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Cognitive Futures in the Humanities 2016, Helsínquia (13 a 15 de Junho)

05/07/2016

Texto: Ana Marques da Silva e Diogo Marques

Fotos: © CogHum2016

O Congresso Internacional “Cognitive Futures in the Humanities 2016” decorreu entre 13 e 15 de junho de 2016 na cidade de Helsínquia, Finlândia. Organizado por Merja Polvinen (Helsinki Collegium for Advanced Studies / English philology, University of Helsinki), Karin Kukkonen (Department of Literature, Area Studies and European Languages, University of Oslo) e Esko Suoranta (doutorando em Filologia Inglesa pela Universidade de Helsínquia), em cooperação com o Departamento de Línguas Modernas da Universidade de Helsínquia e a Federation of Finnish Learned Societies, este congresso, com periodicidade anual faz parte da rede interdisciplinar e internacional de investigadores intitulada Cognitive Futures in the Humanities. Reunindo todos os anos investigadores de áreas como a literatura, narratologia, linguística, filosofia, história, psicologia, entre outras, um dos seus objetivos centrais passa pela promoção de debates sobre as possibilidades de partilha de informação entre as humanidades e as ciências cognitivas (como informam e como são informadas as humanidades no diálogo com as ciências cognitivas). Neste ano de 2016, o congresso contou com a presença de mais de cem comunicações distribuídas por cerca de trinta painéis. Os vários dias foram ainda pautados por uma série de Keynote Lectures, apresentadas por Peter Garratt (Universidade de Durham, “Otto Inside the Museum”), Pirjo Lyytikäinen (Universidade de Helsínquia, “Exploring Emotions in the Cognitive Study of Literature”), Deirdre Wilson (University College London e CSMN, Oslo, “Explaining Metonymy”), e Anne Mangen (Universidade de Stavanger, “The Digitization of Reading and Writing: What May Be in It for Cognitive Humanities?”).

Anne Mangen (Universidade de Stavanger) defende que a leitura em dispositivos móveis como o iPad confunde a percepção espacial e temporal do leitor em relação ao texto. #coghum2016

 

O programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura fez-se representar pelos doutorandos Ana Marques da Silva, com a comunicação “Algorithmic Cognition in Literary Machines: Understanding and Hacking the Apparatus”, e Diogo Marques, com a comunicação “(Im)movable Bodies or (Un)moving Texts? Haptic Reading Processes in Electronic Literature”. No painel “Text, Body and Technology” participou também Matt Hayler, da Universidade de Birmingham, com a comunicação “Thinking About Hacked Thinking: 4E Cognition for the Augmented Body”. Ambas as comunicações exploraram a intersecção entre digital e literatura, bem como a possibilidade de partilha de informação recíproca entre os estudos literários e as ciências cognitivas, nomeadamente no que diz respeito às noções de “cognição corporificada” e “cognição distribuída”, por sinal, muito discutidas ao longo dos três dias da conferência. Destaque ainda para um dos momentos altos do painel, que consistiu num debate profícuo entre os três participantes sobre as (in)distinções entre transhumanismo e pós-humanismo. Num contexto interdisciplinar com forte influência da vertente narratológico-discursiva, as comunicações apresentadas permitiram, deste modo, estender o debate em torno das relações entre as humanidades e as ciências cognitivas à questão digital.

Os doutorandos Ana Marques da Silva e Diogo Marques participaram ainda num workshop pré-conferência promovido pela organização e conduzido por Anne Mangen (Stavanger) e Caroline Bassett (Sussex/HCAS), no qual cerca de uma dezena de doutorandos e recém-doutorados apresentaram as suas teorizações e questões em torno do tema “Digitisation and Cognition: Joint Futures for the Humanities?”. Do workshop resultaram debates merecedores de reflexão, com destaque para os seguintes: (1) podem as humanidades e as ciências cognitivas trabalhar em conjunto para um melhor entendimento dos processo de leitura?; (2) podem as perspectivas cognitiva e empírica em torno dos processos de leitura acrescentar algo sobre a progressiva digitalização da última (entre outras práticas culturais)?; (3) podem as tecnologias digitais contribuir com novos métodos na área das humanidades cognitivas?

Erika Fülöp e as “hiperligações” nos manuscritos de Marcel Proust. #coghum2016

Por último, recomenda-se vivamente a visita à página web da Conferência, na qual se encontra publicada uma série de entrevistas com os vários Keynote Speakers e as suas diferentes posições no que diz respeito ao futuro das humanidades cognitivas.

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