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Guia do Curso

Esta página contém o Guia do Curso de Doutoramento em Materialidades da Literatura, um documento de natureza pedagógica que descreve o funcionamento e a organização das práticas lectivas. Contém também um Manual de Estilo com orientações relativas às práticas e normas de escrita académica [Disponível em breve]. Contém ainda orientações e ligações úteis na pesquisa de catálogos bibliográficos e de documentos em linha, e sobre metodologia do trabalho científico em linha.

This page contains the Guide for the Ph.D. Program Materialities of Literature, a pedagogical document that describes the program’s teaching practices. It includes a Style Manual with general guidelines concerning standards and practices for academic writing. [Available soon] This page also contains useful information and links on searching bibliographic catalogues and online documentation, including methods for online scholarship.


A. Pesquisa

1. Pesquisa Bibliográfica nas Bibliotecas da UC

2. Pesquisa Bibliográfica na PORBASE – Base Nacional de Dados Bibliográficos

3. Pesquisa de Fontes em Linha

4. Acesso Remoto à Rede da Universidade de Coimbra

5. British Library

6. Library of Congress

B. Repositórios Científicos Digitais

Estudo Geral:  Repositório Digital da Universidade de Coimbra

RCAAP: Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal

b-on: Biblioteca do Conhecimento Online

DOAJ: Directory of Open Access Journals

JournalSeek: A Searchable Database of Online Scholarly Journals

SciELO: Scientific Electronic Library Online

JSTOR: Journal Storage

Open Humanities Press

OpenEdition

Project MUSE

Taylor & Francis Journals

John Benjamins e-Platform

Arts & Humanities Citation Index

JISC: Joint Information Systems Committee

List of Academic Databases and Search Engines [Wikipedia]

C. Agregadores, Redes e Infraestruturas Digitais para as Humanidades

Europeana

Digital Public Library of America

FCCN: Fundação para a Computação Científica Nacional

DARIAH-EU: Digital Research Infrastructure for the Arts and Humanities

NeDiMAH: Network for Digital Methods in the Arts and Humanities

DiXiT: Digital Scholarly Editions Initial Training Network

D. Ferramentas e Plataformas Digitais

DigLitWeb Ferramentas [lista de hiperligações para ferramentas informáticas de análise textual, edição textual, colecção digital, visualização de dados e colaboração em linha; inclui também aplicações usadas na produção de literatura digital]

Digital Humanities – Software para as Humanidades [colecção da UC, da autoria de Joaquim Ramos de Carvalho, publicada na plataforma i-Tunes U; os episódios 2, 3, 4 e 5 são dedicados ao programa de gestão bibliográfica ZOTERO]

Freemind [programa de construção de mapas concetuais]

Scalar [plataforma hipermédia de escrita, edição e publicação, University of Southern California]

Scrivener [programa de escrita e edição, concebido para facilitar a organização de textos longos e complexos]

Zotero [programa de gestão bibliográfica, George Mason University]

E. Metodologias de Investigação Digital

BURDICK, Anne, Johanna Drucker, Peter Lunenfeld, Todd Presner and Jeffrey Schnapp (2012), Digital_Humanities, Cambridge, MA: The MIT Press.

GOLD, Matthew K. ed. (2012), Debates in the Digital Humanities, Minneapolis, MN: University of Minnesota Press.

PRICE, Kenneth M. and Ray Siemens, eds. (2013), Literary Studies in the Digital Age: An Evolving Anthology, New York: MLA.

A Guide to Digital Humanities (Center for Scholarly Communication and Digital Curation, Northwestern University)

F. Referências Bibliográficas

Normas Portuguesas para a Produção de Referências Bibliográficas

ABNT 6023: Norma Brasileira de Elaboração de Referências

MLA Style [Modern Language Association]

The Chicago Manual of Style

G. Práticas Escritas

Purdue OWL: Purdue Online Writing Lab

Writing Spaces

H. Nova Ortografia do Português

Bases do Acordo Ortográfico

Lince: Conversor para a Nova Ortografia



1. Pesquisa Bibliográfica nas Bibliotecas da UC

A informatização dos catálogos bibliográficos da Universidade de Coimbra, realizada nos anos 80 e 90, tornou possível localizar automaticamente a maior parte dos espécimes bibliográficos. O catálogo integrado da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, desde 2007 servido pelo programa Millennium, contém milhões de registos. Os registos do SIIB/UC (Sistema Integrado das Bibliotecas da Universidade de Coimbra) representam as colecções da Biblioteca Geral e ainda várias dezenas de bibliotecas das Faculdades, Institutos, e Centros de Documentação e de Investigação da UC.

