e os seus interesses de investigação incluem a literatura brasileira contemporânea, literatura e cinema, os estudos de paisagem, as relações entre literatura e antropologia.

 

Doutoramento Nº 5

18/04/2017

Realizam-se na próxima segunda-feira, dia 24 de abril de 2017, pelas 15h00, na Sala dos Atos da Universidade de Coimbra, as provas de doutoramento em Materialidades da Literatura de Manaíra Aires Athayde, candidata da terceira edição do Programa, que teve início em 2012-2013. A candidata apresenta a tese «Ruy Belo e o Modernismo Brasileiro. Poesia, Espólio».

O júri, nomeado por despacho reitoral de 13 de dezembro de 2016, tem a seguinte constituição:
Presidente:
Manuel Portela (Professor Auxiliar com Agregação, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Vogais:
Pedro Serra (Professor Titular, Universidade de Salamanca)
Clara Rowland (Professora Associada, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa)
Joana Matos Frias (Professora Auxiliar, Faculdade de Letras da Universidade do Porto)
José Carlos Seabra Pereira (Professor Associado, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Osvaldo Manuel Silvestre (Professor Auxiliar, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Esta tese – a quinta do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura – integra-se numa das linhas de investigação do Programa sobre as relações entre tecnologias de inscrição e formas literárias, incluindo o estudo da escrita como inscrição (Ex Machina: Inscrição e Literatura). A investigação de Manaíra Aires Athayde incidiu sobre a relação da poesia de Ruy Belo com o modernismo brasileiro a partir da análise do espólio do autor:

Resumo

Esta tese propõe investigar como determinadas características, práticas e temáticas da literatura brasileira se encontram na construção do discurso poético de Ruy Belo (1933-1978), além de tentar perceber o seu interesse por certos aspectos culturais e político-sociais brasileiros. Para tanto, recorremos ao espólio do poeta, pela primeira vez explorado num trabalho científico, colocando em prática um método filológico que nos permite examinar, a partir uma perspectiva inédita, os mecanismos de produção poética de Ruy Belo. O material documental possui um papel seminal nas interrogações a que aqui tencionamos dar resposta. Procuramos saber que autores brasileiros Ruy Belo leu, e como os leu, sobretudo aqueles aos quais confessa ter ido “buscar a sua tradição modernista”. Neste sentido, os intercâmbios discursivos que desenvolvemos têm origem nas próprias inscrições materiais deixadas pelo poeta, num desafio de leitura que nos levou a comprovar intuições e hipóteses interpretativas a partir das descobertas feitas no espólio. O confronto da poesia de Ruy Belo, tal como o ensaiamos, com a obra de Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Jorge de Lima, bem como a leitura que faz dos regionalistas modernistas brasileiros, permite-nos concluir que uma investigação desenvolvida sob estes pressupostos contribui, em diversos planos, para que compreendamos melhor aquela poesia.

Carlos de Oliveira: a parte submersa do iceberg

22/03/2017

Inauguração da exposição “Carlos de Oliveira: a parte submersa do iceberg”. Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira, 18 de março de 2017.

Foi inaugurada no passado sábado, dia 18 de março, no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, a exposição do espólio de Carlos de Oliveira, com curadoria de Osvaldo Manuel Silvestre. O título da exposição provém de um texto de Carlos de Oliveira, “O iceberg”, incluído no volume O aprendiz de feiticeiro. Nesse texto, o autor fala de tudo aquilo que a falta de liberdade, durante o salazarismo, o inibiu de viver e de escrever, denunciado desde logo na sua frase inicial: «Pensando bem, não tenho biografia». A sequência do texto esclarece essa afirmação:

Melhor, todo o escritor português marginalizado sofre biograficamente do que posso denominar complexo do iceberg: um terço visível, dois terços debaixo de água. A parte submersa pelas circunstâncias que nos impediram de exprimir o que pensamos, de participar na vida pública, é um peso (quase morto) que dia a dia nos puxa para o fundo. Entretanto a linha de flutuação vai subindo e a parte que se vê diminui proporcionalmente.

