Saltar para o conteúdo

CRISP Doctoral School 2018

03/10/2018

Texto de Joana Fonseca.

CRISP DOCTORAL SCHOOL 2018
Universidade de St. Andrews, 18-22 Junho

A CRISP (Centre for Research into Information, Surveillance & Privacy) Doctoral School 2018 prometia treino em tópicos concretos, métodos e técnicas de pesquisa relevantes para o campo de estudos interdisciplinar que é o dos Estudos de Vigilância. O CRISP é um centro de pesquisa que resulta da colaboração entre a Universidade de St. Andrews, o Departamento de Gestão da Universidade de Stirling, e os departamentos de Ciências Sociais e Políticas e Direito da Universidade de Edimburgo; representados, respetivamente, nas pessoas de Kirstie Ball, William Webster e Charles Raab, diretores do grupo. A pesquisa do CRISP foca-se nas dimensões política, legal, económica e social da sociedade de vigilância, e o seu objetivo central é a produção e disseminação de conhecimento subordinado aos tópicos “informação, vigilância e privacidade”.

A organização da Escola Doutoral do CRISP ficou a cabo dos representantes das  instituições acima mencionadas, e foi composta por Kirstie Ball, da Universidade de St. Andrews, pelo Professor Charles Raab, da Universidade de Edimburgo, pelo Professor William Webster, da Universidade de Stirling, e pelo Professor Pete Fussey, da Universidade de Essex. Contou com a participação de doutorandos não só do Reino Unido, como de Portugal, Holanda, Bélgica, Roménia, Suécia, Eslováquia, Canadá, Israel e Brasil. De áreas como Sociologia, Multimédia, Direito, Criminologia, Economia, Marketing, Gestão, Design, Engenharia Informática e Materialidades da Literatura (a doutoranda foi apoiada pelo Programa de Doutoramento, pelo Centro de Literatura Portuguesa e pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, via Fundação para a Ciência e a Tecnologia.).

A Escola Doutoral CRISP 2018 teve lugar no Gateway, o edifício que aloja o departamento de Gestão da Universidade de St. Andrews, na Escócia. A semana foi dividida entre eventos diversos, desde palestras (expert lectures), a discussões em painel, workshops, apresentações de projetos de pesquisa em 3 minutos (3MT – three minutes thesis), culminando num workshop final, com projeto de grupo, apresentação e avaliação, subordinados a uma proposta de financiamento. Os eventos da semana foram encabeçados pela palestra de abertura, conduzida por Kirstie Ball, “The Surveillance Studies Analyses”, focada, precisamente, na pluralidade de olhares e abordagens possíveis dentro do amplo campo dos Estudos de Vigilância.

Em relação ainda às palestras, Steve Reicher, do departamento de Psicologia da Universidade de St. Andrews, falou-nos sobre Vigilância e Psicologia Social. Rosemary Agnew, dos Serviços Públicos Escoceses, Ombudsman (cargo administrativo que lida com queixas de má gestão, particularmente de serviços públicos), questionou a missão da transparência com a comunicação: “Transparency: Myth or Mission?”. Jon Mendel e Amy Humphrey, do departamento de Geografia da Universidade de Dundee, falaram-nos de potenciais fronteiras nos campos da vigilância online, da categorização e da criminalidade. Eric Stoddart, da School of Divinity da Universidade de St. Andrews,  proferiu uma interessante palestra sobre instituições religiosas e o seu consumo de aparatos e software de vigilância. James Purdon, do Departamento de Literatura Inglesa da Universidade de St. Andrews, proferiu uma palestra sobre História e Estética do sistema CCTV, em local inusitado: um bunker da Guerra Fria, em Fife. Bill Vlcek, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de St. Andrews, abordou o tão esperado tema “Surveillance and Money”.

Recuando um pouco, no final do primeiro dia, os professores responsáveis pela escola doutoral, reunidos em painel, discutiram com os doutorandos os maiores dilemas de pesquisa, numa partilha enriquecedora de ânsias e técnicas. 3MT

Os workshops foram particularmente úteis, abordando, uma vez mais, um aberto leque de temas. O primeiro workshop foi lecionado por Tristan Henderson, do Departamento de Engenharia Informática da Universidade de St. Andrews, e versou sobre ética de pesquisa na era da internet. O segundo workshop, de Matthew Rice, representante do grupo Open Rights, e Charles Raab, do Departamento de Sociologia da Universidade de Edimburgo, versou sobre a relação entre o pesquisador e o ativista. O terceiro e muito aguardado workshop lecionado por Kirstie Ball, Charles Raab, William Webster e Pete Fussey, resumia uma série de conselhos e informações sobre publicação, sob o título sugestivo “Publishing in Top Journals”.

A última atividade, “Bidding for Research Funding”, acabou por ser um grande workshop, em cinco intervenções: de William Webster e Pete Fussey, e também Trish Starrs, Kim Baxter e Spencer Asquith, representantes de vários departamentos relacionados com atribuição de bolsas e outros tipos de financiamento, da Universidade de St. Andrews. O workshop culminou na The Epic Research Proposal, baseada em tudo o que se aprendeu. Uma tarde, uma noite e uma manhã. A quatro grupos de cinco estudantes cada, pré-selecionados de acordo com afinidades de pesquisa, foi atribuído o mesmo desafio: responder com uma proposta de projeto a uma call para financiamento europeu a projetos de pesquisa subordinados ao tema: “Surveillance and the challenges for democracy and an open society”.

Além de tudo o que aprendi e que é, de modo mais óbvio, contributo direto para o meu projeto de pesquisa, quero e devo acrescentar que a CRISP Doctoral School  2018, por um lado, aquietou o sentimento de isolamento que, ao que parece, é acentuado no investigador de Estudos de Vigilância por uma nuvem de não pertença, própria do clima da área; por outro lado, talvez consequentemente, proporcionou a integração numa rede de contactos que pratica a entreajuda, a partilha, e o trabalho colaborativo.

Anúncios

Os comentários estão fechados.

%d bloggers like this: