Conferência de Hans Ulrich Gumbrecht
No próximo dia 12 de abril de 2019, pelas 17h00, na Sala Ferreira Lima (6º piso, FLUC), terá lugar uma conferência por Hans Ulrich Gumbrecht (Universidade de Stanford) intitulada “Diderot’s “Materialism”: About the Potential of an Epistemological Affinity”. Organização do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura com o apoio do Centro de Literatura Portuguesa.
Diderot’s “Materialism”: About the Potential of an Epistemological AffinityThe lecture emerges from a recently finished book manuscript that tries to reconstruct an epistemological outline in the late 18th century which, on the one hand, seems remote from present-day knowledge and concerns (especially in its quest for “materialism”) but which, on the other hand, may offer certain perspectives that may inspire (rather than “define”) present-day intellectual trajectories.
- Prose of the World: Diderot, Goya, Lichtenberg, and Mozart and an End of Enlightenment. Stanford, CA: Stanford University Press, 2019. [forthcoming]
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After 1945 – Latency as Origin of the Present. Stanford, CA: Stanford University Press, 2013.
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Atmosphere, Mood, Stimmung. Stanford, CA: Stanford University Press, 2012. [Review by Matheus de Brito in MATLIT 2.1 (2014): 185-189].
Conferência de Gaia Bertoneri
No próximo dia 26 de março de 2019, pelas 14h30, na Sala Ferreira Lima (6º piso, FLUC), terá lugar uma conferência por Gaia Bertoneri (Universidade de Turim) intitulada “O Efeito Droste: para uma crítica visual da obra literária de Ana Teresa Pereira”. Organização do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura, Programa de Doutoramento em Literatura de Língua Portuguesa e Centro de Literatura Portuguesa.
Gaia Bertoneri, doutorada em Humanidades Digitais com a tese O efeito Droste: para uma crítica visual da obra literária de Ana Teresa Pereira, ocupa-se da relação entre os estudos visuais e a literatura portuguesa da segunda metade do século XX. Concluiu o mestrado em Tradução com a tese Trabalhar no escuro: tradurre Ana Teresa Pereira. Ensina Língua Portuguesa e Tradução na Universidade de Turim. Faz parte do comité de redação da revista de estudos comparados SUBMARINO. Traduziu para italiano Ecolalia (Lietocolle, 2018) de Luís Quintais, Photomaton & Vox (Miraggi, 2018) de Herberto Helder, os romances La regina Ginga (Lindau, 2016) de José Eduardo Agualusa, L’estate selvaggia dei tuoi occhi (Scritturapura, 2015) de Ana Teresa Pereira, bem como alguns contos de Machado de Assis para Galleria Postuma e altri racconti (Lindau, 2016), e vários contos para as antologias Bestiario Lusitano (Scritturapura, 2014) e 12 Mesi a Funchal (Scritturapura, 2008).
O Efeito Droste: para uma crítica visual da obra literária de Ana Teresa Pereira
Esta conferência pretende aplicar os chamados estudos visuais à obra literária de Ana Teresa Pereira verificando o funcionamento da imagem mental em três dos seus mais recentes livros, a saber, As Longas Tardes de Chuva em Nova Orleães (2013), Neverness (2015) e Karen (2016). O nosso objectivo é demonstrar como a originalidade da sua obra, uma das mais poderosas em termos de imagética e das mais reconhecíveis em termos de estilo, tem muito a ver com a especial atenção dedicada ao regime do imaginário nos seus textos, quer ao nível de remissões e alusões ao mundo do cinema e a outras formas de expressão artística, quer ao nível de estratégias e técnicas fílmicas ou figurativas aplicadas na sua construção narrativa. Queremos demonstrar como o processo criativo de Ana Teresa Pereira, talvez a primeira autora portuguesa verdadeiramente influenciada pelo chamado pictorial turn, tem sempre origem numa imagem (pictórica, fotográfica ou fílmica) pertencente ao seu cinema mental, ou seja, ao depósito imaterial de imagens da nossa contemporaneidade, para fixá-la obsessivamente num universo de escrita construído como um jogo de espelhos que se repete, com pontuais variações, até o infinito. A nossa investigação tem, por conseguinte, como objectivo pôr em evidência como a visualidade representa para a autora um verdadeiro mecanismo de reactivação e transformação da memória em limiar do visível. [Gaia Bertoneri]
Realiza-se hoje, dia 13 de março de 2019, o “I Encontro Universidade Fernando Pessoa de Estudos sobre Investigação Criativa”. O encontro decorre no edifício de Estudos Pós-Graduados daquela Universidade. Esta iniciativa é coordenada por Diogo Marques (doutorado em Materialidades da Literatura) no âmbito de um projeto de pós-doutoramento que tem como objetivo o desenvolvimento curricular de um programa de ensino dedicado à investigação criativa.
