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Attention à la marche! Mind The Gap!

22/11/2020

Acaba de ser publicado o volume Mind The Gap! Thinking electronic literature in a digital culture / Attention à la marche! Penser la littérature électronique en culture numérique (Montréal: Les presses de l’écureuil – ALN/NT2, 630 pp., ISBN: 979-10-384-0004-7, novembro de 2018), coordenado por Bertrand Gervais e Sophie Marcotte. Este volume reúne 45 artigos apresentados no Congresso/Festival Internacional da Organização de Literatura Eletrónica [ELO] realizado na Universidade do Quebeque, em Montréal, entre 13 e 17 de agosto de 2018. A obra é distribuída em regime de acesso aberto e está disponível nos formatos PDF, MOBI e E-PUB, a partir da página do laboratório NT2: http://nt2.uqam.ca/en/elo-2018

Apresentação sumária do volume pelos editores:

Mind the Gap!, the proceedings of the Electronic Literature Organization’s conference held in Montreal in 2018, intends to explicitly question the place of electronic literature in a digital culture. What is the nature of the relationship between the two? How does a form that is already fifty years old manage to remain relevant in a cultural environment strongly marked by digital technology? How does an avant-garde practice developed in the context of book culture succeed in adjusting to the principles of a culture heavily engaged in screens, networks and mobile devices? How can we take into account mobile technologies which are increasingly present in everyday life, understand their impact on writing and reading habits, and investigate the political dimension of digital technology, in its links to art, literature and culture?

Bertrand Gervais e Sophie Marcotte

Mind The Gap! Attention à la marche! inclui três artigos representativos da investigação realizada no Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura:

  • Paulo Silva Pereira, “Balpe & Chatonsky: Esthétique générative, surproduction et mémoire à l’ère numérique”, pp. 147-165 (incluído na secção “Le langage comme interface/ Language as interface”).
  • Manuel Portela e Cecília Magalhães, “The Book of Disquiet Digital Archive as a Role-Playing Experiment”, pp. 307-325 (incluído na secção “Esthétiques numériques/ Digital aesthetics”). Vídeo da apresentação original.
  • Ana Maria Machado, Ana Albuquerque e Aguilar e Alice Atsuko Matsuda, “Is There A Gap In The Classroom?”, pp. 477-490 (incluído na secção “Lire et écrire en culture numérique/ Reading and writing in a digital culture”).

Desde 2012 que o Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura tem estado representado no Congresso/Festival anual da Electronic Literature Organization:  ELO 2012: “Electrifying Literature: Affordances and Constraints”, 20-23 junho; ELO 2013: “Cherchez le texte”, Paris, 20-23 setembro; ELO 2014: “Hold the Light”, Milwaukee, WI, 18-21 junho; ELO 2015: “The end(s) of electronic literature”, Bergen, 4-7 de agosto; ELO 2016: “Next Horizons”, Victoria, BC, 10-12 de junho; ELO 2017: “Affiliations, Communities, Translations“, Porto, 19-22 de junho; ELO 2018: “Mind The Gap! Thinking electronic literature in a digital culture”, Montréal, 13-17 de agosto; ELO 2019: “Periferies“, Cork, 15-17 de julho; e ELO 2020:  “(un)continuity”, Orlando, FL, 16-19 de julho. Os artigos selecionados dos congressos anuais têm sido publicados ora sob a forma de livros, ora em números especiais de diversas revistas, incluindo Hyperrhiz: New Media Cultures (Hyperrhiz 14 [ELO 2015] e Hyperrhiz 17 [ELO 2016]), MATLIT: Materialidades da Literatura [6.1, 6.2 e 6.3 [ELO 2017]) e electronic book review [ELO2019 Gathering (Cork, Ireland)].

Apresentação da MATLIT 8.1 “Ensino da Literatura Digital”

17/11/2020

© Cartaz de Rui Silva.

No próximo dia 19 de novembro de 2020, pelas 12h00, o volume 8.1 da revista MATLIT: Materialidades da Literatura, intitulado “Ensino da Literatura Digital”, será apresentado pelas editoras Ana Maria Machado (Universidade de Coimbra) e Ana Albuquerque e Aguilar (Universidade de Coimbra). A apresentação terá lugar por videoconferência através da plataforma Colibri-Zoom. As coordenadas da sala virtual são as seguintes: https://videoconf-colibri.zoom.us/j/3454748493?pwd=RitBYXhHTnF1TUM4Q2ZkQ2kzdERuZz09. Esta iniciativa é organizada pelo Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura e pelo Centro de Literatura Portuguesa (CLP).
MATLIT: Materialidades da Literatura é uma revista em linha, arbitrada por pares e em acesso aberto, publicada pela Imprensa da Universidade de Coimbra e pelo Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. A revista aborda as mediações tecnológicas e materiais das práticas literárias, focando em particular a tipograficalidade, a digitalidade, a auralidade e a intermedialidade. O seu campo de investigação vai dos estudos literários aos estudos comparados dos média e às humanidades digitais. MATLIT usa como línguas de trabalho o português, o inglês e o espanhol. Adotando uma perspetiva interdisciplinar e transmedial, a revista organiza-se em números temáticos. Para cada número é produzida uma Call for Papers. Arquivo da revista MATLIT (2013-2020): 12 números, 231 artigos.

1.º Congresso Internacional de Literatura para Crianças e Jovens

03/11/2020

Decorreu, de 22 a 24 de setembro, o 1.º Congresso Internacional de Literatura para Crianças e Jovens – Crítica, Estética e Ensino, associado à 3.ª Jornada da Literatura de Infância, tendo sido organizado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mais especificamente pelas professoras, e proeminentes investigadoras neste campo, Diana Navas, Elizabeth Cardoso e Maria José Palo. O evento, online, gratuito e de acesso livre, contou com cerca de 6 mil inscritos e foi transmitido, em streaming, através da plataforma StreamYard, no YouTube.

Cartaz do evento, sobre ilustração de Raquel Matsushita.

A programação foi organizada em dois momentos diários (horário de Brasília), sendo a manhã dedicada a atividades comuns e a tarde destinada aos diversos simpósios paralelos.  Assim, no dia 22, teve lugar a conferência de abertura, intitulada “El libro álbum y la intervención cultural en tiempos de crisis”, a cargo de Evelyn Arizpe (University of Glasgow); no dia 23, decorreu a mesa-redonda “O livro infantil e juvenil: mediações”, que contou com a participação de Cecilia Bajour (Universidad Nacional de San Martín), Sidinéia Chagas (Biblioteca Comunitária de Palheiros), Leo Cunha (escritor) e Bernardo Carvalho (escritor, designer e ilustrador), com moderação de Elizabeth Cardoso (PUC-SP); no dia 24, houve uma nova mesa-redonda, dedicada a “Literatura juvenil: diálogos possíveis”, com a participação de Ana Margarida Ramos (Universidade de Aveiro), João Carrascoza (escritor), Raquel Matsushita (escritora, designer e ilustradora) e Maria Auxiliadora Baseio (Universidade de Santo Amaro), com moderação de Diana Navas (PUC-SP). Num evento que privilegiou a pluralidade de perspetivas em literatura infantil e juvenil (LIJ), nas vertentes de criação, produção, edição, estudo, ensino, investigação e mediação, é de notar que todas estas intervenções contaram com intérpretes de língua gestual, ação inclusiva que permitiu chegar a um público ainda mais alargado.

Todas as comunicações ficaram gravadas, estando disponíveis nos canais de YouTube dos diferentes simpósios do congresso, nomeadamente, 1. “Conto e reconto da tradição oral”,  2. “Múltiplas linguagens em literatura infantil e juvenil: imagem, som e toque”, 3. “Literatura infantil e juvenil no contexto da era digital”, 4. “Literatura e ensino”, 5. “Literatura juvenil e o diálogo com outras artes”, 6. “Poesia para crianças e jovens: abordagens múltiplas”, 7. “Temas fraturantes no livro infantil e juvenil contemporâneo” e 8. “As literaturas africanas, afro-brasileiras e indígenas para infância e juventude: intersecções”.

As Materialidades da Literatura também marcaram presença no congresso. No dia 22, Ana Albuquerque e Aguilar apresentou uma comunicação no Simpósio 3 – “Literatura infantil e juvenil no contexto da era digital”, coordenado por Aline Frederico (UFRJ/PUC-SP) e Edgar Kirchof (Universidade Luterana do Brasil), intitulada “Águas turbulentas? Uma proposta para a leitura de Salt Immortal Sea nas escolas portuguesas”, onde abordou o modo como a alteração do regime de ensino e a súbita passagem ao digital, provocadas pela pandemia, afetam o modo como se ensina e se faz investigação aplicada em literatura digital.

Comunicação “Águas turbulentas? Uma proposta para a leitura de Salt Immortal Sea nas escolas portuguesas”, por Ana Albuquerque e Aguilar.

Ainda no dia 22, Alice Atsuko Matsuda (UTFPR-Curitiba), que realizou Pós‑Doutoramento no Programa em Materialidades da Literatura, apresentou a comunicação “O abraço – um tema difícil de se tratar”, no Simpósio 7 – “Temas Fraturantes no Livro Infantil e Juvenil Contemporâneo”, do qual, aliás, foi coordenadora, juntamente com Eliane Galvão Ferreira (UNESP-Assis). 

Também no mesmo simpósio, mas já no dia 24, Ana Maria Machado apresentou a comunicação “Fantasias e didatismos na obra infantil de Fernanda de Castro: entre a monologia e a dissidência”, refletindo acerca das características da obra infantil da escritora portuguesa, tantas vezes esquecida, com especial atenção dedicada ao livro Mariazinha em África, de 1925, ilustrado por Sarah Afonso.

Comunicação de Ana Maria Machado, “Fantasias e didatismos na obra infantil de Fernanda de Castro: entre a monologia e a dissidência”, apresentada por Alice Matsuda e Eliane Galvão.

Embora o evento tivesse contado com oradores de diversos países, destaca­‑se a participação de Portugal, onde os estudos e a investigação em LIJ são já uma referência internacional. Além das já mencionadas Universidades de Coimbra (através de Ana Maria Machado e Ana Albuquerque e Aguilar) e de Aveiro (por Ana Margarida Ramos), a Universidade de Évora, com a participação de Cláudia Sousa Pereira, e a Universidade Católica Portuguesa – Lisboa, com Dora Batalim SottoMayor, também marcaram presença neste congresso.

Materialidades da Literatura na ELO 2020 (Virtual Edition)

02/11/2020

Devido à pandemia provocada pela COVID-19, a organização da Electronic Literature Organization Conference and Media Arts Festival, a cargo de Anastasia Salter e Mel Stanfill, decidiu que, ao invés do esperado evento presencial, a ter lugar na University of Central Florida, em Orlando (EUA), de 16 a 19 de julho, a ELO 2020 seria a primeira edição virtual deste encontro anual, mantendo as datas previstas. Subordinado ao tema “(un)continuity”, o programa contou com diversas atividades assíncronas (nomeadamente duas exposições virtuais, a disponibilização de um conjunto alargado de novos artigos revistos por pares, bem como comunicações e painéis pré-gravados e disponibilizados na semana do evento), todas acessíveis a partir da página da ELO 2020. No entanto, houve também diversas atividades síncronas, tais como workshops, mesas-redondas, plenários ou performances, que, decorrendo através da plataforma Zoom, foram gravadas, estando também disponíveis no arquivo do evento. 

Reforçando o espírito de comunidade e numa tentativa de não descurar a componente social da ELO, foi criado um grupo na rede social Discord, para discussão não apenas de vários tópicos dentro da área de investigação em literatura eletrónica e partilha de recursos, mas também para conversas informais nos intervalos entre sessões síncronas, apreciação da exposição, performances e, inclusivamente, para a realização do banquete virtual. 

A participação das Materialidades da Literatura na Electronic Literature Organization Conference foi, uma vez mais, assinalável.

Comunicação “Oralengas” go to school. A first experiment, pela equipa do projeto Murais e Literatura.

Ana Maria Machado, Rui Torres, Ana Albuquerque e Aguilar, Júlia Zuza Andrade, Luís Lucas Pereira e Thales Estefani apresentaram uma comunicação assíncrona, intitulada Oralengas” go to schoolA first experiment, onde discorreram acerca das etapas já concretizadas no âmbito do projeto Murais e Literatura: a criação digital em contexto educativo, do Centro de Literatura Portuguesa, coordenado por Ana Maria Machado, bem como dos passos seguintes, que tiveram de ser repensados devido à pandemia.

No que respeita às atividades síncronas, Ana Albuquerque e Aguilar integrou, juntamente com María Goicoechea (Universidad Complutense de Madrid), Laura Sánchez (Universidad Complutense de Madrid) e Mark Marino (University of Southern California), uma mesa-redonda intitulada “What’s New in Children’s eLit?”, que teve lugar no dia 17 de julho e na qual foram partilhados e discutidos diferentes projetos e iniciativas no âmbito da literatura infantil e juvenil digital em Portugal, em Espanha e nos Estados Unidos, sobretudo nos meios académico e artístico em que os oradores operam. No entanto, devido à interação em direto com o público, que assistia a partir de todos os continentes, rapidamente a discussão foi amplificada e enriquecida por uma troca de ideias com a comunidade global da ELO, tendo‑se criado um canal próprio no grupo do Discord (“Children’s eLit Recommendations”) para permitir a continuação e a continuidade desta partilha.

Comunicação “Children’s eLit in Portugal”, de Ana Albuquerque e Aguilar, na mesa-redonda What’s New in Children’s eLit?

As MatLit marcaram também presença numa das exposições virtuais, “(un)continuity – a virtual exhibition”, com SONAR, de Daniela Côrtes Maduro, João Couceiro e Castro, Sérgio Rebelo e Pedro Martins, que nasce de uma colaboração entre a primeira doutorada em Materialidades da Literatura e o grupo de sonificação do DEI da FCTUC.            

SONAR, de Daniela Côrtes Maduro, João Couceiro e Castro, Sérgio Rebelo e Pedro Martins.

Apesar dos naturais constrangimentos, a realização virtual deste evento permitiu à comunidade, que já trabalha em torno do digital e das problemáticas associadas ao meio há mais duas décadas, reinventar-se e criar novas dinâmicas de interação. Uma delas foi, justamente, a gravação e preservação de atividades síncronas e assíncronas, o que permitiu que, independentemente do local do mundo em que os participantes (ou outros interessados) se encontrassem ou da sua disponibilidade nos dias do colóquio, pudessem assistir a tudo o que lhes interessava. Do mesmo modo, também as exposições virtuais ficaram acessíveis ao grande público. A pedido da comunidade, a organização manteve ainda o grupo do Discord em funcionamento, sendo que nas primeiras sextas-feiras de cada mês se realizam os eventos “First Fridays”, em inglês, espanhol, francês e alemão, em canais específicos criados para o efeito. Por fim, o balanço da ELO 2020 – Virtual Edition revelou que a grande participação e interação desta edição foram os seus pontos fortes relativamente às anteriores, em formato presencial. 

