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Conferências MATLIT: Ana Marques e Diogo Marques

24/02/2019

© Cartaz de Tiago Santos.

No próximo dia 8 de março de 2019, pelas 14h30, na Sala Ferreira Lima (6º piso, FLUC), terão lugar duas conferências da série MATLIT. As Conferências MATLIT pretendem dar a conhecer a investigação levada a cabo no âmbito do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura, em particular através de uma apresentação pública dos contributos originais para o conhecimento das teses de doutoramento em Materialidades da Literatura recém-concluídas. A construção de objetos teóricos e de abordagens metodológicas centradas nos processos mediais e intermediais de inscrição literária poderá assim ser conhecida também através da produção de teses do próprio Programa.

Ana Marques (doutorada em Materialidades da Literatura pela Universidade de Coimbra em setembro de 2018) fará a conferência intitulada «Poemáquinas». Diogo Marques (doutorado em Materialidades da Literatura pela Universidade de Coimbra em setembro de 2018) fará a conferência intitulada «Um Simples Toque de Midas: Sagrado, Háptico e Tecnológico».

Poemáquinas
Esta apresentação pretende explorar o conceito de literatura generativa, identificando diferentes poéticas na geração algorítmica de textos literários. A partir do contraste entre três experiências com a programação de textos poéticos, considerar-se-á as relações entre linguagem e computação, o texto como sistema comunicativo, e as relações humano-máquina. Discutir-se-á ainda as implicações dos processos de automação da produção linguística na literatura, considerando o modo como reconfiguram a textualidade, a autoria e a leitura, e procurando responder à questão do valor literário da poesia gerada automaticamente.

Ana Marques tem ziguezagueado entre diversas ocupações e interesses. Dedicou-se ao teatro, às artes plásticas e à agricultura, e trabalhou como jornalista, programadora cultural e professora. Em 2018 concluiu o seu doutoramento em Materialidades da Literatura pela Faculdade de Letras da Unversidade de Coimbra com uma tese intitulada “Literatura e Cibernética”, dedicada ao estudo dos efeitos da automação da linguagem em textos poéticos.

Um Simples Toque de Midas: Sagrado, Háptico e Tecnológico
Do aumento significativo, nas últimas décadas, de novos movimentos religiosos a Ocidente, não se encontra alheia a evolução da tecnologia digital. Nomeadamente, com a noção de cibersagrado que, numa justaposição de factos e valores, dá contuinuidade a uma corrente positivista, ao mesmo tempo que repreresenta um novo misticismo (mais culto do que propriamente oculto). Nesse jogo entre virtual e (f)actual que o digital renova damo-nos conta, por exemplo, de uma crescente fetichização do tacto, enquanto forma supostamente não mediada de atingir o conhecimento, no contacto “directo” com determinada interface (regra geral, o ecrã). Perante uma busca crescente de graus cada vez mais elevados de tangibilidade, presença e intimidade por parte da indústria tecnológica digital, o que significa este aparente “toque de Midas”, em que tudo parece estar ao alcance de um simples toque (ou clique)? Lembrando um termo recorrente nos (últimos) discursos de Steve Jobs, que espécie de “magia” é essa que nos faz adorar, como a um totem, estes frios aparelhos feitos de vidro e alumínio, e paradoxalmente capazes de proporcionar uma sensação de “conforto” enquanto os seguramos?

Diogo Marques
Natural de Torres Vedras (1982-). Criador experimental e co-fundador do colectivo de artistas wr3ad1ng-d1g1t5 [wreading-digits.com], Diogo Marques (re)vê-se na mesma proporção como investigador criativo (Doutoramento em 2018, Materialidades da Literatura, pela Universidade de Coimbra). É actualmente bolseiro de investigação pela Universidade Fernando Pessoa (Porto), onde tem vindo a desenvolver trabalho sobre investigação criativa, com particular incidência nas (im)possíveis pontes entre arte(s), ciência(s) e tecnologia(s). O seu percurso académico e artístico inclui ainda (co)curadoria de exposições de Arte e Literatura Digital, bem como traduções de ficção interactiva digital para língua portuguesa. É membro do Centro de Literatura Portuguesa, da Electronic Literature Organization e da Artech International Association. Procura-se com frequência na “arte real” da alquimia e encontra-se amiúde na “ciência oculta” do tarot (de Marselha). Pelo meio, também gosta de conversar com máquinas. Daí considerar que será sempre mais Tolo, do que propriamente Sábio ou Artista. Em suma: é um, entre vários.
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Nuno Ramos: «Adeus, Cavalo» (Sobre a Escrita) (Sobre Arte)

24/02/2019

© Cartaz de Ana Sabino.