Fica aqui a hiperligação para a página web de pesquisa avançada. O tópico ajuda, ao fundo daquela página, dispõe de meta-informação sobre os diferentes campos de pesquisa, designadamente sobre como tirar o melhor partido de um uso singular ou combinado dos diferentes campos de pesquisa Autor; Título; Autor e Título; Assunto; Cota; Número Normalizado (ISBN ou ISSN); Número de Documento Oficial; Qualquer campo. A pesquisa pode ser feita no catálogo integrado ou nos vários subcatálogos, com subdomínios como ‘localização’, ‘língua’, ‘país’, ‘ano’, ‘editor’, ‘tipo de material’, ‘nível bibliográfico’ e ‘pesquisa e ordenação’. Os resultados gerados pela pesquisa (simples ou avançada) surgem primeiro sob forma abreviada. As formas abreviadas contêm hiperligações para as fichas bibliográficas completas de cada item. Nesta ficha encontra-se a identificação da biblioteca onde está a obra, bem como a respectiva cota.

Não esquecer: ao introduzir termos de pesquisa, tenha em conta que a introdução de uma sequência de caracteres não coincidente com a sequência registada na base de dados não produzirá qualquer resultado. Exemplo 1: ‘shakespaere’ (por ‘shakespeare’) não produz qualquer resultado. Exemplo 2: ‘um ensaio sobre a cegueira’ (por ‘ensaio sobre a cegueira’) não produz qualquer resultado.

Não esquecer: quando fizer pesquisas em que pretenda cruzar um termo do campo Autor com um termo do campo Título, opte preferencialmente por apenas uma palavra de cada campo, uma vez que diminui a probabilidade de erros na introdução dos termos e aumenta a probabilidade de casar os termos de pesquisa com os termos da base de dados. A utilização do apelido do autor e de uma palavra identificadora do título permite geralmente localizar a obra específica procurada. Exemplo 1: ‘pessoa’ + ‘desassossego’ = ‘Pessoa, Fernando, Livro do Desassossego’; Exemplo 2: ‘pessoa’ + ‘o livro do desassossego’ = ‘não foram encontradas entradas’ (neste caso o artigo ‘o’, que está a mais, não permite a localização automática da ficha, uma vez que gera uma combinação de caracteres não existente na agregação dos dois campos pesquisados).

A página inteira com os resultados pesquisados ou apenas um conjunto de resultados marcados pelo utilizador podem ser guardados numa lista pessoal. Esta lista pode depois ser exportada automaticamente em cinco formatos de referenciação bibliográfica (ficha completa; ficha abreviada; Pro-Cite, End-Note/RefWorks ou MARC). A exportação pode ser feita para o ecrã do navegador web do computador do utilizador, para o disco do computador local ou para uma caixa de correio electrónico. Esta última opção é particularmente útil quando a pesquisa é feita nos terminais das bibliotecas, uma vez que permite ao utilizador enviar para a sua própria caixa de correio os resultados da pesquisa para uso posterior. A exportação dos resultados seleccionados tem a vantagem de tornar mais rápida a elaboração futura da bibliografia em qualquer trabalho.

Não esquecer: quando se incorporarem as fichas automáticas do SIIB/UC na bibliografia de um trabalho, devem seleccionar-se apenas os campos obrigatórios na identificação dos documentos [Autor + Título + Local de Edição + Editor + Data] e eliminar-se todos os restantes. Exemplo incorrecto: Pessoa, Fernando, 1888-1935. Livro do desassossego / composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa; ed. Richard Zenith. Publicação/Produção [Lisboa]: Círculo de Leitores, 2006. Descrição Física 479 p.; 25 cm. Série Obra essencial de Fernando Pessoa; ISBN 9724238067 Nº Dep Legal 244302/06. Exemplo correcto: Pessoa, Fernando. Livro do desassossego / composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. ed. Richard Zenith. Lisboa: Círculo de Leitores, 2006.

