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um desejo inconcebível de abrir todas as portas_antónio aragão

17/09/2021

Inaugura hoje, 17.09.2021, pelas 18h, na Casa da Cultura de Santa Cruz (Madeira), a exposição “um desejo inconcebível de abrir todas as portas_antónio aragão“, que conta com curadoria de Bruno Ministro, e que integra o conjunto de iniciativas “MULTIPLICIDADE DA EXPERIÊNCIA António Aragão (1921-2008), antena receptiva“​, programadas em 2021 para assinalar o centenário do nascimento de António Aragão. Nesta exposição (patente na Casa da Cultura de Santa Cruz até 27.11.2021) , Bruno Ministro leva-nos a revisitar a obra literária e artística de António Aragão, estando nós certos de que os trabalhos expostos deixarão pistas muito significativas para um conhecimento mais profundo e alargado desta faceta de António Aragão.

Bruno Ministro é investigador júnior no Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa da Universidade do Porto. É doutorado em Materialidades da Literatura (2020) pelo Centro de Literatura Portuguesa e Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, mestre em Edição de Texto pela FCSH-UNL (2015) e licenciado em Línguas Modernas pela FLUC (2011). É coeditor do Arquivo Digital da PO.EX (Universidade Fernando Pessoa). Além do seu trabalho no âmbito das Humanidades Digitais e Comunicação de Conhecimento em Artes e Humanidades, a sua investigação atual encontra-se dedicada às poéticas e políticas das intermedialidades, num campo de intersecção entre as áreas dos estudos literários, a teoria dos meios e os estudos culturais. Tem trabalhado recorrentemente sobre a obra de António Aragão e coedita, com Rui Torres e Ana Salgueiro, o n.º 4 (2021) da TRANSLOCAL, com o tema de capa ANTÓNIO ARAGÃO, antena receptiva (1921-2008).

ERASE!

16/09/2021

ERASE! A digital festival and conference on the poetics and politics of erasure

September 20-24, 2021

Online: All events are free at https://erase.artdel.net

Every day, from 7 am GMT+2 a new video by a poet and artist will be launched with reviews by critics.

Screenings: Bergen, Norway

Throughout opening hours, the videos will be played in loop on several screens at the:

Bergen Public Library
University of Bergen Humanities Library
KMD: Faculty of Fine Art, Music and Design
University of Bergen’s campus screens


ERASE brings together poets, artists, and critics from Angola, Chile, China, France, Germany, Hong Kong, Portugal, Taiwan, and the United States. The participants include Florian Cramer, Tammy Lai-Ming Ho, Daniel C. Howe, Hung Hung, Raquel Lima, Bruno Ministro, Winnie Soon, Carlos Soto-Román, Juliana Spahr, and Fiona Sze-Lorrain.

ERASE is a digital festival and conference on the poetics and politics of erasure. It is a hybrid event, taking place online and on-site. It blends the festival and conference format to showcase commissioned video presentations of creative works, and to contribute to a critical debate on the theme of erasure. ERASE invites international guests to reflect on how the poetic, literary, and artistic practices of erasure relate to wider discussion on aesthetics, technology, and politics.

Tipografia e Produção de Sentido

26/07/2021
© Cartaz de Patrícia Reina.

Sétima videoconferência (via Zoom) do ciclo “Conferências MATLIT 2021”, 28 de julho de 2021, 18h00 (hora de Lisboa, GMT+1): Ana Sabino, Tipografia e Produção de SentidoConferências MATLIT 2021 (Programa Completo). Organização: MATLIT LAB – Laboratório de Humanidades, Doutoramento em Materialidades da Literatura e Centro de Literatura Portuguesa.

Sinopse

Marcar um texto tipograficamente é descrevê-lo. Quando um escritor escreve ou quando um designer pagina um livro, atribuindo a cada bloco de texto um estilo tipográfico, está a atribuir características de título, de epígrafe ou de citação a esse texto: ou seja, está a revesti-lo das qualidades que indicarão ao leitor de que tipo de texto é que se trata. Este nível de significação funciona por meio de convenções, e é eficaz mesmo nos casos em que o texto seja ilegível para o leitor. Em princípio, existe uma estreita correlação entre o texto como artefacto, ou seja, um objeto gráfico e físico, e o texto como argumento, ou seja, um sistema de ideias expressas em sequências linguísticas.

Em Diagrammatic Writing, Johanna Drucker aponta-nos para o facto de que os elementos tipográficos não significam por si mesmos, mas sim pela sua relação com os elementos que os rodeiam. Por sua vez, Robert Waller atribui ao tratamento tipográfico do texto funções retóricas (quando dizem algo sobre o texto, servindo para sublinhar ou enfatizar certos aspetos do texto) e de acesso (quando servem para apresentar o texto e facilitar a navegação do leitor dentro dele). Muitas destas estruturas de acesso estão incluídas naquilo que Genette nomeia como paratexto, em Seuils. Por outro lado, Patricia Wright sugere que se olhe para o texto segundo a perspetiva de investigação da usabilidade, o que levanta novas questões, e está de acordo com a tese de que o livro é uma base para a ativação do texto.

Nota biográfica

Ana Sabino é doutorada em Materialidades da Literatura pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde é investigadora. Definindo o seu percurso de forma pluridisciplinar, é também mestre em Teoria da Literatura pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e licenciada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Atualmente, dá aulas de Tipografia e de Projeto na Escola Superior de Artes Aplicadas, no Instituto Politécnico de Castelo Branco.

As Lições da Materialidade ao Álbum Ilustrado

19/07/2021
© Cartaz de Patrícia Reina.

Sexta videoconferência (via Zoom) do ciclo “Conferências MATLIT 2021”, 21 de julho de 2021, 18h00 (hora de Lisboa, GMT+1): Júlia Zuza, As Lições da Materialidade ao Álbum IlustradoConferências MATLIT 2021 (Programa Completo). Organização: MATLIT LAB – Laboratório de Humanidades, Doutoramento em Materialidades da Literatura e Centro de Literatura Portuguesa.

Sinopse

A apresentação irá discorrer a respeito da leitura do álbum ilustrado a partir da perspectiva material. O postulado principal dessa categoria de livro está assente na intersecção de códigos artísticos (imagem, palavra e suporte), estabelecendo relações de maneira intrínseca com o conceito de materialidade. Por meio da análise da capa à contracapa do objeto, passando por mancha gráfica e cartela cromática dentre outros recursos, a abordagem material indica ampliar as possibilidades de significação do álbum, propondo um olhar atento para os diversos aspectos gráficos, visuais e verbais que dão sentido à narrativa. Para exemplificar o diálogo intenso entre as áreas, dois álbuns ilustrados da editora Planeta Tangerina serão discutidos, sendo eles Para onde vamos quando desaparecemos? (2011) e Com o tempo (2014).

Nota biográfica

Júlia Zuza nasceu em Belo Horizonte (Brasil). Possui doutorado em Materialidades da literatura e mestrado em Literatura de língua portuguesa: investigação e ensino pela Universidade de Coimbra. Seus temas de interesse centram-se na relação entre palavras e imagens no livro infantil, com foco no álbum ilustrado, e no diálogo interartes. É autora do livro Brilha quando foge (Urutau, 2019). Realiza leituras e performances poéticas. Prefere poemas curtos, não gosta de dias frios e quer conhecer os Açores.

