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Materialidades da Literatura no FOLIO 2018

01/10/2018

No passado dia 30 de setembro de 2018, Ana Marques e Manuel Portela apresentaram a performance “Literatura e Cibernética” a partir da obra transpoemas de Ana Marques. Esta apresentação integrou o colóquio “FOLIO 2018: Matemática e Literatura III“, que decorreu a 29 e 30 de setembro, no Museu Municipal de Óbidos, no âmbito da programação do festival literário FOLIO 2018, que decorre entre 27 de setembro e 7 de outubro de 2018.  O colóquio foi organizado pelo Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, em parceria com o Centro Internacional de Matemática e o Centro de Matemática, Aplicações Fundamentais e Investigação Operacional da Universidade de Lisboa, com o apoio do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Esta presença do Programa no Festival Literário FOLIO dá continuidade às participações de 2016 (colóquio “Literatura e Matemática I” e exposição “Bird-Watching“, 22 de set-2 de outubro de 2016, Joshua Enslen e Alaina Enslen) e 2017 (colóquio “Literatura e Matemática II” e exposição “Et Sic In Infinitum: Uma Instalação Intermedial e Transliterária”, 21-29 de outubro de 2017, curadoria de Carolina Martins e Diogo Marques).

As relações entre cibernética e literatura permitem-nos explorar as fronteiras entre dois regimes antagónicos: de um lado o regime imperativo e binário das linguagens computacionais e dos protocolos de comunicação em sistemas de informação digitais. Do outro, o regime expressivo e de liberdade sem condição que caracteriza a enunciação poética. As experiências criativas que cruzam as fronteiras entre estas duas dimensões da cultura resultam frequentemente em objectos híbridos que nos permitem observar esses dois campos a partir de perspectivas deslocadas. Dessa deslocação, surgem perguntas sobre a literariedade, por um lado, e sobre a natureza da computação, por outro. No actual contexto de digitalização da produção cultural e simbólica, estes movimentos exploratórios tornam-se pertinentes na medida em que nos permitem interrogar os processos de mediação digital a partir de uma perspectiva humanista: o que acontece à linguagem, enquanto sistema formal, comunicativo e criativo, quando é processada por agentes algorítmicos? Quais os efeitos da informatização sobre a comunicação e a expressão humana? Que atritos podemos encontrar entre a automação e a representação da subjectividade? Esta apresentação pretende reflectir sobre estas questões de um ponto de vista criativo, performatizando-as numa experiência que inclui intermediações entre geradores de linguagem humanos e automáticos.

Ana Marques e Manuel Portela

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