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«Estranhar Pessoa com as Materialidades da Literatura»: participantes e comunicações

19/05/2012

O 1º Colóquio do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura tem como tema central a obra de Fernando Pessoa, objecto também do Projecto de Investigação, financiado pela FCT, «Nenhum Problema Tem Solução: Um Arquivo Digital do Livro do Desassossego». Realizado em parceria com o ELAB (Laboratório de Estudos Literários Avançados) da FCSH da Universidade Nova de Lisboa, o colóquio visa submeter a obra de Pessoa a uma leitura centrada nas suas dimensões materiais: filológicas, mediáticas, performativas, hermenêuticas.

PROGRAMA

9h 30m
Mod.: Rita Marnoto, Directora do DLLC
‘Nenhum problema tem solução: um arquivo digital do Livro do Desassossego’, Manuel Portela
‘Listas do Desassossego’, Pedro Sepúlveda

11h 30m
Mod.: Maria Irene Ramalho
‘Platão no Ribatejo: notas sobre as Notas’, Ricardo Namora
‘Porquê editar a Marginalia pessoana?’, Maria do Céu Estibeira

14h 30m
Mod.: José Augusto Cardoso Bernardes, coordenador do CLP
‘Estranhamentos: escritas cénicas na Viena de 1900’, António Sousa Ribeiro
‘A máscara de papéis: Pessoa leitor de Oscar Wilde’, Jorge Uribe

16h 30m
Mod.: António Sousa Ribeiro
‘A máquina triunfal: a importância da máquina de escrever na proliferação heteronímica pessoana’, Zhou Miao
‘As únicas coisas nobres que a vida contém’, Osvaldo Manuel Silvestre

Sala do CLP, 7º piso da FLUC


Resumos e Notas Curriculares

Título: ‘Nenhum Problema Tem Solução: Um Arquivo Digital do Livro do Desassossego
Autor: Manuel Portela, CLP

O projeto ‘Nenhum Problema Tem Solução: Um Arquivo Digital do Livro do Desassossego‘ tem como objetivo a criação de um arquivo digital hipermédia dedicado à obra Livro do Desassossego (LdoD), de Bernardo Soares/Fernando Pessoa . O arquivo agregará fac-símiles digitais dos materiais documentais do LdoD, transcrições diplomáticas desses materiais, uma tábua de concordâncias para as principais edições portuguesas publicadas entre 1982 e 2010, e ainda ferramentas de pesquisa e análise textual. O objetivo é combinar uma edição genética e uma edição social do LdoD, mostrando-o como rede potencial de intenções autorais e como construção conjetural dos seus sucessivos editores. Esta comunicação descreve a representação digital da dinâmica dos atos de escrita e de edição na produção e reprodução do LdoD, enquadrando-a em projetos similares da última década.

Manuel Portela é Professor Auxiliar Agregado no Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Coimbra. É investigador do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. Colabora como investigador no projeto ‘PO-EX ’70-’80: Arquivo Digital de Literatura Experimental Portuguesa’ (2010-2013, CECLICO, Universidade Fernando Pessoa) e é o investigador responsável pelo projeto ‘Nenhum Problema Tem Solução: Um Arquivo Digital do Livro do Desassossego’ (2012-2015, CLP, Universidade de Coimbra).


Título: Listas do Desassossego
Autor: Pedro Sepúlveda, ELAB

O espólio de Fernando Pessoa alberga múltiplos papéis que não chegaram a constituir livros, mas que na maioria dos casos foram concebidos com esse propósito. É o que acontece no caso do Livro do Desassossego, onde uma aparente desordem dos materiais legados contrasta com uma persistente ideia estruturante de livro. Para além dos textos concebidos explicitamente como parte integrante do mesmo, numerosas listas editoriais testemunham a presença de uma ideia de edição permanentemente adiada. Estas listas, entre as quais importa distinguir listas de projetos editoriais e planos de estruturação do livro, não só possuem um propósito pragmático, como lhe conferem um sentido e uma posição no conjunto da obra. Através da análise deste corpus, resultante de uma recolha dos documentos com propósito exaustivo, procurar-se-á traçar a história deste planeamento e mostrar o modo como a conceção do Livro dele depende.