Multiplicidade da Experiência: António Aragão (1921-2008), antena receptiva

19/07/2021
© Foto de Fernando Aguiar.

Realiza-se nos próximos dias 22 e 23 de julho de 2021 o Colóquio “os sinais são as evidências que permanecem sempre apontando”. Trata-se de uma iniciativa integrada na programação que assinala o centenário do nascimento de António Aragão (1921-2008). Coordenado por Rui Torres, o Colóquio é organizado pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, e decorrerá em linha (via Zoom). O acesso é gratuito e requer inscrição prévia através do email coloquioantonioaragao2021@gmail.com.

Além do Colóquio, o centenário será ainda marcado pela Exposição “um desejo inconcebível de abrir todas as portas”, com curadoria de Bruno Ministro (Casa da Cultura de Santa Cruz, Quinta do Revoredo, com inauguração a 17 de setembro de 2021), e pela série de Evocações “a imaginação passa de espelho receptivo a operante”, coordenadas por Isabel Santa Clara e Emanuel Gaspar, a decorrer em várias instituições madeirenses (Funchal, Calheta e Santa Cruz) ao longo do mês de setembro de 2021.

Prepara-se também a edição do Número 4 (2022) da Revista TRANSLOCAL. Culturas Contemporâneas Locais e Urbanas dedicado a “ANTÓNIO ARAGÃO, antena receptiva (1921-2008)”, com organização de Ana Salgueiro, Bruno Ministro e Rui Torres.

São parceiros deste conjunto de iniciativas: Arquivo Digital da PO.EX, Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira, Casa da Cultura de Santa Cruz, MUDAS-Museu de Arte Contemporânea da Madeira, Museu de Arte Sacra do Funchal, Museu Quinta das Cruzes, Quinta Magnólia – Centro Cultural, Revista Islenha, Revista TRANSLOCAL, Universidade da Madeira e Universidade Fernando Pessoa.

Projeto Vox Media na UFF

14/07/2021

No próximo dia 20 de julho de 2021, pelas 14h00 (hora do Rio de Janeiro, 18h00, hora de Lisboa), Osvaldo Manuel Silvestre (Universidade de Coimbra) fará a conferência “Possibilidades Estéticas e Institucionais da Voz nos Estudos Literários”, com a participação de Pedro Serra (Universidade de Salamanca) e moderação de Diana Klinger (Universidade Federal Fluminense). Nesta conferência, com transmissão via YouTube, será apresentada a investigação realizada no âmbito do projeto “Vox Media: A Voz na Literatura“, uma das linhas de trabalho do Doutoramento em Materialidades da Literatura. Trata-se de uma iniciativa do Programa de Pós-graduação em Estudos de Literatura da Universidade Federal Fluminense. Transmissão via https://youtu.be/ubttkksa6ac

VOX LIT – episódio 2

11/07/2021

A Crítica Criativa nas Materialidades da Literatura

06/07/2021
© Cartaz de Patrícia Reina.

Quinta videoconferência (via Zoom) do ciclo “Conferências MATLIT 2021”, 7 de julho de 2021, 18h00 (hora de Lisboa, GMT+1): Fábio Waki, A Crítica Criativa nas Materialidades da LiteraturaConferências MATLIT 2021 (Programa Completo). Organização: MATLIT LAB – Laboratório de Humanidades, Doutoramento em Materialidades da Literatura e Centro de Literatura Portuguesa.

Sinopse

Um dos aspectos mais inovadores do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura é uma tentativa de expansão da própria ideia de “literatura”, em particular a partir de um exame mais refinado das características materiais dos meios pelos quais uma mensagem literária pode ser comunicada. Essa nova proposta por sua vez confere aos trabalhos de crítica produzidos no programa uma maior liberdade para explorarem com suas próprias formas, isto é, para comunicarem a si mesmos por meio de formas que não a típica forma de uma monografia científica. Em princípio, tal liberdade parece bastante intuitiva, e algumas teses e publicações do programa já a têm explorado de fato; no entanto, a essa liberdade subjaz uma rebeldia científica muito mais complexa que tende a nos passar despercebida: a saber, a de que tais experimentações com a forma da crítica são em grande medida estratégias de resistência não apenas a uma tradição cartesiana de pensamento, mas também a um capitalismo cognitivo que em muito se beneficia justamente da predominância dessa tradição. Nessa conferência, então, buscaremos responder às seguintes perguntas: por que críticas mais criativas são consistentes com as intenções das Materialidades da Literatura e como elas podem contribuir para um aprimoramento do programa como um todo? De modo mais amplo, por que críticas mais criativas são uma forma de resistência estética e epistemológica em meios científicos? Qual a importância de se falar sobre isso hoje?

Nota biográfica

Fábio Waki é Bacharel em Estudos Literários (2012) e Mestre em Linguística – Estudos Clássicos (2015) pela Universidade Estadual de Campinas e Doutor em Materialidades da Literatura pela Universidade de Coimbra (2021). Foi pesquisador visitante nos Departamentos de Inglês da King’s College London (2015) e da Universidade de Estocolmo (2018). É especialista em Literatura Comparada, com ênfase em Literatura Clássica, Literatura Inglesa e Literatura Latino-Americana, e em Materialidades da Literatura, em particular Crítica Criativa, Investigação Artística Literária e Intermidialidades entre Literatura, Cinema e Artes Visuais.

Doutoramento Nº 17

06/07/2021

Realizam-se no próximo dia 19 de julho de 2021, pelas 14h30, por videoconferência (transmitida pelo canal YouTube dos Serviços Académicos em https://www.uc.pt/academicos/provas), as provas de doutoramento em Materialidades da Literatura de Priscila Oliveira Monteiro Moreira, candidata da quinta edição do Programa, que teve início em 2014-2015. A candidata apresenta a tese «Compor livros de fora para dentro: Impressões poéticas e tipográficas de João Cabral de Melo Neto» (2021), orientada por Manuel Portela (Universidade de Coimbra) e Pedro Serra (Universidade de Salamanca).

O júri, nomeado por despacho reitoral de 3 de maio de 2021, tem a seguinte constituição:
Presidente:
Rui Gama (Professor Associado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Vogais:
Adalberto Müller Junior (Professor Associado da Universidade Federal Fluminense)
Joana Matos Frias (Professora Associada da Universidade de Lisboa)
Carlos Mendes de Sousa (Professor Associado da Universidade do Minho)
Manuel Portela (Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Doris Wieser (Professora Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Esta tese – a décima sétima do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura – integra-se numa das linhas de investigação do Programa dedicada à análise da recodificação das formas do livro em contexto pós-digital (ReCodex: Formas e Transformações do Livro). Priscila Monteiro investiga as experiências de composição tipográfica de João Cabral de Melo Neto realizadas entre 1947 e 1952, e que resultaram na produção da série O Livro Inconsútil.