Manuel Portela [09 Nov 2008]



2. Pesquisa Bibliográfica na PORBASE – Base Nacional de Dados Bibliográficos

Nos últimos vinte anos, a integração dos catálogos das bibliotecas modificou radicalmente o acesso à informação bibliográfica. Ao permitir o acesso em linha a vastos corpora de metadados bibliográficos, os catálogos integrados em acesso público (OPACs) aceleraram extraordinariamente os processos de identificação, localização e compilação de fontes bibliográficas de informação. O desenvolvimento de normas de catalogação e de linguagens de marcação estandardizadas internacionalmente possibilitou a integração da informação e a sua pesquisa agregada. É esta a racionalidade que levou à criação da PORBASE na década de 80, cuja descrição actual é feita nestes termos:

«A PORBASE – Base Nacional de Dados Bibliográficos é o catálogo colectivo em linha das bibliotecas portuguesas, constituindo a maior base de dados bibliográficos do país na qual colaboram a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) e mais de 170 bibliotecas portuguesas de variados tipos e dimensões, tanto públicas como privadas. Criada em 1986, a PORBASE é coordenada pela BNP e está disponível ao público desde Maio de 1988.»

As 170 bibliotecas portuguesas referidas incluem a maior parte das bibliotecas universitárias (incluindo as Universidades de Coimbra, Porto e Lisboa), diversas bibliotecas de institutos politécnicos, várias bibliotecas públicas municipais, e ainda bibliotecas de museus e fundações, de direcções-gerais e outros departamentos governamentais, e de alguns arquivos distritais. Na base de dados são referidos quatro tipos de biblioteca: nacional, universitárias, públicas e especializadas. Estão representadas todas as regiões do país: Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, Madeira e Açores.

O modo de pesquisa elaborada permite procurar por palavras-chave nos campos autor, título, assunto, título de colecção, editor e local de publicação. No modo de pesquisa avançada quatro daqueles campos podem ser combinados entre si através dos operadores booleanos e/ou/não. Opcionalmente podem ainda usar-se os seguintes campos para limitar a pesquisa: biblioteca, tipo de biblioteca, região, tipo de documento (analíticos, monografias, periódicos e outros), língua e país. Podem ainda introduzir-se limites temporais referentes à data de publicação: entre o ano x e o ano y. Por último, é possível seleccionar o modo de apresentação dos resultados da pesquisa: por ordem alfabética do título ou por ordem cronológica do ano de publicação.

Tal como noutros catálogos em linha, o utilizador pode guardar uma lista com os resultados que verificam os critérios de pesquisa e enviá-la por correio electrónico – uma funcionalidade útil para a elaboração de uma lista bibliográfica ou para quando se faz a consulta num terminal que não o computador pessoal. A grande vantagem da PORBASE é poder verificar rapidamente a existência de uma determinado título num conjunto disseminado de bibliotecas (sem necessidade de aceder aos catálogos específicos) e poder verificar se está disponível numa biblioteca próxima do local onde nos encontramos. Deste modo, o acesso remoto aos dados bibliográficos integrados permite aumentar o universo de fichas bibliográficas consultadas e localizar a biblioteca mais próxima em que existe o item pesquisado. A PORBASE permite não só planear de forma mais eficaz a deslocação a uma biblioteca específica, mas tirar maior partido dos recursos bibliográficos colectivos de que dispomos, considerando-os como se se tratasse de itens de um único catálogo. Trata-se, num certo sentido, de um outro modo de universalizar a biblioteca: agregar o conjunto de livros de um número crescente de bibliotecas e agregar o conjunto dos seus utilizadores.

Exemplo de pesquisa elaborada:
1. Palavras-chave no título: «O Gene Egoísta»
2. Resultado da pesquisa em aberto: 4 registos verificam o critério introduzido (1ª edição portuguesa, 1989; 2ª edição portuguesa [revista e aumentada], 1999; 3ª edição portuguesa, 2003; 1ª edição brasileira, 1979)
3. Resultado se for restringida a pesquisa à Região Centro: 2 registos verificam o critério introduzido (1ª edição portuguesa, 1989; 2ª edição portuguesa [revista e aumentada], 1999)
4. Se, destes dois últimos registos, escolher a edição de 1999, verifico que há 4 exemplares desta edição na PORBASE, dos quais 2 se encontram em Bibliotecas da Universidade de Coimbra: Univ. Coimbra Bibl.Geral (com a cota 5-57-21-13) e Univ. Coimbra – Dep. Zoologia (com a cota QH 437. D38 1999). Esta pesquisa também me permitiu verificar que não existe nas bibliotecas da Região Centro qualquer exemplar da 3ª edição portuguesa, de 2003.

