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Curso Breve: “Combinatória e geração textual”

22/11/2018

© Cartaz de Rui Silva.

Nos próximos dias 14 de dezembro (16h-20h) e 15 de dezembro de 2018 (9h-12h), e ainda 4 de janeiro de 2019 (14-17h), Rui Torres (Universidade Fernando Pessoa) e Bruno Ministro (UC, Materialidades da Literatura) lecionam o Curso Breve “Combinatória e Geração Textual”. Trata-se de uma organização do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura, com o apoio do Centro de Literatura Portuguesa e do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

COMBINATÓRIA E GERAÇÃO TEXTUAL
Rui Torres & Bruno Ministro

A literatura eletrónica promove a utilização do computador como ferramenta criativa: uma máquina de amplificação da complexidade. Neste curso será discutida e exercitada a possibilidade de programação de textos de matriz combinatória, incluindo utilização de texturas sonoras. Para tal, será feito um breve enquadramento histórico da escrita enquanto espaço de experimentação e invenção, serão analisados exemplos de obras de literatura digital combinatória programadas com ferramentas semelhantes, a que se seguirá a programação de textos combinatórios usando o Poemario.js, de Rui Torres e Nuno Ferreira.

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Conferência de Manaíra Aires Athayde

22/11/2018

© Cartaz de Rui Silva.

No próximo dia 14 de dezembro de 2018, pelas 11h00, na Sala Ferreira Lima (FLUC, 6º piso), Manaíra Aires Athayde (Centro de Literatura Portuguesa) fará a conferência Shared experiences, ou como preencher o mundo com fridas”. Esta iniciativa é organizada pelo Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura e Centro de Literatura Portuguesa (CLP).

Resumo

Cinquenta anos após a morte de Frida Kahlo, a diretora da Casa Azul decidiu abrir um cômodo do museu – originalmente utilizado como casa de banho – que até aí permanecera encerrado, primeiro pela vontade expressa do marido da artista, Diego Rivera, que insistira que o banheiro não poderia ser aberto senão quinze anos após a sua morte, e, depois, da amiga do casal a quem Rivera confiara os destinos do museu. Ora, essa divisão tinha a particularidade de conter, intocado, o arquivo de Frida Kahlo (fotografias, cartas, diários, desenhos, roupas, entre outros objetos), que fora armazenado nesse espaço depois da sua morte. A exploração do arquivo, a partir de 2004, transformou toda a nossa imagem da artista, revelando outras dimensões do seu trabalho. Assim, o que aqui pretendo analisar é o modo como a descoberta desse material arquivado e a sua recodificação através do digital tem contribuído decisivamente para a difusão massiva da imagem de Frida. O meu argumento principal é o de que essas diversas imagens – que se popularizam desde os mais variados artefatos e souvenires a vídeos com milhares de views no Youtube e perfis que somam mais de dez milhões de seguidores no Facebook e no Instagram – resultam de como a descoberta dos materiais e a sua digitalização se articulam poderosamente com a emergência de um mundo cada vez mais digital e online. Dessa forma, tentaremos pensar a equivalência entre o autor e seu arquivo diante de novas experiências estéticas e sociais neste século XXI.

Manaíra Aires Athayde é investigadora do Centro de Literatura Portuguesa (CLP), da Universidade de Coimbra, onde concluiu o doutorado em Materialidades da Literatura, com a tese “Ruy Belo e o Modernismo Brasileiro. Poesia, Espólio”, com auxílio de bolsa Capes. Foi professora visitante da Área de Estudos Portugueses e Brasileiros, na Universidade de Salamanca. Organizou o livro Literatura Explicativa: Ensaios sobre Ruy Belo (Assírio & Alvim, 2015) e fez parte da produção do documentário Ruy Belo, Era Uma Vez (RTP, 2014). Nos últimos anos, tem-se dedicado à literatura comparada, aos estudos literários e estudos de mídia, ao trabalho em espólios e arquivos literários. Tem ensaios publicados em diversas revistas especializadas em vários países. A sua tese de doutoramento (“Ruy Belo e o Modernismo Brasileiro. Poesia, Espólio”) foi recentemente distinguida com o Prémio Mário Quartin Graça (edição de 2018) na categoria de Ciências Sociais e Humanas. Resultante de uma parceria entre o Banco Santander em Portugal e a Casa da América Latina, este prémio visa estimular a formação de investigadores latino-americanos e portugueses em temas de interesse mútuo para Portugal e a América Latina.