Nos próximos dias 28 de fevereiro de 2019, 11h00, e 1 de março de 2019, 11h00, Nuno Ramos estará no Instituto de Estudos Brasileiros e no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra para fazer duas palestras sob o título comum «Adeus, Cavalo». A primeira (“Sobre a Escrita”), agendada para o IEB, incide sobre a sua obra literária; a segunda (“Sobre Arte”), agendada para o Colégio das Artes, centra-se na sua obra artística. Estas palestras estão associadas ao Colóquio Internacional “Nuno Ramos e a Experiência dos Limites”, dedicado à obra literária e artística de Nuno Ramos, que decorre nos mesmos dias 28 de fevereiro e 1 de março, no IEB, entre as 14h30 e as 19h00. Ambas as iniciativas são organizadas pelo Instituto de Estudos Brasileiros, Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura, Colégio das Artes, Centro de Literatura Portuguesa e Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas.

Curso breve sobre Rosângela Rennó e Veronica Stigger

18/02/2019

© Cartaz de Rui Silva.

Nos próximos dias 6 e 7 de março de 2019, entre as 14h00 e 17h00, na Sala do Instituto de Estudos Brasileiros (5º piso, FLUC), Mario Cámara (Universidade de Buenos Aires) leciona o curso breve “O Que o Tempo Traz: Memórias e Histórias em Rosângela Rennó e Veronica Stigger”. Trata-se de uma atividade organizada pelo Instituto de Estudos Brasileiros, Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura, Centro de Literatura Portuguesa e Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Coimbra. As inscrições são feitas através da página do Instituto de Estudos Brasileiros nesta ligação.

Mario Cámara é Professor de Literatura Brasileira na Universidade de Buenos Aires, Professor de Teoria e Análise Literária na Universidade das Artes e Investigador Independente no Conselho Nacional de Investigação Científica. O seu último livro publicado é Restos épicos. Relatos e imágenes en el cambio de época (2017, Buenos Aires).

Parte 1: Rosângela Rennó

Pretende-se dar uma visão do trabalho da artista brasileira Rosângela Rennó, analisando principalmente seu trabalho com fotografias de vários arquivos estaduais e privados, e refletindo sobre as problematizações que seu trabalho propõe em relação às políticas de memória e esquecimento das classes populares e marginais na história brasileira do século XX.

Bibliografia

  1. Benjamin, Walter. Origen del drama barroco alemán. Buenos Aires: Editorial Gorla, 2012.
  2. Benjamin, Walter. Libro de los pasajes. Madrid: Akal, 2005.
  3. Didi-Huberman, Georges. La imagen superviviente. Historia del arte y tempo de los fantasmas según Aby Warburg. Madrid: Abada Editores, 2009.
  4. Barthes, Roland. La cámara lúcida. Nota sobre la fotografía. Buenos Aires: Paidos, 2017.
  5. Benjamin, Walter. Breve historia de la fotografía. España: Casimiro, 2011.
  6. Cadava, Eduardo. Trazos de luz. Tesis sobre la fotografía de la historia. Santiago de Chile: Palinodia, 2014.
  7. Didi-Huberman, Georges. Pueblos expuestos, pueblos figurantes. Buenos Aires: Manantial, 2014.
  8. Freund, Gisèle. La fotografía como documento social. Barcelona: Gedisa, 1993.
  9. Foucault, Michel. Saber y verdad. Madrid: Ediciones La Piqueta, 1991.
  10. Kay, Ronald. N.N. Autopsia (rudimentos teóricos para una visualidad marginal). Buenos Aires: Centro de Arte y Comunicación. 1988.
  11. Melendi, Maria Angelica. “Arquivos do mal – mal de arquivo”. In Suplemento
  12. Literário nº 66. Belo Horizonte, 2000.
  13. Miceli, Sergio. Imagens Negociadas: Retratos Da Elite Brasileira, 1920-40. San Pablo: Companhia das Letras, 1995.
  14. Sekula, Allan. “The body and the Archive”, in October nº 39. New York: MIT Press, 1986.