MATLIT 8.1 está em linha

28/10/2020

PT

Foi publicado o Volume 8.1 (2020) da revista MATLIT: Materialidades da Literatura. Este número, organizado por Ana Maria Machado (Universidade de Coimbra) e Ana Albuquerque e Aguilar (Universidade de Coimbra), intitula-se “Ensino da Literatura Digital”. A secção temática publica textos de Roberto Simanowski, Scott Rettberg, Giselly Lima de Moraes e Dinéa Maria Sobral Muniz, Alice Atsuko Matsuda e Jaqueline Conte, Diogo Marques e Ana Gago, Sandra Guerreiro Dias, Enéias Tavares, Juan Pedro Martín-Villarreal, José Carlos Dias e Larissa Andrioli. Quatro artigos – de Ian Harper, Ana Maria Machado e Ana Albuquerque e Aguilar, Rui Afonso Mateus e Svetlana Anatolevna Kuchina – analisam projetos pedagógicos dedicados a Alice Inanimada, uma obra digital serial. Destaca-se ainda a entrevista a Roberto Simanowski realizada por Ana Marques e Manuel Portela. A secção “Mediarama” apresenta um relato do Primeiro Encontro sobre Leitura Distante em Português, realizado na Universidade Oslo a 27 e 28 de outubro de 2019. Por fim, são publicadas quatro recensões críticas relativas a novas publicações.

Todos os textos se encontram disponíveis em formato html e pdf. A MATLIT adota uma política de acesso integral livre, podendo todos os textos ser lidos em linha ou transferidos para uso pessoal. O acesso pode ser feito a partir do índice geral.

 


EN

Volume 8.1 (2020) of MATLIT: Materialities of Literature has been published. This issue, edited by Ana Maria Machado (University of Coimbra) and Ana Albuquerque e Aguilar (University of Coimbra), is titled “Teaching Digital Literature”. The thematic section includes texts by Roberto Simanowski, Scott Rettberg, Giselly Lima de Moraes and Dinéa Maria Sobral Muniz, Alice Atsuko Matsuda and Jaqueline Conte, Diogo Marques and Ana Gago, Sandra Guerreiro Dias, Enéias Tavares, Juan Pedro Martín-Villarreal, José Carlos Dias, and Larissa Andrioli. Four articles – by Ian Harper, Ana Maria Machado and Ana Albuquerque e Aguilar, Rui Afonso Mateus, and Svetlana Anatolevna Kuchina – discuss pedagogical projects involving Inanimate Alice, a serial digital work. This issue also includes an interview with Roberto Simanowski by Ana Marques and Manuel Portela. The section “Mediarama” contains an account of the First Meeting on Distant Reading in Portuguese, held at Oslo University on October 27 and 28, 2019. In the review section, readers will find four book reviews.

All texts are available in html and pdf formats. MATLIT has a policy of free full-access to all texts, which can be read online or downloaded for personal use. Access can be made from the contents page.

 


ES

Se ha publicado el volumen 8.1 (2020) de MATLIT: Materialidades de la Literatura. Este número, editado por Ana Maria Machado (Universidad de Coimbra) y Ana Albuquerque e Aguilar (Universidad de Coimbra), se titula “Enseñanza de la literatura digital”. La sección temática incluye textos de Roberto Simanowski, Scott Rettberg, Giselly Lima de Moraes y Dinéa Maria Sobral Muniz, Alice Atsuko Matsuda y Jaqueline Conte, Diogo Marques y Ana Gago, Sandra Guerreiro Dias, Enéias Tavares, Juan Pedro Martín-Villarreal, José Carlos Dias y Larissa Andrioli. Cuatro artículos – de Ian Harper, Ana Maria Machado y Ana Albuquerque e Aguilar, Rui Afonso Mateus y Svetlana Anatolevna Kuchina – analizan varios proyectos pedagógicos dedicados a Inanimate Alice, una obra digital en serie. Este número incluye una entrevista a Roberto Simanowski por Ana Marques y Manuel Portela. La sección “Mediarama” contiene un relato del Primer Encuentro sobre Lectura a Distancia en Portugués, celebrado en la Universidad de Oslo los días 27 y 28 de octubre de 2019. En la sección de reseñas, los lectores encontrarán cuatro reseñas de libros.

Todos los textos están disponibles en formato html y pdf. MATLIT tiene una política de libre acceso a todos los textos, que se pueden leer en línea o descargar para uso personal. El acceso se puede hacer desde la tabla de contenidos.

Prémio Mário Quartin Graça 2020 atribuído a Ana Rita Sousa

28/10/2020
Ana Rita Sousa

Ana Rita Sousa.

A tese de doutoramento em Materialidades da Literatura Mecânica de uma Personagem: Paisagem, Escrita, Autoria (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2020), de Ana Rita Sousa, foi distinguida com o Prémio Mário Quartin Graça 2020, na categoria de Ciências Sociais e Humanas.

Portuguesa ganha prémio da Casa da América Latina com “estudo inovador” sobre Llansol e Bolaño

Atribuído pela Casa da América Latina em parceria com o banco Santander, o Prémio Científico Mário Quartin Graça destacou este ano, na categoria de Ciências Sociais e Humanas, a tese de doutoramento Mecânica de uma Personagem: Paisagem, Escrita, Autoria, que aborda numa perspectiva comparatista as obras da escritora e tradutora portuguesa Maria Gabriela Llansol (1931-2008) e do romancista chileno Roberto Bolaño (1953-2003), que adquiriu grande notoriedade internacional em 1998 com a publicação de Os Detectives Selvagens.

O prémio distingue anualmente teses de doutoramento em três domínios — Ciências Sociais e Humanas, Tecnologias e Ciências Naturais e ainda Ciências Económicas e Empresariais —, atribuindo três mil euros aos vencedores de cada uma das categorias. São privilegiadas teses que se revistam de interesse quer para as universidades portuguesas, quer para as da América Latina, ou cuja elaboração tenha resultado de uma colaboração entre universidades dos dois lados do Atlântico.

Licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Universidade do Porto, e actualmente leitora do Instituto Camões no México, Ana Rita Sousa doutorou-se com o estudo agora premiado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que aprovou a sua tese com a classificação máxima.

O júri destacou o seu “estudo inovador” sobre estes dois escritores contemporâneos, sublinhando que “a tese incide nas várias estratégias textuais que cada um desses escritores desenvolveu no decurso da sua trajectória e, em especial, nos processos de construção das suas personagens”.

Os outros dois contemplados com o prémio foram os brasileiros Ricardo Zimmermann e Monique Vieira, respectivamente nas áreas de Ciências Económicas e Empresariais e de Tecnologias e Ciências Naturais. Ricardo Zimmermann destacou-se com a tese Inovação e Gestão da Cadeia de Abastecimento: Estratégias, Capacidades e o Efeito do Alinhamento sobre o Desempenho das Empresas, apresentada na Universidade de Aveiro, e Monique Vieira venceu com o trabalho “Análise Quantitativa da Sustentabilidade para a Terceira Geração de Biocombustíveis Utilizando Dados de Processo de uma Biorrefinaria de Microalgas, realizada na Universidade do Porto e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPRE).

Esta foi a 11.ª edição do Prémio Científico Mário Quartin Graça, cujas candidaturas são maioritariamente originárias de Portugal e do Brasil.

O júri do prémio, que recebeu 85 teses para avaliar, foi composto por Arlindo Oliveira, Professor do Instituto Superior Técnico; João Proença, Professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto; Pedro Cardim, Professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa; João Paulo Velez, Director de Comunicação e Marketing Corporativo do Santander Portugal; e Manuela Júdice, Secretária-Geral da Casa da América Latina.

Dadas as circunstâncias decorrentes da pandemia, o prémio será entregue numa cerimónia virtual, cuja data não foi ainda anunciada.

Público, edição digital, 26 de outubro de 2020.

É a segunda tese em Materialidades da Literatura a ser distinguida com este prémio. Na edição de 2018, o prémio Mário Quartin Graça foi atribuído a Manaíra Aires Athayde pela tese Ruy Belo e o Modernismo Brasileiro. Poesia, Espólio.

Sessões Online Arquivo LdoD em parceria com a Cátedra Agostinho da Silva e o Desassossego Digital Brasília

09/10/2020

As sessões criativas online são encontros ministrados pelo projeto Fragmentos em Prática para a leitura e a apropriação dinâmica dos fragmentos do Livro do Desassossego, assim como a criação colaborativa de edições virtuais temáticas e a escrita de novos textos poéticos, por meio da utilização do Arquivo LdoD. Os encontros são abertos a público diverso: leitores assíduos, fãs de Fernando Pessoa, a comunidade acadêmica (com a participação de estudantes e professores), artistas, produtores, escritores e curiosos. Neste outubro as nossas sessões encontram a Cátedra Agostinho da Silva e o projeto Desassossego Digital Brasília. Participe!

PARA PARTICIPAÇÃO NAS TRÊS OFICINAS FAÇA A SUA INSCRIÇÃO ANTECIPADA POR EMAIL: fragmentos.em.pratica@gmail.com

As sessões criativas fazem parte dos projetos Fragmentos em Prática e Operation Room, afiliados ao Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra (CLP-UC) e ao programa doutoral Materialidades da Literatura (MatLit), programa com apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). A Cátedra Agostinho da Silva e o projeto Desassossego Digital (Instagram #desassossegobrasilia) estão ligados à Faculdade de Letras da Universidade de Brasília.

Introdução online ao Arquivo LdoD
21 de Outubro, Quarta-feira – 16:00hs Hora Brasília/ 20:00hs Hora Lisboa (120 minutos)

A primeira sessão apresenta as principais funcionalidades do Arquivo LdoD por meio dos dez vídeo-tutoriais explicativos do projeto Fragmentos em Prática. Essa introdução vídeo-guiada tem 120 minutos de duração e é acompanhada do grupo de moderação online para tirar dúvidas, experimentar conjuntamente as ferramentas, descobrir novos textos. Para participar da nossa sala de trabalhos acesse:
<https://meet.google.com/kge-vtus-vxc>.

Sarau online no Arquivo LdoD
28 de outubro, Quarta-feira – 16:00hs Hora Brasília/ 20:00hs Hora Lisboa (120 minutos)

A segunda sessão terá como tema, no esteio do nosso atual estado de introspecção e de recolhimento perante a pandemia global, o lugar de movimento, encontro e produção poética promovida pelo “logar” do Desassossego. Vamos criar conjuntamente uma edição virtual que será remodelada colaborativamente pelos participantes, por meio das ferramentas de pesquisa, leitura, seleção e anotação dos fragmentos no Arquivo LdoD.

Para participar da nossa sala de trabalhos acesse: <https://meet.google.com/kge-vtus-vxc>.

Oficina Online LdoD Remix 04 de novembro, Quarta-feira – 16:00hs Hora Brasília/ 20:00hs Hora Lisboa (120 minutos)

A terceira sessão é uma parceria entre os projetos Fragmentos em Prática e Operation Room e tem como tema a criação de gifs-poemas do Desassossego por meio da leitura, anotação e remistura dos fragmentos do Arquivo LdoD. Além da funcionalidade da edição virtual, serão utilizados aplicativos de tratamento de imagem, ilustração e composição videográfica de uso aberto, assim como editores textuais ou outra qualquer ferramenta de manipulação digital à escolha dos participantes.

Para participar da nossa sala de trabalhos acesse: <https://meet.google.com/kge-vtus-vxc>.

Operation Room é um projeto para desenvolver um grupo/comunidade online com o objetivo comum de criar poesia digital baseada nos processos de apropriação e remix (remistura). Os membros desta comunidade partilham, usam e re-utilizam o conteúdo partilhado por todos (texto, audio, imagem, video, código) para criar poesia digital. Para participar, registe-se na aplicação Trello e aceite o convite através deste link: https://trello.com/b/urllx8xi/operation-room-digital-poetry

Essas sessões têm o apoio institucional de: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC); Centro de Literatura Portuguesa (CLP); Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT); Arquivo LdoD: Arquivo Digital do Livro do Desassossego; Universidade de Brasília (UNB); Catédra Agostinho da Silva; Desassossego Brasília.

Monitoria:

Cecília Magalhães: é doutoranda no programa Materialidades da Literatura na Universidade de Coimbra (MatLit/FLUC-UC), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP/COS) e designer (Belas Artes/SP). Tem experiência acadêmica e profissional voltadas para o ensino, para a  investigação e para o desenvolvimento de projetos elaborados por meio do manejo criativo de diferentes linguagens em contexto intermedia. Atualmente desenvolve o projeto Fragmentos em Prática, com enfoque nas práticas de leitura e de produção criativa no Arquivo LdoD, plataforma dinâmica organizada em torno da escrita e da edição do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa.

Liliana Vasques: é doutoranda do Programa de Doutoramento Materialidades da Literatura  (MatLit/FLUC-UC) e Mestre em Educação Artística (FBA-UL). Desenvolve a sua investigação em torno dos processos de apropriação textual e remistura na criação de poesia digital. Faz poesia experimental em vários suportes mediais. 

Augusto Rodrigues da Silva Junior: é professor associado de Literatura Brasileira na Universidade de Brasília (UnB). Coordenador da Cátedra Agostinho da Silva (Letras/UnB). Atualmente realiza Pós-doutorado em Literatura na Universidade de São Paulo (2020/2021) com projeto ligado à Teoria da Geopoesia. Realizou Pós-Doutorado em Literatura Luso-Brasileira pela Universidade do Minho (Portugal, 2014-2015). Doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), cursou graduação e mestrado em Literatura na Universidade Federal de Goiás. É Diretor de Literatura Afro-Brasileira do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal. Dentre seus livros publicados destacam-se: Poemas da rua do fogo Brasília (2019); Centésima Página (Lisboa, 2015); Onde as ruas não têm nome (Brasília, 2010); Niemar (2008).

MATLIT volume 9.1 (2021): Call for Papers

06/10/2020

A revista MATLIT: Materialidades da Literatura acaba de divulgar a Call for Papers para o próximo número, a publicar em 2021. Sob o tema geral “Fotolivros de Literatura: Teoria e História”, o número 9.1 será organizado por Ana Luiza Fernandes (PUC-Rio), Karl Erik Schollhammer (PUC-Rio) e João Queiroz (UFJF).

PRAZO: A submissão de artigos encerra a 31 de janeiro de 2021. As notificações de aceitação/rejeição serão enviadas até 1 de junho de 2021. MATLIT publica  artigos nas seguintes línguas: Português, Inglês e Espanhol.  Os autores devem registar-se e submeter os artigos na plataforma da revista: https://impactum-journals.uc.pt/matlit/user/register. A informação sobre as normas de apresentação encontra-se em:  https://impactum-journals.uc.pt/matlit/about/submissions. Mais informações podem ser obtidas contactando os editores deste número: Ana Luiza Fernandes analuizadagama@gmail.com, Karl Erik Schollhammer karlerikschollhammer@me.com e João Queiroz queirozj@gmail.com.


The journal MATLIT: Materialities of Literature has released its Call for Papers for the next issue, to be published in 2021. Under the general topic “Literary Photobooks: Theory and History”, issue 9.1 will be edited by Ana Luiza Fernandes (PUC-Rio), Karl Erik Schollhammer (PUC-Rio) and João Queiroz (UFJF).

