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(E)migrations, Transfers, Exiles: Crossbreedings and Dynamics of the City

21/04/2015

Texto: Caio Di Palma e Manaíra Aires Athayde. Fotos: Manaíra Aires Athayde

Realizou-se na Universidade de Masaryk, na cidade de Brno, República Checa, o Colóquio Internacional (E)migrations, Transfers, Exiles: Crossbreedings and Dynamics of the City. Organizado pela Faculdade de Artes e pelo Instituto de Línguas e Literaturas Românicas, em parceria com o Instituto Camões e a République Française, o evento ocorreu entre os dias 16 e 19 de abril. Contou com a participação de estudiosos, professores e investigadores de diversas áreas de estudos, provenientes de quinze países.

Congresso Brno 1

A conferência de abertura foi realizada pelo professor Peter Klaus, da Freie Universität (Berlim). A apresentação incidiu sobre o conceito de «transculturalidade» , observado a partir dos fluxos migratórios de Montréal, no Canadá.

Numa proposta de discussão interdisciplinar sobre os fenômenos (e)migratórios nas dinâmicas civilizacionais do mundo moderno, foram temas recorrentes a problemática das fronteiras e das zonas híbridas nas identidades culturais contemporâneas; os movimentos étnico-sociais; as paisagens artísticas e literárias sobre as relações interculturais; o diálogo dinâmico entre a construção das cidades e a emergência de estéticas híbridas; movimentos caóticos, marginais e dialógicos nas cidades e nas artes contemporâneas; a revisitação crítica das relações históricas luso-africanas e luso-brasileiras em escritores contemporâneos.

Destaca-se esta última linha de investigação como uma das mais expressivas. Num Colóquio em que foram aceites comunicações em francês, italiano, português e espanhol, é de se notar que em grande parte das sessões paralelas, pelo menos uma delas era dedicada a autores de língua portuguesa ou a questões envolvendo esse idioma. Observa-se que grande parte dos trabalhos não pertenceu a falantes maternos do português, distinguindo-se investigadores da República Tcheca, Hungria, Bulgária e Itália – um dado importante para se perceber a adesão desses núcleos de investigação em língua portuguesa à temática do Colóquio.

«Mistérios de África» foi a única temática do evento que ocorreu em três sessões. Orlanda Amarílis, Inácio Rebelo de Andrade e Ondjaki figuraram entre os autores trabalhados. Discutiu-se sobre as políticas linguísticas em Cabo Verde, Angola, Moçambique, Portugal e Brasil. Da literatura brasileira, comunicações debruçaram-se sobre obras de Milton Hatoum, Ignácio de Loyola Brandão e Sérgio Sampaio, e do dramaturgo Nelson Rodrigues. Da literatura portuguesa, Ruy Belo e Miguel Torga foram os poetas evocados, e o dramaturgo Jorge Silva Melo. António Lobo Antunes teve uma sessão dedicada à sua obra, a única exclusiva a um escritor em todo o Colóquio, com interessantes intervenções envolvendo palestrantes de Portugal, Hungria e República Tcheca.

Congresso Brno 2

Fachada de um dos edifícios principais da Universidade de Masaryk, no centro de Brno.

Dentre os palestrantes – advindos de áreas como antropologia, artes, filosofia, literatura, sociologia e políticas econômicas internacionais –, o Colóquio contou com a participação de dois investigadores do Programa de Doutoramento em Estudos Avançados de Materialidades da Literatura, da Universidade de Coimbra. Manaíra Aires Athayde, com a comunicação «Os Poucos Poderes e a emigração portuguesa [de ontem e de hoje]», trabalhou com a interface entre literatura e fotografia, e Caio Di Palma com a interface entre literatura e música, na comunicação intitulada «Silêncio e Pantonalidade enquanto materialidade estética em John Cage». Esses dois trabalhos exemplificam a promoção interdisciplinar entre “artes e sociologia”, “artes e filosofia”, “estudos interartes” que (E)migrations, Transfers, Exiles promoveu, num importante momento científico em que pudemos ficar ainda mais conscientes dos fluxos migratórios, quer dentro da nossa língua, quer nos outros espaços linguísticos contemplados pelo evento. Ou, ainda, que pudemos observar como temos sido observados em outras esferas que não partem da comunidade de língua portuguesa, aproximando-nos também de outras dinâmicas de espaço que nos pareciam mais distantes.

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