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Veronica Stigger, «Maria Martins e a Amazônia: entre a palavra e a imagem»

27/06/2014

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Veronica Stigger fará uma conferência no próximo dia 8 de julho de 2014, pelas 15h00, na Sala Ferreira Lima (6º piso, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), intitulada «Maria Martins e a Amazônia: entre a palavra e a imagem». Esta iniciativa é uma organização do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura (Programa Doutoral FCT), em colaboração com o Programa de Pós-graduação em Literatura de Língua Portuguesa: Investigação e Ensino.

Resumo
Em sua terceira exposição individual, realizada em Nova York em 1943, a escultora brasileira Maria Martins apresentou oito peças em bronze que representavam personagens da mitologia amazônica. Essas peças apareciam acompanhadas de um catálogo, em inglês, no qual Maria Martins narra brevemente os mitos que envolviam as oito personagens: Amazônia, Cobra Grande, Boiúna, Yara, Yemenjá, Aiokâ, Iacy e Boto. Se antes suas esculturas tendiam a uma representação mais tradicional da figura humana, com contornos definidos, agora as personagens, embora ainda reconhecíveis, se fundem a um emaranhado de folhas e galhos que fazem as vezes da floresta tropical. A figura humana começa, a partir de então, a se integrar à natureza, confundindo-se com esta e, em última instância, metamorfoseando-se nela. Pretende-se mostrar aqui como o encontro com o imaginário amazônico determina uma mudança decisiva na concepção formal dos trabalhos de Maria Martins. Para tal, relacionaremos sua obra com todo um pensamento brasileiro moderno (e não só modernista) da forma como formação incessante, presente, por exemplo, em Euclides da Cunha, Raul Bopp e Mário de Andrade, para os quais a Amazônia também foi uma paisagem determinante.

Escritora, crítica de arte e professora universitária, Veronica Stigger é doutorada em Teoria e Crítica de Arte pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorada pela Università degli Studi di Roma “La Sapienza” e pelo Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP). É coordenadora do curso de Criação Literária da Academia Internacional de Cinema e professora das Pós-Graduações em História da Arte e em Fotografia da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Entre seus livros, estão O trágico e outras comédias (Coimbra: Angelus Novus, 2003; Rio de Janeiro: 7Letras, 2004 e 2007 [2ª ed.]), Gran Cabaret Demenzial (São Paulo: Cosac Naify, 2007), Os anões (São Paulo: Cosac Naify, 2010) e Opisanie świata (São Paulo: Cosac Naify: 2013; Prêmio Machado de Assis de 2013, da Fundação Biblioteca Nacional).

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