DEADLINE: Article submissions will be due on January 31, 2021, with notifications of acceptance by June 1, 2021. MATLIT publishes articles in the following languages: Portuguese, English, and Spanish. Authors must register and upload their files through the journal platform here: https://impactum-journals.uc.pt/matlit/user/register. Information about submission guidelines: https://impactum-journals.uc.pt/matlit/about/submissions. Further information can be obtained by contacting the issue editors, Ana Luiza Fernandes analuizadagama@gmail.com, Karl Erik Schollhammer karlerikschollhammer@me.com and João Queiroz queirozj@gmail.com.


La revista MATLIT: Materialidades de la Literatura ha lanzado su Convocatoria de Artículos para el próximo número, que se publicará en 2021. Bajo el tema general “Fotolibros literarios: teoría e historia”, el número 9.1 será editado por Ana Luiza Fernandes (PUC-Rio), Karl Erik Schollhammer (PUC-Rio) y João Queiroz (UFJF).

FECHA LÍMITE: Envío de artículos hasta el 31 de enero de 2021, con notificaciones de aceptación/rechazo hasta el 1 de junio de 2021. MATLIT publica artículos en los siguientes idiomas: portugués, inglés y español. Los autores deben registrarse y cargar sus archivos a través de la plataforma: https://impactum-journals.uc.pt/matlit/user/register. Información detallada sobre las directrices para autores disponible en: https://impactum-journals.uc.pt/matlit/about/submissions. Se puede obtener más información contactando a los editores: Ana Luiza Fernandes analuizadagama@gmail.com, Karl Erik Schollhammer karlerikschollhammer@me.com,  y João Queiroz queirozj@gmail.com.

Estado da Arte 15

21/09/2020

“Estado da Arte 15: contigência, emergência, calamidade, desconfinamento”, 18 de junho de 2020, Doutoramento em Materialidades da Literatura. Edição de Nuno Meireles.

Doutoramento Nº13

09/09/2020

Realizam-se no próximo dia 15 de setembro de 2020, pelas 10h00, por videoconferência (transmitida pelo canal YouTube dos Serviços Académicos em https://www.uc.pt/academicos/provas), as provas de doutoramento em Materialidades da Literatura de Sofia Madalena Gonçalves Escourido, candidata da sexta edição do Programa, que teve início em 2015-2016. A candidata apresenta a tese «A página como possibilidade: Patrícia Portela, Joana Bértholo e Afonso Cruz» (2020), orientada por Manuel Portela (Universidade de Coimbra).

O júri, nomeado por despacho reitoral de 27 de maio de 2020, tem a seguinte constituição:
Presidente:
Rui Gama (Professor Associado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Vogais:
Isabel Cristina Rodrigues Salak (Professora Auxiliar da Universidade de Aveiro)
Sofia Gonçalves (Professora Auxiliar da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa)
Ana Paula Arnaut (Professora Catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Manuel Portela (Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Esta tese – a décima terceira do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura – integra-se numa das linhas de investigação do Programa dedicada à análise da recodificação das formas do livro em contexto pós-digital (ReCodex: Formas e Transformações do Livro). Sofia Escourido investiga a exploração expressiva da página como elemento narrativo nas obras ficcionais de Patrícia Portela, Joana Bértholo e Afonso Cruz.

Resumo [excerto]

Explorando a significação da narrativa ficcional híbrida e as suas possibilidades na página impressa, este trabalho de investigação tem o seu foco nas obras de Patrícia Portela, Joana Bértholo e Afonso Cruz. Nas formas narrativas que aqui se analisam – genericamente etiquetadas como híbridas, porque portadoras de elementos multimodais na sua composição –, os exemplos mais significativos serão aquelas páginas que possuem uma dimensão performativa e experimental e uma estética visual. Combinando, transformando e subvertendo as convenções de género literário a cada materialização, promovem ainda uma reflexão sobre a presença do livro e a sua manipulação do ponto de vista da expressividade literária.

Doutoramento Nº 12

01/09/2020

Realizam-se no próximo dia 11 de setembro de 2020, pelas 14h30, por videoconferência (transmitida pelo canal YouTube dos Serviços Académicos em https://www.uc.pt/academicos/provas), as provas de doutoramento em Materialidades da Literatura de Bruno Daniel Ministro dos Santos, candidato da quinta edição do Programa, que teve início em 2014-2015. O candidato apresenta a tese «Todas as Cópias são Originais: eletrografia e copy art em Portugal» (2020), orientada por Manuel Portela (Universidade de Coimbra) e Rui Torres (Universidade Fernando Pessoa). Projeto financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através da bolsa de doutoramento PD/BD/105707/2014.

O júri, nomeado por despacho reitoral de 27 de maio de 2020, tem a seguinte constituição:
Presidente:
Rui Gama (Professor Associado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Vogais:
Eunice Ribeiro (Professora Catedrática do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho)
Jorge dos Reis (Professor Auxiliar da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa)
Paulo Silva Pereira (Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Manuel Portela (Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Esta tese – a décima segunda do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura – integra-se numa das linhas de investigação do Programa dedicada à análise da relação entre processos de escrita e tecnologias mediais (Ex Machina: Inscrição e Literatura – subtema “intermedialidade e inscrição”). Bruno Ministro investiga a exploração expressiva da fotocopiadora como meio de criação literária e artística nas obras de Abílio-José Santos, António Aragão, António Dantas, António Nelos e César Figueiredo.

Resumo [excerto]

Esta investigação propõe entender a eletrografia e copy art portuguesas nas suas dimensões materiais, mediais e sociais, criando um lugar para o estudo desta prática artística enquanto poética transgressora de linguagens, meios e géneros. Nesse sentido, importa perceber de que forma é que a materialidade destas obras, aqui entendidas enquanto artefactos que inscrevem em si mesmos os processos que as geram, contribui para a reconceptualização das noções tradicionais de autoria e obra de arte. Considera-se, assim, que entender o objeto de estudo, tanto no contexto da prática internacional que o engloba, como na sua relação com outras práticas artísticas disruptivas do século XX, permitirá fornecer um contributo crítico para repensar a obra de arte no contexto de uma ecologia da mediação técnica.

Concurso para Investigador Doutorado de nível inicial em Estudos Literários (Universidade de Coimbra-CLP)

25/08/2020

A Universidade de Coimbra abre concurso para um investigador doutorado de nível inicial, em regime de contrato de trabalho em funções públicas a termo resolutivo certo, na área científica de Estudos Literários, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, UNIDADE 759 — Centro de Literatura Portuguesa. A posição a concurso destina-se à execução de atividades de investigação no âmbito do Grupo “Mediação Digital e Materialidades da Literatura” do CLP. O candidato selecionado realizará investigação teórica e aplicada relacionada com projetos em curso neste Grupo. O prazo de candidaturas decorre entre 26 de agosto e 8 de setembro de 2020 (inclusive).

Excerto do Edital:

Torna-se público que, por meu despacho exarado a 02/07/2020, se encontra aberto, pelo prazo de 10 dias úteis a contar do dia útil imediato ao da publicação do presente aviso de abertura no Diário da República, procedimento concursal de âmbito internacional para ocupação de 1 posto(s) de trabalho de investigador doutorado de nível inicial, em regime de contrato de trabalho em funções públicas a termo resolutivo certo, ao abrigo da alínea i) do n.º 1 do artigo 57.º da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas (LTFP), do Decreto-Lei n.º 57/2016, de 29 de agosto, na sua redação atual, do Decreto Regulamentar n.º 11 -A/2017, de 29 de dezembro, e do Regulamento de recrutamento, contratação, prestação de serviço e avaliação de doutorados contratados a termo, na Universidade de Coimbra (RRCPADCT) e demais legislação aplicável, para a(s) área(s) científica(s) de Estudos Literários, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, UNIDADE 759 — Centro de Literatura Portuguesa.

Projeto financiado pela FCT — Fundação para a Ciência e Tecnologia, I. P./MCTES, através de Fundos Nacionais (PIDDAC), no âmbito do financiamento programático com a referência UIDP/00759/2020.

[…]

O Reitor, Amílcar Falcão.

Texto completo do edital no Diário da República, 2.ª série, n.º 165, 25 de agosto de 2020, pp. 172-176, Aviso n.º 12350/2020: https://dre.pt/application/conteudo/141093103

Coleção Cibertextualidades, Volume 2

14/08/2020

Investigação-Experimentação-Criação (2020).

As Publicações Universidade Fernando Pessoa acabam de lançar o Volume 2 da coleção “Cibertextualidades”: Marques, Diogo & Gago, Ana, orgs. (2020). Investigação-Experimentação-Criação: em Arte-Ciência-Tecnologia. Porto, Publicações Universidade Fernando Pessoa. ISBN: 978-989-643-163-1. ISSN: 1646-4435.O livro circula gratuitamente como eBook, depositado no Repositório Institucional da UFP: https://hdl.handle.net/10284/8875

Este volume, organizado por Diogo Marques e Ana Gago, inclui, entre outras, comunicações selecionadas do I Encontro UFP de Estudos sobre Investigação Criativa (que teve lugar em março de 2019, Universidade Fernando Pessoa, Porto). Constitui um dos resultados da bolsa de investigação pós-doutoral de Diogo Marques (2018-2020), da qual resultou ainda a criação de um novo curso de Pós-graduação na Universidade Fernando Pessoa: Pós-graduação em Investigação Criativa: Artes, Saúde e Tecnologia (ICast). Além do artigo de introdução ao volume – Diogo Marques e Ana Gago, “Entre o (in)dizível e o (i)nominável: como escrever sobre investigação criativa”, pp. 9-18 -, destaquem-se os contributos de três doutorandos em Materialidades da Literatura: Bruno Ministro, “Posições: proposições e disposições”, pp. 117-140;  Patrícia Reina, “Espaços (im)permanentes: os paradoxos na conceção dos objetos científicos e outros processos de investigação criativa”, pp. 161-170; e Liliana Vasques, “S.O. em triagem e operação (em alternativa ou em conjunto, com a análise romanceada ‘to print or: dilema para 62 mails’)”, pp. 171-180.

Sinopse do volume
Neste segundo volume da renovada coleção CIBERTEXTUALIDADES, dedicado à Investigação-Experimentação-Criação, no eixo Arte-Ciência-Tecnologia, reúnem-se especialistas de diferentes áreas do conhecimento, com reconhecido currículo científico e/ou artístico a nível nacional e internacional, e promovendo uma multiplicidade de abordagens, tão inovadoras e arrojadas quanto rigorosas e atentas. Não defendendo que as três componentes que serviram de mote a este volume sejam completamente indistinguíveis, a maleabilidade e o diálogo afirmaram-se, contudo, como critérios definidores para a estruturação do mesmo. Assumindo-se o esbatimento de fronteiras naturalmente existente entre os eixos apontados, os ensaios / poemas (visuais) / resenhas artísticas aqui reproduzidos distinguem-se, acima de tudo, pela sua natureza autorreflexiva e pelo seu cariz marcadamente multi/inter/trans e, por vezes, até mesmo, antidisciplinar.

2010-2020: Outgoing

03/08/2020

Sandro Botticelli, Vénus e as Três Graças presenteando uma jovem (c.1483-1485). Fresco (transferido para tela), 211 x 283 cm. Museu do Louvre, Paris.

Se a atração de investigadores internacionais de diversas áreas disciplinares é um indicador de internacionalização e inovação do Doutoramento em Materialidades da Literatura (2010-2020: Incoming), a mobilidade dos nossos estudantes em direção a outras instituições e centros de investigação em áreas diferentes das de origem constitui um marcador correlato de internacionalização e interdisciplinarização. No primeiro caso, a abertura local de uma prática de investigação sem equivalente noutros contextos institucionais funciona como atrator para projetos afins. No segundo, é a lógica interna de desenvolvimento da nova área que se configura segundo um princípio propulsor cujo objetivo é propiciar e multiplicar as intersecções. Os períodos de mobilidade (geralmente com a duração de 1 a 6 meses) têm sido planeados não tanto para acesso a arquivos, bibliotecas ou outros centros documentais (a forma tradicional de mobilidade em Humanidades), mas sim para aumentar a exposição dos doutorandos ao trabalho concreto de investigação noutros contextos institucionais e disciplinares.

Assim, além do diálogo que podem estabelecer com investigadores seniores cujo trabalho é diretamente relevante para os respetivos tópicos de investigação, os estudantes podem integrar-se, ainda que brevemente, noutros grupos de investigação e tomar contacto com diferentes práticas. Adicionalmente, devemos sublinhar a importância formativa de todas as outras saídas curtas para apresentação de trabalho em curso em encontros científicos nacionais e internacionais, que envolveram, na última década, cerca de duas dezenas de associações científicas e meia centena de instituições em 21 países (Portugal, Espanha, França, Itália, Croácia, Reino Unido, Irlanda, Bélgica, Holanda, Alemanha, República Checa, Finlândia, Noruega, Suécia, Estados Unidos da América, Canadá, Cuba, Brasil, Colômbia, Chile, Gana).

Estas trocas fora de portas intensificaram-se à medida que o Programa cresceu e se consolidou, constituindo hoje uma componente da formação de todos os investigadores. Recorrendo (1) a verbas complementares com que a FCT financiou o Programa entre 2013 e 2017, (2) a subsídios da FCT para viagens e estadas no estrangeiro quando se trata de bolsas mistas, (3) a verbas do Centro de Literatura Portuguesa destinadas a apoiar as missões dos investigadores, (4) a verbas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra destinadas a bolseiros FCT  e, por fim, (5) a verbas do Programa ERASMUS+ para intercâmbios de pós-graduação, foi possível financiar cerca de duas dezenas de estadas de investigação (incluindo a participação em escolas de verão internacionais) e várias dezenas de participações em conferências e congressos nacionais e internacionais.

A grande produtividade dos jovens investigadores no que se refere a comunicações apresentadas e artigos publicados, em particular dos bolseiros do Programa, testemunha o sucesso desta estratégia. O mesmo se pode dizer das redes de relações e de contactos estabelecidos, que resultaram na participação de investigadores do DML em projetos internacionais de edição, organização, curadoria, publicação, concursos a bolsas de pós-doutoramento e outras candidaturas para financiamento de projetos (por exemplo, através da Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Fundação D. Luís I, Fundação Ensino e Cultura Fernando Pessoa, etc., ou através de projetos europeus como as Ações Marie Skłodowska-Curie). Apresentar comunicações, publicar artigos e conceber projetos constituem formas de socialização no sistema científico e tecnológico nacional e internacional, isto é, parte essencial da aprendizagem progressiva dos protocolos de produção de ciência.

A formação dos investigadores não está completa se, ao longo do seu programa doutoral, não adquirem a capacidade de participar num diálogo global entre pares com quantos se dedicam a um domínio de estudo e de investigação. Ser capaz de sair da sua instituição, do seu campo, da sua prática e do seu problema, ainda que por breves períodos, é um modo de voltar a eles com um olhar exterior e uma consciência crítica gerada por um conhecimento mais amplo de possibilidades, perspetivas e metodologias. É perceber melhor que a investigação científica é um processo cultural coletivo e que a qualidade do que fazemos depende da intensidade do diálogo que estabelecemos com essa produção coletiva, e não apenas das nossas ideias e modelos locais.

