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Um nada de mão cheia

26/03/2019

Texto e fotos de Rui Silva.

O Colóquio Sobre Nada ocorreu entre 12 a 14 de março de 2019 no Instituto de Estudios Avanzados – USACH em Santiago do Chile e foi organizado pela Oficina de la Nada. Contando com a presença de artistas, filósofos, académicos, escritores, místicos e religiosos, a diversidade e qualidade do programa foi significativa e permitiu expandir o campo de possibilidades das representações do nada — por mais paradoxal que isto possa parecer. O programa de Materialidades da Literatura foi representado por Rui Silva que apresentou El autentico y la nada: un recorrido por un concepto inflado que pode ser vista íntegra aqui (um bom tema para quem tenha insónias).

O congresso esteve um espírito bastante matliteano, com uma forte base em literatura mas com uma aproximação a várias disciplinas limítrofes, com destaque para três comunicações: i) Christian Anwandter com Totalidad, negatividad y saberes de lo nacional en La Enciclopedia Chilena (1948-1971), apresentou o projecto institucional do governo chileno para editar uma enciclopédia nacionalista que durou 23 anos e documentou minuciosamente o país através de milhares de textos e fotografias, mas que não publicou uma única página; ii) Elisa Marzuka com Vacuidad y experiencia directa, fez uma abordagem da relação do nada com o Budismo através da psicologia e que acabou por envolver o público numa sessão de meditação conjunta; iii) Carola Vesely com Cantar el des-en-canto: el silencio y su imposibilidad como representaciones del horror en la poética de Juan Luis Martínez, merece relevo pela qualidade do trabalho deste poeta visual chileno, com destaque para especial o seu primeiro livro, editado já em ditadura, La Nueva Novela. A conferência fechou o colóquio e terminou com a seguinte citação de Martínez: “¿Es la Nada más sensible el domingo que los otros días? ¿Desea usted pasar en ella sus vacaciones?”

Durante o período do colóquio foi realizada uma visita à exposição restrospectiva Poesia en Expansión, no Museo de Bellas Artes, que conta com 40 obras de poesia visual chilena e que está retratadas nas imagens seguintes.

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