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Materialidades da Literatura no Colóquio “Narrativa, Media e Cognição”

19/11/2018

Fotografia: CIAC.

Texto: Ana Marques e Thales Estefani. Fotos: CIAC e Thales Estefani.

Nos passados dias 9 e 10 de novembro teve lugar, na Universidade do Algarve, a quinta edição do Colóquio “Narrativa, Media e Cognição – Narrativas Marginalizadas”. Com o acolhimento do CIAC – Centro de Investigação em Artes e Comunicação – em coorganização com o Grupo de Trabalho “Narrativas Audiovisuais” da AIM – Associação de Investigadores da Imagem em Movimento – e com a Sociedade Portuguesa de Ciências dos Videojogos, este colóquio contou com cerca de cinquenta comunicações organizadas em duas sessões paralelas ao longo de dois dias.

As principais temáticas abordadas neste encontro situaram-se na articulação do conceito de narrativa com a comunicação, as artes multimediais, a literatura, a história e os estudos culturais. A tecnologia, sobretudo enquanto ferramenta de mediação comunicacional e expressiva, revelou-se também central nos diferentes temas que articularam as várias comunicações e nos debates que a estas se seguiram. Um dos principais aspectos caracterizadores deste encontro foi, assim, a transversalidade disciplinar.

Fotografia: Thales Estefani.

A comunicação do orador convidado deu o tom que harmonizou a diversidade de comunicações deste colóquio. Arnaldo Saraiva, uma das vozes mais relevantes no contexto das literaturas marginais (veja-se o importante contributo de duas obras da sua vasta bibliografia para este campo, os dois volumes de Literatura Marginalizada, de 1975 e 1980), deu uma aula sobre um romance de cordel do século XVIII, João de Calais, da autoria de Mme. Gomez, romance que conheceu uma enorme variedade de versões ao longo dos séculos e em diferentes geografias. Da literatura romanesca de cordel às literaturas digitais, das literaturas orais (representadas no colóquio através do arquivo digital Romanceiro.pt, projecto desenvolvido pelo CIAC) aos videojogos, das literaturas galegas e africanas às artes performativas e multimediais, passando por discussões sobre narratividade e rede, retóricas da utopia, ou ainda mediação e pós-verdade, o colóquio “Narrativa, Media e Cognição” afirmou-se como um espaço profícuo de criação de pontes. Esta articulação, baseada na noção de margem, permitiu problematizar o descentramento relativamente aos cânones e promover reflexões sobre a fluidez de géneros em diferentes contextos sócio-históricos e culturais. O programa de doutoramento em Materialidades da Literatura esteve representado por Thales Estefani, com uma comunicação intitulada “Formas de perder-se na floresta: Capuchinho Vermelho e as experiências narrativas nos apps”, e por Ana Marques, que apresentou uma comunicação sobre “Cognição algorítmica e geração de linguagem: interrogações sobre literariedade e desfuncionalização dos media”.

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Aula Aberta por Eduardo Sterzi

16/11/2018

© Cartaz de Ana Sabino.

No próximo dia 19 de novembro de 2018, pelas 15h00, na Sala do Instituto de Estudos Brasileiros (FLUC, 5º piso), Eduardo Sterzi (Unicamp – Universidade Estadual de Campinas) fará uma aula aberta intitulada “A Pele das Palavras e o Fantasma da Poesia: a dimensão monstruosa do poema”. Esta iniciativa é organizada pelo Instituto de Estudos Brasileiros e pelo Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura.