Por isso, “sair daqui” deve ser também “sair de nós”, um outro modo de ir ao encontro do estado da arte de teorias e métodos, encontrando a bibliografia não sob a forma de um artigo numa base de dados ou de um livro na estante de uma biblioteca, mas sob a forma de um conjunto de práticas concretas de organização e comunicação, de crítica e validação, em contextos institucionais, sociais e geográficos particulares. É ganhar mais consciência da investigação como um processo situado cujo campo de ação só conseguimos definir dentro de certos parâmetros, mas cuja parametrização passamos a conhecer melhor nesse movimento de dentro para fora.

A listagem seguinte constitui apenas uma amostra dos fluxos de deslocação institucional, disciplinar e geográfica postos em marcha ao longo da última década. A multiplicidade concetual das trajetórias indicia a produtividade transformadora dos cruzamentos em curso entre estudos literários e diversas outras áreas disciplinares (design; tipografia; estudos do livro; humanidades digitais; estudos fílmicos; estudos culturais; estudos de literacia e educação; filosofia; estudos performativos e teatrais; estudos do som e da voz; etc.). A serendipidade concetual do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura expressa-se numa rede aberta de intesecções de temas, abordagens, pessoas e lugares.

  1. Daniela Côrtes Maduro: Participação na conferência “Hold the light” – Electronic Literature Organization Conference 2014, University of Wisconsin-Milwaukee (UWM), Wisconsin, EUA (18-21 de junho de 2014, financiamento CLP/FCT). Projeto de pós-doutoramento “Shapeshifting Texts: Keeping Track of Electronic Literature” (Universidade de Bremen, 2015-2017), com estadas de investigação na Universidade de Illinois, sob orientação do Prof. Joseph Tabbi, na Universidade de Bergen, sob orientação do Prof. Scott Rettberg, e na Universidade do Estado de Washington-Vancouver, Electronic Literature Lab, sob orientação da Profª Dene Grigar (financiamento EU/Marie Curie Fellowship). Notícias MATLIT: 17/06/2014. 28/04/2015. 03/04/2018.
  2. Samuel Teixeira: Participação na conferência “P3 – Print, Produce, Publish”, The College Book Art Association Conference, University of Utah, Salt Lake City, USA (2-4 janeiro de 2014, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 15/01/2014. 02/03/2015.
  3. Matheus de Brito: Doutoramento em cotutela com a Universidade Estadual de Campinas-Unicamp, Instituto de Estudos da Linguagem (Programa de Pós-graduação em Teoria e História Literária), Brasil (2014-2015). Notícias MATLIT: 11/01/2017.
  4. Ana Paula Dantas: investigação bibliográfica na University of Puerto Rico, San Juan (janeiro 2017), University of Illinois Urbana-Champaign (dezembro 2018) e University of Nevada, Las Vegas (janeiro 2018).
  5. Élia Ramalho: investigação na Fundação Júlio Pomar (2017-2018).
  6. Manaíra Aires Athayde: investigação no Espólio de Ruy Belo (2014-2015). Participação no I Colóquio Internacional de Poesia Portuguesa Moderna e Contemporânea, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, Brasil (18-20 de abril 2016, financiamento CLP/FCT). Estada na Universidade de Salamanca, Departamento de Filología Moderna, Área de Filología Gallega y Portuguesa, sob orientação do Prof. Pedro Serra (lecionação no Grado en Estudios Portugueses y Brasileños) (fevereiro a julho de 2016 e fevereiro a julho de 2017). Notícias MATLIT: 26/04/2016. 09/09/2017. 22/12/2018.
  7. Tiago Schwäbl: Participação na 6.ª Conferência da Irish Sound, Science, and Technology Association (ISSTA) “Temporary Autonomous Zones”, Digital Media and Arts Research Centre (DMARC), Universidade de Limerick, Irlanda (7-9 de setembro de 2016, financaimento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 10/10/2016.
  8. Catarina Figueiredo Cardoso: Participação na conferência “Resurrecting the Book”, Biblioteca de Birmingham, Reino Unido (15-17 de novembro de 2013). Notícias MATLIT: 14/11/2013.
  9. Ana Marques da Silva: Participação no congresso Internacional “Cognitive Futures in the Humanities 2016”, Universidade de Helsínquia, Finlândia (13-15 de junho de 2016). Notícias MATLIT: 05/07/2016.
  10. Caio Di Palma: Estada de investigação na Universidade de Santiago de Compostela, Cátedra José Ángel Valente de Poesía e Estética, sob orientação do Prof. Claudio Rodriguez Fer (outubro a dezembro de 2016, financiamento FCT). Participação no o Colóquio Internacional “(E)migrations, Transfers, Exiles: Crossbreedings and Dynamics of the City”, Universidade de Masaryk, Brno, República Checa (16-19 de abril de 2015, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 21/04/2015.
  11. Diogo Marques: Estada de investigação sobre o futurismo italiano e palestras em universidades italianas (2016): Università Degli Studi di Milano (Vincenzo Russo), Università La Sapienza Roma (Simone Celani), Università degli Studi Internazionali de Roma (Mariagrazia Russo), março a maio de 2016 (financiamento FCT). Participação no 1º Congresso Internacional Polítiques de la Interfície, Barcelona (27-29 de abril de 2016, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 10/09/2015. 11-05-2016.
  12. Nuno Miguel Neves: Participação na 6.ª Conferência da Irish Sound, Science, and Technology Association (ISSTA), Digital Music Arts Research Centre (DMARC), Universidade de Limerick, Irlanda (7-9 de setembro de 2016, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 10/10/2016.
  13. Sandra Bettencourt: Participação na Digital Material International Conference, National University of Ireland, Galway (21-22 maio de 2015, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 28/05/2015.
  14. Ana Sabino: Participação na ELO 2017: “Affiliations, Communities, Translations”, Universidade Fernando Pessoa, Porto. (18-22 de julho de 2017, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 18/07/2017.
  15. Ana Rita Sousa: Estada de investigação na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Autónoma Nacional do México-UNAM (julho-setembro de 2018, financiamento FCT), e palestras na Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade de Los Andes, Bogotá, e  Pontificia Universidad Javeriana, Bogotá (julho 2016, financiamento FCT). Participação no congresso “La Literatura Latinoamericana: Escrituras Locales en Contextos Globales”, Instituto Internacional de Literatura Iberoamericana, Universidade Friedrich Schiller, Jena, Alemanha (19-22 julho de 2016, financiamento CLP/FCT). Participação na 65th annual conference of the Southeastern Council of Latin American Studies (SECOLAS), Universidade de Vanderbilt, Centro de Estudos Latino-Americanos, Nashville, Tennessee, USA (8-11 de março de 2018, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 18/03/2018.
  16. Bruno Ministro: Participação na Digital Humanities at Oxford Summer School, escola de verão coordenada por James Cummings e Pip Willcox, Universidade de Oxford, Reino Unido. Organização: Oxford e-Research Centre, IT Services, The Oxford Research Centre in the Humanities (TORCH), the Oxford Internet Institute, and Oxford’s Bodleian Libraries (4-8 de julho de 2016, financiamento CLP/FCT). Participação em “The End(s) of Electronic Literature”Electronic Literature Organization Conference 2015 (ELO), Universidade de Bergen, Noruega (4-7 de agosto 2015). Notícias MATLIT: 10/09/201517/10/2016.
  17. Bruno Fontes: Participação na 4th Annual meeting of the European Beat Studies Network (EBSN), Université Libre de Bruxelles, Bélgica (28-31 de outubro de 2015). Participação na Conferência “From Text to Screen and Back to Text. Film and Literature, the Portuguese Context”, 8th UK Portuguese Film Festival, King’s College, Londres (13-14 de novembro de 2017, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 27/09/2016.
  18. Rita Catania Marrone: Investigação na Biblioteca Particular Fernando Pessoa, Casa Fernando Pessoa, Lisboa (2016-2017). Notícias MATLIT: 10/11/2016.
  19. Ernest Bowes: estada na Universidade de Salamanca, Departamento de Filología Moderna, Área de Filología Gallega y Portuguesa, sob orientação do Prof. Pedro Serra (primavera de 2016, financiamento CAPES).
  20. Júlia Zuza: Participação na “The Child and the Book Conference: Beyond the canon (of children’s literature)“, Croatian Association of Researchers in Children’s Literature, Universidade de Zadar, Croácia (8-10 de maio de 2019, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 10/08/2019.
  21. Priscila Moreira: Summer School, Patrimonio y Humanidades Digitales, Instituto de Estudios Medievales y Renacentistas (IEMYR), Universidad de Salamanca, Espanha (24-26 de julho de 2015, financiamento CLP/FCT). Investigação bibliográfica na Fundação Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro (2016). Participação no Encontro “In concert: Literature and the other Arts” South Atlantic Modern Languages Association (SAMLA), Durham, North Carolina (13-15 de novembro de 2015, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 24/11/2015.
  22. Carolina Martins: Estada na Universidade de Bournemouth, Faculdade de Média e Comunicação, sob orientação do Prof. Sam Goodman (janeiro a julho de 2019, financiamento FCT). Participação na CONFIA 2016 – Conferência Internacional em Ilustração e Animação, Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, Barcelos. Notícias MATLIT: 01/09/2016. 10/10/2017. 23/11/2019.
  23. Giorgia Casara: Visiting Graduate Researcher, Department of Information Studies, UCLA, Estados Unidos, sob orientação da Profª Johanna Drucker (setembro de 2018 a  março de 2019, financiamento FCT). Notícias MATLIT: 14/03/2018.
  24. Ian Ezerin: Visiting Graduate Researcher, John F. Kennedy Institute for North-American Studies at Freie Universität Berlin, Alemanha (abril-junho de 2018); Visiting Graduate Researcher, Manhattan Research Library Initiative (MaRLI) at New York Public Library, The Elmer Holmes Bobst Library (NYU) and Butler Library (Columbia University), 2019-2020. Notícias MATLIT: 27/11/2017.
  25. Tiago Santos: Participação no 9º Encontro de Tipografia, Instituto Politécnico de Tomar (15-17 de novembro de 2018, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 19/12/2018.
  26. Liliana Vasques: Participação na Conferência Digital Cultures: Knowledge/Culture/Technology, Centre for Digital Cultures, Leuphana University, Luneburg, Alemanha (19-22 de setembro de 2018, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 08/10/2018.
  27. Raquel Gonçalves: Participação no Congresso Internacional “O Retrato: representações e modos de ser”, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (6-7 de novembro de 2018). Notícias MATLIT: 03/04/2018.
  28. Ana Albuquerque e Aguilar:  Estada na Universidade Autónoma de Barcelona, Faculdade de Ciências da Educação, Grupo de investigação GRETEL (Màster en Llibres i Literatura Infantil i Juvenil), sob orientação da Profª Mireia Manresa (janeiro a fevereiro de 2019, financiamento FCT). Notícias MATLIT: 02/04/2019. 27/04/2019.
  29. Fabio Waki: Estada na Universidade de Estocolmo, Departamento de Inglês, sob orientação do Prof. Giles Whiteley (março a junho de 2018, financiamento FCT). Notícias MATLIT: 04/09/2018. 01/10/2018.
  30. Joana Bárbara Fonseca: Participação na Doctoral School do Centre for Research into Information, Surveillance and Privacy (CRISP), Universidade de St. Andrews, Escócia (18-22 de junho de 2018, financiamento CLP/FCT). Período de mobilidade, sob supervisão do Professor Matthew Freeman, no Centre for Media Research, Universidade de Bath Spa, Bath, Somerset, Reino Unido (11 de novembro-12 de dezembro de 2019, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 03/10/2018.
  31. Marie Claire De Mattia: University of Ghana, Legon, Accra – Ghana, Department of English, sob orientação da Profª  Victoria Amma Agyeiwaah Osei-Bonsu (fevereiro-março de 2020, financiamento FCT). Participação no Colóquio Internacional Metalepse e Transmedialidade, Grupo Intermedialidades do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, FLUP, Porto (4-5 de abril de 2019, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 01/05/2019.
  32. Rui Silva: Estada de investigação no Instituto de Estudios Avanzados, Universidad de Santiago de Chile, Oficina de la Nada, sob a orientação do Prof. Felipe Cussen (março-abril de 2019, financiamento FCT). Notícias MATLIT: 26/03/2019.
  33. Fabiana dos Santos Sousa: Participação no congresso “Tecnologias para o português (#tecPT)“, Faculdade de Filosofia e Letras, Universidade de Estremadura (UNEx), Cáceres, Espanha (9-10 de novembro de 2017, financiamento CLP/FCT).
  34. Cecília Magalhães: Estágio doutoral Erasmus, Centre of Digital Humanities (An Foras Feasa), National University of Ireland Maynooth, Irlanda, sob orientação da Profª Susan Schreibman (fevereiro a junho de 2018, financiamento ERASMUS). Participação na 9th European Summer University in Digital Humanities Culture and Technology, “Hands on Humanities Data Workshop – Creation, Discovery and Analysis”, Universität Leipzig, Alemanha (julho 2018, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 01/10/2018. 11/03/2019.
  35. Mariana Chinellato Ferreira: Estada na Universidade Complutense de Madrid, Facultad de Informática, Departamento de Engenharia de Software e Inteligência Artificial, Grupo de Investigação Natural Interaction based on Language (NIL), sob orientação do Prof. Pablo Gervás (setembro a novembro de 2018, financiamento ERASMUS). Participação na Conferência “Moral Machines? Ethics and Politics of the Digital World”, Universidade de Helsínquia, Helsinki Collegium for Advanced Studies (6-8 de março de 2019, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 11/03/2019.
  36. Francisco Silveira: Participação no Encontro Internacional “O Cinema e as outras Artes 2019“, Universidade da Beira Interior, Covilhã (29-31 de outubro de 2019).
  37. Nuno Meireles: Participação no II Encontro Internacional de Língua Portuguesa e Relações Lusófonas – LUSOCONF2019, Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Bragança (17-19 de outubro 2019). Participação no I Congreso Internacional Hacia un Primer Teatro Clásico Español, Facultad de Filología, Universidad Complutense de Madrid (5-6 de novembro de 2018, financiamento CLP/FCT).  Notícias MATLIT: 14/11/2018.
  38. Patrícia Reina: Participação na ConferênciaAna Hatherly: Programabilidade e Criação”, Centro Cultural de Cascais (29 de junho de 2019). Notícias MATLIT: 27/06/2019.
  39. Thales Estefani Pereira: Participação no Colóquio “Narrativa, Média e Cognição 2018 – Narrativas Marginalizadas“, Universidade do Algarve, Centro de Investigação em Artes e Comunicação-CIAC (9-10 de novembro de 2018, financiamento CLP/FCT). Notícias MATLIT: 19/11/2018. 01/05/2019.
  40. Joana Gonçalves Rua: Estada no Departamento de Engenharia Informática da Universidade de Coimbra, Computational, Design & Visualization Lab, sob orientação dos Profs. João Bicker e Penousal Machado (fevereiro a dezembro de 2018).

Doutoramento Nº 11

07/07/2020

Realizam-se no próximo dia 29 de julho de 2020, pelas 14h45, por videoconferência (transmitida pelo canal YouTube dos Serviços Académicos em https://www.uc.pt/academicos/provas), as provas de doutoramento em Materialidades da Literatura de Caio Di Palma de Souza Medeiros, candidato da quarta edição do Programa, que teve início em 2013-2014. O candidato apresenta a tese «Resto Cantable em Três Movimentos: Memória Poética e Inscrição Matérica em José Ángel Valente» (2020), orientada por Osvaldo Manuel Silvestre (Universidade de Coimbra) e Ricardo Namora (Centro de Literatura Portuguesa). Projeto financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através da bolsa de doutoramento PD/BD/52248/2013.