Estado da Arte 12

22/11/2018

Monkey Connectome

Tal como previsto no plano anual de atividades do Programa, realiza-se no próximo dia 13 de dezembro de 2018, quinta-feira, na Sala Ferreira Lima (6º piso, FLUC), a décima segunda sessão do ‘Estado da Arte’. Estas sessões, que se realizam uma vez por semestre, destinam-se à apresentação do trabalho em curso pelas autoras e autores dos diferentes projetos de doutoramento.

Trata-se de fazer uma descrição sucinta do estado atual e do progresso da investigação. As apresentações centram-se no trabalho realizado durante o último semestre, mostrando como esse trabalho se refletiu diretamente no desenvolvimento da tese (número de páginas escritas e capítulos concluídos ou revistos; eventuais alterações da estrutura de capítulos e secções tal como estava definida em fases anteriores do projeto; desvio do cronograma inicial; dilemas e dificuldades; previsão de conclusão).

Este encontro periódico destina-se a reforçar a cultura de debate interno e a acompanhar de perto a elaboração das teses de doutoramento. Trata-se de uma iniciativa aberta apenas aos discentes e docentes do Programa.

Conferência de Patrícia Lino

22/11/2018

© Cartaz de Tiago Santos.

No próximo dia 11 de dezembro de 2018, pelas 11h00, tem lugar no Instituto de Estudos Brasileiros (5º piso, FLUC) a conferência de Patrícia Lino “Auto-crítica e voo: O experimentalismo de Ferreira Gullar”. Patrícia Lino ensina na Universidade da Califórnia, Santa Barbara, onde se doutorou em Literatura Brasileira. Publicou e apresentou ensaios, artigos e ilustrações sobre diversos autores(as) e organizou vários colóquios e conferências em Portugal, no Brasil e nos Estados Unidos. Tem vindo a dedicar-se ao estudo da relação entre poesia e imagem no contexto da poesia brasileira contemporânea. Esta iniciativa é uma organização do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura e do Instituto de Estudos Brasileiros da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

O movimento de Poesia Concreta e os(as) integrantes do Poema/processo devem o experimentalismo e, sobretudo, a exploração da tridimensionalidade a Ferreira Gullar, cujo projeto intersemiótico — nem sempre ao nível da qualidade dos objetos de Augusto de Campos ou Wlademir Dias-Pino —, introduziu práticas inéditas no contexto das vanguardas do séc. XX brasileiro. A partir do questionamento modernista do livro e da entrada do poema e teoria concretos na vida cultural brasileira, proponho a leitura de volumes e objetos como Poemas (1958), os livros-poema (1958-59) ou O Poema Enterrado (1959) com vista à compreensão de trabalhos e conceitos propostos imediatamente a seguir e com evidente repercussão até aos dias de hoje.

Seminário “O Ato da Palavra: Poesia, Performance, Coletivos e Redes Afetivas”

22/11/2018

© Cartaz de Rui Silva.

No próximo dia 7 de dezembro de 2018, entre as 17h00 e as 20h00, na Sala do Instituto de Estudos Brasileiros (5º piso, FLUC), Frederico Fernandes (Universidade Estadual de Londrina) fará o seminário Seminário “O Ato da Palavra: Poesia, Performance, Coletivos e Redes Afetivas”. Esta atividade é organizada pelo Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura e pelo Instituto de Estudos Brasileiros, com o apoio do Centro de Literatura Portuguesa e do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Coimbra.

Sinopse

Os mecanismos de produção da poesia na contemporaneidade desenham-se a partir e, principalmente, da formação de coletivos e da disseminação do texto em performance, que têm como corolário a revalorização da voz. Isso não é um fenômeno apenas identificado no Brasil, mas também é observado na trajetória de poetas como Enzo Minarelli, Dick Higgins, Nanni Balestrini, Richard Kostelanetz, Charles Amirkhanian, Bernard Heidsieck, Charles Bernstein, entre outros. O culto à performance e à necessidade de organização de coletivos transcendem as fronteiras nacionais do fazer poético e situam a poesia numa zona limiar entre a performance e a criação, a inspiração e a materialidade, a recepção e a afetividade.