Resumo [excerto]

Embora seja um momento conhecido de sua biografia, a relação entre João Cabral de Melo Neto e seus livros artesanais foi apenas esboçada. Entretanto, são catorze os impressos pelo projeto editorial intitulado “O Livro Inconsútil” ao longo dos seis anos de sua duração. Iniciado em Barcelona em 1947, Psicologia da composição foi o primeiro publicado à mão pelo poeta, justamente um título que evoca o duplo sentido do ato criativo – tanto no nível textual quanto no projectual, manifestado nos recursos tipográficos utilizados para dar forma ao conteúdo. Ao reunir todas as edições manuais feitas por João Cabral, foi preciso interrogar cada uma delas para contemplá-las como uma coleção, como um conjunto coeso. A duração de “O Livro Inconsútil” coincide com o intervalo entre livros determinantes para a poética do autor. A evolução da técnica poética referente a este intervalo é majoritariamente associada, por parte da fortuna crítica, à relação com Joan Miró; entretanto, a pesquisa documental realizada revela que João Cabral era uma personalidade ativa na dinâmica com vanguardas literárias proibidas de publicar tanto pela ditadura espanhola quanto portuguesa. Seu empreendimento amador foi uma experiência estética, mas também uma escolha política, razão pela qual esta incursão gráfica pode iluminar parte relevante de um período formativo autoral.

Atlas da Literatura Digital Brasileira

29/06/2021
Observatório da Literatura Digital Brasileira

Na próxima quarta-feira, 30 de junho de 2021, 18h00 (hora de Lisboa, GMT+1), terá lugar via Zoom a seguinte videoconferência: Rejane Rocha (Universidade Federal de São Carlos) e Manaíra Aires Athayde (Centro de Literatura Portuguesa), Um arquivo para a Literatura Digital Brasileira: desafios e possibilidades. Organização: Doutoramento em Materialidades da Literatura, Centro de Literatura Portuguesa e Instituto de Estudos Brasileiros.

O Atlas da Literatura Digital Brasileira é um arquivo de obras literárias digitais produzidas por autores brasileiros, em língua portuguesa, construído e mantido pelo Grupo de Pesquisa Observatório da Literatura Digital Brasileira (UFSCar), com financiamento do CNPq.

Trata-se, até ao momento, do único arquivo do género no Brasil e reúne a documentação (descrição taxonómica, imagens, vídeos, fortuna crítica e, em breve, entrevistas com os autores) a respeito de cerca de 120 obras, produzidas em diferentes épocas, com distintos recursos e linguagens. O arquivo, desenvolvido em software aberto, está disponível em https://www.observatorioldigital.ufscar.br/

Nesta conferência, as investigadoras Rejane Rocha, que coordena o projeto, e Manaíra Aires Athayde apresentam o arquivo, assim como expõem os desafios enfrentados ao longo do processo de mapeamento e documentação das obras. Discutem ainda sobre as possibilidades de pesquisa que surgem a partir da reunião desse material, dando a conhecer as especificidades técnico-poéticas dessa produção e perscrutando a literatura digital no contexto do sistema literário brasileiro.

Rejane Rocha é professora associada da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde atua nos cursos de Graduação em Letras e de Pós-Graduação em Estudos de Literatura. É coordenadora do Núcleo Interdisciplinar Literatura e Sociedade, do Centro de Educação e Ciências Humanas da UFSCar, e líder do Grupo de Pesquisa  “Observatório da Literatura Digital Brasileira”. Atualmente, desenvolve o projeto de pesquisa “Repositório da Literatura Digital Brasileira”, com financiamento do CNPq.

Manaíra Aires Athayde é investigadora colaboradora do Centro de Literatura Portuguesa (CLP) da Universidade de Coimbra, onde concluiu o doutoramento em Materialidades da Literatura, com auxílio de bolsa Capes. Nos últimos dois anos, dedicou-se a um projeto de investigação, como visiting scholar, em Humanidades Digitais na Stanford University. Foi professora visitante na Universidad de Salamanca e atua como professora convidada do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura da UFSCar.

A Tentação Visual da Página

22/06/2021
© Cartaz de Patrícia Reina.

Quarta videoconferência (via Zoom) do ciclo “Conferências MATLIT 2021”, 23 de junho de 2021, 18h00 (hora de Lisboa, GMT+1): Sofia Madalena G. Escourido, A Tentação Visual da PáginaConferências MATLIT 2021 (Programa Completo). Organização: MATLIT LAB – Laboratório de Humanidades, Doutoramento em Materialidades da Literatura e Centro de Literatura Portuguesa.

Sinopse

No princípio era (e é) o verbo, é esse o motor da história. Depois o autor é tentado pela imagem e começa a usá-la juntamente com as palavras para narrar. Contar histórias com imagens na página de um livro impresso não é o mesmo que contá-las por imagens (que também é possível) e não será seguramente o mesmo que ilustrar essa história com imagens. Mas tudo isto responde ao apelo/à tentação do uso da imagem, esse desejo de recorrer à visualidade para mostrar na página em vez de dizer.

Ao procurar fazer o mapeamento dessa tendência literária contemporânea, depressa se percebe que há uma ecologia – uma relação entre elementos no seu meio natural, a página ficcional impressa – que resulta de experiências de visualidade e hibridez narrativa. Será com exemplos concretos extraídos do romance Ecologia, da autora portuguesa Joana Bértholo, que se procurará demonstrar este modo de utilização do espaço da página.

A Linguagem – assunto maior do romance em análise – será também entendida como a linguagem da/na página, propondo-se uma leitura transversal deste romance que incorpore a leitura dos seus mecanismos não meramente tipográficos. Afinal, talvez a cedência não se faça em relação ao (aparente) facilitismo e imediatismo da visualidade, mas cada página procure somente tentar o leitor à imersão.

Nota biográfica

Sofia Madalena G. Escourido tem um grande afecto às palavras. Depois de uma licenciatura em Estudos Portugueses e Lusófonos e de um mestrado em Edição de Texto, percebeu que queria ajudar a fazer livros, suportes de dar a ler o mundo. É assistente editorial desde 2008 e trabalha actualmente no Departamento de Novos Autores Portugueses do Grupo LeYa. Para entender melhor os livros, fez paralelamente uma pós-graduação em Artes da Escrita e doutorou-se em Materialidades da Literatura pela Universidade de Coimbra com a tese A página como possibilidade: Patrícia Portela, Joana Bértholo e Afonso Cruz [15-09-2020], na qual analisa os usos expressivos da página como elemento narrativo nas obras ficcionais de Patrícia Portela, Joana Bértholo e Afonso Cruz.

Da Inscrição à Questão Antropológica na Arte: Memória e Origem no Essencialismo Poético de José Ángel Valente

16/06/2021
© Cartaz de Patrícia Reina.

Terceira videoconferência (via Zoom) do ciclo “Conferências MATLIT 2021”, 16 de junho de 2021, 18h00 (hora de Lisboa, GMT+1): Caio Di PalmaDa Inscrição à Questão Antropológica na Arte: Memória e Origem no Essencialismo Poético de José Ángel ValenteConferências MATLIT 2021 (Programa Completo). Organização: MATLIT LAB – Laboratório de Humanidades, Doutoramento em Materialidades da Literatura e Centro de Literatura Portuguesa.

Hay un lenguaje roto,
un orden de las sílabas del mundo.
Descífralo.
(VALENTE, ‘A los dioses del fondo’)

“Toda escritura poética asiste al nacimiento de las letras”, discursa o poeta galego José Ángel Valente na entrega do VII prêmio Reina Sofía de Poesía Iberoamericana, pois a “palabra poética es siempre una nostalgia del primer acto creador” (VALENTE, 2008: 1584). Diversas culturas registraram nos seus arquivos proto-históricos a correspondência oculta entre os órgãos fonadores, as letras – explica Mircéa Eliade em Patañjali e o Yoga – e as mitologias cosmo-genésicas (ELIADE, 2000: 190). Não por acaso, as deidades e os graus ascéticos na cultura indiana “possuem um bîja-mantra, um ‘som místico’ que é a sua ‘semente’, o seu ‘suporte’” (ELIADE, 2000: 190). Eis o valor simbólico do mantra, cuja ‘fórmula performática’ reencontramos em diferentes graus nas sagas da poesiaocidental, seja nas vozes de aedos, bardos ou menestréis.