O júri, nomeado por despacho reitoral de 27 de maio de 2020, tem a seguinte constituição:
Presidente:
Manuel Portela (Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Vogais:
Claudio Rodríguez Fer (Professor Catedrático da Universidade de Santiago de Compostela)
Pedro Serra (Professor Catedrático da Universidade de Salamanca)
António Apolinário Lourenço (Professor Associado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Osvaldo Manuel Silvestre (Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Esta tese – a décima primeira do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura – integra-se numa das linhas de investigação do Programa, dedicada à análise da relação entre processos de escrita e tecnologias mediais (Ex Machina: Inscrição e Literatura, subtema “escrita e inscrição”). Caio Di Palma investiga a poética metafísica de José Ángel Valente com base na relação entre memória como germinação originária e inscrição enquanto procedimento operativo.

Resumo [excerto]

Portanto, o que a presente tese apresenta é uma leitura sobre a construção da razão poética valentiana desde os seus fundamentos pré-expressivos até a gestualidade do seu acto poético. Para esse fim, discutir-se-á a obra de José Ángel Valente a partir de três movimentos compositivos: I) legados hermenêuticos e a questão poética; II) intenções gnósticas e a gestualidade inscricional; III) matrizes geradoras e a escritura poemática.

Bolsas de Doutoramento do CLP

30/06/2020

A Universidade de Coimbra (UC) abre concurso para atribuição de 3 (três) Bolsas de investigação, adiante designadas por Bolsas de Investigação para Doutoramento, na área de Estudos Literários, ao abrigo do Regulamento de Bolsas de Investigação da FCT (RBI) e do Estatuto do Bolseiro de Investigação (EBI).

As bolsas serão financiadas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) ao abrigo do Protocolo de Colaboração para Financiamento do Plano Plurianual de Bolsas de Investigação para Estudantes de Doutoramento, celebrado entre a FCT e a Unidade de I&D Centro de Literatura Portuguesa, UIDP/00759/2020.

As atividades de investigação conducentes à obtenção do grau académico de doutor dos bolseiros selecionados devem estar enquadradas no plano de atividades e estratégia da Unidade de I&D Centro de Literatura Portuguesa, e devem ser desenvolvidas no âmbito dos seguintes Programas de Doutoramento:

  • Programa de Doutoramento em Literatura de Língua Portuguesa, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (duas bolsas);
  • Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (uma bolsa).

O concurso está aberto entre 2 de julho de 2020 e as 24h00 (hora de Lisboa) de 15 de julho de 2020.

As candidaturas e os documentos de suporte à candidatura previstos no presente Aviso de Abertura de Concurso devem ser submetidos, obrigatoriamente, por correio eletrónico enviado para clp@fl.uc.pt.

Consultar texto completo do Aviso de Abertura do Concurso no portal eracareers.pt: http://www.eracareers.pt/opportunities/index.aspx?task=global&jobId=125114&lang=pt

Descarregar PDF do Edital.

Estado da Arte 2013-2020

21/06/2020

Monkey Connectome

No passado dia 18 de junho de 2020, entre as 10h e as 18h, o Doutoramento em Materialidades da Literatura (DML) realizou, por videoconferência, o “Estado da Arte 15”. Com o subtítulo “contigência, emergência, calamidade, desconfinamento”, este encontro teve não só o propósito habitual de observar o estado das teses, mas serviu também para falarmos sobre o efeito da pandemia nas nossas condições de trabalho e no nosso ânimo enquanto grupo de investigação. Com 22 participantes, incluindo 14 apresentações de teses em curso, esta foi a décima quinta edição deste encontro semestral que se realiza desde maio de 2013. Foi também uma forma de assinalarmos em regime remoto os dez anos do DML, cuja primeira iniciativa, uma conferência de Lev Manovich, ocorreu a 18 de junho de 2010. Mas o que tem sido exatamente o Estado da Arte?

Uma das dimensões cruciais da formação de investigadores em programas de doutoramento diz respeito às práticas de orientação e de monitorização durante o período de desenvolvimento da investigação e de escrita da tese. Concluída a parte curricular com a aprovação do projeto de tese, a estrutura de trabalho e de interação que os seminários semanais oferecem desaparece, com a consequente quebra da atmosfera de estímulo intelectual e de debate coletivo. Uma vez aprovado o projeto de tese, algo que ocorre no final do primeiro ano ou, como acontece com o DML, no final do 3º semestre, a orientação tutorial individual tende a tornar-se a forma de contacto dominante (e, em certos casos, única). A transição entre a estrutura ritmada dos seminários e a ausência de momentos regulares de atenção sincronizada, nesse período pós-curricular, tem um efeito interruptivo da conversação com consequências negativas, que a orientação tutorial só por si nem sempre consegue minimizar.

A orientação tutorial pode, por sua vez, separar-se em dois momentos: um momento pré-projeto, durante o qual doutorando/a e orientador/a se reúnem para trabalhar na concetualização do problema e dos objetivos do projeto, na definição do corpus de análise, da metodologia e da bibliografia relevante; e um momento pós-projeto, em que esses encontros tutoriais passam a acompanhar a redação da tese através de feedback específico, quer a resultados preliminares da investigação, de que resultam muitas vezes comunicações e artigos, quer às primeiras versões de subcapítulos e capítulos do texto final. A frequência destes encontros passa a depender, em grande medida, da capacidade do/a doutorando/a de produzir e mostrar os resultados preliminares do trabalho em curso e, muito em especial, das amostras de escrita que está disposto/a a submeter à arbitragem do/a orientador/a. Daqui resultam ritmos de interação muito variáveis, por vezes com longos períodos sem produção de materiais. Se doutorandos/as descobrem, com surpresa, que o cronograma tão meticulosamente planeado vai sofrendo constantes ajustes por terem subestimado a dificuldade do empreendimento,  orientadores/as interrogam-se muitas vezes se a escrita terá parado definitivamente ou se a longa paragem serve apenas para recuperar o fôlego.

Desde a sua criação que o DML tem concebido práticas para acompanhar colaborativamente o processo de investigação e de escrita, evitando o efeito de desagregação do espaço coletivo de indagação nesse momento pós-projeto, no qual o trabalho se torna sobretudo individual. Uma dessas práticas é o encontro semestral de discentes e docentes que designámos “Estado da Arte”, no qual os/as estudantes do Programa são convidados/as a descrever o progresso e os dilemas do último semestre, submetendo essa descrição à crítica pelos pares, através de comentários e perguntas. Este modelo segue a prática do Seminário de Orientação do 3º semestre, no âmbito do qual a versão final de cada projeto é objeto de uma crítica entre pares através da partilha de várias iterações do projeto, sucessivamente reescritas pelos respetivos autores em resposta a comentários e perguntas do grupo.

O modelo desenvolvido pelo DML tem algumas particularidades relativamente a encontros de apresentação do trabalho em curso noutros programas doutorais. Não tem a forma de um colóquio no qual os doutorandos apresentam comunicações formais. Também não é um encontro aberto, pois a participação é restrita aos membros discentes e docentes do DML. O seu objetivo é simultaneamente científico, na medida em que a componente de investigação apresentada é objeto de crítica pelos pares, e pedagógico, dado que todos os participantes devem expor os dilemas em que se encontram e fazer uma autoavaliação pública da relação entre o planeado e o conseguido para esse semestre, e também de eventuais reconcetualizações de aspetos específicos do seu plano à medida que o processo de investigação lhes permite perceber melhor o seu objeto, o seu método e a sua escrita.

Na candidatura ao concurso de Programas de Doutoramento FCT (submetida em fevereiro de 2013), na alínea “6.2 Monitoring of students”, escrevemos: “During the thesis development stage, the Program holds joint peer-review meetings, where students present the ongoing stage of their research and discuss their problems and ideas with peers and professors. Besides these group peer-review meetings, each student holds regular meetings with his or her thesis adviser, according to the approved timeline.” Os “Estados da Arte” correspondem aos encontros coletivos de crítica pelos pares projetados naquela descrição, mas a forma particular que tomaram resulta de um processo continuado de socialização e aprendizagem por todos os participantes que concretizaram cada uma das suas quinze sessões. Esse treino, resultado da repetição e afinação do modelo inicial, desenvolveu progressivamente uma prática de crítica aberta entre pares, que é essencial alimentar e manter em contexto de investigação avançada.

O que tem sido então o Estado da Arte? Por um lado, uma combinação de formalidade e informalidade que ajuda a que as intervenções possam ser realmente momentos de interpelação aberta ao trabalho em curso, e não a apresentação fechada de resultados ou conclusões. Deste modo, os participantes prestam-se a um diálogo genuíno, mostrando os bastidores dos seus processos e incorporando o feedback que recebem. Por outro lado, um estado de confiança mútua, que permite a quem fala expor o seu trabalho sem receio e criticar de modo construtivo o trabalho alheio, e uma ética solidária de colaboração, ciente da natureza coletiva do trabalho científico e da crítica sistemática como um instrumento fundamental de controlo de qualidade. Não se trata apenas de um modo de prevenir (ou minorar) o solipsismo e a solidão, que por vezes tomam conta do período de escrita da tese, mas constitui sobretudo um modo de renovarmos a energia da interrogação e da inteligência partilhadas, necessárias para cumprirmos o exigente compromisso que assumimos perante nós mesmos e perante os outros.

2010-2020: Incoming

21/05/2020

Henri Matisse, Interior with a Young Girl (Girl Reading). 1906. Oil on canvas, 28 5/8 x 23 1/2″ (72.7 x 59.7 cm) © MOMA.

Ao longo da última década, o reconhecimento internacional do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura manifestou-se também através do acolhimento de estudantes que, durante um semestre, frequentaram a Universidade de Coimbra para prosseguirem a sua investigação, participando em seminários curriculares e no ciclo regular de atividades. Encontrando no grupo de investigação do Programa uma interlocução relevante para os respetivos projetos de doutoramento, estes investigadores são oriundos de múltiplas instituições e diversas áreas disciplinares, incluindo estudos literários, comunicação, estudos fílmicos, antropologia, semiótica e design.

Financiados pelas respetivas instituições, através de agências como a CAPES ou o Programa ERASMUS, estes intercâmbios estão documentados nos resultados finais das suas pesquisas e nas redes de contactos e de colaboração entre os diversos Programas de pós-graduação e instituições envolvidas. Ao dispor-se a dialogar com o nosso trabalho a partir de outros contextos, adicionam espaços de intersecção entre áreas disciplinares e métodos distintos, contribuindo para reafirmar a natureza interdisciplinar que constitui a matriz do DML. Os dez anos do Programa podem assinalar-se recordando esse fluxo de entusiasmo intelectual e de dedicação que, ao longo dos anos, alargou a nossa comunidade com uma dezena de estudantes de mobilidade incoming, na sua maior parte oriundos de universidades brasileiras, através do PDSE (Programa de Doutorado-sanduíche no Exterior).

Os trabalhos produzidos indiciam o impacto do Doutoramento em Materialidades da Literatura sobre os seus percursos de investigação, por vezes refletido no título ou na estrutura das próprias teses, e na exploração de teorias, conceitos e temas estudados no Programa. Recordo alguns dos estudantes internacionais acolhidos: Mauren Pavão Przybylski (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Gustavo Cavalheiro (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Lúcia Joviano (Universidade Federal de Juiz de Fora), Erika Oikawa (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Tatiana de Laai (Universidade Federal Fluminense), Alexandre Ranieri (Universidade Estadual de Londrina), Elissavet Pournara (Universidade Aristóteles de Salónica), Gustavo Ramos de Souza (Universidade Estadual de Londrina), Gisele Noll (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

Embora menos visíveis do que outros “indicadores de produção”, estes resultados podem ser lidos como um sinal indireto e deslocalizado do nosso trabalho coletivo. Paralelamente, a presença destes investigadores visitantes contribui para alargar a esfera de referências do Programa, tornado-se parte integrante das nossas atividades, como acontece com os encontros semestrais do Estado da Arte e com a publicação de várias recensões na revista MATLIT. De resto, as teses já defendidas poderiam facilmente associar-se com cada uma das três linhas principais de investigação (Ex Machina; Vox Media; ReCodex). Tal como acontece nas teses do Programa, a interdisciplinaridade dos métodos constitui expressão da intermedialidade das práticas e objetos estudados: relação entre oral e digital; alteração do rácio visão-tato na mediaçao técnica; a presença da história na cena da escrita modernista; as comunidades de escrita “fan fiction” e a banda desenhada; a ubiquidade da remediação digital do sujeito na relação com o seu próprio corpo; a remediação digital do arquivo fonográfico da cultura oral; a experimentação poética com a materialidade técnica nas retroações entre impresso, digital e aumentado; os modos de presença da escrita no cinema; as práticas de interação com assistentes automáticos de voz como interfaces de comunicação.

O catálogo das teses concluídas entre 2014 e 2020, na sequência de estadas de intercâmbio no Doutoramento em Materialidades da Literatura, mostra como estes estudantes conseguiram situar os seus projetos num diálogo estreito com o nosso trabalho. Evidencia ainda o esforço que temos feito para construir e manter um espaço especulativo, aberto à produtividade aleatória das interações entre investigadores juniores e seniores em múltiplos contextos disciplinares e institucionais. Os nove projetos seguintes são uma amostra dessas trocas genéticas ao longo da última década. Não sendo estritamente resultados do Programa, são sinais sustentados de um diálogo internacional em curso:

  1. Mauren Pavão Przybylski, Das Materialidades da Literatura: A Reinvenção da Vida e o Acervo de Narrativas Orais Urbano-Digitais (Orientação de Ana Lúcia Liberato Tettamanzy. Literaturas Portuguesa e Luso-Africanas, Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS, 2014. Bolsa PDSE CAPES)
  2. Gustavo Augusto Tavares Cavalheiro, O Tempo In-Media-Ato: a superação da visualidade por meio da tatilidade das não-coisas e-materializadas (Orientação de Lucrécia D`Alessio Ferrara. Programa de Estudos Pós-graduados de Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2014. Bolsa PDSE CAPES)
  3. Lúcia Helena da Silva Joviano, Pagu: escritos literários e inscrições históricas (Orientação de Alexandre Graça Faria. Programa de Pós-graduação em Letras: Estudos Literários, Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF, 2014. Bolsa PDSE CAPES)
  4. Tatiana de Laai, A identidade de fãs de quadrinhos: Entre a “vida civil” e a “vida nerd” (Orientação de Laura Graziela Figueiredo Fernandes Gomes. Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Departamento de Antropologia, 2016. Bolsa PDSE CAPES)
  5. Erika Oikawa, Produção de presença no contexto da comunicação ubíqua? Relações de complexidade entre corpo, tecnologia e ambientes digitais (Orientação de Juremir Machado da Silva. Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul-PUCRS, 2016. Bolsa PDSE CAPES)
  6. Alexandre Ranieri Ferreira, Caleidoscópio Amazônico: A Oralidade Amazônica em Som, Imagem e Movimento (Orientação de Frederico Augusto Garcia Fernandes. Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual de Londrina-UEL, 2016. Bolsa PDSE CAPES)
  7. Elissavet Pournara, Experimental Poetics and Materialities in the Works of Susan Howe, Stephanie Strickland, and Caitlin Fisher. (Orientação de Tatiani Rapatzikou. Programa de Doutoramento em Literatura Americana, Universidade Aristóteles de Salónica, 2018. Bolsa ERASMUS)
  8. Gustavo Ramos de Souza, Materialidades do cinema na literatura (Orientação de Luiz Carlos Santos Simon. Programa de Pós-graduação em Letras, Universidade Estadual de Londrina-UEL, 2019. Bolsa PDSE CAPES)
  9. Gisele Corrêa Noll, Materializações Digitais da Cultura: Os Transatores Vocais e a Comunicação Contemporânea (Orientação de André Fagundes Pase. Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul-PUCRS, 2020. Bolsa PDSE CAPES)

O breve relato de Gisele Noll (disponível aqui) sobre a sua estada no Programa de Materialidades da Literatura (entre outubro de 2018 e março de 2019) dá-nos um testemunho da experiência de sair para um estágio de doutoramento fora do país. Nessa ida e volta Porto Alegre-Coimbra-Porto Alegre, encontramos o prazer da viagem e da descoberta, mas também o dever de corresponder ao apoio recebido. Sentimos ainda o ângulo de um olhar de fora sobre o Programa, gerado pela direção incoming do movimento. Aquilo que começou por uma troca de correspondência eletrónica, seguido de um processo burocrático de preparação, de um momento para o outro toma a forma de uma nova rotina num outro lugar rodeado de outra gente. É preciso fazer a viagem, arrendar casa, ir às compras, reorganizar o dia-a-dia, aprender novos percursos, atravessar a cidade, criar novas relações, repensar projetos, recalibrar expectativas, observar criticamente o que fazemos, procurar a energia para prosseguir. Ler, escrever. Voltar a ler, voltar a escrever. Regressar a um ponto diferente do ponto de partida.