Um momento decisivo para a história da poesia brasileira moderna e contemporânea é aquele em que os poetas concretos, depois de anos de progressiva racionalização e geometrização das formas, alcançaram um limite a partir do qual, sob a pressão do real, se viram como que forçados a absorver o informe nos seus poemas. Uma interpretação fácil deste momento nos levaria a identificar as origens de tal distensão na necessidade de responder criativamente à dissidência neoconcretista assim como no encontro com a Tropicália. Porém, para se contar essa história, talvez seja preciso recuar um pouco mais. Há toda uma dimensão do toque e do contato – mas também do choque e do impacto – que as estéticas e poéticas convencionais costumam deixar de lado. A subjetividade incorpórea e despojada de experiência daí resultante fez uma de suas últimas grandes aparições no auge geometrizante e combinatório da poesia concreta. Contudo, o corpo sempre volta. Esta constatação está na base do uso que um Haroldo de Campos já tardio fará de uma frase luminosa de Marx, da qual extraiu o título de um de seus livros de poemas: «A educação dos cinco sentidos é trabalho de toda a história universal até agora». Porém, muito antes desse livro de 1985, o corpo com seus cinco sentidos já fizera seu regresso triunfal nas obras de Haroldo e dos outros concretistas – assim como, sobretudo, nas daqueles que com eles aprenderam. É principalmente a incorporação (ou, mais exatamente, reincorporação) da escrita à mão à prática textual de concretistas e pós-concretistas que marcará uma virada crucial. Essa reemergência da mão se fará acompanhar, não por acaso, de um questionamento intenso, sobretudo porque interno à prática artística, da própria categoria poesia.

Eduardo Sterzi é professor de Teoria Literária no Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP. É autor de Prosa (poesia, 2001), Por que ler Dante (ensaio, 2008), A prova dos nove (ensaio, 2008), Aleijão (poesia, 2009), Cavalo sopa martelo (teatro, 2011) e Maus poemas (2016), além de ter organizado o livro Do céu do futuro: cinco ensaios sobre Augusto de Campos (2006). Em 2015, foi um dos curadores, com Veronica Stigger, da exposição Variações do corpo selvagem: Eduardo Viveiros de Castro, fotógrafo, no SESC Ipiranga.

Congresso Internacional “Hacia un Primer Teatro Clásico Español”

14/11/2018

Imagen de “Tragicomedia llamada Nao d´amores”, coproducción de Nao d´amores y Companhia de Teatro de Almada.

Texto de Nuno Meireles.

Decorreu na semana passada, dias 5 e 6 de Novembro, na Facultad de Filología da Universidad Complutense de Madrid, o I Congreso Internacional Hacia un Primer Teatro Clásico Español.

Este Congresso, reunindo investigadores de Espanha, EUA e França, emerge do projecto de investigação com o mesmo nome, do Instituto de Teatro de Madrid (ITEM), da Universidad Complutense de Madrid. Nos objectivos deste projecto pode ler-se:

“En este proyecto se propone la creación de una plataforma (física y virtual) que sirva para la investigación del Primer Teatro Clásico en terrenos textuales, escénicos y literarios, llamada PTCE, promoverá investigaciones sobre la historia escénica y literaria, a la par que ofrecerá ediciones críticas cuidadas de un corpus significativo de piezas teatrales quinientistas y pondrá a disposición del público general y de los investigadores un portal específico con los resultados. El proyecto conecta con los estudios textuales, escénicos, filológicos y de las digital humanities. En una base de datos aneja sobre el teatro del siglo XVI que ayudará a la difusión y canonización de esta rica práctica teatral.”

Tanto o Instituto de Teatro de Madrid como o projecto de investigação beneficiam da direcção de Julio Vélez Sainz, também editor, entre outros, da mais recente edição crítica do Teatro de Torres Naharro.

O próprio nome do Congresso é todo um programa, recentrando o nosso olhar no período entre 1496 e 1543. Afirma-se assim o valor fundacional de Lucas Fernández, Torres Naharro, Fernán Pérez de Oliva, Cristóbal de Virués, Fernando de Rojas, entre outros.

A valia teatral deste primeiro teatro espanhol foi bem acentuada na estrutura do programa do Congresso, com paineis sobre Torres Naharro, Teatralidade e Teatro, Simbologia Teatral, Tragédia e Encenação. 