É justamente a partir dessa imagem que percebemos com maior rigor aquilo que Valente perseguiu como palabra total ou palabra inicial: uma escritura ao mesmo tempo locução, acção e representação de uma origem. Palavra-átomo, se assim preferirmos, cujo logos seminal enraíza-se na ideia da escritura poética como u-topos gnóstico. Ao fim e ao cabo, Valente requereu para o seu essencialismo metafísico o mesmo estatuto que séculos antes os calígrafos chineses e os poetas zen-budistas do haiku japonês requereram para as suas escrituras: um método de ascese para o conhecimento.

A presente comunicação, portanto, discutirá um dos pontos mais fibrosos na sua razão poética – a relação entre palavra e memória –, cujas questões nos suscitam necessárias reflexões sobre os vínculos entre arte e antropologia. Num mundo pós-Auschwitz cuja criticidade histórica parece rarefeita, pensar sobre os vínculos que a arte estabeleceu com as sociedades em seus códigos éticos, filosóficos e gnósticos – sobretudo a partir da obra de um de seus grandes entusiastas – talvez ajude-nos a construir uma imagem válida para o homem de nosso século.

Nota biográfica

Doutor pelo Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura / Universidade de Coimbra com financiamento pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal (FCT). Desenvolve investigações sobre teoria estética pós-­Auschwitz, poesia metafísica e literatura contemporânea portuguesa. Em sua tese doutoral, investigou a razão poética do poeta metafísico José Ángel Valente à luz de reflexões sobre arte e antropologia, estética e gestualidade, acto de escritura e técnicas de inscrição, palavra poética e as suas arquiteturas (matriz geradora, logos seminal, logos espermático, palabra inicial, resto cantable). Possui Mestrado em Literatura Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense (2012) com dissertação sobre a escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol sob uma perspectiva deleuziana e espinoziana.

VOX LIT – episódio 1

12/06/2021

A Genial Estupidez das Máquinas

09/06/2021

© Cartaz de Patrícia Reina.

Segunda videoconferência (via Zoom) do ciclo “Conferências MATLIT 2021”, 9 de junho de 2021, 18h00 (hora de Lisboa, GMT+1): Bruno MinistroA Genial Estupidez das MáquinasConferências MATLIT 2021 (Programa Completo). Organização: MATLIT LAB – Laboratório de Humanidades, Doutoramento em Materialidades da Literatura e Centro de Literatura Portuguesa.

Sinopse

Embora com maior ou menor intensidade ao longo dos tempos, em nenhum momento da modernidade se deixou de pensar sobre o conceito de original. Com o advento e massificação da computação digital, aquele conceito tem sido revisitado de forma frequente, assim como o têm sido noções da sua “família largada” — o genuíno, único, singular, autêntico, genial, entre outras. Esta apresentação pretende refletir sobre o modo como a noção de originalidade se interliga com as próprias tecnologias de inscrição, nomeadamente quando as máquinas de reprodução revelam a sua natureza produtiva. Fazem-no porque são geniais? Ou porque são estúpidas? Com parca originalidade, o paradoxo do título foi copiado de Vilém Flusser, que, por seu turno, o copiara de Abraham Moles. Pretende-se que esse mesmo paradoxo sobre genialidade e estupidez entre, nesta apresentação, numa nova oposição paradoxal. Mais do que resolvê-la, interessa pensá-la e repensá-la.

Nota biográfica

Bruno Ministro é doutorado em Materialidades da Literatura (U. Coimbra) com a tese Todas as Cópias são Originais: eletrografia e copy art em Portugal. É investigador do Instituto de Literatura Comparada (U. Porto), coeditor do Arquivo Digital da PO.EX (U. Fernando Pessoa) e tem colaborado com projetos nas áreas da literatura e cultura (U. Algarve, U. Bergen, U. Vigo). A sua investigação tem sido dedicada sobretudo aos estudos da intermedialidade, testando teorias e metodologias de intersecção entre os estudos literários, a teoria dos meios e os estudos culturais. [hackingthetext.net]

Patrícia Reina recebe Bolsa Fulbright para Investigação com o apoio da FCT

08/06/2021

Patrícia Reina, estudante do 4º ano do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura e bolseira FCT (PD/BD/142770/2018), foi selecionada como Bolseira Fulbright para desenvolver investigação durante um semestre no Rochester Institute of Technology (RIT), sob a orientação da Profª Anne Royston. Dos 25 estudantes de doutoramento de instituições portuguesas selecionados como Fulbrighters para o ano académico 2021-2022, é a única da área da literatura. Trata-se de uma distinção que contribui também para reforçar a internacionalização do Doutoramento em Materialidades da Literatura e desenvolver a nossa colaboração com o RIT.

Esta estada, durante o primeiro semestre do ano letivo 2021-2022, integra-se no plano de investigação da sua tese doutoramento, que se intitula “Espaço para fazer sentido: a multidimensionalidade da expressão tipográfica nas obras de Johanna Drucker”. Patrícia Reina terá assim oportunidade de analisar as obras da autora que se encontram em algumas das mais importantes coleções de livros de artista nos EUA, designadamente na Cary Graphic Arts Collection do RIT, na Haas Family Arts Library e Beinecke Rare Book & Manuscript Library da Universidade de Yale e também no Getty Research Institute.

O Programa felicita a bolseira Fulbright e faz votos para que seja uma estada feliz e produtiva.

Lunguage, or How I Learned to Stop Worrying and Love the Zang Tumb Tumb

02/06/2021
© Cartaz de Patrícia Reina.

Primeira videoconferência (via Zoom) do ciclo “Conferências MATLIT 2021”, 2 de junho de 2021, 18h00 (hora de Lisboa, GMT+1): Nuno Miguel Neves, Lunguage, or How I Learned to Stop Worrying and Love the Zang Tumb TumbConferências MATLIT 2021 (Programa Completo). Organização: MATLIT LAB – Laboratório de Humanidades, Doutoramento em Materialidades da Literatura e Centro de Literatura Portuguesa.

Sinopse

No processo de busca pela especificidade da poesia sonora na contemporaneidade, onde se incluiu também uma perspetiva histórica sobre o fenómeno, e no ensaio de vários caminhos descritivos da utilização da linguagem nas poéticas experimentais orais e sonoras, acabei por tropeçar neste conceito – lunguage – que me surgiu, confesso, quase como que uma epifania. Dediquei-me então, estabelecida e aceite a sua dissemelhança em relação à language (a evidência da oposição entre os dois termos só se manifesta plenamente em língua inglesa), a explorar o seu alcance, escutando, devidamente amparado pela Différance derridiana, os sentidos possíveis, nomeando pontos e nós do rizoma que pode constituir, mas também as diferentes possibilidades descritivas que a expressão encerra.

