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Minicurso sobre Materialidades da Literatura

03/05/2013

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Manaíra Athayde, «Pensar as Materialidades da Literatura: Que admirável mundo (de chips) novo é este?», 9º Encontro Lusófono de Literatura da Trofa, 11 de maio de 2013, 14h30-18h30, Casa da Cultura da Trofa.

«As emoções que a literatura suscita são, talvez, eternas, mas os meios devem variar constantemente, mesmo que de modo levíssimo, para não perder sua virtude.» (BORGES, Obras Completas, 1974, p. 167).

Certamente quando Jorge Luis Borges fala em «meios» está a se referir a estruturas de composição na arte de narrar, mas facto é que a citação bem pode ser atualizada à leitura de novos meios que têm transformado parte da sintaxe da literatura nos últimos anos. Trata-se de problemáticas que trazem fundamentalmente uma prospectiva dos cenários deste século, a saber esferas que ainda não cabiam no «Admirável Mundo Novo» de Aldous Huxley, bem como em muitos outros livros que marcam o século XX. É pertinente questionar como esse mundo high tech de hoje, e o seu universo de hardware e software, de ecrãs e touch screen, está na literatura – não só na forma como se produz textos literários, mas na maneira cada vez mais peculiar com que eles são recepcionados. O que se propõe é pensar a literatura como «media» e suscitar a partir daí diversas discussões. A refletir: (1) O emblema da literacia e a crescente diminuição das competências de leitura, num mundo em que há cada vez mais leitores digitais e onde se lê cada vez menos textos impressos; (2) As mudanças de suporte e as propriedades não naturalizadas; (3) O modo como os dispositivos maquinais podem estar na construção do pensamento humano; (4) O texto eletrónico como continuidade do texto impresso; (5) O espaço do livro impresso e o livro impresso como espaço e dispositivo interativo; (6) A existência de clássicos ou cânones no mundo literário digital; (7) A migração do património literário para arquivos digitais; (8) Os direitos de autor num universo propício à apropriação, à reprodução instantânea e à fugacidade. Suscitamos, enfim, criar um périplo de reflexões sobre o sistema de articulações literárias em circuitos eletrónicos, nesse novo corpo (ou corpus) cada vez mais informe que é o da literatura no século XXI.

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