Parte 2: Veronica Stigger

Pretende-se analisar a produção literária e a obra crítica e curatorial de Veronica Stigger, tomando como eixo o seu romance Opisanie świata (2013). Esse romance será pensado como uma invenção-recriação de uma narrativa alternativa do modernismo paulista do século passado, que trajetórias alternativas, e permite construir novas narrativas, principalmente através de três figuras: o escritor Raul Bopp, e os artistas Flávio de Carvalho e Maria Martins.

Bibliografia

  1. Antelo, Raúl. Maria com Marcel. Ducham nos trópicos. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.
  2. Laddaga, Reinaldo. “Maria con Marcel en los trópicos. Duchamp en los trópicos”, Revista Iberoamericana nº 220, 2007.
  3. Prado, Paulo. “Prólogo”, in Oswald de Andrade. Pau Brasil (edición facsimilar). San Pablo, 2004.
  4. Sterzi, Eduardo. “Com Maria e Marcel a margem”, Sopro nº 32, 2010. (http://culturaebarbarie.org/sopro/resenhas/mariacommarcel.html).
  5. Stigger, Veronica. Opisanie Swiata. San Pablo: Cosacnaify, 2013.
  6. Stigger, Veronica. Delírio de Damasco. Florianopolis: Sopro, 2012.
  7. Stigger, Veronica. Os anões. San Pablo: Cosacnaify, 2010.
  8. Stigger, Veronica. Massamorda. San Pablo: Dobra teatro, 2011.
  9. Stigger, Veronica. “Não te esqueças nunca que eu venho dos trópicos. Mito e nação em Maria Martins”. Letterature d’Amerique V. XXVI, 2006.
  10. Stigger, Veronica. “Retratos da morte: a série trágica em Flávio de Carvalho”. Revista de crítica cultural, volumen 4, nº 2. Florianopolis, diciembre 2009.
  11. Stigger, Veronica. “Maria Martins: metamorfoses”, in Maria Martins: Metamorfoses. San Pablo, MAM, 2013.

[Mario Cámara]

Colóquio Internacional Nuno Ramos

18/02/2019

© Cartaz de Ana Sabino

Nos próximos dias 28 de fevereiro e 1 de março de 2019, decorre no Instituto de Estudos Brasileiros e no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra o Colóquio Internacional “Nuno Ramos e a Experiência dos Limites”, dedicado à obra literária e artística de Nuno Ramos. Este colóquio é organizado pelo Instituto de Estudos Brasileiros, Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura, Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas, Colégio das Artes e Centro de Literatura Portuguesa (Programa Final do Colóquio).

Nuno Ramos (São Paulo, 1960) é um dos mais consagrados artistas plásticos brasileiros, com obra distribuída por vários géneros artísticos. É também escritor, com uma série de livros de classificação problemática, com início em Cujo (1993), tendo conquistado com Ó (2009) o Prémio Portugal Telecom de Literatura, na altura o mais importante prémio literário do Brasil.

Nuno Ramos estará na Universidade de Coimbra nos dias 28 de fevereiro e 1 de março próximos para duas intervenções, uma sobre a sua obra escrita (dia 28, na sala do Instituto de Estudos Brasileiros), a outra sobre a sua obra plástica (dia 1, no Colégio das Artes).

Nos mesmos dias, da parte da tarde, a partir das 14h 30m, terá lugar na sala do Instituto de Estudos Brasileiros da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra um colóquio internacional com o título “Nuno Ramos e a experiência dos limites”. Neste colóquio dedicado ao autor, especialistas de universidades de quatro países (Brasil, Argentina, Portugal e Suíça) abordarão a obra plástica e a obra escrita de Nuno Ramos, bem como todas as formas de exploração dos limites do artístico e da escrita.

Teaching Digital Literature International Conference – Call for Papers

16/02/2019

TDLIC-2019

© Cartaz de Rui Silva

International Conference: Teaching Digital Literature
Date: July, 25-26, 2019
Location: School of Arts and Humanities, University of Coimbra

The Teaching Digital Literature International Conference seeks contributions from pedagogical and didactic experiences at any educational level; reports about the integration of digital literature in national, local, or institutional curricula; design of syllabi for the teaching of e-lit; reading projects that include pieces of electronic literature; studies on the challenges and consequences of digital literature in learning, the sine qua non condition for learning digital literature. We are also interested in papers that look into how the study of digital literature may enhance print literature reading and may develop students’ creativity.