Sessões Online Arquivo LdoD

05/05/2020

As nossas sessões criativas online são encontros para a leitura e a apropriação dinâmica dos fragmentos do Livro do Desassossego, assim como para a criação colaborativa de edições virtuais temáticas e a escrita de novos textos poéticos, por meio da utilização do Arquivo LdoD. Os encontros são abertos a público diverso: leitores assíduos, fãs de Fernando Pessoa, a comunidade acadêmica (com a participação de estudantes e professores), artistas dos mais diversos tipos, escritores e curiosos. Acompanhe a nossa agenda de sessões e venha tomar um copinho online conosco e recriar o Livro! PS: As sessões criativas fazem parte do projeto Fragmentos em Prática. Para mais informações acesse a nossa página no Facebook: <https://www.facebook.com/fragmentos.pratica/>

 

Sessão 1: Introdução ao Arquivo LdoD

13 de Maio de 2020, Quarta-feira  – 20:00hs (90 minutos)

A primeira sessão apresenta, passo a passo, as principais funcionalidades do Arquivo LdoD por meio dos dez vídeo-tutoriais explicativos do projeto Fragmentos em Prática. Essa introdução vídeo-guiada tem noventa minutos de duração e é acompanhada do grupo de moderação online para tirar dúvidas, experimentar conjuntamente as ferramentas, descobrir novos textos.

Para participar da nossa sala de trabalhos de trabalhos acesse: Sessão 1 – Introdução ao Arquivo LdoD.

Para confirmar a sua participação: Evento Facebook – Introdução ao Arquivo LdoD

 

 

Sessão 2: Sarau no Arquivo LdoD

20 de Maio de 2020, Quarta-feira  – 20:00hs (90 minutos)

A segunda sessão terá como tema, no esteio da pandemia global, o nosso atual estado de isolamento social. A edição virtual aberta “Não tendo o que fazer” (BNP/E3, 3-12r), será remodelada colaborativamente pelos participantes. Para isso, utilizaremos as ferramentas de pesquisa, leitura, seleção e anotação dos fragmentos do Arquivo LdoD para compor a nossa edição, assim como também discutiremos as sugestões textuais nos termos da poética implícita ao nosso atual estado de introspecção e de recolhimento.

Para participar da nossa sala de trabalhos acesse: Sessão 2 – Sarau no Arquivo LdoD

Para confirmar a sua participação: Evento no Facebook – Sarau no Arquivo LdoD

 

Sessão 3: Oficina LdoD Remix

27 de Maio de 2020, Quarta-feira  – 20:00hs (90 minutos)

A terceira sessão é uma parceria entre os projetos Fragmentos em Prática e Operation Room e tem como tema a criação de gifs-poemas por meio da leitura, anotação e remistura dos fragmentos do Arquivo LdoD. Além da funcionalidade edição virtual, serão utilizados aplicativos de tratamento de imagem, ilustração e composição videográfica de uso aberto, assim como editores textuais ou outra qualquer ferramenta de manipulação digital à escolha dos participantes.

Para participar da nossa sala de trabalhos acesse: Sessão 3 – Oficina LdoD Remix

Para confirmar a sua participação: Evento no Facebook – Oficina LdoD Remix

SOBRE O PROJETO OPERATION ROOM:

Operation Room é um projeto para desenvolver um grupo/comunidade online com o objetivo comum de criar poesia digital baseada nos processos de apropriação e remix (remistura). Os membros desta comunidade partilham, usam e re-utilizam o conteúdo partilhado por todos (texto, audio, imagem, video, código) para criar poesia digital. Para participar, registe-se na aplicação Trello e aceite o convite através deste link: https://trello.com/b/urllx8xi/operation-room-digital-poetry

Para mais informações entre em contato pela página Fragmentos em Prática ou pelo email fragmentos.em.pratica@gmail.com.

Videoconferência: Criação poética e materialidade

16/04/2020

© Cartaz de Rui Silva.

No próximo dia 30 de abril de 2020, pelas 11h00 [nova hora], Alexandre Graça Faria (Universidade Federal de Juiz de Fora) fará a videoconferência “Criação poética e materialidade” através do URL: https://videoconf-colibri.zoom.us/j/3454748493. Trata-se de uma iniciativa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, organizada pelo Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura, Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), Centro de Literatura Portuguesa (CLP) e Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas (DLLC).

NOTA: Para aceder basta abrir aquela ligação no browser depois de instalado o cliente Zoom. Se ainda não estiver instalado no seu dispositivo, o download e instalação do Zoom acontece automaticamente da primeira vez que tentar ligar-se. Deve seguir os passos indicados e, após a instalação, entrar no endereço indicado.

Resumo

A partir da apresentação das obras UrâniaVenta não, Olhos livres e I, o poeta Alexandre Faria, atualmente professor e pesquisador visitante na UC, propõe uma conferência metapoética em que discute estratégias e métodos de criação que problematizam o papel do objeto livro como suporte material e ideológico para o ato de criação verbal. A reflexão sobre objetos como o “livro sem saída” ou a “plaquete para leitura não humana”, que serão apresentados e debatidos com o público, busca refletir sobre a interferência do autor na sensibilidade de navegação/manipulação dos meios e suas consequências na leitura.

Alexandre Graça Faria possui graduação em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1994), mestrado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1998) e doutorado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2003). Atualmente é e professor associado da Universidade Federal de Juiz de Fora e professor visitante da Universidade de Coimbra, onde leciona um seminário de Literatura Brasileira. É também ensaísta, poeta e ficcionista; autor dos livros Venta não (2013), Anacrônicas (2005), Literatura de subtração (2009); e organizador de Poesia e vida – anos 70 (2007), coorganizador de Outra – poesia reunida no sarau de Manguinhos (2013 – com Oswaldo Martins) e de Modos da margem – figurações da marginalidade na literatura brasileira (2015 – com João Camillo Penna e Paulo Roberto Tonani do Patrocínio). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: cultura brasileira contemporânea, literatura brasileira, cultura e identidade, criação literária nas periferias urbanas.

Como se faz uma revista científica?

16/03/2020

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Concebida em 2012 como um fórum de publicação para os métodos, objetos e teorias em desenvolvimento no campo que designámos “Materialidades da Literatura”, a revista MATLIT publicou o seu primeiro número em julho de 2013. Intitulado “Estranhar Pessoa com as Materialidades da Literatura” (Vol. 1.1), esse primeiro número refletia já uma estratégia de produção que caraterizaria a maior parte dos números publicados desde então. Tratava-se de tomar como ponto de partida para a produção de cada número quer projetos de investigação, quer encontros científicos cujos temas e problemas contribuíam para articular o conjunto de abordagens interdisciplinares que estávamos a consolidar através de uma noção expandida de literatura e de teoria da literatura. Nestes casos, a convocatória aberta para artigos reiterava a convocatória para comunicações produzida no âmbito dos projetos ou dos encontros. Um terceiro procedimento consistiu na disseminação de convocatórias sobre tópicos concetualizados especificamente para determinado número por editores convidados. Deste modo, a coordenação de cada número poderia diversificar-se, quer através de propostas internas baseadas na colaboração entre investigadores da Universidade de Coimbra e de outras universidades nacionais e internacionais, quer através de propostas externas de investigadores que trabalham em áreas afins às do Programa.

Um passo preliminar à produção propriamente dita consistiu na definição de um processo editorial que cumprisse as normas internacionais de controlo de qualidade e na adoção de uma plataforma eletrónica adequada para pôr em prática o processo. A revista adotou o Open Journal Systems, uma plataforma de gestão e publicação desenvolvida pelo Public Knowledge Project desde 2001 que permite integrar todo o fluxo de trabalho de produção (submissão, avaliação, revisão de texto, paginação, indexação, publicação), incluindo a gestão e registo das interações entre os participantes. Na configuração da revista através da plataforma OJS foi necessário garantir cumulativamente o cumprimento de três conjuntos de critérios: (a) critérios formais e de conteúdo científico (página de apresentação com título completo, ISSN, DOI, volume e número, mês e ano; garantia de conteúdo científico original igual ou superior a 75%; equipa de arbitragem; avaliação duplamente cega; etc.); (b) critérios gerais de qualidade editorial (conselho editorial, incluindo a filiação institucional dos membros; participação de avaliadores externos; historial, âmbito disciplinar e objetivo da revista; periodicidade; homogeneidade dos fascículos quanto ao número de artigos publicados; regras para os autores, tais como copyright, idioma, estilo de citação, indicações sobre apresentação de textos, imagens, resumo, palavras-chave, etc.; instituição responsável pela edição; bases de dados onde está indexada, etc.); (c) critérios de acessibilidade: política de acesso ao título (com ou sem registo; com ou sem embargo; com ou sem custos de subscrição; acesso aberto parcial ou integral). Além disso, decidimos ainda publicar cada artigo em duas versões (em PDF, numa versão da revista inteiramente paginada para impressão; em HTML, para leitura multidispositivo em ecrã) e, quando necessário, fazer edições multimédia, combinando texto, imagem, áudio e vídeo.

Os dois projetos de investigação que originaram o primeiro número (1.1) eram dedicados à obra de Fernando Pessoa: Nenhum Problema tem Solução: Um Arquivo Digital do Livro do Desassossego (CLP, 2012-2015) e Estranhar Pessoa: Um Escrutínio das Pretensões Heteronímicas (ELAB e IFL, 2013-2015). O segundo número da revista (1.2), intitulado “Escrita e Cinema”, surgiu também a partir de um projeto de investigação: Falso Movimento: Estudos sobre Escrita e Cinema (CEC, 2012-2015). Outros números resultaram de colóquios organizados ou coorganizados pelo Programa: “ActaMedia XI: Simpósio Internacional de Artemídia e Cultura Digital” (18-19 de novembro 2014, Coimbra, em colaboração com a Universidade de São Paulo) está na origem do número “Artes, Média e Cultura Digital”, publicado em 2015 (3.1); “Estudos Literários Digitais” (14-15 de maio de 2015, Coimbra) resultou em dois números do mesmo nome em 2016 (4.1 e 4.2); “Literatura Eletrónica: Filiações, Comunidades, Traduções” (18-22 de julho de 2017, Porto; organizado pela Universidade Fernando Pessoa) produziu três números, subordinados aos três subtópicos da conferência e publicados em 2018 (Vols. 6.1, 6.2 e 6.3). Foram ainda produzidos três números resultantes apenas de convocatórias abertas sobre um determinado tema: “Livro e Materialidade” (2.1, 2014), “Vox Media: O Som na Literatura” (5.1, 2017) e “Redes da Poesia Experimental: Circulações Materiais” (7.1, 2019).

A combinação destes três procedimentos permitiu que a revista estabelecesse um campo de intersecção de áreas disciplinares próprio, no qual convergem estudos literários, estudos dos média, estudos fílmicos, estudos do livro, crítica textual, estudos do som e da voz, humanidades digitais, entre outros. Permitiu ainda uma progressiva internacionalização da revista, evitando que se transformasse apenas num fórum da investigação local e publicando um número significativo de investigadores seniores e juniores de diversos contextos geográficos e institucionais da Europa, da América do Sul e do Norte, da Ásia e da Austrália (Cf. Gráficos 1, 2 e 3). Esta internacionalização foi ainda pensada segundo uma lógica trilingue, na qual português, inglês e espanhol foram definidas como  línguas de publicação da revista (Cf. Gráficos 4 e 7). Conseguiu, por último, estabelecer um diálogo continuado com teóricos e artistas cujas obras têm sido estudadas no Programa. Para além das entrevistas realizadas e de um conjunto de artigos de referência de vários desses autores, merece igual destaque a secção de recensões críticas (Cf. Gráfico 5). Nessa secção, o diálogo sistemático com bibliografia recente obedece a um duplo objetivo: por um lado, a construção de um cânone do Programa através de uma amostragem representativa dos livros que lemos;  por outro lado, a aprendizagem dos protocolos da linguagem crítica da investigação avançada e a formação no exercício difícil de ler e escrever sobre teoria (Cf. Gráfico 6).

Uma revista académica faz-se com autores, leitores, editores, avaliadores, revisores de texto, compositores e designers, uma rede vasta de colaborações motivada pelo objetivo de publicar nova investigação através de um processo moroso e exigente de controlo de qualidade, e condicionada pelos contextos e posições institucionais dos diversos agentes de produção de investigação. Ainda que este processo esteja hoje formalizado em plataformas como o OJS e similares, estruturadas de acordo com os padrões internacionais de gestão e produção de publicações académicas, ele não se concretiza sem uma quantidade enorme de trabalho oferecido por muitos dos participantes no processo. Esta economia de dádiva é, de resto, definidora do modo de produção das publicações científicas. No caso da MATLIT, um outro princípio tem orientado a sua produção: proporcionar uma experiência colaborativa de aprendizagem dos processos de gestão e produção de uma revista científica em formato eletrónico, uma vez que a participação na comissão editorial tem sido parte do programa de formação dos jovens investigadores, que podem assim desempenhar diferentes papéis no fluxo de trabalho.