Não esquecer: registo corresponde a edição diferente, e não a exemplar, o que significa que a 4 registos podem corresponder mais do que 4 exemplares. No que se refere ao título pesquisado (O Gene Egoísta, de Richard Dawkins), existem na PORBASE os seguintes espécimes: 10 exemplares da edição portuguesa de 1989 + 4 exemplares da edição portuguesa de 1999 + 2 exemplares da edição portuguesa de 2003 + 1 exemplar da edição brasileira de 1979. Aos 4 registos correspondem portanto 17 exemplares.

Uma base nacional de dados bibliográficos deve, em última instância, contribuir para alargar o acesso aos livros para além dos limites intramurais das instituições que os possuem. Esse alargamento tem portanto uma dimensão social e uma dimensão geográfica. Uma vez redefinidas certas formas de uso através dos catálogos de acesso público em linha, a posse pública dos livros deve poder ser aquilo que deveria ser em todas as instituições: um meio de maximizar a distribuição e a partilha das informações, das ideias e das formas que contêm. Esta constitui, aliás, uma das grandes vantagens da tecnologia digital em todas as esferas sociais: a possibilidade de tornar mais públicas todas as funções públicas, incluindo a disseminação social do conhecimento produzido e adquirido pelas instituições de ensino e de arquivo através das aquisições bibliográficas para as respectivas bibliotecas.

A disseminação do conhecimento sobre o uso dos catálogos integrados é um passo preliminar na disseminação social do conhecimento e do uso dos livros e de outras fontes documentais, especialmente importante num contexto universitário. Os catálogos bibliográficos automáticos são estruturas de metadados que permitem representar a categorização do conhecimento e, nessa medida, são auxiliares imprescindíveis na representação da estrutura, actual e passada, de um determinado campo de conhecimento. Por isso a informação bibliográfica, enquanto informação sobre a informação, constitui um momento crucial de todos os processos de investigação científica. Do desenvolvimento da investigação e da divisão do trabalho intelectual, que se reflecte numa crescente especialização na produção de conhecimento, decorre a necessidade constante de actualização bibliográfica. As limitações nas fontes acessíveis a partir de uma única biblioteca, mesmo quando altamente especializada, podem ser colmatadas com o recurso agregado a outras bibliotecas que o catálogo integrado da PORBASE possibilita. O uso de catálogos automáticos integrados (consultar entrada anterior sobre Pesquisa bibliográfica nas bibliotecas da UC) constitui uma componente metodológica essencial nas práticas actuais do trabalho científico.

Manuel Portela [21 Dez 2008]



3. Pesquisa de Fontes em Linha

Para além das ferramentas de pesquisa dos catálogos bibliográficos integrados (ver entradas anteriores sobre Pesquisa Bibliográfica nas Bibliotecas da Universidade de Coimbra e Pesquisa Bibliográfica na PORBASE-Base Nacional de Dados Bibliográficos), a metodologia de investigação bibliográfica e webliográfica actual não dispensa uma boa utilização dos motores de pesquisa automática da Internet. Trata-se, como se sabe, de um universo informacional em expansão exponencial, quer por adição constante de novos ficheiros nos mais variados formatos, quer por migração de formas de meios anteriores para o espaço electrónico (formas impressas, bem como formas áudio e audiovisuais como a rádio, a música gravada, a fotografia, o cinema, a televisão e o vídeo). A crescente interactividade e o intenso dinamismo dos espaços de publicação na web, com a possibilidade de revisão e adição contínua de novos materiais, implicam a co-presença de modos institucionais e de modos individuais de publicação. Assim, ao lado de revistas científicas e de bases de dados e arquivos de natureza académica, sujeitos a procedimentos testados de selecção e validação por especialistas, surgem projectos individuais ou de grupo que funcionam de forma descentralizada. A profusão de materiais e fontes disponíveis coloca problemas específicos quando se trata de procurar, encontrar e utilizar materiais electrónicos em contexto académico. Muitas das instâncias de controlo da publicação no espaço público impresso não funcionam no espaço electrónico. Por isso os leitores/utilizadores não têm apenas que lidar com uma quantidade de informação excessiva, têm frequentemente de fazer uma triagem das fontes que encontram e avaliar da sua relevância, qualidade, autoridade e actualidade.

