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Conferência de Manaíra Aires Athayde

22/11/2018

© Cartaz de Rui Silva.

No próximo dia 14 de dezembro de 2018, pelas 11h00, na Sala Ferreira Lima (FLUC, 6º piso), Manaíra Aires Athayde (Centro de Literatura Portuguesa) fará a conferência Shared experiences, ou como preencher o mundo com fridas”. Esta iniciativa é organizada pelo Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura e Centro de Literatura Portuguesa (CLP).

Resumo

Cinquenta anos após a morte de Frida Kahlo, a diretora da Casa Azul decidiu abrir um cômodo do museu – originalmente utilizado como casa de banho – que até aí permanecera encerrado, primeiro pela vontade expressa do marido da artista, Diego Rivera, que insistira que o banheiro não poderia ser aberto senão quinze anos após a sua morte, e, depois, da amiga do casal a quem Rivera confiara os destinos do museu. Ora, essa divisão tinha a particularidade de conter, intocado, o arquivo de Frida Kahlo (fotografias, cartas, diários, desenhos, roupas, entre outros objetos), que fora armazenado nesse espaço depois da sua morte. A exploração do arquivo, a partir de 2004, transformou toda a nossa imagem da artista, revelando outras dimensões do seu trabalho. Assim, o que aqui pretendo analisar é o modo como a descoberta desse material arquivado e a sua recodificação através do digital tem contribuído decisivamente para a difusão massiva da imagem de Frida. O meu argumento principal é o de que essas diversas imagens – que se popularizam desde os mais variados artefatos e souvenires a vídeos com milhares de views no Youtube e perfis que somam mais de dez milhões de seguidores no Facebook e no Instagram – resultam de como a descoberta dos materiais e a sua digitalização se articulam poderosamente com a emergência de um mundo cada vez mais digital e online. Dessa forma, tentaremos pensar a equivalência entre o autor e seu arquivo diante de novas experiências estéticas e sociais neste século XXI.

Manaíra Aires Athayde é investigadora do Centro de Literatura Portuguesa (CLP), da Universidade de Coimbra, onde concluiu o doutorado em Materialidades da Literatura, com a tese “Ruy Belo e o Modernismo Brasileiro. Poesia, Espólio”, com auxílio de bolsa Capes. Foi professora visitante da Área de Estudos Portugueses e Brasileiros, na Universidade de Salamanca. Organizou o livro Literatura Explicativa: Ensaios sobre Ruy Belo (Assírio & Alvim, 2015) e fez parte da produção do documentário Ruy Belo, Era Uma Vez (RTP, 2014). Nos últimos anos, tem-se dedicado à literatura comparada, aos estudos literários e estudos de mídia, ao trabalho em espólios e arquivos literários. Tem ensaios publicados em diversas revistas especializadas em vários países. A sua tese de doutoramento (“Ruy Belo e o Modernismo Brasileiro. Poesia, Espólio”) foi recentemente distinguida com o Prémio Mário Quartin Graça (edição de 2018) na categoria de Ciências Sociais e Humanas. Resultante de uma parceria entre o Banco Santander em Portugal e a Casa da América Latina, este prémio visa estimular a formação de investigadores latino-americanos e portugueses em temas de interesse mútuo para Portugal e a América Latina.

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