Olhemos ainda para a revista considerando os critérios bibliométricos, isto é, os sistemas de medida que estabelecem o valor reputacional de cada título dentro do campo cultural das publicações científicas a partir de indicadores como o fator de impacto, calculado através da ponderação relativa das citações recolhidas automaticamente pelos sistemas indexadores. Embora a revista MATLIT: Materialidades da Literatura não esteja indexada em bases de dados de referência como a Web of Science e a Scopus (trata-se de um processo que a Imprensa da Universidade de Coimbra tem ainda em preparação), é possível verificar um gradual crescimento do número de referências a artigos publicados na revista, num espaço institucional e geográfico amplo (Europa, América do Norte e do Sul). Esta atenção crescente é, de resto, indicada também pelo número de visualizações e transferências de ficheiros registados na plataforma UC Digitalis, na qual todos os números da revista têm sido republicados (aproximadamente entre 100 e 200 por artigo, para o intervalo de 1 ano; entre 500 e 1000 por artigo, para o intervalo de cinco anos ou mais). Apesar disso, dada a sua natureza fortemente interdisciplinar e dado o seu modo de produção, a sua posição manter-se-á como periférica dentro do sistema reputacional das revistas de estudos literários.

Em suma, a pergunta “como se faz uma revista científica?” deve ser respondida pela prática. No caso da MATLIT, neste momento em que a prática pode já ser objeto de um olhar retrospetivo, responder significa escutar também todos os ecos que reverberam naquela pergunta: como se faz uma revista científica em humanidades? como se faz uma revista científica num novo campo de investigação de natureza interdisciplinar? como se faz uma revista científica numa universidade portuguesa? como se faz uma revista científica em várias línguas? como se faz uma revista científica tirando partido do meio digital? como se faz uma revista científica enquanto projeto de formação e de aprendizagem num programa doutoral? como se faz uma revista científica em diálogo com investigadores juniores e seniores em múltiplos espaços institucionais e geográficos? como se faz? como se continua a fazer?

A revista MATLIT (2013-2019) em sete gráficos:

Gráfico 1. MATLIT 2013-2019: Artigos de Investigação Publicados. Diversidade institucional e geográfica. © MP, 2020.

Gráfico 2. MATLIT 2013-2019: Artigos de Investigação Publicados. Filiação institucional dos autores. © MP, 2020.

Gráfico 3. MATLIT 2013-2019: Artigos de Investigação Publicados. Percentagem relativa de investigadores juniores e seniores. © MP, 2020.

Gráfico 4. MATLIT 2013-2019: Artigos de Investigação Publicados. Diversidade linguística. © MP, 2020.

Gráfico 5. MATLIT 2013-2019: Recensões Críticas Publicadas. Livros, Exposições, CD-áudio. © MP, 2020.

Gráfico 6. MATLIT 2013-2019: Recensões Críticas Publicadas. 33 autores, 68 leituras. © MP, 2020.

Gráfico 7. MATLIT 2013-2019: Recensões Críticas Publicadas. Diversidade linguística. © MP, 2020.

Materialidades da Literatura 2020-2021: candidaturas abertas

24/02/2020

DML Guia do Programa | DML Programme Handbook

Encontram-se abertas as candidaturas para o Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura (Programa de Doutoramento FCT) para a edição com início em 2020-2021. As candidaturas decorrem em três fases: 6 vagas na 1ª Fase, de 10 de fevereiro a 31 de março de 2020; 3 vagas na 2ª Fase, 01 de abril a 15 de julho de 2020; 1 vaga mais sobrantes na 3ª Fase, 17 de agosto a 30 de setembro de 2020 [NOVA DATA]. O edital referente a este concurso pode ser consultado aqui.

Perguntas Frequentes

A) Quais os critérios de seriação na candidatura ao Programa?
A seriação dos candidatos ao Programa obedece aos seguintes critérios:

1) Classificações obtidas nos níveis de titulação com que se apresenta (30%);

2) Mérito científico do projeto preliminar do candidato (30%) – este projeto preliminar deverá enquadrar-se numa das três linhas de investigação do Programa: “Ex Machina: Inscrição e Literatura” (cf. http://www.uc.pt/fluc/clp/inv/proj/meddig/exmach); “Vox Media: O Som na Literatura” (cf. http://www.uc.pt/fluc/clp/inv/proj/meddig/voxmed); ou “ReCodex: Formas e Transformações do Livro” (cf. http://www.uc.pt/fluc/clp/inv/proj/meddig/recod);

3) Habilitações específicas relevantes para o âmbito científico do curso (10%);

4) Currículo científico (10%);

5) Currículo profissional (10%);

6) Entrevista (10%). NOTA: A entrevista decorrerá em data a agendar, desde o fim das candidaturas até à data prevista para disponibilização da lista de seriação provisória, de acordo com horário a comunicar aos/às candidatos/as por correio eletrónico. A entrevista poderá ser realizada por teleconferência.

B) Existem Bolsas de Doutoramento a atribuir pelo Programa?
Nas candidaturas 2020-2021, eventuais bolsas FCT a atribuir pelo Programa através do Centro de Literatura Portuguesa serão anunciadas oportunamente. Os candidatos podem ainda concorrer ao concurso individual Bolsas de Investigação para Doutoramento da FCT – 2020  https://www.fct.pt/apoios/bolsas/concursos/individuais2020.phtml.pt Submissão de candidaturas: 2 de março a 28 de abril de 2020, 17:00H (hora de Lisboa) 

C) Como se faz a candidatura?
As candidaturas são feitas através do sistema de informação da Universidade de Coimbra. As instruções para o processo de candidatura em linha podem ser consultadas aqui: http://www.uc.pt/candidatos/online

D) Qual é o valor da propina anual do Programa?
A propina anual do Programa é atualmente de 1417,00 €, a pagar em prestações.

Mais informações nas seguintes entradas:

1. O que é o Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura?

2. Plano de Estudos do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura (Cf. Despacho Nº 2666_2011, Diário da República_2ª série_Nº26_de 7 de Fevereiro de 2011, pp. 6913-6914)

3. Docentes e Professores Convidados do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura (2010-2020)

4. Estudantes do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura (2010-2020)

5. Requisitos de Acesso ao Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura

6. Procedimentos de candidatura

7. Reconhecimento do Programa para efeitos de progressão na Carreira Docente

8. Vídeos com depoimentos de Doutorandos e registos de seminários de Professores Convidados (2011-2014)

9. MATLIT em 90 segundos (2018): dez projetos de Doutoramento do Programa explicados pelos respetivos autores em 90 segundos.

10. MATLIT:  Materialidades da Literatura (Revista científica de âmbito internacional cobrindo as diversas linhas de investigação do Programa – 11 números publicados, 2013-2019)

11. Arquivo LdoD: Arquivo Digital Colaborativo do Livro do Desassossego (2012-2017): resultado principal de projeto de investigação do Centro de Literatura Portuguesa financiado pela FCT, desenvolvido no âmbito do Grupo de Investigação «Mediação Digital e Materialidades da Literatura»

12. Ex Machina: Inscrição e Literatura (2015-2022): projeto de investigação do Centro de Literatura Portuguesa, desenvolvido no âmbito do Grupo de Investigação «Mediação Digital e Materialidades da Literatura»

13. Vox Media: O Som na Literatura (2015-2022): projeto de investigação do Centro de Literatura Portuguesa, desenvolvido no âmbito do Grupo de Investigação «Mediação Digital e Materialidades da Literatura» (Vox Media website)

14. ReCodex: Formas e Transformações do Livro (2015-2022): projeto de investigação do Centro de Literatura Portuguesa, desenvolvido no âmbito do Grupo de Investigação «Mediação Digital e Materialidades da Literatura»

15. Inanimate Alice: Tradução de Literatura Digital em Contexto Educativo (2016-2018): projeto de investigação do Centro de Literatura Portuguesa, desenvolvido no âmbito do Grupo de Investigação «Mediação Digital e Materialidades da Literatura»

16. Estudos Literários Digitais (14-15 de maio de 2015) | Digital Literary Studies (May 14-15, 2015): colóquio internacional organizado pelo Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura

17. Language and the Interface (2015): exposição internacional organizada pelo Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura

18. Variações sobre António: Um Colóquio em Torno de António Variações (7-8 dezembro 2017): colóquio organizado pelo Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura e pela Área de Estudos Artísticos da Faculdade de Letras de Coimbra

19. Teaching Digital Literature (June 25-26, 2019) | Ensino da Literatura Digital (25-26 de junho de 2019): colóquio internacional organizado pelo Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura

20. Caminhos da Literatura no MATLIT LAB: Um Laboratório de Humanidades (2019): exposição de criações literárias experimentais produzidas no âmbito do Programa

21. Histórico das atividades do Programa (2010-2020)

22. 2010-2020: Dez Anos de Materialidades da Literatura

Esclarecimentos adicionais: Prof. Manuel Portela, mportela@fl.uc.pt

O Arquivo LdoD no Colóquio “Novos Estudos Pessoanos”

15/02/2020

 

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Decorreu no dia 13 de fevereiro de 2020, na Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, Lisboa, mais uma edição do colóquio Novos Estudos Pessoanos – Ponto de Situação, organizada pela Casa Fernando Pessoa. Esta edição contou com a participação de dois investigadores do Centro de Literatura Portuguesa (CLP) que trabalham com o Arquivo Digital LdoD, Ana Marques e Diego Giménez.

Ana Marques, com uma comunicação intitulada “Representação e análise da receção crítica do Livro do Desassossego no Arquivo LdoD”, falou sobre o trabalho de levantamento de documentação relativa à receção do Livro do Desassossego e a sua integração no Arquivo. A sua intervenção mostrou as relações que se estabelecem entre os documentos autorais, os documentos editoriais e os documentos críticos, identificando práticas específicas de leitura crítica. O trabalho em curso pode observar-se nas edições virtuais anotadas “Receção Crítica 1” e “Receção Crítica 2”.

Diego Giménez, com uma comunicação intitulada “Problemas de Intertextualidade Filosófica no Livro do Desassossego“, apresentou parte dos resultados de pesquisa na identificação das redes intertextuais filosóficas que nutrem a obra pessoana mediante categorização e taxonomização de trechos com as ferramentas do Arquivo LdoD, e enquadrou o levantamento dessas referências com a poiesis sensacionista pessoana. O trabalho em curso pode observar-se na edição virtual anotada “Intertextualidade Filosófica”.

O colóquio contou com a participação de investigadores, editores e tradutores especialistas na obra de Fernando Pessoa como Pedro Sepúlveda, Nuno Amado, Karen Pellegrini, Andrea Sánchez, Rui Sousa, Luís Andrade, Luiz Fagundes Duarte e António Feijó, que fechou o colóquio com uma intervenção em memória de George Monteiro.

2010-2020: Dez Anos de Materialidades da Literatura

04/02/2020

Em junho de 2020, o Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura (DML) da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra completará dez anos de atividade contínua. A conferência inaugural foi proferida por Lev Manovich a 18 de junho de 2010, e a primeira aula foi lecionada a 1 de outubro de 2010. Imaginado inicialmente como um grande projeto de investigação especulativa a partir da pergunta “O que são as Materialidades da Literatura?”, não era certo que o Programa se conseguisse afirmar, dado o contexto de crise financeira nacional em que nasceu e dado o modo como a recessão se repercutiu nas Humanidades um pouco por todo o mundo.

Concebido no verão de 2009 como um novo campo de investigação e ensino por um grupo de docentes da Faculdade de Letras, o Programa foi acreditado pela A3ES a 9 de junho de 2010 e teve a sua primeira edição no ano letivo 2010-2011. Em abril de 2013, foi selecionado por um painel internacional de peritos para financiamento como Programa de Doutoramento FCT no concurso realizado nesse ano. Este financiamento permitiu consolidar progressivamente a nova área de investigação, atraindo um conjunto significativo de jovens investigadores em estudos literários. Além das 25 bolsas de doutoramento FCT atribuídas entre 2014 e 2018 no âmbito do concurso, foram ainda conseguidas 3 bolsas individuais FCT e 3 bolsas individuais CAPES, num montante de financiamento que ultrapassa 1,6 milhões de euros.

Aos 31 estudantes integralmente financiados, juntam-se outros 16 estudantes-trabalhadores que suportam o custo da sua formação. Com 47 projetos de doutoramento registados (dos quais 10 já concluídos), o DML tem contribuído para renovar a investigação literária em Portugal e sintonizá-la com novos problemas, objetos e métodos. Refiram-se, por exemplo, a introdução de temas de investigação como a poesia sonora ou a gravação de leituras de poesia. Em certos domínios, por exemplo na análise da literatura digital, é já considerado um programa de referência internacional, como testemunham a participação na organização do congresso e festival de 2017 da Electronic Literature Organization (realizado no Porto) e a publicação de cinco entradas por doutorandos do DML no The Bloomsbury Handbook of Electronic Literature (2017).

Deve sublinhar-se ainda um aspeto essencial do Programa: a experimentação com formas de organização e de funcionamento, a nível curricular e extracurricular, que contribuam para diversificar as competências de formação e aumentar a qualidade da investigação realizada. Estruturado sob a forma de grupo de investigação e subdividido em projetos, o DML desenvolveu um conjunto de práticas colaborativas, quer internas ao Programa, quer através de redes externas de intercâmbio que envolveram duas dezenas de instituições na Europa (Espanha, França, Itália, Irlanda, Reino Unido, Alemanha, Noruega, Suécia, Grécia), América do Norte (EUA), América do Sul (Brasil, Chile) e África (Gana). Além de estadas internacionais de investigação dos doutorandos, o DML recebeu sete dezenas de especialistas nacionais e internacionais – académicos e artistas – ao longo da última década para lecionarem seminários ou proferirem conferências. Acolhemos também uma dezena de estudantes de doutoramento internacionais para trabalharem sob orientação de docentes do Programa durante um semestre, e diversos investigadores de pós-doutoramento em tópicos afins aos do Programa (análise literária computacional, narrativa transmédia, poesia experimental).

Organizámos e coorganizámos mais de uma dezena de conferências nacionais e internacionais, entre as quais, “Estranhar Pessoa com as Materialidades da Literatura” (2012), “Estudos Literários Digitais” (2015), “1º Congresso de Humanidades Digitais em Portugal” (2015), “Variações sobre António: Um Colóquio em torno de António Variações” (2017) e “Ensino da Literatura Digital” (2019). No que se refere a encontros científicos, os doutorandos apresentaram cerca de 200 comunicações em contexto nacional e internacional. Publicaram ainda cerca de 60 artigos (incluindo recensões críticas de novas obras) em 40 revistas académicas. Foram também curadores ou participantes numa dezena de exposições relacionadas com temas de investigação do Programa, em diversas cidades (Coimbra, Porto, Lisboa, Vila Franca de Xira, Évora, Óbidos). Os doutorandos tiveram ainda a seu cargo a concetualização e realização de cursos breves, escolas de verão e oficinas nas quais testaram os resultados da sua investigação através da didatização de novos temas. Destaque-se, por fim, o trabalho editorial numa nova revista científica eletrónica, MATLIT: Materialidades da Literatura (e-ISSN 2182-8830; 11 números publicados desde 2013, num total de 205 artigos), que tem contribuído para o diálogo internacional com inúmeros investigadores noutros contextos institucionais, disciplinares e geográficos.