Sempre balançando entre a filologia e a cena, os trabalhos começaram com a conferência de Miguel Ángel Pérez Priego, decano dos estudos sobre o teatro do século XVI, e acabaram com a conferência de Ana Zamora, destacada encenadora que se dedica ao teatro deste período, no que já foi chamado de “Teatro Renascentista Contemporâneo”.

Para um observador português (como o autor destas linhas) é inevitável admirar a vitalidade deste Estado da Arte e as múltiplas chaves de leitura que foram trazidas em sucessivas comunicações. Não espanta menos o rigor e profundidade com que os investigadores se têm dedicado a este corpus, seja para a elaboração de edições críticas, estudos de pós-doutoramento ou doutoramento, para além de investigações artísticas tendo em vista a sua encenação. 

Ao longo dos dois dias abordaram-se fontes, sentidos de passagens obscuras, textos inéditos, estilos e inovações, análise da métrica ou de descritores espaciais, padrões temáticos, a recente fortuna cénica, várias possibilidades de teatralização e encenação. Ainda que sejam de enfrentar dificuldades de inserção nos curricula e uma precipitada acusação de primitivismo que ainda pesa sobre este corpus, constata-se que este Primer Teatro está vigoroso e estimulante, tanto como campo de estudo como no campo criativo.

Devo destacar dois nomes que estiveram muito presentes (no olhar deste assistente português), ainda que em contornos muito diferentes. Os nomes de Aristóteles e Gil Vicente.

Foi sobejamente evidenciado que este primeiro teatro clássico espanhol se desenvolvia antes de uma concepção aristotélica de teatro, tendo muitos destes autores inovado em sentidos muito alheios à Poética. Por outro lado, será impossível compreender as Obras de Gil Vicente sem ser num quadro ibérico e em diálogo com estes autores, como já entre nós sublinhara Maria Idalina Resina Rodrigues (De Gil Vicente a Lope de Vega, Vozes cruzadas no teatro ibérico) e, mais recentemente, José Augusto Cardoso Bernardes (Sátira e Lirismo no teatro de Gil Vicente). Vemos neste Congresso a mais assertiva confirmação dessas teses, porque se torna claro (para o leitor e espectador de Gil Vicente) como é ibericamente o mesmo contexto de escrita e cena, com temas, propósitos, figuras, géneros, todos em circulação peninsular. A este propósito, não podemos deixar em branco a afirmação de Ana Zamora de que Gil Vicente é autor a que voltará sempre, que deveria estar em cena todos os anos. (Recordo que, do dramaturgo português, esta encenadora já levou à cena A Tragicomédia de Dom Duardos, Auto da Sibila Casandra, Auto dos Quatro Tempos e a Tragicomédia chamada da Nao d´Amores.)

Por estes dias, em Portugal representa-se a Embarcação do Inferno, de Gil Vicente, e em Espanha a Comedia Aquilana, de Torres Naharro.

A circulação deste primeiro teatro clássico continua, e está viva. Como no séc. XVI.

Conferência de Felipe Cussen

24/10/2018

© Cartaz de Rui Silva.

No próximo dia 9 de novembro de 2018, pelas 11h00, na Sala Ferreira Lima (FLUC, 6º piso), Felipe Cussen (Universidade de Santiago do Chile) fará uma conferência intitulada “Libros Invisibles”. Esta iniciativa é organizada pelo Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura e Centro de Literatura Portuguesa (CLP), com o apoio do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Santiago do Chile. Felipe Cussen colaborou anteriormente com o Programa como editor do volume 5.1 (2017) da revista MATLIT, dedicada ao tema “Vox Media: O Som na Literatura” e, na qualidade de professor convidado, através da conferênca “Cajas” e da apresentação do seu próprio trabalho de poesia sonora.

