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Temporary Autonomous Zones: ISSTA 2016

10/10/2016
Foto 1

Foto 1.

Texto e fotos de Tiago Schwäbl e Nuno Miguel Neves.

Decorreu de 7 a 9 de de Setembro, na cidade de Derry, Irlanda do Norte, a 6.ª Conferência da Irish Sound, Science, and Technology Association (ISSTA), fundada em 2009 por Kerry Hagan no âmbito do Digital Music Arts Research Centre (DMARC) da Universidade de Limerick, Irlanda, sob o tema Temporary Autonomous Zones.

O título da conferência reporta-se diretamente a Temporary Autonomous Zone, obra de culto escrita por Hakim Bey, que viria a influenciar directamente os movimentos sociais de inícios dos anos 90. No caso presente a referência ganha um sentido ainda mais específico dado o passado recente da cidade e os conflitos que durante décadas aí ocorreram entre a comunidade católica e a comunidade protestante. Esta é, de resto, a primeira vez que a associação irlandesa vê o seu evento anual ser realizado na Irlanda do Norte, no Magee Campus da Universidade de Ulster em Derry (Foto 1).

O Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura esteve representado por dois dos seus alunos, Nuno Miguel Neves e Tiago Schwäbl, associados ao projecto de investigação Vox Media – O Som na Literatura (Fotos 2 e 3).

Nuno Miguel Neves apresentou uma comunicação intitulada «Sound Poetry: Somewhere Between Phonotopia and Technophonia», uma comunicação que, dando resposta ao tema proposto pela organização, apresentava uma breve viagem entre as perspectivas utópicas das vanguardas do início do século XX e sua dissolução no surgimento das pós-vanguardas.

Tiago Schwäbl apresentou «Sound poetry: the voices that create language», comunicação tripartida a) na reflexão a partir de uma citação de Dworkin acerca de um possível grau zero da estrutura da linguagem, b) na análise de um excerto da obra de Alessandra Eramo, discutindo c) a criação de espaços linguísticos através da obliteração de outros, num acordo tácito entre performer e público na exploração dessas zonas temporárias de não-codificação.

Foto 2

Foto 2.

Foto 3

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A conferência, organizada com o apoio da Universidade do Ulster, contou com a participação de inúmeros investigadores, compositores electro-acústicos e autores que, ao longo dos três dias, deram a conhecer o seu trabalho e a sua investigação, embora seja de notar a ausência, na maior parte das intervenções, de referências ao tema específico da conferência: as TAZ.

Destaca-se, no entanto, a comunicação de Leigh Landy, keynote speaker, sobre o tema «On communities, spaces and a few other things in terms of the lo of sound-based music», que se desenvolveu a partir de uma série de binómios (elitismo/ comunidade, técnica/ performance…) a fim de sublinhar a questão: “para quem criamos?”. A parte final da argumentação desembocou uma interessante reflexão ontológica e legislativa sobre o sample: uma das suas observações recaiu sobre o facto de a ‘samplagem’ [sequenced sampling] acontecer já na cultura popular [folk] através da recontextualização, da recomposição e da criação de um repositório de acesso aberto de temas que são afinal património de todos, numa lógica comunitária ‘faça você mesmo’ [DIY – Do It Yourself]. Contudo, aponta Leigh Landy, a lei ainda não acompanha a realidade destes espaços de interesse partilhado.

Realce ainda para as apresentações de cariz mais tecnológico, com John King a apresentar Axis, uma ferramenta para manipulação áudio de loops rítmicos, e Robin Cox a explicar a Big Tent, uma estrutura portátil destinada a performances audiovisuais em ambiente imersivo a 360º.

O programa incluía também um conjunto alargado de instalações sonoras, dispostas por vários locais da cidade de Derry, bem como workshops e performances, que trouxeram ao evento uma componente prática e uma envolvência declarada entre a universidade, a arte e a comunidade.

Foto 4

Foto 4.

Foto 5

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Neste âmbito, destaque para The three stories are flattened, exposição de Katrina Palmer na Void Gallery, na qual se apresentavam diferentes manifestações de estreitamento da escrita/ leitura; Topophilia, peça eletroacústica de Nikos Stavropoulos onde se apresenta uma qualidade inédita de captação micro-espacial; e Remembering the Dead, de John F. Barber (académico norte-americano e fundador do site dedicado à poesia sonora Radio Nouspace), obra na qual uma lista de mortes por armas nos EUA alimenta um motor textual que por sua vez lê cada nome que surge no ecrã (Fotos 4 e 5).

Ao final do dia e noite dentro, houve espaço também para performances de sound art, música electrónica e poesia sonora no primeiro andar de um bar local, o Sandinos.

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