Os algoritmos de pesquisa desenvolvidos pelos principais motores de pesquisa automática são, em geral, eficazes quando se trata de encontrar páginas ou sítios web específicos. O facto de os administradores web participarem na indexação das páginas e sítios que publicam – por exemplo, descrevendo e indexando sumariamente as páginas nos próprios motores de pesquisa – contribui para que a informação pesquisada e a informação encontrada possam associar-se melhor. No entanto, a utilização dos motores para pesquisar fontes e informações desconhecidas pode ser por vezes frustrante, uma vez que muitas das hiperligações geradas automaticamente criam associações para fontes irrelevantes ou de má qualidade. Apesar de imaginarmos que deve existir algures um artigo ou uma base de dados sobre determinada matéria, a modalidade de pesquisa simples num motor genérico de pesquisa não permite localizar facilmente o ficheiro ou os ficheiros que podem ajudar-nos. A utilização de uma palavra ou de uma expressão na modalidade de ‘pesquisa simples’ (que é a utilizada na maioria das vezes) raramente é suficiente. Em geral, esta dificuldade pode ser ultrapassada de duas maneiras: conhecendo melhor as ferramentas de pesquisa dos vários motores existentes (em particular na modalidade de pesquisa avançada) e tentando especificar melhor os critérios de pesquisa que queremos verificar.

E este é afinal o problema fundamental quando nos dispomos a aprender e a investigar: não temos o conhecimento suficiente para saber como procurar. Não sabemos, por exemplo, usar a melhor combinação de uma sequência de caracteres com um conjunto de restrições de pesquisa que permitiriam encontrar a informação específica mais relevante para um dado assunto. Só conseguimos fazê-lo, muitas vezes, por tentativa e erro. Paradoxalmente, a existência de informação sob a forma electrónica incrementa a possibilidade de encontrarmos aquilo que não procurávamos, ou aquilo que não sabíamos sequer que poderíamos procurar, ou aquilo que não sabíamos sequer que existia. É nesta serendipia, libertadora e angustiante ao mesmo tempo, que reside o poder culturalmente transformador da revolução digital: a recombinação da escrita e da leitura e, portanto, a produção e reprodução do conhecimento pode ser feita sem estar limitada pela categorização classificatória das hierarquias da cultura do livro e das instituições do livro. Apesar disso, a retroalimentação entre a dimensão cognitiva e a dimensão metodológica do conhecimento – resultante do acaso interdiscursivo e inter-média das ligações – continua limitada pela nossa incapacidade de encontrar o que não sabemos como procurar e pelo reflexo dessa incapacidade nas ferramentas automáticas que concebemos para agregar o universo digital informacional. É como se não soubéssemos ainda tirar partido da flexibilidade categorial resultante da agregação associativa da informação.

No conjunto de exemplos que se seguem podem ver-se quer os limites de certas formas de pesquisa em linha habituais, quer o potencial de certas ferramentas disponíveis mas ainda subutilizadas. Imaginemos que procuro informação sobre o tema “biblioteca digital”, usando a ‘Pesquisa Simples’ em vários motores de busca. Foram estas as três primeiras hiperligações apresentados no topo da página de resultados numa pesquisa realizada no dia 2 de Abril de 2009:

1) No motor de pesquisa Google Pesquisa Simples [pesquisando a web]: 1) Biblioteca Nacional Digital; 2) Biblioteca Digital Camões;3) Biblioteca de Livros Digitais. Trata-se de três projectos portugueses. Neste caso, o uso da página portuguesa da Google fez com que a língua da expressão introduzida fosse interpretada como português, gerando ligações para páginas portuguesas no topo da lista.

2) No motor de pesquisaYahoo [web search]: 1) Biblioteca Digital Autónoma do Mexico ; 2) Biblioteca Digital ILCE [Instituto Latinoamericano de la Comunicacion Educativa, México]; 3) ArchNet Digital Library [‘international online community for architects, planners, urban designers, landscape architects, conservationists, and scholars, with a focus on Muslim cultures and civilisations’]. Trata-se de dois projectos mexicanos e de um projecto internacional escrito em inglês. Neste caso, o uso da página norte-americana da Yahoo fez com que a língua da expressão introduzida fosse interpretada como espanhol, gerando ligações para páginas mexicanas (proximidade linguística + proximidade geográfica). A terceira ligação mostra a existência de critérios de indexação que, permanecendo desconhecidos do utilizador, aumentam as probabilidades de uma página surgir no topo dos resultados.

3) No motor de pesquisa Bing: 1) World Digital Library Home; 2) Biblioteca Digital ILCE [Instituto Latinoamericano de la Comunicacion Educativa, México]; 3) Perseus Digital Library [Department of Classics, Tufts University, USA]. Neste caso, os resultados revelam também que a expressão foi assimilada ao castelhano e que outros critérios incrementam a posição da biblioteca digital clássica norte-americana, que surge mesmo sem a expressão “biblioteca digital” constar na sua página principal.