Felipe Cussen es doctor en Humanidades por la Universitat Pompeu Fabra e investigador del Instituto de Estudios Avanzados de la Universidad de Santiago de Chile. Sus investigaciones se sitúan en la literatura comparada, especialmente la literatura experimental, las relaciones entre poesía y música, y la mística. Actualmente dirige el proyecto Fondecyt #1161021 “Poéticas negativas”. Colabora con el músico Richi Tunacola en el dúo Cussen & Luna, y pertenece al Foro de Escritores y Collective Task. En los últimos años ha publicado el disco “quick faith” (records without records, 2015) y ha participado en varios encuentros de poesía sonora, improvisación y música experimental. Además ha publicado los libros Explicit ContentClosed Caption   Regional Restrictions (Gauss PDF, 2015, 2016 y 2017), Letras (Gegen, 2017), This is me (Lulu, 2018), y el proyecto Correcciones (Information as Material, 2016), que también pueden descargarse gratuitamente.

MATLIT em 90 segundos

15/10/2018

Dez estudantes de Materialidades da Literatura apresentam os seus projetos de investigação: Ana Albuquerque e Aguilar, Ana Sabino, Cecília Magalhães, Diogo Marques, Giorgia Casara, Joana Fonseca, Marie Claire De Mattia, Raquel Gonçalves, Sofia Escourido e Tiago Santos. Gravações realizadas a 11 e 12 de julho de 2018 pelo Gabinete de Comunicação e Imagem da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Em 2010-2011, começou na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra um novo Programa de Doutoramento com a designação de “Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura”. O seu caráter inovador foi reconhecido em 2013 com o financiamento como Programa de Doutoramento FCT (25 bolsas atribuídas entre 2013 e 2018). Organizado desde o início segundo uma dinâmica colaborativa de grupo de investigação e com um perfil internacional, o objetivo deste Programa é construir novas teorias, novos métodos e novos objetos a partir da análise das materialidades da comunicação na arte literária. A pergunta “O que são as Materialidades da Literatura?” – feita por quem encontra esta designação pela primeira vez – é também a pergunta que a nossa investigação formula e à qual procura responder. A série de vídeos MATLIT em 90 segundos, produzida pelo Gabinete de Comunicação e Imagem da FLUC, pretende divulgar o Doutoramento em Materialidades da Literatura através de uma amostra dos temas de trabalho dos/as nossos/as doutorandos/as.

 

Investigação Científica, Monopólios do Conhecimento e Humanidades Digitais

08/10/2018

Encontro_Roma3_24-25Oct2018

Nos próximos dias 24 e 25 de outubro de 2018 decorre, no Departamento de Ciências Políticas da Universidade de Roma Tre, o encontro “La investigación científica, los monopolios del conocimiento y las Humanidades Digitales: Perspectivas críticas desde el Sur de Europa“. Organizado por Domenico Fiormonte (Università Roma Tre) e Manuel Salamanca López (Universidad Complutense), este encontro dá continuidade a um projeto iniciado em 2 de junho de 2016, com um seminário na Universidade de Málaga (“#CSHDSur: Ciencias Sociales y Humanidades Digitales del Sur”), ao qual se seguiu, a 20 de abril de 2017, a mesa-redonda “Digital humanities/ Humanidades Digitales / Informatica Umanistica: Un diálogo intercultural“, na Universidade de Roma Tre. Estes encontros têm como objetivo refletir sobre a geopolítica das Humanidades Digitais e as práticas e modelos hegemónicos na produção e disseminação de conhecimento nas ciências sociais e humanidades.

Temática do encontro

Nos últimos anos, a disseminação global das Humanidades Digitais abriu o caminho para uma visão mais crítica do uso da tecnologia da informação na esfera cultural. Em particular, questionando até que ponto as metodologias, standards, aplicações e ferramentas utilizadas globalmente em projetos que estão cada vez mais interconectados e interdependentes refletem certas predisposições, isto é, limites e vínculos culturais, bem como determinados interesses económicos, sociais, geopolíticos, etc. dos países e das áreas geográficas e linguísticas em que são produzidos. Obviamente, a discussão sobre os vínculos culturais da tecnologia tem uma longa tradição, mas o impacto das tecnologias de rede sobre a diversidade cultural está ainda pouco estudado.