É essa zona que denominamos o “ato da palavra”. Nela, o poeta contemporâneo desempenha um duplo papel: ele assumirá a posição de enunciador (a subjetivação do poema) e de enunciado (a posição de sua obra), numa relação anafórica.

Entender a produção poética nesta perspectiva implica adentrar os meandros do implexo sistema literário brasileiro contemporâneo e alcançar uma compreensão de como a produção poética se realiza em seu meio. O desafio da crítica reside, desse modo, em também compreender os atores sociais da produção literária e os vários papeis que desempenham.  É na análise do ato que emerge a crítica às regras do campo do fazer literário e, também, as estratégias e investidas de seus agentes para mantê-las ou modificá-las. O ato tem a ver diretamente com a arte em seu mecanismo de produção, compreende um locus de atuação e interação, o qual também terá seus reflexos na representação espacial do poema. Insinua hierarquias e tradições que atravessam a arte ou formas de relacionamento de pessoas com instituições, as quais podem tanto ser combatidas como corroboradas por gerações distintas. Incita o associativismo por meio de desenvolvimento de projetos comuns. Age sobre os limites do coletivo poético, expandindo ou encolhendo sua capacidade de penetração social e midiática. Subvenciona a migração e a simultaneidade do corpo da poesia: a permanência do texto impresso aliada à circulação digital e/ou performático.  Desse modo, o ato da palavra acautela a mudança necessária à sobrevivência da arte.

Este seminário traz para mesa uma reflexão sobre a produção poética contemporânea, por meio da investigação do ato da palavra, tomando como base pesquisas realizadas no coletivo de poetas denominado Rede Londrix. Nosso objetivo é propiciar um referencial teórico a estudantes e pesquisadores da pós-graduação interessados na materialidade poética, de modo a fornecer a eles um instrumental teórico-crítico para suas análises.

Palavras-chave: ato da palavra, poesia contemporânea, performance

Lançamento de “Polypoetry 30 Years 1987-2017”

22/11/2018

No próximo dia 6 de dezembro de 2018, pelas 18h30, será apresentado no Salão Brazil, na baixa da cidade de Coimbra, o livro Polypoetry 30 Years, 1987-2017. O livro, editado pelo poeta italiano Enzo Minarelli e pelo Professor Frederico Fernandes, na imprensa da Universidade Estadual de Londrina, Eduel Internacional, pretende desenhar mapas sobre manifestações de polipoesia na Europa e nas Américas. Reúne estudiosos e artistas que dedicaram o seu trabalho para entender as expressões de vanguarda em linguagens impressas, sonoras e visuais, bem como para demonstrar como o experimentalismo afeta o mundo numa perspectiva política e estética. O lançamento conta com a presença de um dos editores do livro, Frederico Fernandes, e com a participação de Nuno Neves e Diego Giménez.

Polypoetry means the art that vibes the sound and melts the logic of the word, attesting the vivacity of voice, the presence of a body by the gesture, and the visual motion from the projection of successive images during a performance. Polypoetry means a way to do art, and a way to be poetry, thus emancipating people in society by the reflexive, innovative use of language. Polypoetry is the presence of poetry that effects. This book aims to draw maps about Polypoetry manifestations around Europe and Americas. It gathers scholars and artists who dedicated their work to understanding the avant-garde expressions in print, sound, and visual languages, as well as to demonstrate how the experimentalism affects the world in a political and aesthetical perspective.

Polypoetry represents that kind of totality poets have been looking forward to finding out since ever. And in a way, it is a complete performance from manifold points of view, electronic experimentalism can effectively be coupled with language. That of the language is a very important element, because we always have to start from it, trying to overcome the typical anxiety of the message at any cost, but at the same time, as we have always stated, the polypoets have the responsibility to set their own aim towards literature, an alternative path to reach the great achievements of official poetry”.

Esta apresentação integra-se nas atividades do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura e do Instituto de Estudos Brasileiros, com o apoio do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. O Salão Brazil e o Serviço Educativo JACC coorganizam o evento como anfitriões.

Enzo Minarelli has been developing his multiple activities, starting from the written word which will become related to orality, visuality, performance and television. He has been active in the field of linear and visual poetry, several one-man shows, editing also records, CDs and DVDs. He is the theorist of Polypoetry (its manifesto comes out at Valencia in 1987), stating the spectacular event of sound poetry, he has been performing nationally and abroad. He has been the publisher of the vinyl series 3ViTre Records, producing about twenty records both single and LP, founding the 3Vitre Archive of Polypoetry which has been collecting verbo-voco-visual materials, now permanently available at Lincoln Center in New York and at Bologna University.