Nota biográfica

Nuno Miguel Neves é Doutorado em Materialidades da Literatura com uma tese dedicada à releitura da poesia sonora na contemporaneidade. Tem desenvolvido ampla atividade no domínio das atividades de extensão universitária e, entre 2017 e 2020, dirigiu e apresentou diversos programas na Rádio Universidade de Coimbra (Hipoglote, On the RUC, Panamericana, De fio a pavio). Atualmente é Leitor do Instituto Camões na Universidade Agostinho Neto, em Luanda, onde leciona Literatura Portuguesa e Teoria da Literatura no programa de Mestrado em Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa.

Conferências MATLIT 2021

20/05/2021
CicloConferencias2021
© Cartaz de Patrícia Reina.

O que são as Materialidades da Literatura? Com esta pergunta teve início em 2010-2011 o Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura. As Conferências MATLIT pretendem mostrar a investigação levada a cabo no âmbito do Programa. Autores/as de teses de doutoramento em Materialidades da Literatura recém-concluídas são convidados/as a apresentar os seus contributos originais para o conhecimento. Através desta iniciativa damos a conhecer quer a noção expandida de literatura que praticamos, quer a construção de objetos teóricos e de abordagens metodológicas centradas nos processos mediais de inscrição e comunicação literária. Todas as quartas-feiras, às 18h00, entre 2 de junho e 21 de julho de 2021, via Zoom. Evento gratuito, de inscrição obrigatória, através do e-mail: matlitlab@gmail.com A inscrição é válida para todas as sessões. Conferências MATLIT 2021 (Programa Completo). Organização: MATLIT LAB – Laboratório de Humanidades, Doutoramento em Materialidades da Literatura e Centro de Literatura Portuguesa.

  • 2 de junho, 18h00: Nuno Miguel Neves, Lunguage, or How I Learned to Stop Worrying and Love the Zang Tumb Tumb
  • 9 de junho, 18h00: Bruno Ministro, A Genial Estupidez das Máquinas
  • 16 de junho, 18h00: Caio Di Palma, Da Inscrição à Questão Antropológica na Arte: Memória e Origem no Essencialismo Poético de José Ángel Valente
  • 23 de junho, 18h00: Sofia Madalena G. Escourido, A Tentação Visual da Página
  • 30 de junho, 18h00: Ana Sabino, Tipografia e Produção de Sentido [NOTA: Adiada para 28 de julho, 18h00]
  • 7 de julho, 18h00: Fábio Waki, A Crítica Criativa nas Materialidades da Literatura
  • 14 de julho, 18h00: Ana Rita Sousa, Arqueologia da Figura Llansoliana ou a Arte de Descascar Conceitos [NOTA: Adiada para data a anunciar]
  • 21 de julho, 18h00: Júlia Zuza, As Lições da Materialidade ao Álbum Ilustrado

VOX LIT – episódio 0

04/05/2021
Vox Lit é uma iniciativa Vox Media com participação ativa de outros estudantes e doutorados do Programa Doutoral FCT em Materialidades da Literatura.

SIM, ESTA SOU EU, BERNARDO SOARES

18/04/2021

“Sim, esta sou eu, Bernardo Soares” é um projeto desenvolvido em parceria internacional entre o projeto Fragmentos em Prática, em Coimbra e o Grupo teatral estudantil Baile Verde, em Salamanca. O resultado desse encontro resulta em 48 vídeo-fragmentos postados em ordem sequencial no perfil de Instagram, sim_esta_sou_eu_bs. Vídeo a vídeo, busca-se construir uma narrativa feminista em resposta à explícita misoginia de Bernardo Soares.

Mais do que uma performance videográfica, este projeto é bonito processo criativo marcado por (re)leituras e (re)escritas dos textos do Livro do Desassossego enquanto prática de descobrimento literário e também de sororidade. É por isso que, independente do mérito artístico de um elenco predominantemente feminino e falante nativo do espanhol – as Chicas do Desassossego –, faz-se essencial destacar o pano de fundo de um projeto marcado por muitos inícios:

  • de introdução e imersão no universo do Livro do Desassossego por meio do Arquivo LdoD;
  • do processo de seleção, leitura, e edição dos fragmentos, resultando em edição virtual anotada;
  • de roteirização e criação das moiras soarianas;
  • da personificação e (subversão) do texto em performance realizada exclusivamente na pátria de Pessoa, a língua portuguesa;
  • do registro e materialização dessa performance em contexto pandêmico.

“Sim, esta sou eu, Bernardo Soares” estréia online no dia 05 de maio, dia da língua Portuguesa, com exclusiva publicação no Instagram.

Sinopse: Das entrelinhas do Livro do Desassossego emergem as moiras: três vozes femininas que despertam a partir dos “conselhos às mal-casadas”, de Bernardo Soares. Reativa, poética e inquieta, essas diferentes personificações discursivas são guiadas por um fim específico: confrontar, por meio dos seus próprios fragmentos, a misoginia do semi-heterônimo. Afinal, são elas também, Soares.

Este projeto tem o apoio institucional do Grado en Estudios Portugueses y Brasileños, da Área de Filología Gallega y Portuguesa, da Cátedra de Estudios Portugueses IC/USAL, afiliados à Universidade de Salamanca; do Centro de Literatura Portuguesa, do programa doutoral Materialidades da Literatura, do Laboratório de Humanidades MatLit Lab, do Arquivo do Livro do Desassossego, afiliados à Universidade de Coimbra, e da FCT e Instituto Camões.

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Doutoramento Nº 16

05/04/2021

Realizam-se no próximo dia 12 de maio de 2021, pelas 14h30, por videoconferência (transmitida pelo canal YouTube dos Serviços Académicos em https://www.uc.pt/academicos/provas), as provas de doutoramento em Materialidades da Literatura de Júlia Zuza Andrade, candidata da quinta edição do Programa, que teve início em 2014-2015. A candidata apresenta a tese «A Trama do Tempo no Álbum Ilustrado: Movimento, Pluralidade e Subjetividade no Planeta Tangerina» (2020), orientada por Ana Maria Machado (Universidade de Coimbra) e Maria Zélia Versiani Machado (Universidade Federal de Minas Gerais).

O júri, nomeado por despacho reitoral de 2 de março de 2020, tem a seguinte constituição:
Presidente:
Manuel Portela (Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Vogais:
João Luís Ceccantini (Professor Titular da Universidade Estadual Paulista)
Ana Margarida Ramos (Professora Catedrática da Universidade de Aveiro)
Sara Reis da Silva (Professora Auxiliar da Universidade do Minho)
Paulo da Silva Pereira (Professor Auxiliar da Universidade de Coimbra)
Ana Maria Machado (Professora Auxiliar da Universidade de Coimbra)

Esta tese – a décima sexta do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura – integra-se numa das linhas de investigação do Programa dedicada à análise da recodificação das formas do livro em contexto pós-digital (ReCodex: Formas e Transformações do Livro). Júlia Zuza Andrade investiga as estratégias de representação narrativa (verbal, visual e bibliográfica) num corpus de álbuns ilustrados da editora Planeta Tangerina. Esta investigação foi apoiada com uma bolsa de doutoramento da CAPES (2016-2019).

