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Digital Humanities at Oxford Summer School 2016 (DHOxSS 2016)

17/10/2016

Texto: Bruno Ministro
Fotos: Bruno Ministro e Universidade de Oxford

A Digital Humanities at Oxford Summer School (DHOxSS) é uma escola de verão inteiramente dedicada às Humanidades Digitais que se tem realizado todos os anos, desde 2008, na Universidade de Oxford, Reino Unido. Esta iniciativa, dirigida por James Cummings (IT Services) e Pip Willcox (Bodleian Libraries), é organizada por uma comissão constituída por membros das várias faculdades, centros de investigação e bibliotecas daquela universidade, contando com a colaboração de alguns investigadores e instituições externos.

A DHOxSS 2016 ocorreu entre 4 e 8 de Julho e contou com oito workshops dedicados a diversas perspetivas, ferramentas e metodologias das Humanidades Digitais, desde a análise de dados até à musicologia digital, passando pela programação para as Humanidades ou a codificação de texto segundo as normas TEI. Entre os workshops desenvolvidos de forma paralela na DHOxSS 2016 figura o workshop An Introduction to Digital Humanities, frequentado por Bruno Ministro, estudante das Materialidades da Literatura (cuja participação foi apoiada pelo Programa de Doutoramento, pelo Centro de Literatura Portuguesa e pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra).

Composto por 18 sessões dinamizadas sobretudo por docentes e investigadores da Universidade de Oxford, o workshop, que teve Pip Willcox como responsável, tem vindo a ser um dos mais frequentados da DHOxSS ao longo dos anos. Na última edição, contou com cerca de meia centena de participantes oriundos de várias universidades, centros de investigação e bibliotecas da Europa, América do Norte, Ásia e Austrália. Entre os palestrantes encontraram-se nomes como David De Roure e Allen Renear, mas também um pequeno grupo de jovens investigadores como Daniel Sawyer, Andrea Thomer e Grant Miller.

Os tópicos abordados nas várias sessões foram abrangentes e permitiram uma cabal introdução a várias metodologias e práticas atualmente em uso no campo das Humanidades Digitais, focando-se em problemas como a curadoria de dados ou a preservação e sustentabilidade em meio digital. Garantindo um equilíbrio entre a exposição teórica e a exemplificação prática, alguns métodos tiveram um destaque privilegiado, nomeadamente através das sessões dedicadas à gestão de projetos multidisciplinares, crowdsourcing e visualização de dados, entre outros. A abordagem técnica foi igualmente importante em praticamente todas as sessões, incluindo aquelas realizadas em torno da web semântica, linked e open data, sistemas de informação geográfica, estruturação de bases de dados relacionais, manipulação de imagem, transcrição e codificação de texto.

Sessão “Hyperspectral and Other High End Imaging and Spectroscopic Techniques to Aid Humanities Scholars”, dinamizada por David Howell.

Sessão “Hyperspectral and Other High End Imaging and Spectroscopic Techniques to Aid Humanities Scholars”, dinamizada por David Howell.

Para além dos workshops, na manhã de cada dia realizaram-se três palestras paralelas, permitindo a cada participante escolher, entre as palestras oferecidas, a mais relevante para os seus interesses pessoais e de investigação. Estas sessões, de caráter expositivo, abarcaram vários temas no cruzamento do campo da computação com as áreas disciplinares da História, Biblioteconomia, Linguística ou Estudos Literários.

A DHOxSS 2016 foi balizada por duas conferências plenárias, “Identifying the point of it all: Towards a Model of “Digital Infrapuncture” e “Open Access and Digital Humanities – Opening up to the world”, proferidas, respetivamente, por Deb Verhoeven e Isabel Galina. Estas conferências revelaram-se particularmente relevantes ao gerarem um lugar privilegiado para a apresentação e discussão de tópicos críticos em torno das Humanidades Digitais.

Na conferência inaugural, Deb Verhoeven (Deakin University) destacou a importância das infraestruturas digitais para a investigação académica, argumentando que estas nunca são neutras e pedem sempre uma reparação. Assim, a conferencista propôs o conceito de “infrapuncture” como resposta à pergunta “how do we build infrastructure for a world that is collapsing?” Verhoeven define “infrapuncture” como uma outra forma de pensar as intervenções à pequena escala, no processo de alterar um contexto mais vasto. Tal como a prática da acupunctura pretende libertar o stress de cada um dos nós do corpo, Deb Verhoeven acredita que uma redefinição do modo como trabalhamos nas universidades – deixando de lado a mera conexão entre pessoas e instituições e abraçando a colaboração e cooperação – pode libertar os nós de stress da ecologia digital, no geral, e das infraestruturas das Humanidades Digitais, em particular.

Legenda: conferência de encerramento “Open Access and Digital Humanities – Opening up to the world” proferida por Isabel Galina.

Conferência de encerramento “Open Access and Digital Humanities – Opening up to the world” proferida por Isabel Galina.

A conferência de encerramento proferida por Isabel Galina (Universidad Nacional Autónoma de México) reforçou igualmente a necessidade de as Humanidades Digitais se regerem pela colaboração entre investigadores e instituições, colocando ênfase na relevância do Acesso Aberto para a produção e circulação do conhecimento. Sendo presidente da Red de Humanidades Digitales, Galina trouxe para o debate uma importante reflexão sobre os meios de publicação académica e a geopolítica das Humanidades Digitais, as suas periferias e exclusões. Barreiras económicas, de linguagem, até de algum preconceito, na visão de Isabel Galina, são motivos de marginalização entre os centros e periferias do mundo académico e da produção de conhecimento. Não assumindo os novos modos de publicação das Humanidades Digitais como a solução definitiva para os problemas geopolíticos herdados da publicação tradicional, Isabel Galina terminou a sua conferência desafiando todos os presentes a estarem despertos para as desigualdades e barreiras estruturais, defendendo que só essa consciência poderá permitir um avanço nos modos de criar e divulgar o conhecimento na era digital.

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