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II Jornadas Internacionais de Poesia

24/11/2016

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Texto: Bruno Ministro e Liliana Vasques
Fotos: Bruno Ministro, Fundació Joan Brossa, Sandra Guerreiro Dias

Realizaram-se a 27 e 28 de outubro de 2016, no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA), as II Jornadas Internacionais de Poesia. O evento foi organizado pelo Poció – Poesia i Educació, grupo de investigação da Universidade de Barcelona, composto por docentes maioritariamente oriundos das faculdades de Educação e Belas Artes.

Na continuidade dos temas abordados nas I Jornadas Internacionais de Poesia Experimental, que tiveram lugar em 2012, a segunda edição desta reunião científica teve como eixos temáticos os Arquivos, Poéticas e Receções. Os trabalhos apresentados focaram-se sobretudo na poesia experimental e nas práticas afins, ainda que, nesta segunda edição, o nome do evento tenha sido encurtado para Jornadas de Poesia.

As conferências e comunicações apresentadas dialogaram com os três eixos temáticos do evento, notando-se, em muitos casos, uma clara interligação entre os três temas e, já patente na convocatória aberta e nas linhas orientadoras do programa, uma visível preponderância do eixo Arquivos sobre os restantes eixos temáticos.

Foram apresentadas quatro conferências, incluindo a conferência inaugural “Curating Digital Archives: Interoperability and Appropriation in the PO-EX.NET”, proferida por Rui Torres (Universidade Fernando Pessoa); “An Immersive Archive: On Humans & The Internet of Things”, por Bob Davidson (Universidade de Toronto), “Le statut de l’image dans la poésie concrète, visuelle et numérique”, por Jacques Donguy; “Approche pluricode de la poésie concrète et de la poésie numérique animée à partir de quelques exemples” por Philippe Bootz (Universidade de Paris 8).

Nas mesas redondas estiveram no centro do debate assuntos como a visibilidade, disseminação e receção da poesia visual, sonora e digital, bem como os estudos de caso e debate em torno do uso da poesia experimental em contexto educativo e em instituições de promoção cultural. Com a participação de investigadores e artistas, algumas intervenções deram a conhecer projetos elaborados com base em acervos pessoais, como o Fundo Julien Blaine, apresentado pelo próprio, ou o Arquivo Fernando Aguiar, dado a conhecer pelo poeta português. Outras participações debruçaram-se sobre publicações em linha, como o 3ViTre Archivio di Polipoesia, dirigido por Enzo Minarelli, ou as coleções Fluxus e de Poesia Concreta e Visual da Fondazione Bonotto, representada por Patrizio Peterlini.

O exercício retrospetivo em torno das apresentações e debate gerado permite-nos identificar pontos essenciais de reflexão. O Arquivo, sendo numa primeira instância um corpus, é sempre, também, uma atividade que seleciona, separa, agrega e classifica. Estas ações exigem um questionamento crítico dos seus efeitos. Merecem, ao mesmo tempo, que se revejam os papéis do investigador/académico/arquivista e do artista/poeta/escritor no processo de criação e constituição de um arquivo.

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No dia 28 de outubro, Bruno Ministro e Liliana Vasques, alunos do Programa FCT em Materialidades da Literatura, participaram na mesa dedicada às poéticas experimentais (segundo eixo temático das jornadas).

Bruno Ministro apresentou a comunicação “Expanding (?) experimental poetics (?): Is this (Copy) Art?”, centrada na problematização de linguagens e género na eletrografia e copy art portuguesas. Estas práticas poéticas lidam com a relação entre palavra e imagem e promovem o uso autorreflexivo do meio de inscrição. Do ponto de vista estético, a copy art assemelha-se à poesia visual e a outras formas intersígnicas e intermediais da constelação de objetos radicais que constitui a literatura experimental. Nesse sentido, esta apresentação teve como fim discutir as afinidades e diferenças entre copy art e literatura experimental em Portugal, procurando perceber os pontos em que estas poéticas operam uma expansão do conceito de literatura experimental, sem, no entanto, concluiu-se, deixar de pertencer à constelação plural de artefactos experimentalistas.

Liliana Vasques apresentou a comunicação “Textual Demoscene as Digital Poetry”, com o objetivo de analisar demos textuais no contexto da poesia digital. A comunicação apresentada focou-se em “demos constituídas por textos [que são] designadas por scene poetry (Marecki, 2015: 4). Considerando que a poesia digital é “uma prática poética possibilitada por média digitais e tecnologia” (Flores, 2014: 155), foi argumentado que a scene poetry é relevante para pensar as condições do texto eletrónico e a sua multimedialidade bem como a manipulação criativa das limitações das plataformas computacionais.

O programa científico foi acompanhado por intervenções artísticas, nas quais se incluíram performances de Jacques Donguy, Enzo Minarelli, Julien Blaine, Carles Cano e Joan Casellas, bem como uma projeção de filmes de homenagem a Carles Hac Mor e Benet Rossell, artistas catalães recentemente falecidos. Refira-se, também, a visita ao Fundo Joan Brossa (Arquivo do MACBA) e a entrega do prémio do I Concurso Internacional de Livros de Artista em homenagem a Joan Brossa.

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