Resumo [excerto]

A presente tese, intitulada “A trama do tempo no álbum ilustrado: movimento, pluralidade e subjetividade no Planeta Tangerina”, investiga o universo ficcional da editora portuguesa Planeta Tangerina a partir da representação do tempo não linear em 14 álbuns ilustrados voltados preferencialmente para o público infantil. Por meio da análise dos livros – publicados em 10 anos de produção editorial (2004-2014) –, este trabalho pretende perceber de que maneira a ruptura da linearidade do tempo, nas imagens e palavras no álbum ilustrado, abre-se para a compreensão do direcionamento temático elegido pela editora. A tese busca também entender as estratégias visuais, textuais e materiais que o Planeta Tangerina utiliza para questionar o tempo cronológico em seus álbuns ilustrados. Além disso, analisa como os temas trabalhados pela editora se articulam com os mecanismos discursivos manipulados nas narrativas. O corpus elegido na tese abrange obras com temas e natureza distintos – como dois álbuns ilustrados imagéticos – mas que confluem na apresentação de diferentes mecanismos discursivos de rompimento do tempo linear.

MATLIT: New Books and Further Readings

15/03/2021

new books and further readings

© Poster by Rui Silva.

This new series of one-hour online conversations is dedicated to introducing new books that are relevant for ongoing research topics within our PhD Program. Guest authors will offer a brief general presentation of their book, followed by responses to specific questions based on selected quotes, and then Q&A with the audience.

Dates: April 13, April 27, May 4, May 18, at 6 pm (Lisbon time). Free event, registration required via email matlitlab@gmail.com Registration is valid for all events in the series.

April 13, 2021, 6 pm: Jessica Pressman (San Diego State University), Bookishness: Loving Books in a Digital Age (Columbia University Press, 2020)

April 27, 2021, 6 pm: Johanna Drucker (University of California Los Angeles), Visualization and Interpretation: Humanistic Approaches to Display (The MIT Press, 2020)

May 4, 2021, 6 pm: Jason Camlot (Concordia University), Phonopoetics: The Making of Early Literary Recordings (Stanford University Press, 2019)

May 18, 2021, 6 pm: Mark C. Marino (University of Southern California), Critical Code Studies (The MIT Press, 2020)

Materialidades da Literatura na 3MT

03/03/2021

Finalistas UC 3MT 2021.

A 3MT (3 minute-Thesis Competition) é uma iniciativa que promove a apresentação de projetos de Doutoramento pelos estudantes da UC em apenas 3 minutos. O objetivo principal é desenvolver competências de comunicação de ciência. Aos participantes é pedido que expliquem a sua investigação utilizando uma linguagem adaptada ao público não especialista. Constitui também uma oportunidade para que estudantes de Doutoramento de diversas áreas científicas se conheçam e partilhem a sua investigação. Serve ainda para promover a UC a nível internacional, uma vez que o selecionado na final da UC irá representar a Universidade de Coimbra no encontro anual do Coimbra Group (consórcio fundado em 1985 e que integra atualmente 41 universidades europeias). A final internacional decorre entre 16 e 18 de junho de 2021. Este modelo de apresentação teve início em 2008, na Universidade de Queensland na Austrália (https://threeminutethesis.uq.edu.au/). A prática foi entretanto adotada por inúmeras instituições em todo o mundo.

A Universidade de Coimbra realizou em 2020 a primeira edição desta competição. Na edição de 2021, entre os 20 finalistas UC encontram-se dois estudantes do Doutoramento em Materialidades da Literatura: Nuno Meireles, estudante da edição 2017-2018, e Jordan Eason, estudante da edição 2020-2021. A final da UC decorre no próximo dia 5 de março, a partir das 14h30, e será transmitida pelo canal YouTube da UC (https://www.youtube.com/channel/UCwJWYs4uKz77qR_NaruUcBg).

Mais informação aqui: https://www.uc.pt/3mt

A Humanidade no Livro do Desassossego

03/03/2021

 

Élia Ramalho, estudante do Doutoramento em Materialidades da Literatura, apresenta a instalação artística “A Humanidade no Livro d’O desassossego”. Nesta “instalação criativa e lúdica a partir do LdoD”, combinam-se ação performativa, pintura e multimédia com a leitura e projeção de fragmentos do Livro do Desassossego de Fernando Pessoa extraídos do Arquivo LdoD (https://ldod.uc.pt/). Trata-se de uma criação integrada na Semana Cultural 2021 da Universidade de Coimbra, que tem como tema “Humanidade” e decorre entre 1 e 15 de março de 2021. Dadas as restrições impostas pelo confinamento, a instalação, realizada na Biblioteca Joanina, é mostrada apenas através do seu registo em vídeo. Curadoria e vídeo de Alex Lima (Colégio das Artes).

MATLIT LAB: Oficinas de Escrita

22/02/2021

O MATLIT LAB: Laboratório de Humanidades organiza um ciclo de oficinas dedicadas à escrita de uma tese, com a participação de doutorados e doutorandos em Materialidades da Literatura. Em cada sessão, dois convidados respondem a quatro perguntas relacionadas com um problema particular da escrita, apresentando assim o seu método de trabalho. Segue-se um período aberto à participação do público. Às quartas-feiras, entre 3 de março e 5 de maio de 2021, das 18h às 19h (hora de Lisboa), via Zoom. Evento gratuito, de inscrição obrigatória, através do email matlitlab@gmail.com. [inscrições encerradas]. A inscrição é válida para todas as sessões. O programa completo está disponível nesta ligação.

NOTA: As inscrições para este ciclo de oficinas encontram-se encerradas. Esperamos poder realizar um segundo ciclo no outono de 2021. [23 de fevereiro de 2021, 19h00]

Como se escreve uma tese de doutoramento?
Não há uma resposta a esta pergunta, mas sim múltiplas respostas, múltiplos caminhos possíveis, tão variados quanto o número de pessoas que escrevem teses de doutoramento. Por outro lado, esta é uma pergunta que se pode, também ela, multiplicar ou dividir em várias perguntas, mais pequenas e concretas, de forma a conseguirmos circunscrever algo que em certos momentos parece tão etéreo e inatingível em passos delimitados e exequíveis. Encontramos o nosso método particular também pela observação de outros modelos de funcionamento; a escrita de uma tese é um processo individual, mas não necessariamente solitário. Por sua vez, a escrita de teses em Humanidades tem os seus métodos próprios, relacionados sobretudo com o facto de a escrita e a leitura serem métodos e ferramentas primordiais para a investigação.

Doutoramento Nº 15

19/01/2021

Realizam-se no próximo dia 15 de fevereiro de 2021, pelas 10h30, por videoconferência (transmitida pelo canal YouTube dos Serviços Académicos em https://www.uc.pt/academicos/provas), as provas de doutoramento em Materialidades da Literatura de Fábio Waki, candidato da sétima edição do Programa, que teve início em 2016-2017. O candidato apresenta a tese «Artists in Thought: From Classical Reception to Criticism as a Creative Practice in Oscar Wilde’s and Michel Foucault’s Theories on Ethics and Aesthetics» (2020), orientada por Osvaldo Manuel Silvestre (Universidade de Coimbra). Projeto financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através da bolsa de doutoramento PD/BD/128081/2016.