Frederico Fernandes is currently a full professor and PhD supervisor at the Department of Portuguese Language and Literature at The State University of Londrina (Paraná-Brazil). He has co-founded and edited the Boitatá journal, specialized in oral poetry, and also coordinates the Portal de Poéticas Orais. He was a visiting professor at Brock University in Canada in 2008, at the University of Bologna in Italy in 2014, and at Minjiang University in China in 2018. He holds grants from Brazilian national funding agencies including CNPq (National Council for Scientific Research) and CAPES.

Curso Breve: “Entendendo Polipoesia”

22/11/2018

© Cartaz de Rui Silva.

No próximo dia 5 de dezembro de 2018, entre as 14h30 e 18h00, na Sala do Instituto de Estudos Brasileiros (5º piso, FLUC), Frederico Fernandes (Universidade Estadual de Londrina), leciona o curso breve “Entendendo Polipoesia”. Atividade organizada pelo Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura e pelo Instituto de Estudos Brasileiros, com o apoio do Centro de Literatura Portuguesa e do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Coimbra.

Sinopse

Em 2017, o Manifesto da Polipoesia completou 30 anos de lançamento. Em linhas gerais, pode-se dizer que este manifesto de vanguarda, apresentado em Valência (Espanha) pelo poeta italiano Enzo Minarelli, encara questões cruciais para o campo das vanguardas, que se tornaram contundentes na virada do século XX para o XXI, tais como: o emprego das tecnologias na poesia, a performance, a linguagem sonora e visual. A Polipoesia não possui bem uma nacionalidade, ela se espalhou pela Europa e América, com vários adeptos e praticantes. Sua característica principal reside no experimentalismo poético, de múltiplas linguagens. Este pequeno curso tem por objetivo refletir sobre a polipoesia e seus impactos no campo literário. Para tanto, serão abordados os seguintes tópicos:

Parte 1:

  1. Antecedentes vanguardista e linguagens remanescentes.
  2. Poesia abstrata, performance da contemplação.
  3. O Manifesto da Polipoesia

Parte 2:

  1. O que é um multipoeta?
  2. Instituições invisíveis, o alcance da produção polipoética
  3. Performance polipoética: práxis e política.

Objetivo:

Levar o estudante de pós-graduação a tomar contato com movimentos experimentais de vanguarda com o intuito, principalmente, de fazê-lo refletir sobre a utilização de novas tecnologias no campo do fazer poético-experimental.

Referências:

Agamben, Giorgio (1994). L’uomo senza contenuto. Macerata: Quodlibet.
Bürger, Peter (1984). Theory of The Avant-Garde. Translated by Michael Shaw. Minneapolis: University of Minnesota Press.
Cauquelin, Anne (2005). Arte Contemporâena: uma introdução. Translated by Rejane Janowitzer. São Paulo: Martins Fontes.
Debord, Guy (1994). The society of Spectacle. Translated by Donald Nicholson­Smith. New York: Zone Books. In: http://www.antiworld.se/project/references/texts/The_Society%20_Of%20_The%20_Spectacle.pdf
Even-Zohar, Itamar (1990). “Polissystem Stuidies.” In: Poetics Today. International Journal for Theory and Analysis of Literature and Communication. vol.11, n.1, p.1-268.
Minarelli, Enzo (1999). “The Manifesto of Polypoetry Is 12 Years Old”. In:  http://glukhomania.ncca-kaliningrad.ru/pr_sonorus.php3?blang=eng&t=0&p=27
Minarelli, Enzo (2005). Polipoesia Mon Amour. Pasian di Prato: Campanotto Editore.
Minarelli, Enzo (2010). Polipoesia entre as poéticas da voz no século XX. Translated by  Frederico Fernandes, Londrina: Eduel.
Minarelli, Enzo (2010ª). NemBROT e Altri Lbri & Oggetto 1974-2010. Sordevolo: Zero Gravità.
Minarelli, Enzo (2014). As razões da voz: entrevista com protagonistas da poesia sonora no século XX. Edited and Transleted by Frederico Fernandes. Londrina: Eduel.