Neste contexto teórico, as questões específicas abordadas neste encontro serão: 1) desigualdades (sociais, linguísticas, económicas, etc.) no acesso às tecnologias, ferramentas e aplicações através das quais a disseminação e a gestão do conhecimento em ciências humanas e sociais hoje se baseia (das plataformas de publicação de grupos privados como Elsevier, etc. ao desafio de OpenCon [Open Access, Open Data, Open Education]); 2) a concentração, cada vez mais prejudicial, em poucas mãos da maioria destes conteúdos, ferramentas e tecnologias; 3) o impressionante oligopólio anglo-americano e norte-europeu da publicação científica e académica; 4) o efeito negativo que todas essas concentrações (não só de propriedade, mas de códigos e linguagens) têm sobre a diversidade linguístico-cultural e sobre a liberdade e autonomia da investigação.

O objetivo deste encontro é trocar experiências e promover maior consciencialização ao nível dos países do Sul da Europa em relação a estas problemáticas, intimamente interligadas. Sem uma análise crítica dos processos em curso, qualquer digitalização implicará o risco de consolidar e reforçar as desigualdades sociais, económicas, políticas, culturais e tecnológicas na Europa.

Materialidades da Literatura na Universidade Leuphana de Luneburgo

08/10/2018

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Texto e fotos de Liliana Vasques.

 

Entre os dias 19 e 22 de setembro de 2018 decorreu em Luneburgo (Alemanha) a Conferência Digital Cultures: Knowledge/Culture/Technology. Liliana Vasques, estudante do Programa, participou com a comunicação “The writing is in the mix – the ecology of remix in digital poetry”.

“What are digital cultures? We just don’t know.” Estas foram declarações ouvidas na abertura da Conferência. Ousadas o suficiente, controversas na exata medida, estas frases refletem, também, a abrangência de áreas de conhecimento e de pessoas presentes nos 4 dias da conferência. O tom da organização caracterizou-se por essa abertura ao admitir que, com a devida sustentação, quase qualquer área académica pode contribuir para entender o que é cultura digital ou o que são culturas digitais.

A conferência foi coorganizada pelo Centre for Digital Cultures da Leuphana University Luneburg e pelo Institute for Culture and Society da Western Sydney University. É parte de uma série de conferências internacionais iniciadas em 2011 cujo enfoque vai alternando: Economia (Sydney, 2014), Globalização, Modernidade e Mudança Urbana (Hanoi, 2016), Ecologias (Santiago, 2017).

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Luneburgo é a cidade que acolhe o campus da Universidade de Leuphana e, a par das comunicações e contribuições ouvidas na conferência, contribuiu para uma reflexão mais ampla. A cidade tem uma História fortemente ligada à do Nazismo — em 1932 Hitler proferiu um discurso célebre na Praça MTV e Himmler suicidou-se, em Maio de 1945, nesta cidade. Por outro lado, o campus de Leuphana foi, nessa altura, um aglomerado de casernas (Scharnhorst barracks) do regime hitleriano. Nos anos 90, esta construção foi apropriada pelo contexto universitário criando uma justaposição entre a função anterior (associada ao autoritarismo, ao genocídio) e a atual, que serve a reflexão, a investigação, a inovação.

Seis temas centrais organizaram a conferência — Histories, Environment, Economies, Subjectivities, Collectivities, Futures. Decorrentes destes, diversos assuntos foram abordados nas sessões principais com Keynote Speakers. Jennifer Gabrys levou o tema da sensorização do ambiente, Wendy Chun relacionou os efeitos atuais dos social media com processos de eugenização e segregação racial, e Simon Denny falou-nos de Blockchain e das agendas financeiras e políticas dos seus fundadores. Houve, também, outros formatos de apresentação que reuniram mais de uma centena de comunicações: spotlight panels, curated panels e concurrent sessions. Os temas incluíram: estudos pós-coloniais, arquitetura e estudos urbanísticos, sociologia digital, disability e media, ciência computacional, eugenia, digitalização e ética, humanidades digitais, etc.