O júri, nomeado por despacho reitoral de 22 de dezembro de 2020, tem a seguinte constituição:
Presidente:
Manuel Portela (Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Vogais:
Wendy Morris (Professora Catedrática da Universidade Católica de Louvaina, Bélgica)
Giuliana Ragusa (Professora Associada da Universidade de São Paulo, Brasil)
Adriana Bebiano (Professora Auxiliar com Agregação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Osvaldo Manuel Silvestre (Professor Associado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Esta tese – a décima quinta do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura – integra-se numa das linhas de investigação do Programa dedicada à análise da relação entre processos de escrita e tecnologias mediais (Ex Machina: Inscrição e Literatura, subtema “escrita e inscrição”). Fábio Waki investiga a relação entre ética e estética nas obras de Oscar Wilde e Michel Foucault a partir da receção de conceitos da época clássica em ambos os autores. Projeto financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através da bolsa de doutoramento PD/BD/128081/2016.

Resumo [excerto]

This study examines ‘classical reception’ in Oscar Wilde’s and Michel Foucault’s theories on ethics and aesthetics, particularly in Wilde’s conception of art-criticism and Foucault’s conception of critique, to suggest a form or perhaps a method of literary criticism more consistent with the post-hermeneutical framework of the Materialities of Literature.

CFP: Colóquio dedicado a António Aragão (1921-2008)

05/01/2021

António Aragão.

O ano de 2021 assinala o centenário do nascimento de António Aragão (1921-2008). De forma a celebrar a obra deste autor, está a ser organizado um conjunto de eventos (Colóquio, Exposição, Evocações) sob a designação genérica de “multiplicidade da experiência: António Aragão (1921-2008), antena receptiva”, a realizar no Porto, Santa Cruz e Funchal, entre julho e setembro de 2021. 

O Colóquio intitula-se “os sinais são as evidências que permanecem sempre apontando” e realizar-se-á na Universidade Fernando Pessoa, Porto, em julho 2021, podendo adotar o formato online, se necessário.

As propostas de comunicação, com aproximadamente 300 palavras, incluindo título, nome do(s) autor(es) e bios/websites devem ser enviadas para coloquioantonioaragao2021@gmail.com até 24 de janeiro de 2020. A Call for Papers completa, incluindo lista de temas propostos, pode ser acedida aqui: https://po-ex.net/antonioaragao2021/coloquio/

Doutoramento Nº 14

10/12/2020

Realizam-se no próximo dia 22 de dezembro de 2020, pelas 10h30, por videoconferência (transmitida pelo canal YouTube dos Serviços Académicos em https://www.uc.pt/academicos/provas), as provas de doutoramento em Materialidades da Literatura de Ana Maria da Silva Alves Sabino Domingues Moura, candidata da quinta edição do Programa, que teve início em 2014-2015. A candidata apresenta a tese «Instruções de Leitura: Um Estudo Sobre Convenções Gráficas de Apresentação da Palavra Escrita» (2020), orientada por Manuel Portela (Universidade de Coimbra) e João Bicker (Universidade de Coimbra). Projeto financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) através da bolsa de doutoramento PD/BD/105704/2014.

O júri, nomeado por despacho reitoral de 22 de outubro de 2020, tem a seguinte constituição:
Presidente:
Rui Gama (Professor Associado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Vogais:
António Feijó (Professor Catedrático de Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
Sofia Leal Rodrigues (Professora Auxiliar da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa)
Pedro Amado (Professor Auxiliar da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto)
Manuel Portela (Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Osvaldo Manuel Silvestre (Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Esta tese – a décima quarta do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura – integra-se numa das linhas de investigação do Programa dedicada à análise da recodificação das formas do livro em contexto pós-digital (ReCodex: Formas e Transformações do Livro). Ana Sabino investiga os elementos gráficos e tipográficos enquanto componentes textuais e paratextuais que instituem e mantêm convenções de leitura e espaços de legibilidade para a ação cognitiva e hermenêutica dos leitores.

Resumo [excerto]

Esta tese pretende demonstrar que um livro, através da sua materialidade gráfica e tipográfica, nos orienta na sua leitura. Pela forma material com que nos apresenta as palavras nele inscritas, o livro ativa convenções gráficas e de leitura, assim como cria essas mesmas convenções, num processo cíclico de interação com o leitor. Para levar a cabo esta análise, foi escolhido um corpus constituído por três edições de um mesmo texto — Bartleby, de Herman Melville. As diferenças entre estas três edições motivam e estruturam as três partes da tese.

Attention à la marche! Mind The Gap!

22/11/2020

Acaba de ser publicado o volume Mind The Gap! Thinking electronic literature in a digital culture / Attention à la marche! Penser la littérature électronique en culture numérique (Montréal: Les presses de l’écureuil – ALN/NT2, 630 pp., ISBN: 979-10-384-0004-7, novembro de 2018), coordenado por Bertrand Gervais e Sophie Marcotte. Este volume reúne 45 artigos apresentados no Congresso/Festival Internacional da Organização de Literatura Eletrónica [ELO] realizado na Universidade do Quebeque, em Montréal, entre 13 e 17 de agosto de 2018. A obra é distribuída em regime de acesso aberto e está disponível nos formatos PDF, MOBI e E-PUB, a partir da página do laboratório NT2: http://nt2.uqam.ca/en/elo-2018

Apresentação sumária do volume pelos editores:

Mind the Gap!, the proceedings of the Electronic Literature Organization’s conference held in Montreal in 2018, intends to explicitly question the place of electronic literature in a digital culture. What is the nature of the relationship between the two? How does a form that is already fifty years old manage to remain relevant in a cultural environment strongly marked by digital technology? How does an avant-garde practice developed in the context of book culture succeed in adjusting to the principles of a culture heavily engaged in screens, networks and mobile devices? How can we take into account mobile technologies which are increasingly present in everyday life, understand their impact on writing and reading habits, and investigate the political dimension of digital technology, in its links to art, literature and culture?

Bertrand Gervais e Sophie Marcotte

Mind The Gap! Attention à la marche! inclui três artigos representativos da investigação realizada no Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura:

  • Paulo Silva Pereira, “Balpe & Chatonsky: Esthétique générative, surproduction et mémoire à l’ère numérique”, pp. 147-165 (incluído na secção “Le langage comme interface/ Language as interface”).
  • Manuel Portela e Cecília Magalhães, “The Book of Disquiet Digital Archive as a Role-Playing Experiment”, pp. 307-325 (incluído na secção “Esthétiques numériques/ Digital aesthetics”). Vídeo da apresentação original.
  • Ana Maria Machado, Ana Albuquerque e Aguilar e Alice Atsuko Matsuda, “Is There A Gap In The Classroom?”, pp. 477-490 (incluído na secção “Lire et écrire en culture numérique/ Reading and writing in a digital culture”).

Desde 2012 que o Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura tem estado representado no Congresso/Festival anual da Electronic Literature Organization:  ELO 2012: “Electrifying Literature: Affordances and Constraints”, 20-23 junho; ELO 2013: “Cherchez le texte”, Paris, 20-23 setembro; ELO 2014: “Hold the Light”, Milwaukee, WI, 18-21 junho; ELO 2015: “The end(s) of electronic literature”, Bergen, 4-7 de agosto; ELO 2016: “Next Horizons”, Victoria, BC, 10-12 de junho; ELO 2017: “Affiliations, Communities, Translations“, Porto, 19-22 de junho; ELO 2018: “Mind The Gap! Thinking electronic literature in a digital culture”, Montréal, 13-17 de agosto; ELO 2019: “Periferies“, Cork, 15-17 de julho; e ELO 2020:  “(un)continuity”, Orlando, FL, 16-19 de julho. Os artigos selecionados dos congressos anuais têm sido publicados ora sob a forma de livros, ora em números especiais de diversas revistas, incluindo Hyperrhiz: New Media Cultures (Hyperrhiz 14 [ELO 2015] e Hyperrhiz 17 [ELO 2016]), MATLIT: Materialidades da Literatura [6.1, 6.2 e 6.3 [ELO 2017]) e electronic book review [ELO2019 Gathering (Cork, Ireland)].