Reunindo especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, cujo trabalho de investigação criativa é reconhecido internacionalmente, o I ENCONTRO UFP DE ESTUDOS SOBRE INVESTIGAÇÃO CRIATIVA apresenta como tema inaugural as pontes multi-inter-trans-disciplinares entre Arte(s), Ciência(s) e Tecnologia(s).
Compostas por uma forte componente de autorreflexão, as comunicações apresentadas distinguem-se pela partilha de experiências pessoais/profissionais dos oradores convidados, no que diz respeito às suas intervenções na área da investigação criativa. Sendo representativas dos seus questionamentos enquanto investigadores e/ou criadores, as suas comunicações ilustram, ainda, os diversos posicionamentos quanto ao papel da academia numa potencial mudança de paradigma educacional. Em suma: falar de investigação criativa, fazendo investigação criativa.
Mais informação disponível em: http://investigacaocriativa.ufp.pt
Texto e fotos de Cecília Magalhães e Mariana Chinellato.
O evento “Moral Machines? Ethics and Politics of the Digital World” ocorreu nos dias 6, 7 e 8 de março na Universidade de Helsinki, afiliada ao Helsinki Collegium for Advanced Studies. O programa Materialidades da Literatura foi devidamente representado no painel “Machines as Artists” pelas comunicações “Creativity in Computer-Generated Narratives” de Mariana Chinellato e “Automatic and creative: playing with algorithms and fragments in the Book of Disquiet Archive” de Cecília Magalhães. A partir da apresentação foi lançada uma roda de discussão muito prolífica em torno do que seria de fato a definição de criatividade, tendo em vista abordagens que tratam do artefato e do próprio processo criativo em diferentes instâncias.

Figs. 1 e 2: Mariana Chinellato e Cecília Magalhães na apresentação do painel “Machines as Artists”.
O evento contou com a participação de conferencistas de peso como Katherine Hayles e Bernard Stiegler, além de outros investigadores no âmbito dos estudos filosóficos e sociais concernentes aos avanços maquínicos em todas as esferas da nossa sociedade. Projetos discutindo moralidade na produção de autômatos no setor militar, de prevenção de desastres e de melhorias no acesso de dados no setor da saúde também foram temas fortemente discutidos. Outro ponto de interesse foi a discussão levantada em torno da ideia de cognição em viés paralelo a processos de construção de pensamento crítico, imaginativo da própria relação entre os processos de “pensar” e “fazer”.

Figs. 3, 4 e 5: Apresentação dos conferencistas convidados – Katherine Hayles, Bernard Stiegler e Maria Mäkelä.
Foram três dias de intenso debate, a partir de uma perspectiva crítica alongada pelo viés filosófico, sobre os processos transformativos da tecnologia em nossa sociedade. Ponto que também ressalta, nesse sentido, o excelente trabalho feito por Susanna Lindberg e Hanna-Riikka Roine na eficiente organização de um evento de peso internacional, com público de diferentes campos das Humanidades Digitais, que foi maravilhosamente permeado por uma atmosfera de escuta, participação e receptividade.
A Exposição enquadrada duplamente pela omnipresença do livro na sala do CLP e pela representação sinóptica do Doutoramento em Materialidades da Literatura, representa um laboratório em que, de modo sucessivo, se verte um único reagente sobre o objecto literário. Podemos dizer que esse reagente consiste na pergunta última e primeira o que é a literatura? Mas mais do que respostas apaziguadoras, o que daí resulta, esperamos, é um reforço dessa mesma pergunta a desdobrar-se noutras pela variedade de contribuições, materiais e autorias expostas. Apresentamos, enfim, uma exposição (e um estímulo) da multiplicidade e da materialidade da literatura: dimensão desde logo evidente pela diversidade medial deste catálogo de trabalhos impressos, digitais, em vídeo e rádio, performativos e plásticos.
