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Doutoramento Nº 4

11/01/2017

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Realizam-se na próxima terça-feira, dia 17 de janeiro de 2017, pelas 14h30, na Sala dos Atos da Universidade de Coimbra, as provas de doutoramento em Materialidades da Literatura de Matheus de Brito, candidato da segunda edição do Programa, que teve início em 2011-2012. O candidato apresenta a tese «Materialidade e Contigência: contribuições à reflexão estética nos estudos literários», realizada em regime de cotutela na Universidade de Coimbra (Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura) e na Unicamp (Programa de Pós-graduação em Teoria e História Literária).

O júri, nomeado por despacho reitoral de 3 de janeiro de 2017, tem a seguinte constituição:
Presidente:
Marta Teixeira Anacleto (Professora Associada com Agregação, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Vogais:
Fabio Akcelrud Durão (Professor Livre-Docente, Universidade Estadual de Campinas)
Eduardo Sterzi (Professor Auxiliar, Universidade Estadual de Campinas)
Pedro Serra (Professor Titular, Universidade de Salamanca)
Ricardo Namora (Leitor Convidado, Universidade de Estocolmo)
António Sousa Ribeiro (Professor Catedrático, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Manuel Portela (Professor Auxiliar com Agregação, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Esta tese – a quarta do Programa de Doutoramento FCT em Materialidades da Literatura – integra-se numa das linhas de investigação do Programa sobre as relações entre tecnologias de inscrição e formas literárias, incluindo o estudo da escrita como inscrição (Ex Machina: Inscrição e Literatura). A investigação de Matheus de Brito incidiu sobre as implicações das materialidades da literatura para a teoria literária:

Resumo

A Teoria Literária surgiu, consolidou-se como disciplina e entrou em colapso durante o século XX. Enquanto parte da institucionalização do estudo acadêmico da literatura, a Teoria rechaçou tanto o historicismo associado à Filologia como a abordagem estético-filosófica da obra literária, promovendo o que seria um paradigma epistemológico mais “adequado”. Seu compromisso com a disciplina da Linguística, que alimentou o desprezo por fatores “extrínsecos” ao texto literário, foi para tal decisivo. No entanto, em consequência dos próprios limites metodológicos que subscreveu, e junto à crítica geral aos conceitos e interesses cognitivos tradicionais das Humanidades – crítica então levada a cabo pela “virada linguística” e a seguir pela “virada cultural” –, a Teoria da Literatura pouco a pouco perdeu espaço para outras formas de discurso. Trata-se da institucionalização do pós-estruturalismo e da Desconstrução, dos estudos culturais e demais abordagens temáticas – e de sua subsequente fragmentação no atual quadro “pós-teórico.” Em certo sentido, essas manifestações podem ser compreendidas como uma complexificação interna ao paradigma, como catálogos descritivos em disputa, e não como resultantes de uma ruptura radical. Permanece-lhes comum uma concepção transmissivo-semiótica da textualidade literária, apenas infletida no tocante à semântica textual. Por essa razão, os dissidentes não deixaram de incorrer em problemas análogos àqueles acusados nas abordagens tradicionais, e mesmo delas herdados – desde já do fato de que seu enlace com a linguística não só permaneceu inquestionado como se tornou sua ferramenta crítica por excelência. Entretanto, como contraparte dessas abordagens hoje correntes, fez-se progressivamente visível uma série de outras intenções teóricas, que se poderiam sumarizar como uma problematização da materialidade. Comum a essas outras intenções e junto a essa categoria, parece estar em operação uma epistemologia da não-identidade, dotada de uma dupla função: por um lado, permite-lhes serem mais do que simples recaídas nas abordagens pré-teóricas do historicismo e do esteticismo; por outro, exime-lhes de construírem seus catálogos descritivos com base nas mesmas regras da Teoria de penhor linguístico. Se, a princípio, poder-se-ia entender essa categoria – de materialidade – como signo de um retorno à Filologia, é também à volta dela que se percebe um retorno da Estética nos estudos literários. Nosso trabalho questiona e mensura a validade dessa teorização literária, com especial atenção à ideia de “contingência,” não-identidade. Para tal, seguimos sobretudo o percurso teórico-crítico de três autores: num momento, o trabalho de Hans Ulrich Gumbrecht, que de modo mais conceitualmente explícito, volumoso e inconstante esforça-se por elaborar a categoria da materialidade por vias radicalmente distintas daquela adotada pela tradicional teoria e pelas abordagens correntes; num outro, os trabalhos de Jerome McGann e Johanna Drucker, os quais procuraram implementar e medir de maneira prática o que poderia ser uma tal via alternativa, processo através do qual diferentes modelos emergiram. Consideramos como esses autores respondem ao atual cenário da teoria e da crítica literária e como suas reflexões têm ressonância dentro e fora desse contexto, isto é, como também se inserem numa discussão epistemológica mais ampla. Repensando os métodos de que se valem os estudos literários, este trabalho visa contribuir com a reorientação da teoria literária no âmbito da contemporânea reflexão estético-filosófica. Em última instância, pensar a materialidade exige não apenas que se considerem os predicados fundamentais e as premissas da teoria literária mas que se faça o esforço por sua transformação.

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