Nos três casos, estes resultados (assim como a maior parte dos constantes da primeira página de resultados) seriam irrelevantes para a minha pesquisa, que era sobre a temática e a problemática da “biblioteca digital” e não sobre projectos de digitalização de bibliotecas nacionais ou sobre serviços digitais de bibliotecas universitárias. No que se refere à procura de informação com valor científico, é em geral mais produtiva a utilização das ferramentas de pesquisa avançada dos motores de busca. Exemplifiquemos com o  motor de pesquisa Google Pesquisa Avançada. Por exemplo, estabelecendo as seguintes restrições: a) com a frase exacta “biblioteca digital” + b) mostrar páginas escritas em “português” + c) mostrar páginas localizadas em “qualquer região” + d) mostrar resultados em formato de ficheiro “PDF” + e) mostrar resultados em que os meus termos aparecem no “título da página”. Resultados: 1) Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra [Biblioteca Digital Colecção Clássicos da Literatura Portuguesa Porto Editora]; 2) Maria Manuel Borges, Biblioteca Digital: Materialização e Utopia [Revista da Faculdade de Letras do Porto, 2003]; 3) Maria Manuel Borges, Biblioteca Digital: Materialização e Utopia [uma outra versão do texto encontrado em 2]. Ou seja, a restrição relativa ao formato do ficheiro [PDF] excluiu da pesquisa automática todas as páginas noutros formatos, designadamente em html, eliminando os sítios web das bibliotecas digitais (que eram irrelevantes neste caso), e permitiu encontrar pelo menos um ficheiro relevante para o tema da pesquisa proposta. Uma pesquisa similar com a expressão em inglês ou noutras línguas permitiria certamente encontrar outros ficheiros relevantes.

Por fim, chamo a atenção para um dos motores de pesquisa mais relevantes para a pesquisa aberta de informação científica em linha: o Google Scholar [ou Google Académico nas versões portuguesa e brasileira], lançado em finais de 2004. Este motor de pesquisa procura no universo de ficheiros da investigação universitária: revistas científicas, teses, livros, artigos e resumos de artigos, incluindo índices de revistas, catálogos de editores académicos, de sociedades científicas e de editoras universitárias e em diversos repositórios. A informação pesquisada restringe-se portanto ao domínio da produção académica, tornando mais fácil localizar informação específica, rigorosa e actualizada, que reflicta a investigação em curso nas várias disciplinas. Vejamos um resultado usando a pesquisa avançada do Google Académico, no dia 2 de Abril de 2009, com as seguintes restrições: a) com a expressão exacta “biblioteca digital” + b) ocorrência das minhas palavras no “título do artigo”. Um resultado: 1. Cunha, Murilo Bastos da. “Desafios na Construção de uma Biblioteca Digital”.[Ciência da Informação, 1999, vol.28, n.3, pp. 257-268]. Ou, em alternativa, usando a pesquisa avançada do Google Scholar, com as seguintes restrições: a) with the exact phrase “digital library” + b) where my words occur “in the title of the article” + c) return only articles in the following subject areas “Social Sciences, Arts, and Humanities”. Dois resultados: 1. Fox, Edward A. e Gary Marchionini, “Toward a Worldwide Digital Library”, [Communications of the ACM, Volume 41, Issue 4 (April 1998)]; 2. Saracevic, Tefko. “Digital Library Evaluation: Toward an Evolution of Concepts”[Library Trends, University of Illinois, Vol. 49, Nº 3, 2000, pp. 350-369]. Para mais informações sobre este motor, consultar também: About Google Scholar e Google Scholar [Wikipedia].

Sem a mediação dos motores de pesquisa automática, dos marcadores que indexam os documentos e dos algoritmos que permitem gerar as hiperligações relevantes, a informação electrónica não teria transformado a natureza da literacia tão rapidamente. Só a prática ajudará a tirar o melhor partido destes e doutros recursos de pesquisa, como é o caso dos motores de pesquisa internos a muitos arquivos e sítios web. Tal como a pesquisa em catálogos bibliográficos automáticos, a pesquisa de fontes em linha constitui uma aptidão essencial do ensino, da aprendizagem e da investigação na era digital. O efeito cognitivo e social da indexação associativa, característica do hipertexto electrónico, é incrementado pela capacidade meta-informativa das ferramentas de pesquisa digitais. O acto de procurar e cruzar informação em formato electrónico torna-se metodologicamente central nas práticas actuais de produção e categorização do conhecimento.

Manuel Portela [02 Abril 2009]



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