Podemos ler, ao longo desses vários trabalhos, a ausência de palavras, apontamentos sobre a linguagem e leitura, releituras e diálogos com textos anteriores, processos de escrita e reescrita, hipotextos e hipertextos, assim como relações e reacções a acontecimentos sociais. Estão disponíveis, para experiência e consulta, poemas-livros, poemas combinatórios, video-poemas, video-performances, livros-objectos, contos em linha, experiências radiofónicas, antologias combinatórias, aplicativos lúdico-literários, performances verbais e intermediais, literatura que vai para fora da página, objectos híbridos, obras difíceis de encaixar em qualquer tipologia e até anti-obras.
No fundo, a multiplicidade de possibilidades aqui visível reflecte tanto o carácter colaborativo da exposição, quanto a dificuldade de uma resposta única e taxativa à supra-referida pergunta-reagente. Tudo como se, no entanto, uma complexa leitura do mundo multimediático em que vivemos encontrasse o seu equivalente nas plurais formas em que entendemos e lemos a literatura.
A equipa curatorial
Francisco Silveira, Nuno Meireles, Patrícia Reina, Pedro Sá Valentim e Thales Estefani.
Catálogo da exposição “Caminhos da Literatura no MATLIT LAB: um laboratório de humanidades”, de 6 a 8 de Março de 2019, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, por ocasião da 21ª Semana Cultural da Universidade de Coimbra.
Participantes: Ana Albuquerque, Ana Marques, Ana Sabino, Bruno Ministro, Ernest Bowes, Júlia Zuza, Liliana Vasques, Manuel Portela, Nuno Meireles, Nuno Miguel Neves, Patrícia Reina, Pedro Sá Valentim, Rui Silva, Samuel Teixeira, Tiago Santos, Tiago Schwäbl, wr3ad1ng d1g1t5 (Diogo Marques, Micael Martins, João Santa Cruz).
Design
Patrícia Reina
Voluntárias
Gisele Noll
Marie Claire De Mattia
Agradecimentos
Ao poeta Augusto de Campos.
À Reitoria da Universidade de Coimbra.
Caminhos da Literatura no MATLIT LAB

© Cartaz de Patrícia Reina.
No próximo dia 6 de março de 2019, pelas 10h00, na Sala do Centro de Literatura Portuguesa (7º piso) da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, é inaugurada a exposição “Caminhos da Literatura no MATLIT LAB – Um Laboratório de Humanidades”, com curadoria de Francisco Silveira, Nuno Meireles, Patrícia Reina, Pedro Sá Valentim e Thales Estefani. Além de uma seleção de criações literárias produzidas no âmbito do Programa, a exposição inclui uma série de poemas-cartazes do poeta Augusto de Campos (átrio da FLUC, 4º piso) e uma performance de Nuno Meireles (CLP, 6 de março, 12h e 17h). Esta mostra assinala a entrada em funcionamento do MATLIT LAB e estará patente entre as 10h e as 18h nos dias 6, 7 e 8 de março de 2019. Trata-se de uma iniciativa organizada pelo Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura e Centro de Literatura Portuguesa no âmbito da 21ª Semana Cultural da UC.
CAMINHOS DA LITERATURA NO MATLIT LAB – UM LABORATÓRIO DE HUMANIDADES
A exposição mostra os caminhos literários que estão a ser explorados no âmbito do Doutoramento em Materialidades da Literatura. Entre os indicadores do atual contexto de redefinição digital das humanidades contam‑se: materialidades do som, da voz, da performance, da imagem, do livro, da escrita, e ainda as próprias materialidades digitais de práticas e formas literárias contemporâneas.
