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Materialidades da Literatura e Modernidades Comparadas

09/05/2012

O 3º Colóquio da Primavera, com o tema “Modernidades Comparadas: Estudos Literários/Estudos Culturais Revisitados“, decorre a 10 e 11 de Maio de 2012 na Universidade do Minho. Este colóquio é organizado pelo Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho, com a participação do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra e da Universidade de Santiago de Compostela. O colóquio conta com a participação de dois docentes do Curso de Doutoramento em Materialidades da Literatura: Osvaldo Manuel Silvestre, com a comunicação ‘Repensar a Semana de Arte Moderna fora do museu’, e Ricardo Namora, com a comunicação ‘O geriatra e o punk: a modernidade cultural vista por Habermas e Hebdige’.

Osvaldo Manuel Silvestre: ‘Repensar a Semana de Arte Moderna fora do museu’

Ao que sabemos, a Semana de Arte Moderna foi um evento mais performativo do que expositivo. E contudo, as representações da Semana produzidas pela História Literária, ou pelas histórias das várias disciplinas artísticas mobilizadas pelo evento, tendem todas à museologia enquanto instituto de canonização. Nesta breve intervenção tentar-se-á proceder a uma reconstrução da Semana de modo a demonstrar que precisamos de deslocar a sua representação dominante para a área da performance e das práticas intermédia. A título exemplificativo, explorar-se-á o modo como a figura de Flávio de Carvalho, modernista multidisciplinar em processo actual de recuperação, nos ajuda a pensar uma outra versão da Semana de Arte Moderna e da sua posteridade na vanguarda brasileira.

Ricardo Namora: ‘O geriatra e o punk: a modernidade cultural vista por Habermas e Hebdige’

Num famoso texto de 1980 (“Modernidade – um projecto imcompleto”), Jurgen Habermas descreve a modernidade cultural como o ponto preciso em que um processo histórico meticulosamente urdido, que remonta ao Iluminismo, é colocado em causa por aquilo a que chama “neo-conservadorismo”. O seu argumento, que é, ao mesmo tempo, historicista e etiológico, deixa implícito o tópico do envelhecimento, que se consubstancia na dinâmica da autonomia dos segmentos epistemológicos, que assim se separam da “comunicação quotidiana”. Apesar disto, porém, Habermas deplora aquilo a que chama de “negação da cultura”, sugerindo alternativas de adaptabilidade e uma forma peculiar de optimismo hermenêutico. Um ano antes do texto de Habermas, Dick Hebdige havia publicado o livro de referência da noção de sub-cultura, Subculture – The Meaning of Style. Nele, Hebdige subscreve a noção de que o progresso cultural não é realmente um progresso, mas uma dialéctica entre “subculturas” e culturas “hegemónicas”, em que os conteúdos ideológicos da disputa são, em quase todos os momentos, cruciais. A modernidade cultural é, no seu argumento, um momento árido em que o movimento “punk” epitomiza a recusa das “formas normalizadas” do aparato cultural. Pretende-se, com esta comunicação, discutir a validade relativa dos dois argumentos e tentar perceber se, 30 anos depois, qualquer deles ainda faz sentido.

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