Nascido no contexto pós-departamentalização da Faculdade, que determinou a agregação das diversas áreas disciplinares de línguas, literaturas e culturas (Estudos Clássicos, Línguas Modernas e Português), o novo Programa propunha-se olhar para as práticas literárias a partir da intersecção de três perspetivas: uma perspetiva medial e transmedial, que considera as tecnologias mediais como dispositivos de inscrição literária (imprensa, gravação sonora, computador digital, cinema, etc.); uma perspetiva translinguística e transcultural, cujo foco de abordagem vai para além dos tradicionais sintagmas nacionais (literatura inglesa, portuguesa, alemã, etc., mesmo nas versões comparatistas); e uma perspetiva interdisciplinar, que reconfigura a análise e a teoria literárias a partir da intersecção com diversas outras práticas disciplinares como o design de comunicação, as humanidades digitais, os estudos fílmicos, os estudos do livro ou a arqueologia dos média.

Uma medida do cumprimento das intenções iniciais do DML e do sucesso desta década de intensa atividade estaria nos percursos pós-doutoramento: investigadora visitante na Universidade de Stanford; três bolseiros de pós-doutoramento (Unicamp, Brasil; Universidade de Bremen, Alemanha, Marie Curie Fellowship; Universidade Fernando Pessoa, Portugal); docente convidado na Universidade de Aveiro; bolsa da Cátedra Cascais Interartes (Fundação D. Luís I); leitora do Instituto Camões (UNAM, México); docente do ensino básico e secundário. Outra medida seria a publicação de livros por investigadores do Programa: Literatura Explicativa: Ensaios sobre Ruy Belo (Assírio & Alvim, 2015), organizado por Manaíra Aires Athayde; Digital Media and Textuality: From Creation to Archiving (transcript verlag, 2017), organizado por Daniela Côrtes Maduro; Almada Negreiros, Orpheu 1915-1965 (Vittoria Iguazu, 2017), traduzido para italiano por Giorgia Casara; ou Herberto Helder, Em Minúsculas (Porto Editora, 2018), coorganizado por Raquel Gonçalves. Ou ainda: a atribuição do Prémio Mário Quartin Graça 2018 da Casa da América Latina, na categoria de melhor tese em Ciências Sociais e Humanas, a uma tese em Materialidades da Literatura.

Retrospetivamente, o DML pode descrever-se como a conjugação de três processos simultâneos e interligados: por um lado, consiste num grande projeto colaborativo (e prolongado no tempo) que tenta responder à mega-pergunta inicial através das perguntas de investigação circunscritas de cada tese de doutoramento (veja-se a série de vídeos “MATLIT em 90 segundos”); por outro lado, é uma tentativa de construir uma perspetiva de conhecimento humanístico num contexto pós-digital, olhando criticamente para a relocalização da experiência literária numa ecologia medial em transformação e, ao mesmo tempo, mostrando a relevância social dessa perspetiva; por outro lado ainda, diz respeito ao desenvolvimento de uma pedagogia projetual em investigação literária avançada, na qual as componentes de investigação científica, criação artística e transferência de conhecimento vão sendo tentativamente exploradas em múltiplas constelações. O MATLIT LAB: Laboratório de Humanidades, criado em 2019, é, de certo modo, uma tentativa de explicitar reflexivamente aquela tripla conjugação: um campo de investigação + uma epistemologia humanista numa ecologia medial em transformação + uma reimaginação dos usos das humanidades. Isto significa que uma década de desenvolvimento do DML consistiu afinal na formulação, através da prática, de uma outra pergunta que não estava totalmente evidente na pergunta inicial: o que é que um programa de doutoramento em Humanidades pode ser?

Conferência de Mário Gomes

21/01/2020

© Cartaz de Rui Silva.

No próximo dia 30 de janeiro de 2020, pelas 14h30, na Sala do Centro de Literatura Portuguesa (7º piso, FLUC), terá lugar uma conferência por Mário Gomes (Universidade de Concepción, Chile) intitulada “Literatura – Máquinas – Friedrich Kittler”. Organização do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura, Centro de Literatura Portuguesa e Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas, com o apoio do DAAD – Deutscher Akademischer Austauschdienst (Serviço de Intercâmbio Académico Alemão).

Mário Gomes é doutorado em Teoria da Literatura pelas Universidades de Bona e de Florença. Além da sua investigção académica nas áreas dos “Media Studies” e da Literatura, Mário Gomes é também tradutor e escritor. Entre os autores traduzidos incluem-se Luís Quintais (para alemão) e Arno Schmidt (para português). Em 2016 publicou o romance “Berge, Quallen” (“Montanhas, Medusas”), em co-autoria com Jochen Thermann; em 2017 foi bolseiro do Fundo Alemão de Literatura (Deutscher Literaturfonds). Atualmente é leitor do DAAD (Serviço de Intercâmbio Académico Alemão) em Concepción, Chile, onde dá aulas de Teoria da Literatura, Literatura Alemã e Estética.

DESIR Winter School “Shaping new approaches to data management in arts and humanities”

20/01/2020

Ocorreu entre os dias 10 e 13 dezembro, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a escola de inverno em Humanidades Digitais “Shaping new approaches to data management in arts and humanities”. O curso intensivo planejado pela equipe do projeto Desir (DARIAH ERIC Sustainability Refined), no esforço conjunto entre DARIAH, Nova FCSH e ROSSIO, contou com vinte bolsas de participação disponibilizados para estudantes e acadêmicos de toda a União Europeia.

Espaço comum dos seminários na Nova FSCH. Fonte: ©DESIR – DARIAH ERIC Sustainability Refined.

Baseada majoritariamente no conceito de FAIR Data, a programação de quatro dias foi marcada pela fala de diferentes especialistas, nos seminários em “Data in Humanities” (Erzsébet Tóth-Czifra),”Copyright e Open Licensing” (Walter Scholger), “Open Research Notebooks” (Javier de La Rosa), “Data Management Plan” (Antónia Correia), “Data Citation” (Frances Madden) e “Innovative Publishing Practices” (Delfim Leão).

Frances Madden – Data Citations & PIDs. Fonte: ©DESIR – DARIAH ERIC Sustainability Refined.

Aliada a essa componente de discussão majoritariamente teórica, foram realizadas ainda quatro visitas guiadas, à Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT), ao Arquivo PT; à Biblioteca Nacional de Portugal e à Torre do Tombo. Essas visitas tiveram como objetivo a apresentação da infraestrutura tecno-informacional das respectivas instituições, incluindo seu trabalho de preservação e de organização maciça de dados de relevância na produção de conhecimento nacional.

Para reforçar os conteúdos apresentados nos seminários e nas visitas guiadas, o evento também promoveu, no penúltimo dia, um panorama dos modos de produção, estruturação e preservação multimedia de dados em território português. Tal cenário foi brevemente apresentado por meio de uma mesa-redonda com a participação de alguns dos principais nomes à frente dessa discussão.

Mesa-redonda com a participação de João Nuno Ferreira, Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Unidade FCCN (moderador); Joana Paulino, ROSSIO, NOVA FCSH (a representar a coordenadora da Infraestrutura); António Manuel Horta Branco, Clarin-PT/ FCUL (coordenador da Infraestrutura); Marta Catarino Lourenço, PRISC/ U. Lisboa (coordenadora da Infraestrutura); Luis Teixeira, CCD – Centro de Criatividade Digital (Investigador Principal da Infraestrutura); João Mimoso, E-RHS.pt – LNEC e Daniel Alves, Laboratório de Humanidades Digitais – NOVA FCSH (coordenador). Fonte: ©DESIR – DARIAH ERIC Sustainability Refined.

Muito além do trabalho de introdução crítica às métricas de manuseio e de compartilhamento sustentável de dados, a proposição deste curso intensivo tem também seu mérito ao engajar um diálogo prolífico entre os seus participantes, marcado pelo intercâmbio de diferentes perspectivas, perpassando positivamente as fronteiras linguísticas e geográficas que nos separam. Forma-se uma comunidade científica em Humanidades Digitais mais consciente de si mesma, e apta ao trabalho em conjunto.

Participantes e equipe da Winter School Desir. Fonte: ©DESIR – DARIAH ERIC Sustainability Refined.

MatLit na 3ª Maratona Fernando Pessoa

20/01/2020
Terceira Maratona Fernando Pessoa. Fonte: Página Maratona Fernando Pessoa

No dia 30 de novembro de 2019 ocorreu a “Terceira maratona Fernando Pessoa – para todas as pessoas”: doze horas ininterruptas de entrevistas com diferentes enfoques e produções relativas à obra do autor, emitidas pela Rádio Movimento PT Online. O programa radiofônico comandado pelo escritor e investigador Ricardo Belo de Morais teve como co-apresentadora a escritora brasileira Andressa Barichello.

As doze horas foram compostas pelo contributo de um grupo relevante de investigadores e artistas que, por meio de diferentes aspectos e formas, analisam e dão visibilidade à obra pessoana. O programa doutoral Materialidades da Literatura foi aqui também representado na voz de Cecília Magalhães, ao discutir as práticas de produção criativa e engajamento social nos projetos Arquivo LdoD e Fragmentos em Prática. A maratona encontra-se, na íntegra, no seguinte endereço digital: http://bit.ly/30jGNhD

Entrevista sobre os projetos “Arquivo LdoD” & “Fragmentos em Prática” em 8:34:00 – 9:17:00. Fonte: 3ª Maratona Fernando Pessoa/Rádio Movimento PT Online.

 

Doutoramento Nº 10

07/01/2020

Realizam-se no próximo dia 28 de janeiro de 2020, pelas 15h00, na Sala Grande dos Atos, as provas de doutoramento em Materialidades da Literatura de Ana Rita de Sousa Reis da Silva, candidata da quinta edição do Programa, que teve início em 2014-2015. A candidata apresenta a tese Mecânica de uma personagem: paisagem, escrita, autoria (2019), orientada por António Sousa Ribeiro (Universidade de Coimbra) e Paulo Meneses (Universidade dos Açores). Projeto financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através da bolsa de doutoramento PD/BD/105708/2014.

O júri, nomeado por despacho reitoral de 3 de dezembro de 2019, tem a seguinte constituição:
Presidente:
Manuel Portela (Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Vogais:
Francisca Noguerol Jiménez (Professora Catedrática da Universidade de Salamanca)
Pedro Eiras (Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade do Porto)
António Sousa Ribeiro (Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Osvaldo Manuel Silvestre (Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Esta tese – a décima do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura – integra-se numa das linhas de investigação do Programa, dedicada à análise da relação entre processos de escrita e tecnologias mediais (Ex Machina: Inscrição e Literatura). Ana Rita Sousa investiga a figura autoral nas obras de Roberto Bolaño e Maria Gabriela Llansol.

Resumo [excerto]

Tomando por eixo o processo de retroacção entre a construção de uma personagem ou de uma figura autoral com o próprio processo de construção da sua função-autor, são analisadas duas propostas diferentes desta ficcionalização, assim como as alterações a que as mesmas foram sujeitas ao longo da trajectória do escritor/a em causa. O corpus de análise, a partir do qual este projecto foi pensado, é composto por Roberto Bolaño (1953-2003) e Maria Gabriela Llansol (1931-2008), que traçaram percursos estéticos consideravelmente diferentes entre si e que, de distintas maneiras, resistem à análise narrativa tradicional, reivindicando constantemente novas abordagens sobre o que entendemos por romance em geral, e por autor, em particular. Pese à distância linguística, cultural e social que os afasta, o argumento desta tese constrói-se a partir de uma preocupação que os aproxima: a sua condição de autoria.

Projeto de tese 2020

07/01/2020

A nona edição do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura teve início no ano letivo 2018-2019. Tal como previsto pelo plano de estudos (https://matlit.wordpress.com/programa/), no final do terceiro semestre realiza-se uma prova de qualificação, que consiste na defesa pública do projeto de tese de doutoramento. A prova de qualificação da nona edição do Programa tem lugar no dia 21 de janeiro de 2020, de acordo com o horário indicado a seguir:

21 de janeiro de 2020
Projeto: Joana Gonçalves Rua (SFRH/BD/143552/2019), «Ler de longe e ler de perto: Análise de padrões na obra completa de Jane Austen e deformação visual do livro Pride and Prejudice»
Hora: 11h30, Sala Ferreira Lima (6º piso, FLUC)
Júri
António Sousa Ribeiro (pres.)
António Rito Silva (arguente)
Manuel Portela (orient.)

 

As provas relativas aos cinco projetos de tese da oitava edição do Programa realizaram-se a 10 e 11 de julho de 2019.

As provas relativas aos nove projetos de tese da sétima edição do Programa realizaram-se a 18, 19 e 26 de janeiro de 2018, e a 10 de julho de 2018.

As provas relativas aos nove projetos de tese da sexta edição do Programa realizaram-se a 18, 19 e 20 de janeiro de 2017.

As provas relativas aos oito projetos de tese da quinta edição do Programa realizaram-se a 29 de janeiro e 3 de fevereiro de 2016.

As provas relativas aos cinco projetos de tese da quarta edição do Programa realizaram-se a 23 de janeiro de 2015.

As provas relativas aos cinco projetos de tese da terceira edição do Programa realizaram-se a 24 de janeiro de 2014.

As provas relativas aos três projetos de tese da segunda edição do Programa realizaram-se a 1 de fevereiro de 2013.

As provas relativas aos quatro projetos de tese da primeira edição do Programa realizaram-se a 27 de janeiro de 2012.

Oficina Remix LdoD

23/11/2019

A oficina Remix LdoD visa explorar diferentes processos de escrita criativa, por meio da parceria entre os projetos “Fragmentos em Prática” e “Operation Room”. O projeto “Fragmentos em Prática” desenvolve práticas criativas de leitura e edição no manejo virtual dos textos de Fernando Pessoa pelo Arquivo do Livro do Desassossego (ldod.uc.pt). Já o projeto “Operation Room” trabalha com criatividade por meio de processos de apropriação, seleção e remistura textual, fazendo uso de aplicativos de edição de texto, tratamento de imagem, ilustração e vídeo. O encontro desses projetos busca incentivar a transformação dos textos do Desassossego em novas versões remixadas, incentivando assim o potencial de livre criatividade dos participantes da oficina. Venha criar conosco! 🙂

Dia 14/12/2019 – 9:00 às 13:00, Sala 6 da Faculdade de Letras de Universidade de Coimbra (FLUC)

Inscrições mediante o envio de confirmação de presença para o email fragmentos.em.pratica@gmail.com ou pelo evento Oficina Remix LdoD no Facebook.

Cecília Magalhães é doutoranda no programa Materialidades da Literatura (MatLit/FLUC-UC). Desenvolve sua investigação, Fragmentos em Prática, com enfoque nas práticas de produção criativa  no Arquivo LdoD, plataforma dinâmica organizada em torno da escrita, da leitura e da edição do Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa.

Liliana Vasques é doutoranda no programa Materialidades da Literatura (MatLit/FLUC-UC). Desenvolve sua investigação – Do Digital Poets Write? –  em torno da criação de poesia digital através das práticas de apropriação e remistura. Dinamiza o projeto Operation Room para quem quiser experimentar este tipo de criação.

Esta oficina, organizada pelo MATLIT LAB: Laboratório de Humanidades, está vinculada ao Centro de Literatura Portuguesa (CLP), por meio do grupo de investigação “Mediação Digital e Materialidades da Literatura”. O projeto doutoral Fragmentos em Prática é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (SFRH/BD/139569/2018).