No próximo dia 8 de março de 2019, pelas 14h30, na Sala Ferreira Lima (6º piso, FLUC), terão lugar duas conferências da série MATLIT. As Conferências MATLIT pretendem dar a conhecer a investigação levada a cabo no âmbito do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura, em particular através de uma apresentação pública dos contributos originais para o conhecimento das teses de doutoramento em Materialidades da Literatura recém-concluídas. A construção de objetos teóricos e de abordagens metodológicas centradas nos processos mediais e intermediais de inscrição literária poderá assim ser conhecida também através da produção de teses do próprio Programa.
Ana Marques (doutorada em Materialidades da Literatura pela Universidade de Coimbra em setembro de 2018) fará a conferência intitulada «Poemáquinas». Diogo Marques (doutorado em Materialidades da Literatura pela Universidade de Coimbra em setembro de 2018) fará a conferência intitulada «Um Simples Toque de Midas: Sagrado, Háptico e Tecnológico».
Poemáquinas
Esta apresentação pretende explorar o conceito de literatura generativa, identificando diferentes poéticas na geração algorítmica de textos literários. A partir do contraste entre três experiências com a programação de textos poéticos, considerar-se-á as relações entre linguagem e computação, o texto como sistema comunicativo, e as relações humano-máquina. Discutir-se-á ainda as implicações dos processos de automação da produção linguística na literatura, considerando o modo como reconfiguram a textualidade, a autoria e a leitura, e procurando responder à questão do valor literário da poesia gerada automaticamente.Ana Marques tem ziguezagueado entre diversas ocupações e interesses. Dedicou-se ao teatro, às artes plásticas e à agricultura, e trabalhou como jornalista, programadora cultural e professora. Em 2018 concluiu o seu doutoramento em Materialidades da Literatura pela Faculdade de Letras da Unversidade de Coimbra com uma tese intitulada “Literatura e Cibernética”, dedicada ao estudo dos efeitos da automação da linguagem em textos poéticos.
Um Simples Toque de Midas: Sagrado, Háptico e Tecnológico
Do aumento significativo, nas últimas décadas, de novos movimentos religiosos a Ocidente, não se encontra alheia a evolução da tecnologia digital. Nomeadamente, com a noção de cibersagrado que, numa justaposição de factos e valores, dá contuinuidade a uma corrente positivista, ao mesmo tempo que repreresenta um novo misticismo (mais culto do que propriamente oculto). Nesse jogo entre virtual e (f)actual que o digital renova damo-nos conta, por exemplo, de uma crescente fetichização do tacto, enquanto forma supostamente não mediada de atingir o conhecimento, no contacto “directo” com determinada interface (regra geral, o ecrã). Perante uma busca crescente de graus cada vez mais elevados de tangibilidade, presença e intimidade por parte da indústria tecnológica digital, o que significa este aparente “toque de Midas”, em que tudo parece estar ao alcance de um simples toque (ou clique)? Lembrando um termo recorrente nos (últimos) discursos de Steve Jobs, que espécie de “magia” é essa que nos faz adorar, como a um totem, estes frios aparelhos feitos de vidro e alumínio, e paradoxalmente capazes de proporcionar uma sensação de “conforto” enquanto os seguramos?Diogo MarquesNatural de Torres Vedras (1982-). Criador experimental e co-fundador do colectivo de artistas wr3ad1ng-d1g1t5 [wreading-digits.com], Diogo Marques (re)vê-se na mesma proporção como investigador criativo (Doutoramento em 2018, Materialidades da Literatura, pela Universidade de Coimbra). É actualmente bolseiro de investigação pela Universidade Fernando Pessoa (Porto), onde tem vindo a desenvolver trabalho sobre investigação criativa, com particular incidência nas (im)possíveis pontes entre arte(s), ciência(s) e tecnologia(s). O seu percurso académico e artístico inclui ainda (co)curadoria de exposições de Arte e Literatura Digital, bem como traduções de ficção interactiva digital para língua portuguesa. É membro do Centro de Literatura Portuguesa, da Electronic Literature Organization e da Artech International Association. Procura-se com frequência na “arte real” da alquimia e encontra-se amiúde na “ciência oculta” do tarot (de Marselha). Pelo meio, também gosta de conversar com máquinas. Daí considerar que será sempre mais Tolo, do que propriamente Sábio ou Artista. Em suma: é um, entre vários.







