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Materialidades da Literatura na Entreler (revista do Plano Nacional de Leitura)

03/11/2021
Entreler Nº 1, outubro de 2021 (revista digital do Plano Nacional de Leitura)

Foi publicado em outubro de 2021 o número 1 da Entreler, uma publicação periódica anual da responsabilidade da equipa do Plano Nacional de Leitura. Trata-se de uma revista digital que “tem como objetivo divulgar estudos e reflexões sobre a leitura, a escrita e a literacia, em todas as faixas etárias e nas suas múltiplas dimensões (educativa, literária, social, antropológica, …) e contextos (formal, informal e não formal), bem como projetos e atividades de promoção da leitura e formação de leitores. Dirige-se a mediadores, docentes, formadores, investigadores, bibliotecários, técnicos e a todos os que partilham o interesse pela leitura, pela escrita e pelas literacias.” O primeiro número inclui dois artigos de membros do Grupo de Investigação Mediação Digital e Materialidades da Literatura: Ana Sabino, «Do livro como objeto à leitura como evento»; e Diogo Marques e Ana Gago“As florestas não brotam, não se multiplicam, não suspiram”: ciberliteratura e educação ambiental» .

O desenvolvimento do meio digital enquanto suporte de leitura permite, retroativamente, observar como certas características que são agora evidentes e indissociáveis do meio digital estavam já presentes, ainda que o seu reconhecimento estivesse ainda latente, no códice. Depois de a teoria crítica se debruçar sobre os novos meios e suportes de escrita e leitura, o carácter transitório e de ocorrência da experiência de leitura tornou-se mais evidente. Vários estudos literários exigiam já a presença e a ação do leitor, assim como de outros agentes, para que o texto existisse. Mas talvez não se tenha dado ainda a importância devida ao ato que o leitor efetua. Mais ainda: não foi dada a devida importância ao objeto, que funciona tanto como caixa fechada como como chave para a abrir, nesse ato de leitura; ele não só contém o texto, mas também aquilo que permite que o leitor o descodifique. Este artigo pretende, além de sublinhar a importância do ato de leitura como fator constitutivo do livro, dar a ver o papel da materialidade do livro nessa ação: se é necessariamente o leitor quem ativa um livro, produzindo leitura, o próprio livro traz consigo um conjunto de características formais, que respondem a vários protocolos de leitura, às quais chamo «instruções de leitura».

Ana Sabino, «Do livro como objeto à leitura como evento», Entreler, Nº 1.

Partindo da exploração do potencial lúdico-pedagógico de processos combinatórios e permutacionais de escrileitura, no presente artigo propomo-nos discutir possíveis aplicações da ciberliteratura no âmbito do desenvolvimento de estratégias de educação ambiental, dentro e fora do campo de ação institucional. Através da análise do poema ciberliterário Árvore (2018), da autoria do investigador e poeta experimental Rui Torres, e da sua relação com práticas artivistas e hacktivistas, a ciberliteratura é colocada em diálogo com problemáticas como a sustentabilidade e a obsolescência tecnológica.

Adicionalmente, será feita referência a outros exemplos de criações artístico-literárias (pós-)digitais, com impacto internacional, enquanto partes integrantes de um mesmo ecossistema, como About Trees (2015), da autoria de Katie Holten, DEFOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOREST (2017), da autoria de Joana Moll, e Amazon (2019), de Eugenio Tisselli. De forma a ilustrar a continuidade da Ciberliteratura no contexto alargado das práticas experimentais em Portugal, são ainda convocados alguns dos seus precursores, como Soneto Ecológico (2005), instalação de poesia ambiental, da autoria de Fernando Aguiar. 

Colocando em diálogo tradição e inovação, escrevem-se (e recombinam-se) vários caminhos de possibilidade a partir de/para a literatura digital, enquanto manifestação artístico-literária e enquanto ferramenta educativa, interventiva e mobilizadora.

Diogo Marques e Ana Gago, « “As florestas não brotam, não se multiplicam, não suspiram”: ciberliteratura e educação ambiental», Entreler, Nº 1.

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