We invite proposals of 500 words for conference presentations. Possible topics may include (but are not limited to):

  • Educational and pedagogical concerns, and the impact of teaching digital literature in schools and universities, including teachers’ initial/lifelong training
  • Incorporating e-lit into existing curricula or creating new ones: experiences, concerns, challenges, paths
  • Specific questions of digital technology and digital literacy
  • Framework, methods and teaching/learning tools to approach digital literature in class
  • Digital literature teaching practices and projects and their contribution to literary education
  • Teachers’ and students’ knowledge of coding
  • Reception of literary digital works

We invite proposals for 20-minute presentations of a single paper by one or more authors.

SUBMISSIONS SHOULD INCLUDE A TITLE, THE NAME(S) AND AFFILIATION(S) OF CONTRIBUTOR(S), A 500-WORD ABSTRACT AND AT LEAST THREE KEYWORDS.

Proposals can use one of the following languages: Portuguese, English, Spanish and French.

Proposals should be submitted by April, 1, 2019, through Easy Chair: https://easychair.org/cfp/TDLIC2019 

Please direct all queries to: digitalliteraryteaching@gmail.com

Call for Papers – Full Version (English)


Colóquio Internacional: Ensino da Literatura Digital
Data: 25-26 de julho, 2019
Local: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

O Colóquio Internacional Ensino da Literatura Digital procura contribuições de experiências didáticas e pedagógicas em qualquer nível educativo; relatos sobre a integração da literatura digital em currículos nacionais, locais ou institucionais; experiências de conceptualização e elaboração de programas para o ensino de literatura eletrónica; projetos de leitura que incluam obras digitais; estudos sobre os desafios e consequências do ensino da literatura digital. Também serão aceites propostas que analisem o modo como o estudo da literatura digital pode melhorar a leitura literária em meio impresso e desenvolver a criatividade dos estudantes.

Convidamos os investigadores a apresentarem propostas de comunicação de 500 palavras. Os possíveis tópicos podem incluir, mas não estão limitados a:

  • O impacto do ensino da literatura digital nas escolas e nas universidades, incluindo a formação inicial/contínua de professores, bem como as preocupações educativas e pedagógicas daí decorrentes
  • A incorporação de literatura eletrónica em currículos existentes e a criação de novos programas: experiências, preocupações, desafios, caminhos
  • Questões específicas relativas à tecnologia digital e à literacia digital
  • Modelos teóricos, métodos e instrumentos de ensino/aprendizagem na abordagem de literatura digital em sala de aula
  • Práticas e projetos de ensino de literatura digital e a sua contribuição para a educação literária
  • O conhecimento de programação por parte de professores e alunos
  • A receção de obras literárias digitais

Devem ser apresentadas propostas para comunicações de 20 minutos, de trabalhos desenvolvidos por um ou mais autores.

AS PROPOSTAS DEVEM INCLUIR TÍTULO, NOME(S) E AFILIAÇÃO DO(S) AUTOR(ES), UM RESUMO DE 500 PALAVRAS E, PELO MENOS, TRÊS PALAVRAS-CHAVE.

As propostas podem ser apresentadas em uma das seguintes línguas: Português, Inglês, Espanhol e Francês.

As propostas devem ser submetidas até 1 de abril de 2019, através do Easy Chair: https://easychair.org/cfp/TDLIC2019

Para mais informações ou esclarecimentos adicionais, contacte: digitalliteraryteaching@gmail.com

Call for Papers – Versão Integral (Português)

Veronica Stigger no Colégio das Artes

11/02/2019

Cartaz Colégio das Artes.

No próximo dia 15 de fevereiro de 2019, Veronica Stigger, professora da  Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), fará a conferência “Corpos selvagens: Arte, literatura, curadoria”. Esta sessão, que é uma organização conjunta do Doutoramento em Arte Contemporânea, do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura e do Instituto de Estudos Brasileiros da FLUC, tem início às 11h00 na Sala 3 do Claustro do Colégio das Artes. A visita de Veronica Stigger decorre no âmbito da curadoria da exposição “Variações do Corpo Selvagem – Eduardo Viveiros de Castro, Fotógrafo” (curadores: Eduardo Sterzi e Veronica Stigger) no Centro Internacional das Artes José de Guimarães, em Guimarães. Esta exposição integra o ciclo “Pensamento Ameríndio“, 1º Ciclo Expositivo 2019, 23 fevereiro a 9 junho.