Apresentação da MATLIT 8.1 “Ensino da Literatura Digital”

17/11/2020

© Cartaz de Rui Silva.

No próximo dia 19 de novembro de 2020, pelas 12h00, o volume 8.1 da revista MATLIT: Materialidades da Literatura, intitulado “Ensino da Literatura Digital”, será apresentado pelas editoras Ana Maria Machado (Universidade de Coimbra) e Ana Albuquerque e Aguilar (Universidade de Coimbra). A apresentação terá lugar por videoconferência através da plataforma Colibri-Zoom. As coordenadas da sala virtual são as seguintes: https://videoconf-colibri.zoom.us/j/3454748493?pwd=RitBYXhHTnF1TUM4Q2ZkQ2kzdERuZz09. Esta iniciativa é organizada pelo Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura e pelo Centro de Literatura Portuguesa (CLP).
MATLIT: Materialidades da Literatura é uma revista em linha, arbitrada por pares e em acesso aberto, publicada pela Imprensa da Universidade de Coimbra e pelo Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. A revista aborda as mediações tecnológicas e materiais das práticas literárias, focando em particular a tipograficalidade, a digitalidade, a auralidade e a intermedialidade. O seu campo de investigação vai dos estudos literários aos estudos comparados dos média e às humanidades digitais. MATLIT usa como línguas de trabalho o português, o inglês e o espanhol. Adotando uma perspetiva interdisciplinar e transmedial, a revista organiza-se em números temáticos. Para cada número é produzida uma Call for Papers. Arquivo da revista MATLIT (2013-2020): 12 números, 231 artigos.

1.º Congresso Internacional de Literatura para Crianças e Jovens

03/11/2020

Decorreu, de 22 a 24 de setembro, o 1.º Congresso Internacional de Literatura para Crianças e Jovens – Crítica, Estética e Ensino, associado à 3.ª Jornada da Literatura de Infância, tendo sido organizado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mais especificamente pelas professoras, e proeminentes investigadoras neste campo, Diana Navas, Elizabeth Cardoso e Maria José Palo. O evento, online, gratuito e de acesso livre, contou com cerca de 6 mil inscritos e foi transmitido, em streaming, através da plataforma StreamYard, no YouTube.

Cartaz do evento, sobre ilustração de Raquel Matsushita.

A programação foi organizada em dois momentos diários (horário de Brasília), sendo a manhã dedicada a atividades comuns e a tarde destinada aos diversos simpósios paralelos.  Assim, no dia 22, teve lugar a conferência de abertura, intitulada “El libro álbum y la intervención cultural en tiempos de crisis”, a cargo de Evelyn Arizpe (University of Glasgow); no dia 23, decorreu a mesa-redonda “O livro infantil e juvenil: mediações”, que contou com a participação de Cecilia Bajour (Universidad Nacional de San Martín), Sidinéia Chagas (Biblioteca Comunitária de Palheiros), Leo Cunha (escritor) e Bernardo Carvalho (escritor, designer e ilustrador), com moderação de Elizabeth Cardoso (PUC-SP); no dia 24, houve uma nova mesa-redonda, dedicada a “Literatura juvenil: diálogos possíveis”, com a participação de Ana Margarida Ramos (Universidade de Aveiro), João Carrascoza (escritor), Raquel Matsushita (escritora, designer e ilustradora) e Maria Auxiliadora Baseio (Universidade de Santo Amaro), com moderação de Diana Navas (PUC-SP). Num evento que privilegiou a pluralidade de perspetivas em literatura infantil e juvenil (LIJ), nas vertentes de criação, produção, edição, estudo, ensino, investigação e mediação, é de notar que todas estas intervenções contaram com intérpretes de língua gestual, ação inclusiva que permitiu chegar a um público ainda mais alargado.

Todas as comunicações ficaram gravadas, estando disponíveis nos canais de YouTube dos diferentes simpósios do congresso, nomeadamente, 1. “Conto e reconto da tradição oral”,  2. “Múltiplas linguagens em literatura infantil e juvenil: imagem, som e toque”, 3. “Literatura infantil e juvenil no contexto da era digital”, 4. “Literatura e ensino”, 5. “Literatura juvenil e o diálogo com outras artes”, 6. “Poesia para crianças e jovens: abordagens múltiplas”, 7. “Temas fraturantes no livro infantil e juvenil contemporâneo” e 8. “As literaturas africanas, afro-brasileiras e indígenas para infância e juventude: intersecções”.

As Materialidades da Literatura também marcaram presença no congresso. No dia 22, Ana Albuquerque e Aguilar apresentou uma comunicação no Simpósio 3 – “Literatura infantil e juvenil no contexto da era digital”, coordenado por Aline Frederico (UFRJ/PUC-SP) e Edgar Kirchof (Universidade Luterana do Brasil), intitulada “Águas turbulentas? Uma proposta para a leitura de Salt Immortal Sea nas escolas portuguesas”, onde abordou o modo como a alteração do regime de ensino e a súbita passagem ao digital, provocadas pela pandemia, afetam o modo como se ensina e se faz investigação aplicada em literatura digital.

Comunicação “Águas turbulentas? Uma proposta para a leitura de Salt Immortal Sea nas escolas portuguesas”, por Ana Albuquerque e Aguilar.

Ainda no dia 22, Alice Atsuko Matsuda (UTFPR-Curitiba), que realizou Pós‑Doutoramento no Programa em Materialidades da Literatura, apresentou a comunicação “O abraço – um tema difícil de se tratar”, no Simpósio 7 – “Temas Fraturantes no Livro Infantil e Juvenil Contemporâneo”, do qual, aliás, foi coordenadora, juntamente com Eliane Galvão Ferreira (UNESP-Assis). 

Também no mesmo simpósio, mas já no dia 24, Ana Maria Machado apresentou a comunicação “Fantasias e didatismos na obra infantil de Fernanda de Castro: entre a monologia e a dissidência”, refletindo acerca das características da obra infantil da escritora portuguesa, tantas vezes esquecida, com especial atenção dedicada ao livro Mariazinha em África, de 1925, ilustrado por Sarah Afonso.

Comunicação de Ana Maria Machado, “Fantasias e didatismos na obra infantil de Fernanda de Castro: entre a monologia e a dissidência”, apresentada por Alice Matsuda e Eliane Galvão.

Embora o evento tivesse contado com oradores de diversos países, destaca­‑se a participação de Portugal, onde os estudos e a investigação em LIJ são já uma referência internacional. Além das já mencionadas Universidades de Coimbra (através de Ana Maria Machado e Ana Albuquerque e Aguilar) e de Aveiro (por Ana Margarida Ramos), a Universidade de Évora, com a participação de Cláudia Sousa Pereira, e a Universidade Católica Portuguesa – Lisboa, com Dora Batalim SottoMayor, também marcaram presença neste congresso.