A imagem da parte submersa do iceberg adapta-se bem àquilo que define um espólio: um conjunto de papéis e documentos que acompanha, ao longo do tempo mas longe da vista do público, uma obra publicada. Contudo, tratando-se de um espólio bastante rico, foi necessário selecionar drasticamente o material a exibir, bem como distribuir tarefas, para o que o curador contou com a ajuda de uma equipa que integra duas doutorandas do Programa em Materialidades da Literatura, Ana Sabino e Manaíra Athayde, além dos Professores Ricardo Namora e Rui Mateus, membros, como toda a equipa, do CLP. Rui Mateus tratou a poesia, Ricardo Namora o “caso” Finisterra. Paisagem e Povoamento, obra tardia e maior, Ana Sabino explorou o espólio gráfico do autor, Manaíra Athayde estudou a questão do arquivo em Carlos de Oliveira. A exposição combina, pois, um percurso biobibliográfico, mais completo no caso da poesia, única área da obra percorrida na íntegra, com a eleição de núcleos temáticos fortes: a interação fotografia-texto no percurso que vai do “trabalho de terreno” levado a cabo pelo casal Carlos e Ângela de Oliveira na Gândara, no início dos anos 50, até à edição, em 1953, de Uma Abelha na chuva, às fotos produzidas por Augusto Cabrita para a edição ilustrada da obra na D. Quixote no final dos anos 60 e, por fim, ao filme de Fernando Lopes sobre o romance (1972); a contextualização do campo literário, cultural e político português no final dos anos 60, recorrendo-se para tal aos 8 volumes publicados dos diários de José Gomes Ferreira, Dias Comuns; o espólio de Finisterra, que revela a existência de uma “versão” abandonada de uma obra que não era ainda Finisterra, mas de que se viria a aproveitar alguma coisa para esse romance; e o trabalho de alguns grandes designers que desenharam capas e coleções para a obra de Carlos de Oliveira, bem como os textos, éditos e inéditos, que revelam uma aguda consciência do livro como objeto e suporte no autor.

Inauguração da exposição “Carlos de Oliveira: a parte submersa do iceberg”. Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira, 18 de março de 2017.

Um conjunto significativo de documentos singulariza a exposição, quer se trate de iconografia, documentos pessoais ou, obviamente, manuscritos, dactiloscritos, livros dedicados, etc. O visitante é ainda convidado a ver o filme de Fernando Lopes sobre Uma abelha na chuva e o filme de Margarida Gil sobre o escritor, Sobre o lado esquerdo (2008), bem como a ouvir poemas seus ditos por Maria Barroso.

Da exposição foi editado um catálogo, que inclui ensaios de todos os membros da equipa, catálogo acompanhado pela edição avulsa de um Micro-dicionário de Carlos de Oliveira, da autoria do curador. Resta dizer que a exposição incluirá uma vasta programação paralela, com lançamento de obras (um número da Colóquio-Letras dedicado a Carlos de Oliveira, um pequeno volume em homenagem a Ângela de Oliveira, falecida no ano transato), mesas-redondas e atividades de serviço educativo, no próprio Museu, bem como colóquios a realizar nas três cidades associadas à vida do autor. Em Cantanhede terá lugar um colóquio sobre “Gândara e cultura popular em Carlos de Oliveira”; em Coimbra, na Casa da Escrita, decorrerá um colóquio sobre “Carlos de Oliveira e a geração do neo-realismo coimbrão”; finalmente, em Lisboa, na Casa Fernando Pessoa, realizar-se-á um colóquio sobre “Carlos de Oliveira e a Ideia do Moderno”.

É uma ilusão supor que um espólio como o de Carlos de Oliveira pode ser estudado num ano ou dois. Em rigor, um espólio desta dimensão necessita de trabalho ao longo de uma geração, de modo a que todas as suas articulações internas e externas sejam exploradas, ou seja, de forma a que a sua constituição plena como arquivo possa ser estabelecida. O trabalho agora feito é um começo, com todos os privilégios do começo e todas as frustrações que derivam da consciência disso. Mas é também um trabalho com o potencial para reativar a leitura da obra do autor e, a par disso, uma forma de criar uma nova geração de leitores da sua obra. Resta desejar que este trabalho possa vir a desembocar na produção de um Arquivo Digital Carlos de Oliveira.