Pedro Sepúlveda é doutorando, investigador e membro fundador do ELAB (Laboratório de Estudos Literários Avançados), unidade de investigação associada à FCSH da Universidade Nova de Lisboa, onde colabora no projeto Estranhar Pessoa: um escrutínio das pretensões heteronímicas. É desde 2008 bolseiro da FCT e está a concluir o doutoramento na FCSH da Universidade Nova de Lisboa, com uma tese intitulada Os Livros de Fernando Pessoa, depois de ter concluído o mestrado em Filosofia, sobre o problema da linguagem em Heidegger, na Universidade de Colónia. Os seus interesses atuais incluem o estudo de autores da modernidade literária e filosófica, a tradução de escritores de língua alemã e, mais recentemente, a edição da obra de Pessoa.


Título: ‘Platão no Ribatejo: notas sobre as Notas
Autor: Ricardo Namora, CLP

A partir das “Notas para a recordação do meu mestre Caeiro”, de Álvaro de Campos, pretende discutir-se as implicações da atribuição de um estatuto tutelar ao primeiro no contexto do simpósio da heteronímia. Para além disso, serão descritos outros tópicos, a saber: i) a possibilidade de uma arqueologia dos heterónimos pelo lado dos afectos; ii) a materialidade individual correlativa dos heterónimos; iii) as possibilidades materiais do real e respectivas consequências epistemológicas.

Ricardo Namora ensinou na Escola Superior de Educação de Coimbra e é actualmente investigador do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra, onde trabalha sobre estética e hermenêutica. Fez os seus estudos nas Universidades de Coimbra (L, 2001; M, 2010) e de Lisboa (M, 2004; D, 2009). Escreveu ensaios sobre o mito, a construção das crenças, teorias da ficção, semiótica e epistemologia, para além de um livro sobre teoria da literatura em Portugal.


Título: ‘Porquê editar a marginalia pessoana?’
Autora: Maria do Céu Estibeira, ELAB

A edição da marginalia de Fernando Pessoa (considerada por muitos como um segundo espólio) assume-se como imprescindível no universo dos estudos pessoanos, podendo ser considerada como uma extensão da sua produção literária, ao mesmo tempo que é reveladora do seu “work-in-progress” enquanto poeta e ensaísta. A presente comunicação pretende dar a conhecer algumas das especificidades da marginalia incluída na Biblioteca Particular de Fernando Pessoa, bem como apresentar algumas problemáticas e dificuldades inerentes à sua edição.

Maria do Céu Estibeira é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Variante Português/Inglês); Mestre em Literatura Comparada (Uma Introdução à Marginalia de Fernando Pessoa); Doutorada em Estudos da Literatura e Cultura – Variante Estudos Comparatistas, com a Dissertação A Marginalia de Fernando Pessoa (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa). Encontra-se a frequentar o Programa de Pós-Doutoramento em Estudos Comparatistas, prosseguindo a investigação na área dos estudos pessoanos. Publicou diversos artigos em Portugal e no estrangeiro e participou em diversos encontros e congressos da mesma área.


Título: ‘Estranhamentos: materialidades da escrita na Viena de 1900’
Autor: António Sousa Ribeiro, CES

Estranhar Pessoa significa também olhar a obra pessoana de uma perspectiva não apenas atenta à sua profunda originalidade, mas também às convergências que a relacionam com outras referências cimeiras do modernismo europeu. A comunicação irá propor alguns fragmentos de uma reflexão comparatística que, partindo de Karl Kraus e passando brevemente por autores como Kafka e Hofmannsthal, visa um levantamento de dimensões relevantes da materialidade da escrita no contexto modernista.

António Sousa Ribeiro é professor catedrático da Secção de Estudos Germanísticos do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e investigador sénior do Centro de Estudos Sociais da UC. Publicou extensamente sobre diferentes tópicos no âmbito dos Estudos Germanísticos, da Literatura Comparada, da Teoria da Literatura, dos Estudos Culturais, dos Estudos Pós-Coloniais, dos Estudos de Tradução e da Sociologia da Cultura. Tem-se dedicado ocasionalmente à tradução literária.