Veronica Stigger é professora de História da Arte na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e coordena o curso de Criação Literária da Academia Internacional de Cinema. Como ficcionista, é autora dos livros O trágico e outras comédias (2003), Gran Cabaret Demenzial (2007), Os anões (2010), Massamorda (2011), Delírio de Damasco (2012), Minha novela (2013), Opisanie swiata (2013), Sul (2013, edição argentina; edição brasileira atualmente no prelo) e Nenhum nome é verdade (2016). Foi curadora das exposições Maria Martins: metamorfoses (MAM-SP, São Paulo, 2013) e, com Eduardo Sterzi, Variações do corpo selvagem: Eduardo Viveiros de Castro, fotógrafo (SESC Ipiranga, São Paulo, 2015).

Conferência de Alexandre Faria

30/01/2019

© Cartaz de Rui Silva.

No próximo dia 19 de fevereiro de 2019, pelas 15h00, na Sala do Instituto de Estudos Brasileiros (FLUC, 5º piso), Alexandre Faria (Universidade Federal de Juiz de Fora) fará a conferência “O lugar da canção na constituição de um corpus literário no Brasil”. Esta iniciativa é organizada pelo Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura, Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), Centro de Literatura Portuguesa (CLP) e Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas (DLLC).

Resumo

No caso brasileiro, a inserção da canção nos estudos literários é, antes de tudo, uma estratégia política de formação de leitor e de construção de autoestima em relação à própria cultura. Mas não deixa de ser também uma opção de quem busca alguma coerência teórica e histórica em relação à proposta de um conceito mais amplo de literatura. Como estratégia política, significa reconhecer que parte significativa da tradição lírica no país se consolidou pela oralidade. Seja através da palavra falada ou cantada, é forte a circulação e mesmo a construção da expressão literária e poética em saraus, feiras, etc. A base desse fato poderia ser vista no histórico analfabetismo da maioria da população brasileira, mas me parece mais produtivo localizá-la na elitização da palavra escrita. De fato, a quase inacessibilidade do letramento e da formação escolar, para significativa parcela de negros e pobres no Brasil, foi o que contribuiu tanto para a permanência do analfabetismo como para o afastamento das formas orais de literatura do cânone escolar. Isso permitiu que a ideia de literatura se restringisse à produção escrita. Ora, na medida em que o país vence o analfabetismo e que as propostas de inclusão, através de ações afirmativas, vão reconfigurando os valores e as relações sociais, insistir nessa restrição seria continuar com a perspectiva elitista, pois o saber literário estaria associado a uma forma de escolarização e de ascensão sociocultural. Para recorrer a uma dicotomia oswaldiana, a da escola e da floresta, através da qual o poeta modernista busca sintetizar elementos díspares da nossa formação cultural, estaríamos insistindo apenas em nosso lado escola. Reconhecer a tradição oral, falada ou cantada, é uma forma de investir também em nosso lado floresta. E isso tem um alcance político muito significativo com relação à construção de uma autoestima nacional. Não precisamos esconder ou tratar como menor todo um saber popular que circula nos sambas, valsas e boleros cantados por nossos avós ou pais, ou no funk e no rap das novas gerações. [Alexandre Faria]

Alexandre Graça Faria possui graduação em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1994), mestrado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1998) e doutorado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2003). Atualmente é e professor associado da Universidade Federal de Juiz de Fora. É também ensaísta, poeta e ficcionista; autor dos livros Venta não (2013), Anacrônicas (2005), Literatura de subtração (2009); e organizador de Poesia e vida – anos 70 (2007), coorganizador de Outra – poesia reunida no sarau de Manguinhos (2013 – com Oswaldo Martins) e de Modos da margem – figurações da marginalidade na literatura brasileira (2015 – com João Camillo Penna e Paulo Roberto Tonani do Patrocínio). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: cultura brasileira contemporânea, literatura brasileira, cultura e identidade, criação literária nas periferias urbanas.