Título: ‘A máscara de papéis: Pessoa leitor de Oscar Wilde.’
Autor: Jorge Uribe, ELAB

Na Biblioteca Particular de Fernando Pessoa existem seis livros de Oscar Wilde, mais quatro sobre ele e ainda dois que estão diretamente relacionados com este autor. Por outro lado, no espólio da Biblioteca Nacional encontram-se mais de setenta documentos relacionados com o autor de The Portrait of Mr. W. H.; alguns são esboços de ensaios dedicados a assuntos relacionados com a figura de Wilde como autor; outros são traduções dos seus poemas; mas sobretudo, muitos são planos editoriais que implicam um profundo conhecimento da obra wildeana por parte de Pessoa e um marcado interesse por fazer que outros, possivelmente os leitores da própria obra, partilhassem o dito conhecimento. Estes papéis manifestam a intenção não realizada de criar um aditamento na leitura de Wilde, uma mediação necessária na medida em que esta poderia prestar favor à obra pessoana e estabelecer assim uma estreita relação entre dois autores que partilham mais do que uma atração pela ideia de fingir ou mentir em arte.

Jorge Uribe é Licenciado da Faculdade de Artes e Humanidades na Universidad de los Andes, Bogotá, e actualmente é doutorando do programa de Teoria da Literatura da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Publicou textos de Fernando Pessoa como co-editor em Sebastianismo e Quinto Império (Ática, 2012) e como editor em A Demonstração do Indemonstrável (Ática, 2011) e Trovas do Bandarra (2010).


Título: ‘A Máquina Triunfal: a importância da máquina de escrever na proliferação heteronímica pessoana’
Autora: Zhou Miao, CLP

A máquina de escrever marca uma diferença significativa entre as práticas literárias modernistas e pré-modernistas. O caso de Fernando Pessoa/Álvaro de Campos oferece-nos um exemplo excelente. Na criação do famoso “Dia Triunfal”, Pessoa especificou que a Ode Triunfal de Álvaro de Campos (“a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem”) surgiu “num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda” (carta a Casais Monteiro em 13 de Janeiro de 1935). O facto é que o próprio Pessoa tinha clara consciência que a máquina de escrever afectava a sua escrita (como ele próprio revelou em algumas cartas a seus amigos). Até que ponto é que devemos tomar o “efeito” da máquina de escrever em consideração quando analisamos a poética de Pessoa/Campos? O nosso trabalho visa reflectir sobre esta questão, através duma leitura comparativa das poesias de Alberto Caeiro e de Álvaro de Campos.

Zhou Miao licenciou-se em Língua e Cultura Portuguesas pela Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, em 2008. Obteve o grau de Mestre na FLUC, com a dissertação «Mundividência Esotérica e Poética Iniciática de Fernando Pessoa». Comunicações apresentadas: «O Mito, o Zen, o Dia Triunfal» (Mito e História, Univ. de Évora, Out/2011), «Repensar a qualidade Zen de Alberto Caeiro» (1912-2012 A Time to Reason and Compare, Univ. do Porto, Mar/2012). Encontra-se neste momento a preparar a sua tese de doutoramento sobre «Problemática metafísica e especulação esotérica na poesia portuguesa da modernidade – de Antero a Régio».


Título: ‘As únicas coisas nobres que a vida contém’
Autor: Osvaldo Manuel Silvestre, CLP

No Livro do Desassossego Pessoa/Soares escrevem a certa altura: «Ver e ouvir são as únicas coisas nobres que a vida contém. Os outros sentidos são plebeus e carnais». Nesta comunicação tentar-se-á interrogar, em certos lugares do corpus pessoano, a emergência e a oscilação entre aquilo a que, a partir de Walter Benjamin e Rosalind Krauss, se chamará o «inconsciente óptico», e, analogamente, o que se designará «inconsciente sonoro», enquanto modalidades, tipicamente modernistas, de manifestação do medium ou da sua transparência ideal.

Osvaldo Manuel Silvestre é doutorado em Teoria da Literatura e Professor Auxiliar do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Dirigiu a licenciatura de Estudos Portugueses e Lusófonos entre 2006 e 2009. Publicou ensaios e livros sobre questões de teoria, estética, literaturas de língua portuguesa, literatura comparada, artes e crítica cultural. É membro do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra.


Créditos

O colóquio «Estranhar Pessoa com as Materialidades da Literatura» é uma actividade do grupo de investigação Poéticas, do Centro de Literatura Portuguesa, sob coordenação de Marta Teixeira Anacleto.

Comissão Científica: Abel Barros Baptista, António Sousa Ribeiro, Manuel Portela, Osvaldo Manuel Silvestre

Comissão Organizadora: Manuel Portela, Osvaldo Manuel Silvestre, Ricardo Namora

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